<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-5704503579441133124</id><updated>2012-02-08T01:46:45.363-08:00</updated><category term='Paulo Freire'/><category term='Concílio Vaticano II'/><category term='Documento fundacional; Declaração de princípios; Linhas de atuação'/><category term='Luciano Batista'/><category term='militância social'/><category term='Juventude'/><category term='Diaconía'/><category term='Brasil'/><category term='a acção social da Igreja'/><category term='Convenção Batista Paraibana'/><category term='Justiça'/><category term='Pastorais Sociais'/><category term='Religiosidade'/><category term='Concilio Vaticano II'/><category term='Crimes de tortura não podem nunca prescrever'/><category term='Ecumenismo'/><category term='vida cristã'/><category term='Teologia da Enxada'/><category term='SEguimento de Jesus'/><category term='Sacerdócio Universal'/><category term='Assembléia Popular/PB'/><category term='Vida de Jesus'/><category term='Puebla'/><category term='serviço aos pobres'/><category term='Bibliografia do Pe. José Comblin'/><category term='Direitos Humanos'/><category term='Golpe militar de 1964'/><category term='Pobreza'/><category term='Igreja posconciliar'/><category term='Violência'/><category term='Ação cristã'/><category term='Igreja dos Pobres'/><category term='Religião'/><category term='Fotos Comblin'/><category term='Dom Fragoso'/><category term='Comuniddes Eclesiais de Base'/><category term='Sacrifício dos Inocentes'/><category term='Carta Aberta'/><category term='Comblin'/><category term='Reginaldo Veloso'/><category term='Espírito Santo'/><category term='Padre José Comblin'/><category term='Teologia da Libertação'/><category term='Cotidiano'/><category term='Plebiscito pela limitação da propriedade agrária'/><category term='Medellín'/><title type='text'>Kairós-Nós também Somos Igreja</title><subtitle type='html'>Trata-se de um espaço de intercâmbio de experiências no campo da vida cristã, entre pessoas que partilham um ideal de fraternidade, verdade, liberdade e justiça.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5704503579441133124/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>NóS TAMBÉM SOMOS IGREJA</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/_WEl_XV8J-QQ/Sc_ZA4N4RZI/AAAAAAAAAAM/W94cLwnoJjM/S220/Eu+e+Mel%C3%A2nia+nos+nossos+50+anos.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>54</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5704503579441133124.post-5013953985527794556</id><published>2012-02-08T01:45:00.000-08:00</published><updated>2012-02-08T01:46:45.379-08:00</updated><title type='text'>Joseph Julles Comblin, simplesmente, “Padre José”, por Antonio Jorge Siqueira</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-Tr_8WWtOhTw/TzJEdpfj2hI/AAAAAAAAAEU/inCLBX6lsoc/s1600/Comblin.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 258px; height: 196px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-Tr_8WWtOhTw/TzJEdpfj2hI/AAAAAAAAAEU/inCLBX6lsoc/s400/Comblin.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5706698953976961554" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Nas trilhas de José Martí, reverenciamos aqui a pessoa do teólogo Comblin, ele, como Martí, um apóstolo da Nuestra America. No contexto histórico da segunda metade do século XX, na Bélgica, ele é ordenado padre católico, após ter feito estudos de Teologia na Universidade de Louvain. Nessa universidade teve prestigiosos professores como Lucien Cerfaux e Gustave Thils. Após defender tese de mestrado e doutorado, assume o trabalho de vigário em paróquias católicas belgas, durante oito anos, tempo suficiente para se inquietar em definitivo com o marasmo do cristianismo católico europeu: centralizador, conservador e colonialista. Na lógica de uma política neoultramontana, a Cúria Romana da época, sob a égide do pontificado de Pio XII, deflagra uma estratégia administrativa de natureza religiosa e colonialista junto ao episcopado da Europa no sentido de enviar padres para a América Latina, a joia da Coroa do catolicismo legado pelos colonizadores ibéricos. Naqueles anos, Roma se inquietava com os avanços no continente Sul da América do que chamava de comunismo ateu, protestantismo proselitista e espiritismo maléfico. Decerto, uma preocupação muito distante daquelas inquietações do Padre Comblin, cujo trabalho pastoral belga já se inspirava nas diretrizes da Juventude Operária Católica, liderada pelo seu conterrâneo, um outro José, mundialmente conhecido como padre Cardijn.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A itinerância de quem busca trilhas e caminhos novos passa a ser o diferencial de vida desse viajante, até os últimos dias de vida. Em Comblin não existem portos de partida nem aeroportos definitivos de chegada. Na sua vida, chegar a outro lugar não depende apenas de partir de algum lugar. Movido por desafios dessa natureza, ele torna-se peregrino e itinerante de Nossa América, sem se abater pelas distâncias. Afinal, elas são mais sociais do que geográficas. Tão pouco se deixa amedrontar pelos abismos autoritários de nossas elites nacionais, quase sempre legitimadas pelo conservadorismo carcomido do catolicismo clerical e de sacristia, como aquele que irrompeu na Conferência de Puebla e, logo depois, em São Domingo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, a itinerância desse andarilho o traz com a idade de trinta e seis anos, em 1958, ao Brasil onde, em São Paulo, a convite do Bispo de Campinas, Dom Paulo de Tarso, desembarca com dois outros companheiros de caminhada, os padres Michel Schooyans e Laga. Apenas uma curta parada – que serão diversas, aliás – nessa nova experiência de vida. Três anos após, concluiu que outros caminhos a trilhar lhe exigiriam mais esforço e obstinação. No começo dos anos sessenta, Comblin ergue a cabeça, mira os horizontes dos seus desassossegos e enxerga, mais adiante, a cordilheira dos Andes. Migra então para o Chile, onde, durante três anos lecionará na Faculdade de Teologia da Universidade do Chile. Viajor contumaz, nesse período, retorna frequentemente ao Brasil em época de férias. Numa delas, em 1965, aqui em Recife, encontra-se com Dom Helder Câmara, que o convida para assessorá-lo e também para lecionar no Instituto de Teologia, onde a arquidiocese formava padres para os desafios cristãos e políticos do Nordeste brasileiro daqueles tempos. Nômade dos caminhos dessa nova Igreja da América viaja, dessa vez, nas asas de um tempo futuro – todo futuro é um tempo de sonhos – desenhado nos marcos de uma teologia inquieta, porque libertadora. Nessa viagem seminal e histórica, formata as linhas mestras daquilo que seria o documento primacial da Conferência de Medellin, na Colômbia. Uma viagem sem volta que Comblin percorreu dialogando em companhia de Gustavo Gutierrez, do Peru, e Juan Luis Segundo, do Uruguay. Um registro de esperança eclesial posto que criavam as condições novas de um Igreja profética e, em sendo profética, seria desestabilizadora. Viagem ousada, porque com essa teologia concebem as linhas mestras de uma “Igreja preferencial dos pobres” cuja semente seria plantada pelo episcopado latino-americano que, naquele momento, se mostrou intérprete dos clamores da maioria católica do continente e, principalmente, receptivo ao profetismo de Helder Câmara e José Maria Pires, do Brasil; de Manuel Larrain e Carlos González, do Chile; de Leonidas Proaño, do Equador e de Mendez Arceo, do México, entre tantos outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comblin, portanto, torna-se exemplarmente peregrino de suas convicções, seja nas partidas quanto nas chegadas de suas trajetórias de viandante. Por isso mesmo é, também, um transgressor dos cânones eclesiásticos estabelecidos, ao longo e durante todos e quaisquer desses trajetos de sua existência na América Latina. Aqui no Recife, com Helder Câmara, permanece até 1972, quando então se torna persona non grata à direita reacionária e aos agentes da ditadura militar brasileira. O rascunho daquilo que seria o “Documento Básico para a Segunda Conferência Geral do CELAM”, cuidadosamente elaborado sob as inspirações proféticas do Vaticano II, foi apreendido pela direita do regime militar. De documento reservado que era, da noite para o dia, é estampado estrepitosamente na imprensa nacional, de norte a sul. Era a senha que a TFP brasileira – Tradição, Família e Propriedade – precisava para enxovalhar D. Helder, seus colaboradores e denegrir a experiência bem sucedida das Comunidades Eclesiais de Base. Humilhado em um dos seus retornos da Europa, Comblin é preso num avião que o trouxera e banido do país que o acolhera em plena semeadura dos seus sonhos e do seu apostolado profético.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De novo o nosso teólogo se faz retirante e, mais uma vez, volta ao Chile, apostando nas esperanças de uma democracia consolidada naquele país, sob o governo de Salvador Allende, que sucumbiria ao furacão Pinochet, cujo regime ditatorial o expulsaria do país nos idos de 1980. Do lado de cá dos Andes, os anos de chumbo da ditadura brasileira davam sinais de um retorno “lento e gradual” à normalidade democrática e aos direitos civis da cidadania. Foi promulgada a Lei de Anistia, em agosto de 1979. Era a senha que Comblin precisava para, nos dias finais do ano de 1980, regressar ao Brasil, onde seria precariamente acolhido como turista, tendo contado para isso com a intervenção de Dom Evaristo Arns, arcebispo de São Paulo. Só que essa condição de viver o Brasil e no Brasil, obrigava Comblin a retirar-se do país de três em três meses, a fim de obter a renovação do seu visto temporário. Comblin sempre foi um itinerante dos seus sonhos e transgressor de suas convicções. Por isso mesmo a memória histórica dessa precariedade de sua estadia no Brasil, em particular, e na América Latina, em geral, reforça a opção radical de sua experiência religiosa peregrina, que se repagina, se redefine, se resignifica e se refaz nos escaninhos do tempo, até o momento de sua morte, em março deste ano de 2011. Do mesmo modo, essa memória evidencia a percepção e adoção de vertentes teológicas que mudam e se transmudam em novos significantes e significados, numa pluralidade de sentidos e de valores éticos. Um pensamento transgressor e pluridimensional pouco comum com o que nos habituamos a conviver e raciocinar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Finalmente, nesses idos dos anos oitenta, Comblin parece sedentarizar-se com a volta, no Brasil, da democracia política e do Estado de direito. Apenas parece. Os ventos conservadores do papado de Karol Wojtyla – que seria substituído, anos depois, pelo inquisidor-mór da Cúria vaticana, o atual papa Joseph Ratzinger – tornaram-se e permanecem mais fortes que as suaves brisas de renovação do Concílio Vaticano II. A colina de Roma torna-se, assim, mais tormentosa que o “Morro dos Ventos Uivantes” de Emily Brontë. A Igreja da América Latina pagará caro pelo profetismo de suas lideranças episcopais e dos intelectuais católicos. A Cúria Romana enquadra os bispos e os teólogos protagonistas da ética libertadora ao mais absoluto silêncio, substituindo-os por prelados conservadores, medíocres, autoritários e bisonhos na formulação de sua pastoral. Entre nós a Igreja perdeu a sua capacidade de falar para os pobres e dialogar com a contemporaneidade, isolando-se do mundo no conservadorismo autoritário dos seus papas e na mediocridade de seu staff hierárquico. Comblin, que já havia percebido isso em 1980, quando de sua volta ao Brasil, opta pela permanência sua, agora no interior dos sertões do Nordeste brasileiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Migra dessa vez para a vizinha Arquidiocese da Paraíba, atendendo convite de Dom José Maria Pires, um assumido e destemido negro, que assim o foi antes mesmo de se tornar Bispo e Arcebispo. Comblin era sabedor que Dom Helder, um ponta-de-lança do cristianismo das catacumbas romanas, sequer conseguia ser recebido pelos sucessivos papas quando de suas viagens a Roma. E esse exílio reverberava nos sonhos de nosso padre Comblin, inviabilizando seu trabalho junto ao prelado recifense. Em João Pessoa, iniciaria o trabalho de uma pastoral voltada para os camponeses, protagonizando, portanto, a formulação de um pensamento teológico que denominou de “Teologia da Enxada”, experiência essa que plantou em Salgado de São Felix, na Paraíba e Tacaimbó, em Pernambuco; dela continuou colhendo frutos até o final de sua vida, durante a qual protagonizou os “Missionários do Campo” (1981), “Missionários do Meio Popular” (1986), “Missionários Leigos” (1989, na Bahia), (1994, na Paraíba), (1997, no Tocantins). Faleceu aos oitenta e oito anos, num domingo, dia 27 de março deste ano de 2011 e desejou ser sepultado na cidade de Guarabira, na sua Paraíba, ao lado do Padre Ibiapina, profético pregador e itinerante dos sertões. Sempre peregrino de suas certezas e dos seus sonhos transgressores, ele migra do interior da Paraíba para o Tocantins e, ultimamente, para a Diocese de Barra, no interior da Bahia, junto ao Bispo Cappio, priorizando a formação religiosa de leigos, camponeses e agentes populares. Nos últimos anos conseguiu consolidar laços estáveis de um laicato missionário comprometido com a cultura “iletrada do interior nordestino”. Dentre suas obras publicadas, enumera-se uma das mais importantes na decifração do autoritarismo ditatorial que se abateu sobre o cone Sul da América Latina. Trata-se do Le Pouvoir Militaire en Amérique Latine: l’Idéologie de ela Sécurité Nationale (1977); Dentre outras mais, enumeramos: Théologie de la Révolution (1970); Teologia da Libertação, Teologia Neoconservadora e Teologia Liberal (1985); Neoliberalismo, a ideologia dominante na virada do século (2001) e Quais os desafios dos temas teológicos atuais? (2005); Conferência Episcopal de Medellin: 40 anos depois foi um dos seus últimos escritos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pregava e defendia uma Igreja inserida na sociedade e por isso mesmo acreditou que a Igreja só mudaria se a sociedade também mudasse. O profetismo iconoclasta e transgressor desse padre que, no Nordeste brasileiro, se tornaria, simplesmente, Padre José, continuará sendo um exemplo e um estímulo para nós da América Latina, hoje, aqui reunidos. Como afirmava no início da minha fala, José, Comblin, deu sequencia ao legado apostolar desse outro José, Martí, que um dia ousou sonhar a América Latina, ela e somente ela, como Nuestra América.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;--&lt;br /&gt;ANTONIO JORGE SIQUEIRA, professor da Universidade Federal de Pernambuco. Texto-homenagem ao padre Joseph Jules Comblin, teólogo e sociólogo belga, falecido em 27 de março de 2011, por ocasião do XXXXX Encontro Latino Americano da Associação Latino Americana de Sociologia (ALAS), Recife, xxx de setembro de 2011.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5704503579441133124-5013953985527794556?l=kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com/feeds/5013953985527794556/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com/2012/02/joseph-julles-comblin-simplesmente.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5704503579441133124/posts/default/5013953985527794556'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5704503579441133124/posts/default/5013953985527794556'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com/2012/02/joseph-julles-comblin-simplesmente.html' title='Joseph Julles Comblin, simplesmente, “Padre José”, por Antonio Jorge Siqueira'/><author><name>NóS TAMBÉM SOMOS IGREJA</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/_WEl_XV8J-QQ/Sc_ZA4N4RZI/AAAAAAAAAAM/W94cLwnoJjM/S220/Eu+e+Mel%C3%A2nia+nos+nossos+50+anos.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-Tr_8WWtOhTw/TzJEdpfj2hI/AAAAAAAAAEU/inCLBX6lsoc/s72-c/Comblin.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5704503579441133124.post-7325214750365360382</id><published>2012-02-04T12:08:00.000-08:00</published><updated>2012-02-04T12:09:03.799-08:00</updated><title type='text'>Tentando discernir os Sinais dos Tempos: entre o olhar da Lei e o espírito do Evangelho, por Alder Júlio Ferreira Calado</title><content type='html'>Avizinha-se o tempo quaresmal: nele estaremos em menos de três semanas. Isto não quer dizer – bem o sabemos – que o processo de conversão só deva acontecer em tempo de Quaresma. Este é, de fato, um período de um apelo mais forte à conversão. Até as leituras diárias ressoando a voz dos profetas nos ajudam, nesse sentido. Entendendo conversão, não como apenas um momento mágico, logo desconectado dos fatos e ocorrências do dia-a-dia, mas como um processo, como uma longa e incessante caminhada pessoal e coletiva pelos sinuosos caminhos da História, temos condições mais favoráveis de escutar o que o Espírito nos tem a dizer, a cada momento. É preciso, então, que tenhamos e mantenhamos acesas nossas lamparinas, e abertos os ouvidos, os olhos, o coração, o entendimento, a alma, sob pena de em nós ressoar em vão a voz do Espírito de Jesus, o bom Pastor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse processo de conversão, somos chamados, a todo instante, a ler com atenção e cuidado os sinais dos tempos. Sobretudo a partir do Concílio Vaticano II, aprendemos a conviver, com freqüência, com essa bela expressão – “os sinais dos tempos”, por meio dos quais aprendemos a ler e entender a voz de Deus, Seus constantes apelos de conversão. Conversão pessoal e coletiva! Neles – em especial na figura profética dos pobres – está o recado que o Espírito Santo nos envia. Somos capazes de percebê-lo? O processo de nossa conversão passa pela acolhida, de nossa parte, desse recado, e, portanto, pela leitura atenta dos múltiplos e contínuos sinais que a vida nos oferece, seja em nosso relacionamento doméstico, seja no ambiente do trabalho, seja nas tarefas pastorais, seja pelos caminhos que trilhamos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Grave risco ao nosso processo de conversão se dá, quando, equivocadamente seguros de nossa conversão “definitiva” (feita uma vez para sempre, seja pela recepção dos Sacramentos, seja pelas atividades litúrgicas rotineiras, seja pela crença nefasta de que nos baste o simples fato da pertença formal a uma instituição), nos julgamos dispensados de escutar, sem cessar, outros apelos de conversão que o Espírito nos faz. Algumas santas figuras tomaram tão a sério tais apelos, que, no caso de algumas delas (Dom Helder, por ex.), só aos 56 anos e mais, é que foram entender o sentido mais próprio de conversão, em suas respectivas vidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isto só acontece se e quando partimos de nossa condição comum de pecadores. Quem assim não se sente, como é que vai sentir-se tocado por algum apelo de conversão? “Conversão, sim, para os outros, os pecadores”! – deviam dizer-se inclusive aquelas santas figuras (leigas, leigos, religiosas, religiosos, diáconos, padres, bispos…), antes de se abrirem aos sinais dos tempos. Curioso é observar que, em (quase) todos os casos de conversão, as situações grávidas de profundo apelo de conversão vinham da parte dos pobres e narginalizados. Quem vive afastado desse meio dificilmente (como no caso do jovem rico, de que fala o Evangelho) se sente tocado por esse apelo. E afastado, não apenas geograficamente. Também por eles nutrindo antipatia, desprezo ou até atitude de perseguição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nenhum de nós – leigas, leigos, religiosas, religiosos, diáconos, padres, bispos, papa – está livre dessa situação. Como seres humanos, somos todos vulneráveis e sujeitos a situações de desprezo, de indiferença, até de repugnância frente a certas situações protagonizadas pelos pobres. O próprio Francisco de Assis – lembrava Comblin, em um de seus recentes livros (A Profecia na Igreja: Paulus,2008) – teve dificuldade de lidar com o leproso que encontrou no meio do caminho: “Francisco sentiu uma forte repugnância, mas voltou para trás e deu um beijo no leproso.” (p. 130). O importante é que ele, solícito ao apelo amoroso do Espírito, venceu o medo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quantas vezes também nós nos encontramos rodeados de medos. Tal é a onda de medo, que se tem propagado em nossos dias, que não poucos se rendem, imobilizados, entregando-se à passividade, à completa impotência. Uma perigosa armadilha, astutamente convertida em oportunidade para os grandes dominadores, como alertava o escritor moçambicano Mia Couto, em seu luminoso depoimento (de apenas oito minutos!), pronunciado por ocasião do evento “Conferências do Estoril 2011”, disponível em Youtube, e no qual também remetendo-nos a um texto de Eduardo Galeano, sobre “o medo global”: “Há neste mundo mais medo de coisas más do que coisas más propriamente ditas.” Isto também porque “Há quem tenha medo de que o medo acabe.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se tal ambiência necrófila conspira contra uma cidadania ativa, no dia-a-dia de nossa sociedade, não menos danosa se apresenta para os e as que se confessam cristãos, também chamados a exercitar uma cidadania ativa, ao interno de sua Igreja. Desafio que implica o enfrentamento da perversa grade de valores atualmente em vigor. Um desses valores reside na ideologia da segurança. Queremos segurança. E quanto mais aparatos de segurança, maior a sensação de insegurança. Isto nos faz lembrar quão nefasta foi para a sociedade brasileira e para as sociedades latino-americanas, no tempo das ditaduras, a famigerada ideologia da segurança nacional. Ideologia que hoje reaparece, revestida de outros apetrechos, e com outro “inimigo”: as vítimas – os pobres, as mulheres, os jovens – são convertidas em inimigos da paz e da segurança, enquanto os paladinos da nova segurança fecham os olhos para os verdadeiros algozes. Processo tanto mais inaceitável quanto dos que mais se espera uma atitude de profecia – até pela vocação de seu ofício – portanto, de denúncia das injustiças sociais, de empenho pela solidariedade às verdadeiras vítimas, o que neles se tem visto é uma sucessão de atitudes de hostilidade, de perseguição, de criminalização das vítimas, sob o pretexto de uma falsa segurança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este ano, a imprensa vem noticiando a realização pela Igreja Católica Romana, desta vez no Brasil, de nova edição da Jornada Mundial da Juventude. Em vários Estados da Federação, também na Paraíba, toma-se conhecimento dos preparativos. Uma ocasião propícia para uma atenção mais cuidadosa às condições concretas em que vivem os jovens no Brasil e no mundo. Também na Paraíba. Também em João Pessoa, cuja arquidiocese também se vem reunindo em Sínodo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como vivem os nossos jovens? Que proporção eles/elas ocupam de nossa população? Que perfil apresentam? Quantos são os rapazes, quantas são as moças? Quantos são os adolescentes, quantos e quantos os de outra faixa etária? Quantos são os escolarizados e os não-escolarizados? Quantos têm trabalho? Quantos e quantas vivem sem trabalho remunerado? Onde e com quem vivem e o que fazem os que não têm trabalho remunerado? Quais as condições em que vivem suas famílias? Como os poderes públicos se têm comportado em relação à implementação e continuidade de políticas públicas? E as Igrejas cristãs o quê estão fazendo, especificamente? E a Igreja Católica, em geral, e em particular, a Arquidiocese da Paraíba, sobretudo tocada pelos eventos do Sínodo e da Jornada Mundial da Juventude, como vem lidando com os diferentes segmentos de nossa Juventude? Que acompanhamento efetivo tem feito aos jovens mais pobres, aqueles que vivem mais afastados e distantes das políticas sociais e dos cuidados da(s) Igreja(s)? São tantas as perguntas…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De pastores, missionários, bispos, padres, diáconos, religiosos, religiosas, leigas e leigos efetivamente tocados pelo Evangelho, espera-se uma atitude samaritana, não policialesca. Atitude de chegar perto, de ir ao encontro das ovelhas desgarradas, de dispor-se a servi-las, ouvi-las, prestar-lhes ajuda, consolá-las. Nesse e desse serviço à causa dos pobres, vai nascendo uma confiança mútua, vai surgindo um clima de acolhida, de aconselhamento, de fraterna correção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De atitudes de bem-querer e de serviço pastoral (isto é: do pastor em relação amorosa com as ovelhas mais afastadas), vão brotando idéias luminosas que logo se convertem em ação pastoral, não de assistencialismo, mas de acompanhamento solidário, de formação. De atuação efetiva das pastorais sociais, em especial as ligadas ao mundo dos jovens. Isto parece tão claro, quando lemos e rezamos o Evangelho, mas por vezes, nos perdemos, esquecemos o Seguimento de Jesus, e vamos atrás de falsas seguranças. Resistimos a trabalhar as raízes do mal, e gastamos nossas energias nos ilusórios efeitos, isto é, na busca de reprimir quem por nós espera para um serviço de pastor. Será que, em nossa(s) Igreja(s), ainda há lugar para o Evangelho?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5704503579441133124-7325214750365360382?l=kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com/feeds/7325214750365360382/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com/2012/02/tentando-discernir-os-sinais-dos-tempos.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5704503579441133124/posts/default/7325214750365360382'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5704503579441133124/posts/default/7325214750365360382'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com/2012/02/tentando-discernir-os-sinais-dos-tempos.html' title='Tentando discernir os Sinais dos Tempos: entre o olhar da Lei e o espírito do Evangelho, por Alder Júlio Ferreira Calado'/><author><name>NóS TAMBÉM SOMOS IGREJA</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/_WEl_XV8J-QQ/Sc_ZA4N4RZI/AAAAAAAAAAM/W94cLwnoJjM/S220/Eu+e+Mel%C3%A2nia+nos+nossos+50+anos.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5704503579441133124.post-1758317565075930063</id><published>2012-01-24T13:11:00.000-08:00</published><updated>2012-01-24T13:14:07.811-08:00</updated><title type='text'>Uma nova Reforma em gestação (por Alder Julio Ferreira Calado)</title><content type='html'>Cinqüenta anos após a abertura do memorável Concílio Vaticano II (1962-1965), cujo abençoado ímpeto de renovação tem sido contido, a ferro e fogo, pela alta hierarquia da Igreja Católica Romana, ecoa, cada vez mais forte, o clamor de renovação, apesar e para além da Cúria Romana e seus empedernidos guardiães. (Sempre que lido com semelhantes histórias, sinto-me remetido à figura de Dom Hélder Câmara, em suas tentativas proféticas junto ao Papa Paulo VI, de que ousasse mexer com as estruturas do Vaticano… Em vão se espere reforma a partir de dentro!).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eis uma ocasião propícia para um novo balanço dessa caminhada de meio século. Não é este, porém, o propósito dessas linhas. Aqui apenas evocamos, de passagem, o transcurso desse acontecimento, para compartilhar um sentimento de inquietação e de esperança, apesar e para além dos descaminhos experimentados, desde então, por aquelas e aqueles que sonham e se empenham rumo a uma Igreja Povo de Deus, como propunha o Concílio Vaticano II, sobretudo em sua Constituição Lumen Gentium. Não obstante toda a rigidez das seculares estruturas em vigor, anuncia-se, “de fora para dentro”, algo novo que teima em nascer, a despeito da tenaz resistência, por parte dos mantenedores e beneficiários das velhas estruturas, em reconhecerem sua condição de agonizantes… É claro que, à semelhança das grandes transformações macro-sociais, as reformas ao interno das igrejas também tomam tempo, mas virão… se cada segmento se mantiver em estado de busca, fazendo a sua parte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nessas notas, cuidamos, primeiro, de sublinhar alguns pontos de convergência entre os pleitos dos cidadãos e cidadãs cristãos-católicos e os destes e doutros cidadãos e cidadãs, em relação à sua/nossa peleja comum pela construção de uma nova sociedade, marcada por um novo modo de produção, de consumo e de gestão, em relação amorosa com o Planeta. Depois, buscamos salientar alguns episódios recentes envolvendo crescentes segmentos de católicos e católicas, em seu clamor por mudança das estruturas pouco ou em nada evangélicas que vigem no modelo de organização e no modo de conduzi-la.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que se passa ao interno da Igreja Católica e das demais Igrejas Cristãs interage dinamicamente com o que se dá para além dessas fronteiras, inclusive no plano macro-social. As crescentes manifestações massivas pelo mundo inteiro contra as ditaduras e contra as falsas democracias ocidentais nos reavivam a esperança e a luta rumo à construção de um outro mundo possível e necessário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E já não se trata de mera deposição de velhos ditadores, substituídos por outros de cara nova. O problema é menos com relação ao nome do ditador de plantão, e bem mais com as estruturas e exercício de poder. Em outras palavras: não aos ditadores e, sobretudo, não às ditaduras!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Algo semelhante vale para o caso das falsas democracias ocidentais: seu modo de produção, seu modo de consumo, sua gestão de sociedade, seu modo de relacionar-se com a Mãe-Natureza. Sua grade de valores atenta mortalmente contra o processo de humanização. Sua cega aposta no lucro – de poucos! – ameaça não apenas os Humanos, também o equilíbrio sócio-ambiental. A atenção às mudanças climáticas passa a ser finalmente percebida como bandeira já não exclusiva de ecologistas. Ocorrências fatais se têm produzido em escala global, a olhos vistos, com milhares de mortes e pessoas direta e indiretamente afetadas. Pessoas e paisagens, em diferentes partes do Planeta!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ganância de acumulação e o estilo perdulário de vida têm gerado, como nunca antes, uma concentração inaceitável de riquezas em mãos de muito poucos. Apenas 500 mega-empresas transnacionis detêm mais da metade das riquezas do mundo. Não dá para aceitar! Nem esse fato, nem os caminhos que têm levado a essa aberração. Basta que se examinem as condições de vida e de trabalho a que são submetidos milhões, dezenas de milhões, centenas de milhões de seres humanos. Basta que se lance um olhar crítico para a estupidez com que se submete a Mãe-Terra, no que tange aos processos de exploração dos bens da Natureza, pelo mundo afora: os megaprojetos – na área do petróleo, da mineração, do desmatamento, do agronegócio, das mega-hidrelétricas, a exemplo da de Belo Monte, etc., etc. Num crescimento econômico genocida, etnocida, ecocida, levado a termo em nome do “progresso”. Mas, progresso de quem? Quem ganha com esse “progresso”? Qual é sua lógica? Em que se tem baseado, senão num modo eticamente pervertido de consumo. Erige-se o consumismo como “o” grande parâmetro de “felicidade”, uma ilusória felicidade, entendida como a satisfação incessante e crescente de bens e serviços, no mínimo, duvidosos: índice de posse de carros por habitante, ou de eletrodomésticos de toda sorte para todos os fins de comodidade… E haja infraestrutura para satisfazer a tais caprichos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pouco ou nada se quer saber dos frutos dessa insensatez. Mas, eles aí estão, para quem quiser ver. Aparecem, por exemplo, no tipo de medicina hegemônico, fazendo ouvidos moucos e cerrando-se os olhos a uma história multimilenar da humanidade, por esses caminhos. Em vez de despertar-nos para esse tesouro de saúde, optamos por ser reféns de laboratórios movidos a lucro, fazendo mercadoria da saúde… E, como nos BBBs da vida, há sempre um público obediente a seguir atrás… Outro exemplo: o do insano crescimento do número de automóveis, com famílias a acumularem três ou quatro… E as conseqüências estão bem à vista: trânsito alucinante, crescente número de acidentes diários – verdadeira chacina! -, agravamento das condições climáticas, inclusive pela via de enfrentamento seguida (expandir a infraestrutura viária, em vez de corrigir a política da indústria de transportes, sem esquecer a de motos…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda no plano de gestão de sociedade, o caos se reedita em outros pontos. Dá-se como imutável – e portanto eterno e a-histórico – um modelo de produção, de consumo e de gestão que teve seu lugar durante alguns séculos, mas já não serve – se é que já serviu, antes, para o conjunto dos Humanos e do Planeta… – para atender às grandes necessidades e aspirações de mulheres e de homens deste século e das gerações vindouras. Sistema cuja organização é oligopolizada por grandes conglomerados transnacionais, a cujas políticas econômicas têm-se submetidos as grandes potências e seus satélites, bem como seus organismos multilaterais, representados pelos Estados nacionais e seus aparelhos bem como pela mídia oficial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As grandes manifestações massivas que se vêm sucedendo, nos quatro cantos do mundo atual – da Tunísa ao Egito; do Chile à Palestina; dos protagonistas do “Ocupem Wall Street” às praças da Grécia, da Espanha e alhures, inclusive no Brasil – dão visibilidade maior ao crescente grau de descontentamento e de revolta populares contra essa “ordem criminosa” – para usar a expressão do sociólogo suíço Jean Ziegler, no documentário “El orden criminal del mundo”, feito com Eduardo Galeano e outros que, em vão, tenta apresentar-se como “a” ordem mundial, ao mesmo tempo em que ousam apontar caminhos novos a perseguir, em mutirão, ainda que em doses moleculares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É em meio a esse vasto e complexo emaranhado de fatos, acontecimentos, mobilizações e buscas dos cidadãos e cidadãs em ação, no cenário sócio-econômico, em escala mundial, que também se vai tecendo um novo cenário menos perceptível a olhos desarmados: no âmbito das igrejas cristãs, em especial no da Igreja Católica Romana, e em que se vem gestando, desde a periferia, uma mudança semelhante à que se deu em séculos precedentes e durante a chamada Reforma Protestante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com sintomas confusos, numa realidade permeada de contradições, com alguns passos para frente e outros mais para trás – a começar pela clara hegemonia presente da alta hierarquia eclesiástica -, aqui e ali, emergem, como em “correntezas subterrâneas”, situações, experiências e iniciativas grávidas de sinais “novidosos” prenunciando/anunciando mudanças substantivas, a médio e longo prazos. Aqui se passa algo semelhante ao que se dá no plano macro-social, em que se observa, ainda em doses moleculares, a gestação de uma nova sociedade, ainda que continuem a imperar os setores e elementos da velha sociedade… Nada estranho ao que costuma ocorrer às grandes mudanças históricas. No caso da Reforma, por exemplo, muito antes do auge alcançado com os inícios da Modernidade, foram acumulando-se lutas durante séculos anteriores…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há fortes e crescentes sinais de exaustão do atual modelo de organização e de gestão dos serviços da Igreja. Grande tem sido a reação contra medidas que, em vez do diálogo, têm preferido o uso de expedientes autoritários. Basta de repressão! E isto não é novo. Para tanto, nem é preciso remeter-nos a sucessivas medidas punitivas e de controle autocrático emanadas de Roma contra teólogos, teólogas, intervenções em conferências episcopais, reprimendas a bispos simpáticos à Teologia da Libertação, às CEBs, às Pastorais Sociais mais combativas, fechamento ou intervenção em institutos teológicos e seminários, adoção de critérios “seguros” de ordenações, nomeações e transferências de bispos, entre outros expedientes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais recentemente, por meio de uma “Carta Aberta” (de 24 de abril de 2010), o conhecido teólogo Hans Küng – colega de universidade e também perito do Concílio Vaticano II, juntamente com o então teólogo Joseph Ratzinger (depois feito cardeal e atual Papa Bento XVI, que havia concedido ao ex-colega Küng cerca de quatro horas de diálogo – teve a corajosa iniciativa de compartilhar com os bispos católicos de todo o mundo uma “Carta Aberta”, na qual faz referência ao fato de que, em seus cinco primeiros anos de pontificado, Bento XVI “desperdiçou mais oportunidades do que as aproveitou”, lhes propõe respeitosamente seis pontos. Além da oportunidade perdida de exercitar o diálogo ecumênico e inter-religioso, também “Perdeu a oportunidade de fazer do espírito do Vaticano II a bússola para toda a Igreja Católica, incluindo o Vaticano, e assim promovendo as necessárias reformas no interesse da Igreja.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nessa mesma Carta Aberta, após afirmar que “O Papa Bento XVI parece cada vez mais afastado da grande maioria dos membros da Igreja, que cada vez têm menos consideração por Roma, e, na melhor das hipóteses, apenas se identificam com a sua paróquia e o seu bispo”, toma a liberdade de lhes propor seis pontos como linhas de ação ao seu alcance.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o quê propõe aos bispos o teólogo Hans Küng? Apela aos bispos católicos do mundo empenho pessoal, com o propósito de salvar a Igreja do que considera a crise mais grave sofrida pela Igreja desde a Reforma, crise que a tem mergulhado em profunda incredulidade. Apela aos bispos do mundo empenho na defesa de seis pontos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1. “Não vos mantenhais silenciosos.” Romper o comprometedor silêncio em relação a Roma. E de fazê-lo de público e, ao se dirigirem ao Papa, “Enviai a Roma não declarações de vossa devoção, mas sim pedidos de reformas!”;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2. “Defini reformas.” – Soa inconseqüente queixar-se de Roma, enquanto, no plano local, nada se ousa: “Bispos, padres, leigos ou leigas – todos podem fazer algo, dentro das suas esferas de influência, sejam estas grandes ou pequenas.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3. “Agi de forma colegiada” – Trata-se de um dos mais relevantes legados do Concílio Vaticano II, aprovado mesmo “contra a persistente oposição da Cúria. Ao decidir pela colegialidade como critério de ação pastoral, o Concílio Vaticano II “Fê-lo no sentido dos Actos dos Apóstolos, nos quais Pedro não actuava sozinho sem a assembléia dos apóstolos. Mas na era pós-conciliar o Papa e a Cúria têm ignorado este decreto.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4. “Obediência incondicional é devida apenas a Deus.” – A despeito do juramento de obediência incondicional feito ao Papa, “sabeis que tal obediência incondicional nunca pode ser dirigida a qualquer autoridade humana, apenas pode ser dada a Deus.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5. “Trabalhai em prol de soluções regionais.” – Dada a hermética posição de Roma, em vão se espera abertura para soluções de problemas concretos que têm a ver com situações concretas, em âmbito também local e regional. E sugere um exemplo de solução em âmbito regional: “Quando um padre, após matura consideração, deseja casar-se, não há razão para que automaticamente se demita do seu lugar, se o seu bispo e a sua paróquia decidirem continuar a apoiá-lo.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;6. “Pedi um Concílio.” – Como em outros momentos, ante o acúmulo de problemas, se sentiu necessidade de se organzar um Concílio, “também agora é necessário um concílio para resolver os problemas que se avolumam dramaticamente e que clamam por uma reforma.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eis um resumo dos seis pontos propostos pela ainda recente (24/10/2010) Carta Aberta dirigida por Hans Küng aos bispos católicos do mundo. Ao profético apelo de Hans Küng, por outro lado, importa ter presente toda uma sucessão de iniciativas, de abaixo-assinados, de petições, de protestos, de manifestos (alguns dos quais, inclusive, ainda mais recentes do que a referida Carta Aberta) protagonizados por diferentes sujeitos eclesiais (individuais e coletivos), envolvendo desde figuras de leigas, leigos, religiosas, religiosos, diáconos, presbíteros e alguns bispos a organizações diversas, inclusive o Movimento Internacional Somos Igreja (em Inglês, International Movement We are Church – IMWAC).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tomemos aqui este último como foco mais direto de nossas considerações. Pensando em quem eventualmente ainda não o conhece, sobre o IMWAC seguem algumas informações elementares. Surge como expressão do crescente descontentamento e indignação de centenas de milhões de católicos espalhados pelo mundo diante dos descaminhos ditados pela alta hierarquia eclesiástica à condução colegiada do mundo católico. Tendência que se vem acentuando consideravelmente ainda nos anos 70, sobretudo a partir do pontificado do Papa João Paulo II. Descaminhos em relação ao espírito do Concílio Vaticano II, diante de uma série de questões, tais como: diálogo com os valores da modernidade, ecumenismo, moral sexual, tomada autoritária de decisões, lugar das mulheres na Igreja, manutenção da lei do celibato, entre outras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O IMWAC surgiu em 1977, na Áustria, espalhando-se depois por vários países europeus e norte-americanos, além de alguns países latino-americanos, especialmente no Chile, por meio do “Somos Iglesia – Chile”. O IMWAC tem como aspirações fundamentais: “uma Igreja de amor, na qual todos sejam igualmente aceitos”; “uma Igreja Católica (isto é, universal), à qual toda pessoa é bem-vinda com suas experiências de vida pessoal, com suas imagens de Deus e desejando viver em comunidade”: “uma Igreja que afirma a criação de Deus, que age de modo conciliador e reflete o amor incondicional de Jesus Cristo por toda a humanidade”: “uma Igreja comprometida com a justiça e a paz, que se faz solidária com os excluídos do mundo no centro de suas ações”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em sua conhecida “Petição do Povo de Deus”, figuram cinco eixos a caracterizarem o perfil do IMWAC:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;· “A construção de uma Igreja de irmãos e irmãs que reconhece a igualdade de todos os batizados, inclusive a inclusão do Povo de Deus na eleição dos bispos em suas igrejas locais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;· A igualdade de direitos entre homens e mulheres, inclusive a admissão de mulheres para todos os ministérios eclesiais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;· Liberdade de escolha tanto da vida celibatária como da vida de casados para todos os que se dedicam ao serviço da Igreja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;· Atitude positiva diante da sexualidade e o reconhecimento da consciência pessoal na tomada de decisão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;· Mensagem de alegria, não de condenação, incluindo o diálogo, a liberdade de expressão e de pensamento, sem anátemas e sem exclusões como modos de resolver os problemas, em especial em relação aos teólogos.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A partir desses cinco pontos, conclui o Manifesto do IMWAC, “Aqui nos manifestamos por todas essas pessoas. Falamos em seu nome, e declaramos que daremos continuidade a essa jornada dentro da Igreja Católica. Temos um sonho, de que o terceiro milênio vai começar com um verdadeiro Concílio ecumênico de todas as Igrejas Cristãs, respeitando-se mutuamente como iguais, em busca de paz e amizade entre si. Será um Concílio marcado pelo diálogo e pelo respeito por todas as religiões – a serviço do mundo. Apoiamos a convocação para um Concílio Mundial de Igrejas, para lançar, em 2000, um processo que conduza a um verdadeiro Concílio universal.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os vários núcleos componentes do IMWAC, em distintos países, reúnem periodicamente, em assembléia. O próximo Encontro deverá ocorrer em Lisboa,m outubro vindouro. Também no Brasil, há um núcleo do IMWAC, do qual fazemos parte (cf. http://kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com/).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eis um aceno das possibilidades de mudança, em curso. Possibilidades que, sem prejuízo dos necessários avanços e aprofundamento, já se acham molecularmente perceptíveis aos nossos olhos, em diferentes lugares desse mundo. Inclusive na América Latina. No Brasil, por exemplo, não dá para subestimar a ação dessas “correntezas subterrâneas” que fazem seu trabalho, de modos variados, numa considerável diversidade de ações, com distintos ritmos, mas sempre guardando traços de uma unidade comum: o sentimento de igualdade entre os partícipes – mulheres e homens, a promoção do protagonismo de todos nas ações dentro e fora do mundo eclesial, a abertura ao diálogo com as demais igrejas cristãs e tantas expressões religiosas, o compromisso com a justiça e a profecia (tema que já está sendo trabalhado pelas CEBs, em vista de seu próximo Intereclesial) e, sobretudo, o compromisso com a causa libertadora dos pobres, os preferidos de Jesus de Nazaré e do Seguimento a que Ele chama Seus discípulos e discípulas, de ontem e de hoje, chamados a participar da construção de um novo mundo, possível e necessário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma nova Reforma em gestação… Processo longo. Pode demandar décadas, talvez séculos, mas as sementes desse processo se acham espelhadas e fazendo seu trabalho em terra boa, de modo que, aqui, ali, já se apresentam alguns brotos… Como sucede nas grandes transformações históricas, não se deve trabalhar com prazos pré-estabelecidos. As coisas vão se fazendo, enquanto se caminha… até o parto!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;João Pessoa, 24 de janeiro de 2012, véspera da festa da conversão de Paulo, apóstolo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5704503579441133124-1758317565075930063?l=kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com/feeds/1758317565075930063/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com/2012/01/uma-nova-reforma-em-gestacao-por-alder.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5704503579441133124/posts/default/1758317565075930063'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5704503579441133124/posts/default/1758317565075930063'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com/2012/01/uma-nova-reforma-em-gestacao-por-alder.html' title='Uma nova Reforma em gestação (por Alder Julio Ferreira Calado)'/><author><name>NóS TAMBÉM SOMOS IGREJA</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/_WEl_XV8J-QQ/Sc_ZA4N4RZI/AAAAAAAAAAM/W94cLwnoJjM/S220/Eu+e+Mel%C3%A2nia+nos+nossos+50+anos.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5704503579441133124.post-1911397436414986199</id><published>2011-12-23T16:34:00.001-08:00</published><updated>2011-12-24T11:31:39.747-08:00</updated><title type='text'>Natal, um outro Natal</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-g9BKgvUE92Y/TvYolZdJtlI/AAAAAAAAAEI/uFzAICAVd5k/s1600/Dom%2BPedro%2BCasald%25C3%25A1liga.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 275px; height: 183px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-g9BKgvUE92Y/TvYolZdJtlI/AAAAAAAAAEI/uFzAICAVd5k/s400/Dom%2BPedro%2BCasald%25C3%25A1liga.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5689779802182628946" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Por Dom Pedro Casaldáliga&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Natal, um Natal outro:&lt;br /&gt;para descobrir, acolher e anunciar&lt;br /&gt;o Deus-conosco, hoje, aqui;&lt;br /&gt;segundo Mateus, capítulo 25.&lt;br /&gt;Quem se entende com os pobres&lt;br /&gt;pode-se entender com Deus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Somente assim, feito criança,&lt;br /&gt;feito Deus vindo a menos,&lt;br /&gt;poderíamos te encontrar,&lt;br /&gt;diariamente nosso, &lt;br /&gt;entre Belém e a Páscoa,&lt;br /&gt;Jesus, o de Nazaré.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ano Novo, Tempo Novo, alternativo&lt;br /&gt;na Política, na Economia, na Religião.&lt;br /&gt;Contra os grandes projetos de morte,&lt;br /&gt;o grande projeto da Vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contra o consumismo depredador&lt;br /&gt;entre as armas e agrotóxicos,&lt;br /&gt;consumamos indignação&lt;br /&gt;com ternura e militância &lt;br /&gt;Vivamos em Sumak Kawsay.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Terra e Paz para o Povo Palestino,&lt;br /&gt;para o Povo Kaiowá-Guarani,&lt;br /&gt;para todos os povos indígenas e quilombolas,&lt;br /&gt;para todas as migrações do mundo,&lt;br /&gt;para o bilhão de gente humana&lt;br /&gt;condenada à fome.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar de todas as crises,&lt;br /&gt;se podemos balouçar a Deus&lt;br /&gt;entre os braços de Maria e José,&lt;br /&gt;não há motivo para ter medo.&lt;br /&gt;Deus está ao alcance&lt;br /&gt;da nossa Esperança.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5704503579441133124-1911397436414986199?l=kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com/feeds/1911397436414986199/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com/2011/12/natal-um-outro-natal.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5704503579441133124/posts/default/1911397436414986199'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5704503579441133124/posts/default/1911397436414986199'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com/2011/12/natal-um-outro-natal.html' title='Natal, um outro Natal'/><author><name>NóS TAMBÉM SOMOS IGREJA</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/_WEl_XV8J-QQ/Sc_ZA4N4RZI/AAAAAAAAAAM/W94cLwnoJjM/S220/Eu+e+Mel%C3%A2nia+nos+nossos+50+anos.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-g9BKgvUE92Y/TvYolZdJtlI/AAAAAAAAAEI/uFzAICAVd5k/s72-c/Dom%2BPedro%2BCasald%25C3%25A1liga.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5704503579441133124.post-965129784589238138</id><published>2011-11-11T03:50:00.000-08:00</published><updated>2011-12-17T16:18:20.729-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Bibliografia do Pe. José Comblin'/><title type='text'>Livros do Pe. José Comblin em PDF</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-t8Qo_b7wkGg/Tu0xQ7b_l6I/AAAAAAAAAD8/XwsMkWsNf1Q/s1600/Comblin.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 258px; height: 196px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-t8Qo_b7wkGg/Tu0xQ7b_l6I/AAAAAAAAAD8/XwsMkWsNf1Q/s400/Comblin.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5687256071341578146" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Estes livros podem ser baixados, marcando o link e selecionando a opção "ir para o link" com o botão direito do mouse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;José Comblin, &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;A liberdade Cristã &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;http://www.4shared.com/document/1OZSdjad/A_LIBERDADE_CRISTA_Jose_Combli.html?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;José Comblin, &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;O Espírito no mundo &lt;/span&gt;http://www.4shared.com/document/zgqw0JAV/O_ESPRITO_NO_MUNDO_-_atualizad.html?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;José Comblin, &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;O Enviado do Pai&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;http://www.4shared.com/document/qrKSgfWd/O_ENVIADO_DO_PAI_revisado_e_at.html?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5704503579441133124-965129784589238138?l=kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com/feeds/965129784589238138/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com/2011/11/livros-do-pe-jose-comblin-em-pdf.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5704503579441133124/posts/default/965129784589238138'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5704503579441133124/posts/default/965129784589238138'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com/2011/11/livros-do-pe-jose-comblin-em-pdf.html' title='Livros do Pe. José Comblin em PDF'/><author><name>NóS TAMBÉM SOMOS IGREJA</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/_WEl_XV8J-QQ/Sc_ZA4N4RZI/AAAAAAAAAAM/W94cLwnoJjM/S220/Eu+e+Mel%C3%A2nia+nos+nossos+50+anos.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-t8Qo_b7wkGg/Tu0xQ7b_l6I/AAAAAAAAAD8/XwsMkWsNf1Q/s72-c/Comblin.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5704503579441133124.post-8240262785739253049</id><published>2011-11-10T10:03:00.000-08:00</published><updated>2011-11-10T10:51:57.384-08:00</updated><title type='text'>Igreja de Crateús (1964-1998): Uma experiência popular e libartadora</title><content type='html'>Neste livro, escrito a muitas mãos, relatam-se experiências de uma comunidade que decidiu criar um novo modo de "ser Igreja". Os autores, Dom Antônio Batista Fragoso, Pe. Eliésio dos Santos, Luiz Gonzaga Gonçalves, Alder Júlio Ferreira Calado e João da Cruz Fragoso, partilham nestas páginas, trechos significativos de uma caminhada eclesial feita sob o signo da Igreja dos Pobres. O livro pode ser lido a partir deste link http://www.4shared.com/document/PGfSLtGR/Igreja_de_Crates_Uma_experinci.html?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5704503579441133124-8240262785739253049?l=kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com/feeds/8240262785739253049/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com/2011/11/igreja-de-crateus-1964-1998-uma.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5704503579441133124/posts/default/8240262785739253049'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5704503579441133124/posts/default/8240262785739253049'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com/2011/11/igreja-de-crateus-1964-1998-uma.html' title='Igreja de Crateús (1964-1998): Uma experiência popular e libartadora'/><author><name>NóS TAMBÉM SOMOS IGREJA</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/_WEl_XV8J-QQ/Sc_ZA4N4RZI/AAAAAAAAAAM/W94cLwnoJjM/S220/Eu+e+Mel%C3%A2nia+nos+nossos+50+anos.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5704503579441133124.post-5162065531796477563</id><published>2011-11-02T06:41:00.000-07:00</published><updated>2011-11-02T06:47:10.845-07:00</updated><title type='text'>Algumas linhas sobre a Semana Teológica em Homenagem ao Pe. José Comblin, realizada em João Pessoa, na UFPB, de 26 a 29/10/2011</title><content type='html'>Por Alder Júlio Ferreira Calado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;DIA 26/10/2011: &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Num clima de muita esperança, e com a presença de dezenas de pessoas, inclusive de membros dos órgãos promotores do evento (Grupo Igreja dos Pobres; Nòs Somos Igreja; Núcleo de Cidadania e Direitos Humanos, da UFPB), foi aberta pelo Pe. Josenildo de Lima a Semana Teológica em memória do Pe. José Comblin.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No mesmo auditório da Reitoria da UFPB, onde há oito anos, o Pe. José recebera o título de "Doutor honoris causa", Pe. Josenildo deu as boas-vindas às pessoas presentes, e anunciou e convidou a comporem a Mesa e a contribuírem, na primeira noite, Mônica Muggler e Eduardo Hoornaert, com a tarefa de compartilhar aspectos da vida e da obra de Pe. José Comblin.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1. Mônica Muggler, missionária do meio popular, há cerca de vinte e cinco anos, tendo acompanhado de perto o Pe. José Comblin, nas últimas décadas, inclusive em suas constantes viagens de trabalho junto às escolas de formação missionária, espalhadas pelo Nordeste. Coube-lhe comparitlhar aspectos fundamentais da vida do Pe. José, dos quais destaco os seguintes:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tarefa difícil, a de falar sobre a vida de Pe. José. São múltiplos os aspectos a considerar, dados inclusive seu movimentado percurso de peregrino e sua longevidade (ele partiu aos 88 anos). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não se propõe, aqui e agora, fazer sua biografia convencional. Pode-se até encontrar dados seus, inclusive pela internet. Prefere destacar pontos que considera menos conhecidos e mais densos de sua vida, de modo a sublinhar aspectos como sua condição de peregrino e seu olhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pe. José nasceu na Bélgica (1923). Era o mais velho de cinco filhos. Seu pai era funcionário público, em Bruxelas, atuando no Ministério das Colônias. Pe. José achava interessante o fato de que seu pai, embora funcionário do Ministério das Colônicas, nunca haver visitado as colônias (o Congo belga, por ex.).  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Além de ser o mais velho, apresentava o perfil de um filho exemplar. Nas travessuras das crianças, sua mãe costumava dizer-lhes; "Vejam o comportamento de José!" &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Desde cedo, mostrou-se um aluno exemplar, muito aplicado, e bem reconhecido entre seus colegas e professores, pelo seus talentos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Cedo entrou para o Seminário. Fez seu curso no Seminário Universitário. Em seguida, fez seu doutorado ainda muito jovem. Ordenado padre em 1947, passou a ser um dos quatro vigários de uma Paróquia, em Bruxelas. Ficava impaciente por ter pouco trabalho a fazer como vigário, conforme o ritmo então costumeiro. Sentiu que aquele mundo já não o atraía como missionário.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não hesitou em partir da Europa, assim que lhe surgiu a oportunidade. O Papa Pio XII estava solicitando às dioceses padres para irem para a África e América Latina para combater o perigo comunista...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Chegou ao Brasil, juntamente com outros colegas, em 1958. Ele ficou em Campinas. Ficou como capelão de uma comunidade religiosa. Começou a lecionar Ciências e Francês. Logo passou a ser assistente da JOC. Em 1962, recebe convite para ir ensinar na Universidade Católica, no Chile, até ser convidado por Dom Helder, a vir ser seu assessor, em Recife. Foi professor no ITER. Ajudou Dom Helder, a partir de 1965, tendo dele assumido várias tarefas. Até ser expulso, em 1972, tendo que voltar a morar no Chile, desta vez, em Talca, a convite de Dom González, que nele confia e nele reconhece um teólogo criativo e comprometido com a causa dos pobres.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Em Talca, vai ocupar-se sobretudo da formação dos jovens do meio rural, propondo a criação - como o faria também no Nordeste brasileiro - de um seminário rural. Aí vive até 1980, quando é expulso pela ditadura Pinochet.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- No tempo em que fica em Talca, também segue viajando, com certa frequência, ao Equador, mais precisamente a Riobamba, a convite de um dos bispos que mais admirava, Dom Leonidas Proaño, o grande defensor dos povos indígenas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Impactado pela crueldade das ditaduras militares na América Latina,  assumiu o compromisso de estudar mais a fundo a questão militar, na América Latina. Vai até pesquisar nos Estados Unidos, onde encontra uma farta bibliografia sobre os problemas militares no continente. É dessas pesquisas que vai reusultar um de seus livros-chave sobre a ideologia da segurança nacional, em cujo estudo foi um dos pioneiros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- De retorno ao Brasil, em 1980, encontra dificuldades de para aqui trabalhar, por conta de sua expulsão (do Brasil e do Chile). Para contornar essa dificuldade, tem que entrar no Brasil como turista - portanto, sem visto permanente. A cada três meses, tinha que deixar o Brasil, ficando numa fronteira com o Uruguai ou com a Argentina, de onde marcava encontro com seus amigos brasileiros, em função de suas novas atividades. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Em 1980, consegue reunir um bom número de colaboradores e colaboradoras, no Nordeste, para dar sequência à Teologia da Enxada (nos termos do livro do mesmo nome, publicado pela Vozes, em 1977). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Em 1981, começa a experiência do Seminário Rural, no Brasil, mais precisamente no Avarzeado, município de Pilões. Experiência que, pelas pressoões de Roma, não se manteria, enquanto Serminário. Graças à acolhida e ao efetivo apoio de Dom José Maria Pires, converte-se numa frutuosa experiência, tendo prosseguimento agora, a partir de 1983, sempre com a presença do Pe. José, no Centro de Formaçao Missionária, em Serra Redonda, onde em companhia de uma Equipe de Formadores e Formadoras, eram acolhidos jovens do meio popular de vários Estados do Nordeste e até do Pará, de Goiás...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Dessa experiência nasceram iniciativas distintas, conforme os carismas dos jovens formandos, inclusive das moças que também tiveram seu espaço de formação missionária (as Missionárias Populares), em Mogeiro. Entre outras iniciativas, nascem: a da Associação dos MIssionários e Missionárias do Campo, a da Asscccoiaçao da Árvore (em Bayeux, onde Pe. José vai residir por vários anos, até sua partida para Barra, acolhido que foi por Dom Frei Luiz Cappio);  a dos contemplativos (Serra do Catita, Colônia Leopoldina - AL), entre outras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Durante todo esse tempo, Pe. José não cessava de peregrinar pela América Latina - Equador, Colômbia, o próprio Chile, El Salvador, onde por várias vezes esteve a participar de seminários em memória de Dom Oscar Romero, inclusive na UCA, em companhia e Jon Sobrino e outras figuras de teólogos e teólogas latino-americanos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Com relação ao olhar de Pe. José, é de se destacar a maneira como ele observava cada pessoa com quem se encontrava. Um olhar de observador perspicaz, atento a preciosos detalhes. Fazia amigos, e era muito fiel às suas amizades, fazendo questão de visitar o maior número possível, sempre a manifestar um testemunho de solidariedade e de estímulo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- A exemplo de Dom Helder, enxergava as pessoas como projeto, chamando a atenção para suas potencialidades, despertando seu protagonismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Estava sempre disponível a quem dele se aproximasse, em especial os pobres.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Teve uma dedicação especial às Escolas de Formação Missionária, nas quais fazia questao de estar presente em cada uma, quando dos módulos dos cursos periódicos, viajando de carro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mônica também cuidou de relatar aspectos relevantes do processo de construção de seu livro inacabado, abordando a presença do Espírito Santo na Igreja. Sobre seus escritos póstumos, ela encontrou vários arquivos, cada um trazendo parte da obra incompleta. O que se devia ao seu hábito de estar sempre a renovar a redação de seus escritos. Foram, por isso, encontrados umas quatro versões de seus escritos, com variações, desatacando a distinção entre fé e religião, entre a tradição do Evangelho e a tradição religiosa, os desafios atuais da teologia contemporânea...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Seus escritos póstumos devem ser publicados,com uma apresentação feita por Dom Luiz Cappio, pela Editora Paulus, que se comprometeu em publicar seu livro, desde que até 500 páginas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2. Eduardo Hoornaert é historiador e teólogo, co-fundador e ex-coordenador da CEHILA - Comisión de la historia de la Iglesia latinoamericana (inclusive da CEHILA Popular). Eduardo tem uma vasta obra publicada (em livros e artigos publicados no Brasil e no exterior). Reside atualmente em Salvador, há uns 16 anos, após haver trabalhado em Fortaleza, por mais de uma década; em Recife (como professor no ITER, inclusive no período do Pe. Comblin), além de ter sido na Paraíba (Bayeux) sua primeira experiência de trabalho. A exemplo de Pe. José Comblin e de um pequeno grupo de outros colegas padres belgas, chegou ao Brasil, em 1958. Coube-lhe compartilhar elementos preciosos da obra de Pe. José. Ofereceu um resumo por escrito de sua fala, que disponibizamos, mais uma vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;LER JOSÉ COMBLIN (1923-2011)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1. Hoje, um sentimento de urgência toma conta de nós. Percebemos que nunca na história um grupo tão minúsculo de pessoas comandou, por meio da grande mídia, a vida da quase totalidade da população mundial. Desse modo universaliza um tipo de ditadura que a maioria das pessoas não percebe. A TV instalou-se na vida das pessoas e gerou um tipo de pensamento confuso. Não se revelam os labirintos do poder. Os noticiários são sistematicamente mentirosos (acerca de Kadaf, Saddam Hussein, etc.) enquanto mantêm silêncio acerca do que é realmente importante (as ‘primaveras’ que se espalham pelo mundo). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, ter um mestre como Comblin é um privilegio. Pois é raro encontrar pessoas que superam a condição de ‘inteligência confusa’ e dizem as coisas com uma clareza meridional. Os livros desse mestre constituem um tesouro a ser explorado. Quando as coisas mudam com rapidez (como agora), necessitamos urgentemente de pensadores a nos indicar caminhos possíveis, no exato momento em que vivemos. Nosso mestre faleceu antes de tomar conhecimento das primaveras que se iniciaram em janeiro 2011 na Tunísia. Como ele teria comentado isso (como comentou o bolivarianismo)? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2. O que ler de José Comblin? Recomendo ler principalmente acerca de três temáticas, mas sei que com isso nem de longe estou esgotando a riqueza da produção intelectual do mestre. Eis os 3 temas: ‘espírito santo’, ‘povo de Deus’, ’método pedagógico’. O mais importante é o tema ‘espírito santo’, que será abordado amanhã. Só quero lembrar aqui que a ‘obra grande’ (opus magnum) de Comblin comporta 5 livros escritos ao longo de 25 anos (entre 1982 e 2007): Tempo de ação (1982); A força da palavra (1986); Vocação para a liberdade (1999); O povo de Deus (2002), A vida em busca da liberdade (2007). Os três últimos talvez sejam os mais interessantes para as novas gerações (Paulus, SP). O miolo do pensamento de José Comblin está aí. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3. O que quero aprofundar mesmo hoje são os dois temas restantes. Primeiramente o do povo de Deus. Aos 35 anos, Comblin percebe que o povo de Deus (da paróquia de Bruxelas) não é mais o povo de Deus. ‘Aqui não tem mais o que fazer’ (o cristianismo engolido pela burocracia corporativa do clero). Ele parte para o Brasil em busca do povo de Deus. E o encontra. O Brasil o fascina e transforma. Ele é como Paulo fariseu que abandona Israel, mas permanece fariseu. O padre José abandona a igreja, mas permanece padre. Ele enxerga a igreja além da igreja, fica alegre com o ‘subsistit’ de Lúmen Gentium (Vaticano II) e mais ainda com o ‘pacto das catacumbas’ no final do concílio (1965). Quando Dom Helder lhe pede um texto para Medellín 1968, ele ‘manda brasa’ (tenho comigo um exemplar original da ‘wikileaks’ desse texto para a grande imprensa). Esse texto vai além do cristianismo, além da religião, alcança diretamente os grandes problemas que afligem a humanidade. É baseado numa das leis fundamentais do povo de Deus, a desobediência. As leis foram criadas para que os pobres fiquem calados. Aplicando as leis não se consegue nada. É preciso infringir as leis. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4. Penso que, mais importante que Comblin teólogo (conselheiro de bispos), é Comblin pedagogo. A teologia da enxada é um método pedagógico que excede de longe as experiências concretas de Salgado de São Félix e Tacaimbó. É o método Paulo Freire aplicado à formação de agentes de pastoral. Comblin figura ao lado de Paulo Freire e de Ivan Illich como expressão de uma pedagogia nova que nasce na AL na década de 1960. A ideia de partir de temas geradores é revolucionária. Existe, mais profundamente ainda, uma conexão entre o ‘método Comblin’ e o famoso método Cardijn (ver, julgar, agir). Partir de temas geradores é o mesmo que partir do ‘ver’ para depois ‘julgar’ (conferir com bíblia) e ‘agir’. Nesse método está o valor permanente de Medellín 1968. Se compreendemos o método, descobrimos facilmente as adulterações (como Aparecida 2007: como dizer que a igreja é missionária se ela, na realidade, se articula por meio das paróquias e dos sacramentos?). Pois o método pedagógico da teologia da enxada está baseado no ‘amor desordenado’. Por amor, Deus renuncia ao seu poder e decide criar o homem livre, o que acarreta necessariamente o pecado (o abuso da liberdade). Em outras palavras, Deus ‘cria’ a possibilidade do pecado quando ele decide criar o homem livre. Daí o desfecho incerto da história humana e a luta que ‘sempre continua’. A história pode dar certo ou resultar em catástrofe. Pois o amor não fundamenta a ordem, mas a desordem. O amor quebra toda a estrutura da ordem. O amor fundamenta a liberdade e, por conseguinte, a desordem. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Eduardo Hoornaert, João Pessoa, DIA26/10/2011.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;DIA 27/10/2011&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Nesta noite, tivemos a alegria do reencontro e da confraternização com familiares, amigos e amigas de Dom Fragoso, este pastor e profeta dos pobres, um dos amigos próximos de Pe. José Comblin. Este, em suas peregrinações, também conheceu a frutuosa experiência da Igreja de Crateús.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Como estava previsto, tivemos o lançamento, na Paraíba, do filme/documentário "Dom Fragoso", de cerca de uma hora e vinte minutos de duração.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Contamos também com a presença do cineasta Francis Vale e do Prof. João de Lima, que, antes e depois da exibição do documentário, trataram de introduzir e apresentar o documentário, bem como, após o filme, de travar um diálogo com os presentes. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Foi para nós um momento de memória especial sobre a densa experiência da Igreja de Crateús, animada profeticamente por Dom Fragoso e sua aplicada Equipe de animadores e animadoras.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;O documentário mostra diferentes ângulos  da vida de Dom Fragoso, sempre no meio do povo dos pobres. Apresenta vários trechos de sua fala, gravados pouco antes de sua partida (12 de agosto de 2006).&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Muito impactantes os distintos depoimentos de pessoas simples da região de Crateús, que com ele conviveram e partilharam momentos indeléveis de luta, de esperança, de alegria. Os camponeses, as mulheres do Projeto Ninho, a atuação dos leigos e leigas, a firmeza da Equipe de Coordenação dos distintos trabalhos - eis apenas alguns dos aspectos observáveis no documentário.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Acabo de receber de Frei Hugo Fragoso, OFM, um dos irmãos de Dom Fragoso, o texto que segue abaixo, recuperando aspectos preciosos da biografia de Dom Fragoso. Agradecemos a Frei Hugo pela partilha.  &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Na mesma ocasião do lançamento do filme/documentário, também se achavam presentes, além de Frei Hugo,  seu irmão-caçula, João Fragoso, na companhia de Melânia e de outros familiares e amigos próximos, a exemplo da Irmã Ana Vigarani, que o acompanhou durante décadas, em seus trabalhos pastorais e de evangelização, em Crateús, e na Comunidade de Laranjeiras, no bairro José Américo, em João Pessoa, onde, já bispo emérito, passou a viver, como um irmão entre os irmãos e irmãs, de 1998 a 2006. Segue o texto proposto por Frei Hugo.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Dom fragoso: um profeta em tensão&lt;br /&gt;Entre  o profetismo e as estruturas institucionais de igreja&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;                                                                  &lt;br /&gt;Por Frei Hugo Fragoso, OFM&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O futuro bispo Dom Fragoso nasceu na serra do Teixeira, no alto sertão paraibano.  Trazia ele no sangue o grito da fome de um povo, martirizado pela seca, pelas injustiças  sociais, e pela politicagem grupista.   Este grito perpassará  toda a sua caminhada, como força propulsora de sua voz profética.&lt;br /&gt;O menino Antônio Fragoso entrou no seminário de João Pessoa pela porta da cozinha. Seu pai não tendo condições financeiras de pagar a mensalidade exigida, fragosinho foi admitido aos estudos,  na qualidade de empregado, trabalhando na portaria, como menino de recados e de afazeres domésticos.  Nesse trabalho em seus primeiros anos de seminário, pôde ele sentir  a humilhação discriminatória, por que passavam os filhos de pais pobres, face aos seminaristas de famílias que tinham recursos para pagar a mensalidade.    E isso contribuiu para  um dos enfoques de sua voz profética, a interpelar as próprias estruturas da instituição eclesiástica. &lt;br /&gt;O Padre Fragoso, depois de sua ordenação,  foi nomeado apóstolo dos operários, sendo-lhe confiado o encargo do Círculo Operário de João Pessoa.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No Círculo Operário, logo se fez sentir a sua ação profética.  Pois, ele percebeu que o círculo operário era um “movimento para operários”, e não “um movimento de operários”.  Situava-se numa linha assistencialista  com alguns elementos promocionais, mas não dava aos operários a autonomia de decidir sua própria caminhada. E o Pe. Fragoso transitou para a ação católica, em seu segmento de Juventude Operária Católica (JOC).  Ali  ele se constiuiu, no testemunho do fundador da JOC, Pe. José Cardijn,como uma das grandes vozes proféticas do mundo operário brasileiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Pe. Fragoso foi então consultado pelo núncio apostólico, para ascender à cátedra episcopal. E a resposta do Pe. Fragoso foi reticente, alegando ele ao núncio sua dificuldade em aceitar a púrpura episcopal, pois ela o distanciaria dos operários. E o núncio o tranquilizou: “você vai ser bispo dos operários!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao aceitar o episcopado, entre cujas funções específicas  estava  a de  “manter  a instituição”, ele assim se expressou na manifestação que lhe fizeram os seminaristas de João Pessoa, no dia de sua ordenação episcopal. Ao receber grandes aplausos  dos seminaristas “por causa de suas idéias”,  ele lhes deu esta resposta emblemática: ”minhas idéias, minhas idéias pessoais, vocês podem rasgar  e jogar na cesta do lixo. Mas a orientação de minha igreja, de nossa igreja, vamos acatá-la respeitosamente”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É que  ele não via a igreja como um bloco monolítico, mumificado numa instituição, porém como algo em contínua construção, sob a ação do Espírito Santo.  E o Espírito Santo recorria, dizia D. Fragoso, a mediações humanas, não apenas do magistério institucional,  mas a todos os membros da Igreja.  E proclamava ele: “ que certeza tenho eu, como bispo diocesano,  de ser iluminado com exclusividade pelo espírito santo, quando ele me ilumina pela mediação  dos leigos, das religiosas, do povo de Deus da igreja de Crateús?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E aí estava  a tensão  mais profunda  de seu profetismo, a interpelar a instituição  eclesiástica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passo expressivo de sua caminhada episcopal foi sua nomeação para bispo de Crateús, em 1964,  em plena “revolução militar”.  Ao chegar à cidade de Crateús,  ele teve de observar o ritual inicial  de passa r pelo quartel do exército,  para “o beija-mão”.  Mas no dia seguinte,  após as longas cerimônias de posse,  houve um banquete de 200 talheres, digno de um bispo  da instituição eclesiástica.  Após, o longo tempo do banquete, e depois de uns cinco discursos, já quase às 4 horas da tarde, chegou a vez de D. Fragoso falar, e apresentar sua carteira de identidade.  Ele começou dizendo  que iria ser breve, e que queria  agradecer em primeiro lugar às cozinheiras, que prepararam  aquele gostoso banquete, mas que estavam até aquela hora esperando que terminassem o discursos, para poderem matar a fome. E em seguida, apresentou seu projeto episcopal:”eu não vim para Crateús ser um construtor de civilização, mas sim um humilde servidor do povo de Crateús para que ele possa construir autonomamente o seu destino!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E depois de anos e  anos a proclamar sua voz profética em ressonância internacional e amordaçamento nacional,  ele teve de moderar a sua voz profética.  Foi quando da prisão e tortura de seu auxiliar Pe. Geraldinho. Diante de sua prisão e tortura,  D. Fragoso assumiu  uma atitude de perplexidade,  dizia ele  sentidamente  aos mais íntimos:  “se eu continuar com a veemência dos meus pronunciamentos, serei aplaudido como herói, e não me irão prender por receio da repercussão nacional e internacional  mas irão prender e torturar  os meus pequenos auxiliares. Isto é para mim profundamente doloroso. E daí em diante procurou ele atenuar a veemência de sua voz profética.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de 34 anos de ação profética na Igreja de Crateús, ele foi dispensado de sua função institucional de bispo , voltando à plenitude  de seu profetismo, sem as amarras institucionais.  E sentindo-se totalmente livre, poderia ele  exclamar:”ai de mim se eu não falar, quando Deus me manda falar!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E igualmente sentindo-se apenas sob a vigilância do olhar do supremo juiz, de que se julgava porta-voz, ele exerceu um profetismo de profunda radicalidade, como bem expressou no seu último livro, postumamente editado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resumindo toda a caminhada profética de Dom Fragoso, poderíamos a ele aplicar as palavras  do Papa João XXIII.  Ou seja, quando o profeta pe. Lombardi, fundador do movimento “por um mundo melhor”, teceu fortes críticas às estruturas  institucionais da cúria romana, os cardeais da cúria assumiram atitude imediata de punição àquilo, que eles consideravam  um verdadeiro desacato à autoridade.  Foi então que o Papa João XXIII,  interveio com toda a sua autoridade  institucional de Papa:”calma, meus irmãos! Calma! O Pe. Lombardi teceu suas críticas por amor. E todo aquele que nos crítica por amor, deve ser ouvido!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dom Fragoso em  sua caminhada profética fez todas as suas  interpelações à instituição eclesiástica por amor à sua  igreja. Aquela Igreja da qual no dia de sua ordenação episcopal, como vimos,  ele expressava toda a sua dedicação:”minhas idéias pessoais, vocês podem rasgar e jogar na cesta do lixo.  Mas a orientação de minha Igreja, da nossa Igreja, vamos acatar com respeito!”&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;DIA 28/10/2011&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A contribuição de Pe. José Comblin à compreensão da missão do Espírito Santo no mundo foi o tema da terceira noite. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foram convidaos a comporem a Mesa a Irmã Agostinha Vieira de Melo, Religiosa Beneditina, do CEBI,  e o Pastor Luciano Batista de Souza, da Primeira Igreja Batista de Sousa - PB. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1. Em sua exposição, a Irmã Agostinha lembrou as circunstâncias de seu conhecimento do Pe. José Comblin, nos tempos de sua atuação como professora de Bíblia no CFM - Centro de Formação Missionária-, em Serra Redonda, nos anos 80.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Presenteou-nos, em seguida, com a leitura do seu Poema "Apressador de Urgências", em homenagem ao Pe. Comblin. Um poema de rara beleza, em forma e conteúdo, a retratar com profundidade o perfil de Pe. José. Eis o Poema&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;APRESSADOR DE URGÊNCIAS&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Pela Irmã Agostinha Vieira de Melo*&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Olheiro e aprendiz dos sinais dos tempos&lt;br /&gt;E das lutas mais queridas.&lt;br /&gt;Amante e servidos da dama liberdade,&lt;br /&gt;farejador e acolhedor do sopro do Espírito&lt;br /&gt;Crente do pobre-povo-de-Deus...&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;No trânsito da história&lt;br /&gt;nos antigos e novos rumos das idéias&lt;br /&gt;ele percebe mais, bem mais&lt;br /&gt;do que apenas sinais&lt;br /&gt;vermelhos, amarelos e verdes...&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Não se atém nem se retém&lt;br /&gt;aos postos institucionais&lt;br /&gt;Não empaca nos míopes avisos: Errado!Certo!&lt;br /&gt;de cúrias e incúrias.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Vai seguindo&lt;br /&gt;indo e vindo&lt;br /&gt;com sua enxada teológica&lt;br /&gt;revolvendo teologias&lt;br /&gt;cavando e desencavando eclesiologias&lt;br /&gt;no campo, na cidade&lt;br /&gt;com uma simplicidade já euro-nordestina&lt;br /&gt;nas entranhas do Evangelho&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Minha gratidão nordestina&lt;br /&gt;cria audácias na imaginação...&lt;br /&gt;Adivinho-o&lt;br /&gt;crítico e amoroso,&lt;br /&gt;sério e de fino humor;&lt;br /&gt;de ouvido afiado&lt;br /&gt;ao que é mais abafado&lt;br /&gt;na dignidade dos pobres.&lt;br /&gt;Movido pelo amor,&lt;br /&gt;apressando as horas daquela urgência&lt;br /&gt;que não permite esperar!&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Ao Pe. Comblin,&lt;br /&gt;Na manhã de seus oitenta anos,&lt;br /&gt;Abraço de Agostinha Vieira de Mello &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;(Extraída do livro &lt;span style="font-style:italic;"&gt;A Esperança dos pobres vive&lt;/span&gt;!, São Paulo: Paulus, 2003, pp. 213-214) &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* Religiosa beneditina, fundadora do CEBI, tem longa experiência de trabalho bíblico com agentes pastoris, lideranças populares e comunidades eclesiais de base. Vive inserida no meio popular em João Pessoa, há mais de 25 anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2. O Pastor Luciano houve por bem ler-nos o seu denso texto, que ele distribuiu em três tópicos: uma introdução geral à contribuição teológica do Pe. José, sua contribuição pneumatológica específica e pontos ou aspectos que ele recolhe como desafios de sua leitura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- A obra teológica de Comblin também passa pela influência de professores de referência e de testemunho, a exemplo de Lucien Cerfaux e Gustave Thils.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sua obra comporta uma extraordinária diversidade temática, o que pode ser atestado, seja pelas suas diversas "teologias" (da revolução, da cidade, libertação, da enxada...), seja pela gama de outros temas por ele abordados (a figura de Jesus, cartas paulinas, antropologia cristã, profecia, entre outros).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Diversidade notável de sua produção, exposta, não apenas em livros (em torno de 70), mas em seus mais de 400 artigos, publicados em diversas revistas de reconhecida qualidade nacional e internacional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Nessa produção teológica, Pe. José tido um reconhecimento notável. Mas, é sobretudo no campo da Pneumatologia (o campo dos estudos ligados à missãodo Espírito Santo), que Pe. José se tem revelado portador de uma contribuição toda especial.  &lt;br /&gt;- Seus estudos da ação do Espírito Santo no mundo se encontram tanto em livros, quanto em artigos. Mais "remotamente", pode-se perceber sua intuiçao nesse domínio desde os anos 60, em alguns artigos abordando a presença e a ação do Espírito Santo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- De maneira mais sistemática, suas inquietações remontam ao final dos anos 70, quando publica um esboço do que se revelaria, nos anos seguintes, seu denso projeto de estudos pneumatológicos ("O Espírito Santo no Mundo", Vozes, 1978). Nesse esboço, podem ser registradas as palavras-chave, posteriormente desenvolvidas: Ação, Palavra, Liberdade, Povo de Deus, Vida...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- De modo mais sistemático, Pe. José lograria êxito em seu projeto que se materializaria, ao longo de um quarto de século, mais propriamente, de 1982 a 2007, sem esquecer de seu escrito póstumo que, de certo modo, "fecha" esse seu círculo pneumatológico (sobre o Espírito Santo na Igreja).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Durante esse período, foram publicados:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* "Tempo da Ação" (Petrópolis: Vozes, 1982);&lt;br /&gt;* "A Força da Palavra" (Petrópolis: Vozes, 1986)&lt;br /&gt;* "Vocação para a Liberdade" (São Paulo: Paulus, 1998);&lt;br /&gt;* "Povo de Deus" (São Paulo: Paulus, 2003)&lt;br /&gt;* "Vida com Liberdade" (Paulus, 2007);&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;- Ao longo dessas publicações, Pe. José trata de: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* ajudar a compreender que a ação do Espírito Santo no mundo vai bem além de sua presença nos espaços eclesiais;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* Nestes espaços, o sentido da presença e da ação do Espírito supera sua atuação para bem além de uma presença estritamente intratrinitária.&lt;br /&gt;* Na compreensão de José Comblin, diferentemente do sentido abstrato e quimérico que, por interesses de poder assumidos e difundidos pela cristandade, se tornaria predominante, o Espírito é a ação, é a força renovadora/transformadora de Deus no mundo, nos povos, nas pessoas. &lt;br /&gt;* O Espírito Santo age na atualização da força da Palavra, do Verbo feito carne, da Palavra feita pobreza. &lt;br /&gt;* Jesus, Palavra incarnada no mundo, entre os humanos, em especial na vida dos pobres, teve um tempo histórico limitado. Sua vida terrena foi rápida, em tempo insuficiente para que os humanos – inclusive os apóstolos – assimilassem tudo o que Ele veio anunciar. É o Espírito que segue a ensinar, a revelar, a inspirar, a encorajar, a incendiar os corações, na perspectiva da realização do Reino de Deus. &lt;br /&gt;* O Espírito Santo torna vivo e presente o legado de Jesus, encorajando seus discípulos e discípulas a darem prosseguimento ao Plano do Pai, anunciado por Jesus, de nos instigar à missão de reunir todo o Povo de Deus, ajudando a tornar Povo toda uma massa espalhada pelo mundo, a viver como ovelhas sem pastor. &lt;br /&gt;* Pela força renovadora do Espírito Santo, somos chamados à Liberdade, nome aliás do que considero a obra-magna de Pe. José, Vocação para a Liberdade (Paulus, 1998), em que Pe. José se inspira principalmente na bela carta de Paulo aos Gálatas. &lt;br /&gt;* A vida para o ser humano requer o exercício da Liberdade. Chamados à vida em plenitude, nós somos chamados a viver na Liberdade, o que é mais exigente do que se espera da vida de outras espécies. &lt;br /&gt;* O Espírito Santo continua a infundir sobre os membros do Povo de Deus os Seus dons: o dom do discernimento, o dom da profecia, o dom da coragem, o dom da criatividade, da capacidade de transformar, para melhor, o mundo, as condições de vida do Planeta e dos Humanos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Após as duas reflexões propostas pela Irmã Agostinha e pelo Pastor Luciano, foi a vez de Pe. Josenildo anunciar o momento das intervenções espontâneas de outras pessoas. Antes, tratou de saber, dentre os presentes, quantos confirmariam sua participação no sábado, 29, pela manhã. Ficou, combinado, que o dia do sábado seria de partilhar memória do Pe. José, não apenas com as pessoas presentes nesta noite, mas também com outras pessoas que só pederiam vir no sábado pela manhã. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Houve intervenões espontâneas e questões dirigidas aos expositores. As questões giraram em torno dos desafios de prosseguir a caminhada, nesses tempos de crise institucional dentro e fora da Igreja, bem como em torno do desafio do futuro do Cristianismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Nota:&lt;/span&gt; oportunamente, o Pastor Luciano nos dará a alegria de remeter seu belo texto, permitindo que o socializemos para um público mais amplo. AJFC.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;DIA 29/10/2011&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Na manhã do sábado, 29, à medida que as pessoas iam entrando no auditório da Reitoria da UFPB, tratavam de sentar-se numa das cadeiras que formavam um círculo. &lt;br /&gt;- Tendo em vista que  algumas pessoas presentes no último dia não haviam podido acompanhar as reflexões partilhadas nas noites anteriores, foi iniciada a manhã, com um momento de breve recapitulação dos pontos-chave tratados. &lt;br /&gt;- Foram socializados pelas pessoas presentes distintos momentos de lembranças do Pe. José, suas viagens, seu testemunho, seus amigos e amigas, sua obra, diversas organizações que tiverem nele inspiração direta e por ele foram acompanhadas. &lt;br /&gt;- Com a contribuição de Mônica Muggler, de Pe. Paulo Cabral, de Pe. Hermínio Canova, de vários estudantes trabalhando em projetos de Extensão, de membros de várias comunidades da grande João Pessoa, cuidou-se, além de compartilhar momentos densos da vida e do legado de Pe. José, também de socializar informações sobre o Memorial Pe. José Comblin, cuja abertura está prevista para o dia 19 de dezembro, no Santuário do Pe. Ibiapina, em Santa Fé (município de Solânea, ficando, porém, a cerca de apenas um Km da cidade de Arara. &lt;br /&gt;- Manifestou-se a idéia, logo por todos acolhida, de dar seguimento a esse evento  em homenagem ao Pe. José Comblin, todos os anos. &lt;br /&gt;- A Semana Teológica em homenagem ao Pe. José Comblin foi encerrada com um momento de oração, em que todos foram convidados/convidadas a dizer uma palavra acerca daquilo em que crê.&lt;br /&gt;Nota: Foi o que consegui reter, sem registros escritos, consciente das lacunas e imprecisões, pelo que lhes peço desculpas. Outros/outras hão de completar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;João Pessoa, 2 de novembro de 2011&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5704503579441133124-5162065531796477563?l=kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com/feeds/5162065531796477563/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com/2011/11/algumas-linhas-sobre-semana-teologica.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5704503579441133124/posts/default/5162065531796477563'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5704503579441133124/posts/default/5162065531796477563'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com/2011/11/algumas-linhas-sobre-semana-teologica.html' title='Algumas linhas sobre a Semana Teológica em Homenagem ao Pe. José Comblin, realizada em João Pessoa, na UFPB, de 26 a 29/10/2011'/><author><name>NóS TAMBÉM SOMOS IGREJA</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/_WEl_XV8J-QQ/Sc_ZA4N4RZI/AAAAAAAAAAM/W94cLwnoJjM/S220/Eu+e+Mel%C3%A2nia+nos+nossos+50+anos.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5704503579441133124.post-8409918530143866126</id><published>2011-11-01T11:21:00.000-07:00</published><updated>2011-11-01T11:22:44.488-07:00</updated><title type='text'>Ler José Comblin (1923-2011), por Eduardo Hoornaert</title><content type='html'>1. Hoje, um sentimento de urgência toma conta de nós. Percebemos que nunca na história um grupo tão minúsculo de pessoas comandou, por meio da grande mídia, a vida da quase totalidade da população mundial. Desse modo universaliza um tipo de ditadura que a maioria das pessoas não percebe. A TV instalou-se na vida das pessoas e gerou um tipo de pensamento confuso. Não se revelam os labirintos do poder. Os noticiários são sistematicamente mentirosos (acerca de Kadaf, Saddam Hussein, etc.) enquanto mantêm silêncio acerca do que é realmente importante (as ‘primaveras’ que se espalham pelo mundo).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, ter um mestre como Comblin é um privilegio. Pois é raro encontrar pessoas que superam a condição de ‘inteligência confusa’ e dizem as coisas com uma clareza meridional. Os livros desse mestre constituem um tesouro a ser explorado. Quando as coisas mudam com rapidez (como agora), necessitamos urgentemente de pensadores a nos indicar caminhos possíveis, no exato momento em que vivemos. Nosso mestre faleceu antes de tomar conhecimento das primaveras que se iniciaram em janeiro 2011 na Tunísia. Como ele teria comentado isso (como comentou o bolivarianismo)?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2. O que ler de José Comblin? Recomendo ler principalmente acerca de três temáticas, mas sei que com isso nem de longe estou esgotando a riqueza da produção intelectual do mestre. Eis os 3 temas: ‘espírito santo’, ‘povo de Deus’, ’método pedagógico’. O mais importante é o tema ‘espírito santo’, que será abordado amanhã. Só quero lembrar aqui que a ‘obra grande’ (opus magnum) de Comblin comporta 5 livros escritos ao longo de 25 anos (entre 1982 e 2007): Tempo de ação (1982); A força da palavra (1986); Vocação para a liberdade (1999); O povo de Deus (2002), A vida em busca da liberdade (2007). Os três últimos talvez sejam os mais interessantes para as novas gerações (Paulus, SP). O miolo do pensamento de José Comblin está aí.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3. O que quero aprofundar mesmo hoje são os dois temas restantes. Primeiramente o do povo de Deus. Aos 35 anos, Comblin percebe que o povo de Deus (da paróquia de Bruxelas) não é mais o povo de Deus. ‘Aqui não tem mais o que fazer’ (o cristianismo engolido pela burocracia corporativa do clero). Ele parte para o Brasil em busca do povo de Deus. E o encontra. O Brasil o fascina e transforma. Ele é como Paulo fariseu que abandona Israel, mas permanece fariseu. O padre José abandona a igreja, mas permanece padre. Ele enxerga a igreja além da igreja, fica alegre com o ‘subsistit’ de Lúmen Gentium (Vaticano II) e mais ainda com o ‘pacto das catacumbas’ no final do concílio (1965). Quando Dom Helder lhe pede um texto para Medellín 1968, ele ‘manda brasa’ (tenho comigo um exemplar original da ‘wikileaks’ desse texto para a grande imprensa). Esse texto vai além do cristianismo, além da religião, alcança diretamente os grandes problemas que afligem a humanidade. É baseado numa das leis fundamentais do povo de Deus, a desobediência. As leis foram criadas para que os pobres fiquem calados. Aplicando as leis não se consegue nada. É preciso infringir as leis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4. Penso que, mais importante que Comblin teólogo (conselheiro de bispos), é Comblin pedagogo. A teologia da enxada é um método pedagógico que excede de longe as experiências concretas de Salgado de São Félix e Tacaimbó. É o método Paulo Freire aplicado à formação de agentes de pastoral. Comblin figura ao lado de Paulo Freire e de Ivan Illich como expressão de uma pedagogia nova que nasce na AL na década de 1960. A ideia de partir de temas geradores é revolucionária. Existe, mais profundamente ainda, uma conexão entre o ‘método Comblin’ e o famoso método Cardijn (ver, julgar, agir). Partir de temas geradores é o mesmo que partir do ‘ver’ para depois ‘julgar’ (conferir com bíblia) e ‘agir’. Nesse método está o valor permanente de Medellín 1968. Se compreendemos o método, descobrimos facilmente as adulterações (como Aparecida 2007: como dizer que a igreja é missionária se ela, na realidade, se articula por meio das paróquias e dos sacramentos?). Pois o método pedagógico da teologia da enxada está baseado no ‘amor desordenado’. Por amor, Deus renuncia ao seu poder e decide criar o homem livre, o que acarreta necessariamente o pecado (o abuso da liberdade). Em outras palavras, Deus ‘cria’ a possibilidade do pecado quando ele decide criar o homem livre. Daí o desfecho incerto da história humana e a luta que ‘sempre continua’. A história pode dar certo ou resultar em catástrofe. Pois o amor não fundamenta a ordem, mas a desordem. O amor quebra toda a estrutura da ordem. O amor fundamenta a liberdade e, por conseguinte, a desordem.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;João Pessoa, 26/10/2011.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5704503579441133124-8409918530143866126?l=kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com/feeds/8409918530143866126/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com/2011/11/ler-jose-comblin-1923-2011-por-eduardo.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5704503579441133124/posts/default/8409918530143866126'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5704503579441133124/posts/default/8409918530143866126'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com/2011/11/ler-jose-comblin-1923-2011-por-eduardo.html' title='Ler José Comblin (1923-2011), por Eduardo Hoornaert'/><author><name>NóS TAMBÉM SOMOS IGREJA</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/_WEl_XV8J-QQ/Sc_ZA4N4RZI/AAAAAAAAAAM/W94cLwnoJjM/S220/Eu+e+Mel%C3%A2nia+nos+nossos+50+anos.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5704503579441133124.post-7364449287904054714</id><published>2011-09-28T05:47:00.001-07:00</published><updated>2011-09-28T05:48:31.109-07:00</updated><title type='text'>Jesus, o amor</title><content type='html'>por Rolando Lazarte&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Jesus não veio destruir a religião, mas levá-la à sua perfeição. Esta perfeição está além da religião. Esta precisa ser redirecionada constantemente para se tornar preparação para a vida cristã e não um fim em si mesma –o que é uma tentação permanente, ainda que inconsciente. A vida que Jesus veio ensinar é bem simples. Mas essa simplicidade é, para nós, a cidade colocada em cima do monte, da qual nos aproximamos sem nunca poder atingi-la, mas cm a esperança de finalmente alcançá-la um dia, após a  presente caminhada. Aqui na terra a vida é um permanente combate entre o amor e a resistência ao amor –que é o pecado. Isso nos mostra a necessidade de a religião estar em permanente mudança, para que se torne auxílio e não obstáculo ao crescimento da vida. A mensagem de Jesus é sempre a mesma, mas a religião varia de acordo com a variação das culturas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A salvação é o amor. Quem ama está salvo e já passou da morte à vida. A morte física não o mudará. O que era na sua vida terrestre amor, permanece para sempre. A única realidade deste mundo que permanece para a eternidade é o amor.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muitas vezes tenho refletido sobre estas palavras de Comblin (1), e sobre outras expressões suas no mesmo sentido, que se referem ao fato de que Jesus não criou uma igreja, uma instituição. O evangelho fala por sí mesmo, mas a sua simplicidade está como que fora do nosso alcance, no sentido de que as complicações de que nos recobrimos, ou as interpretações com que as encobrimos, obscurecem o seu sentido. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jesus é uma referência clara de ação, e a sua radicalidade pode ser vista com clareza em  algumas de suas expressões mais fortes, como: “o Reino de Deus está em vós”, ou então quando afirma que nós deveríamos ser capazes de discernir por nós mesmos, acerca do que é justo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em momento algum Jesus se coloca como uma autoridade acima do ser humano, ao contrário, vem como que a anunciar a boa nova de  que o Reino de Deus está em  nós, em cada um de nós. Esta afirmação não convém aos donos do poder, aos que vivem da exploração do ser humano, mas a mensagem de Jesus vai toda na direção da autonomia da pessoa, sua radical liberdade e o seu pertencimento a um ordem divina que deve ser respeitada. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comblin foi um sociólogo, além de teólogo e padre, e os seus escritos podem ser de muita utilidade para quem atua em sociedade na perspectiva da libertação das pessoas e  das comunidades, sua independência e empoderamento. As palavras de Jesus que comentamos, são convergentes com o sentido mais profundo que a existência humana, e a realidade como tal, na sua totalidade, possuem desde o ponto de vista religioso. Tudo é divino, e, portanto, merece respeito e reverência, cuidado e atenção. Esta atitude se encontra em muitas cosmovisões religiosas, tais como o hinduísmo e as religiões originárias da América. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há uma parte nossa que o sabe, mas está como que sepultada por séculos de violência contra a terra e contra o ser humano, contra toda a criação. No entanto, é possível retonar a essa essência anterior, a esse estado originário em que somos habitantes de uma realidade única e indivisível. É possível reencontrar em nós mesmos o estado prévio à dissociação, uma vez que no mais profundo do nosso ser, permanece a unidade com tudo e com todos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5704503579441133124-7364449287904054714?l=kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com/feeds/7364449287904054714/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com/2011/09/jesus-o-amor.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5704503579441133124/posts/default/7364449287904054714'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5704503579441133124/posts/default/7364449287904054714'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com/2011/09/jesus-o-amor.html' title='Jesus, o amor'/><author><name>NóS TAMBÉM SOMOS IGREJA</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/_WEl_XV8J-QQ/Sc_ZA4N4RZI/AAAAAAAAAAM/W94cLwnoJjM/S220/Eu+e+Mel%C3%A2nia+nos+nossos+50+anos.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5704503579441133124.post-1366313298992725589</id><published>2011-09-20T10:29:00.000-07:00</published><updated>2011-09-20T10:31:05.866-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Reginaldo Veloso'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Diaconía'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Sacerdócio Universal'/><title type='text'>A liturgia do Samaritano</title><content type='html'>Por  Reginaldo Veloso&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Talvez já lhe passou pela cabeça&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ser Sacerdote, sacerdotisa, quem sabe...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não espere por Ordenação!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Ordem já foi dada!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguém está à sua espera...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Faça-se quanto antes um dom de Deus, sagrado dom, para seus próximos, para seu povo, um dom do Povo para seu Deus!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não precisa mais de Templo,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;nem saia à cata de igrejas...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixe Deus habitar em seu coração,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;seja você mesmo, você mesma, a Tenda de Reunião,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;fincada no meio do povo,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;um ponto-de-encontro para os que estão dispersos ou na solidão,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e deixe a Boa Nova fluir de dentro do seu peito&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;como água viva a jorrar de fonte perene&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;para os que têm fome e sede de justiça!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não vá atrás de Sacrifícios,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e desconfie de qualquer ritual ou oferenda!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entregue já a sua vida a serviço da Vida,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a serviço dos últimos, dos “sem”, dos excluídos, da Mãe Natureza em extinção! Ouse mais: seja um Pontífice!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não espere por eleição, consagração ou coisa que o valha...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você já foi eleito e consagrado!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comece logo a fazer ponte entre o céu e a terra, entre Deus e a Humanidade, entre irmãos e irmãs!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seja você mesmo, você mesma, esse traço-de-união,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;essa presença solidária que tanto faz falta,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;especialmente aos que estão caídos, semimortos,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;à beira das estradas do mundo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a sua adoração em espírito e em verdade&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;consistirá em descer de alguma pretensa altura,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;debruçar-se sobre toda dor e humilhação,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;curar todas as chagas com o azeite da humana ternura,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;com o vinho da alegre esperança,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;fazendo a vida emergir dos porões,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;desabrochar ao sol e expandir-se pelos vales e colinas,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;para a glória do Criador e Pai!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São estes os adoradores e adoradoras que o Pai procura!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pelo menos, assim, entendeu e fez o Divino Samaritano, Jesus!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa foi a sua maneira de ser, ao mesmo tempo,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Templo, Sacerdote e Sacrifício!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E no-lo mandou repetir em sua memória:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Vá você e faça o mesmo!” &lt;/span&gt;(Lc 19,37).&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5704503579441133124-1366313298992725589?l=kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com/feeds/1366313298992725589/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com/2011/09/liturgia-do-samaritano.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5704503579441133124/posts/default/1366313298992725589'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5704503579441133124/posts/default/1366313298992725589'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com/2011/09/liturgia-do-samaritano.html' title='A liturgia do Samaritano'/><author><name>NóS TAMBÉM SOMOS IGREJA</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/_WEl_XV8J-QQ/Sc_ZA4N4RZI/AAAAAAAAAAM/W94cLwnoJjM/S220/Eu+e+Mel%C3%A2nia+nos+nossos+50+anos.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5704503579441133124.post-2985519250707838684</id><published>2011-08-27T08:38:00.000-07:00</published><updated>2011-08-27T08:45:56.998-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ecumenismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Concílio Vaticano II'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='SEguimento de Jesus'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Igreja dos Pobres'/><title type='text'>O lugar do Povo de Deus nos documentos do Concílio Vaticano II -  Incidências na “Lumen Gentium”</title><content type='html'>Por Alder Júlio Ferreira Calado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O foco maior da mensagem do Evangelho incide e se potencializa no anúncio do Reino de Deus (principalmente ao povo dos pobres: cf. Lc 4, 18-19): “Procurai, antes de tudo, o Reino de Deus e sua justiça...” (Mt 6,33). No Movimento de Jesus, o povo dos pobres tem centralidade, não apenas como principal destinatário, como também enquanto vocacionado a tornar-se protagonista de uma busca incessante de construção de um mundo de justiça, de solidariedade, de partilha, de liberdade, de paz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os descaminhos da história – inclusive do Cristianismo e das igrejas – foram sendo progressivamente abandonados por outras prioridades...  Isto não impediu – antes, suscitou - o surgimento de vozes proféticas, em todos os tempos. Vozes que se fizeram ouvir, também, antes, durante e depois da realização do Concílio Vaticano II.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não há como, a propósito, não evocar privilegiados momentos proféticos, como aqueles a que assistimos, por exemplo, por ocasião das conferências latino-americanas de Medellín (1968) e Puebla (1979). O Concílio Vaticano II, ao  constituir-se no grande acontecimento da Igreja Católica Romana do século XX, tornou-se um espaço-tempo de impactante inspirador de iniciativas da profecia, nas décadas a seguir, em especial em contextos sócio-históricos como o da América Latina dessas últimas cinco décadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quase meio século nós estamos desde o seu início, em 1962, e constatamos, com inquietação, que ainda estamos tão longe da realização de seus propósitos mais generosos. Tanto mais nos inquieta tal constatação, ao atentarmos para o fato de que o Concílio Vaticano II pretendia ser um ponto de partida para a renovação da Igreja, diante de um mundo que tão bem acolheu o espírito de diálogo proposto pelo Concílio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A exemplo de outros acontecimentos históricos, o Concílio Vaticano II pode ser revisitado de diferentes formas: pelos seus antecedentes, pela singularidade do Papa João XXIII, pelos relatos dos embates provocados pelos chamados “Esquemas” forjados unilateralmente pela Cúria Romana, pelos embates das sessões, pela riqueza de seus bastidores, pelos documentos dele decorrentes... Nas linhas que seguem, propomo-nos uma breve revisitação ao ambiente conciliar, a partir apenas de seus documentos, com especial atenção ao lugar neles reservado ao Povo de Deus, particularmente na Constituição “Lumen Gentium”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;I. Um rápido olhar sobre os documentos do Concílio Vaticano II&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Realizado entre 1962 e 1965, dele resultariam dezesseis documentos (quatro constituições, nove decretos e três declarações, por meio dos quais os padres conciliares explicitavam sua disposição de renovação e de abertura de diálogo intra, inter e extra-eclesial. Não por acaso, o “bom Papa João” (carinhosa referência ao Papa João XXII, que o convocou) o havia definido, não como mais um espaço de condenações, mas como um acontecimento de caráter eminentemente pastoral. Com efeito, seus dezesseis documentos cobrem uma vasta diversidade de inquietações,  de propósitos e de buscas dessa natureza, tematizando suas fontes de referência, sua autoconsciência identitária, suas relações com o mundo contemporâneo, diretrizes pastorais para o conjunto de seus segmentos (bispos, presbíteros, diáconos, religiosos e religiosas, cristãos leigos e leigas...), seu horizonte missionário, suas relações com as igrejas orientais, seu propósito ecumênico, suas relações com outras igrejas e religiões, suas inquietações com relação a desafios da atualidade (meios de comunicação, educação, liberdade religiosa, etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As quatro constituições conciliares situam suas inquietações fundamentais. Em primeiro lugar, em relação à Palavra de Deus (Dei Verbum), no Antigo e no Novo Testamento, sublinhando que “Ninguém ignora que entre todas as Escrituras, mesmo do Novo Testamento, os Evangelhos têm o primeiro lugar, enquanto são o principal testemunho da vida e doutrina do Verbo Encarnado, nosso Salvador.” (n. 18). Merecem também destaque os nn. 25 e 26, ao reconhecerem a necessidade,  e ao incentivarem também os leigos e leigas (“catequistas”) a exercitarem uma intimidade mais fecunda com a Palavra de Deus (o que tem sido a tarefa principal do CEBI, por ex.). Uma novidade auspiciosa é anunciada na Constituição Lúmen Gentium (que retomaremos, mais adiante). Trata-se do lugar primordial nela ocupado, antes mesmo que a hierarquia, pelo Povo de Deus. Uma outra inquietação a destacar, aparece na constituição dedicada à renovação litúrgica (Sacrossactum Concilium), em que se insiste em que, doravante, “os cristãos não entrem neste mistério de fé como estranhos ou espectadores mudos, mas participem na ação sagrada consciente, ativa e piodosamente, por meio de uma boa compreensão dos ritos e orações”. (n. 48). É sobretudo na Constituição Pastoral Gaudium et Spes, sobre a Igreja no mundo de hoje, que acentua com mais força o papel do protagonismo dos cristãos na tomada de consciência e na ação efetiva como construtores de um mundo de justiça e de paz, inclusive a partir mesmo do “proêmio” deste Documento: “As alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens de hoje, sobretudo dos pobres e de todos aqueles que sofrem, são também as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angùstias dos discípulos de Cristo.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por sua vez, os nove decretos também seguem a mesma linha de propósito pastoral e renovador. Tratam de redefinir pastoralmente a missão do conjunto de seus segmentos, de modo a instá-los a uma atitude renovadora, frente à nova realidade, cada qual dentro do seu campo de atuação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No que diz respeito, por exemplo, à missão específica dos bispos (Christus Dominus), acentuando, não a dimensão triunfalista, usada e abusada em outros tempos, mas sua dimensão de pastor, no contexto do colégio episcopal, este decreto os exorta a que “considerem-se unidos sempre entre si e mostrem-se solícitos de todas as igrejas, pois cada um, por instituição divina e por exigência do múnus apostólico, é responsável por toda a Igreja, juntamente com os outros Bispos” (n. 6). Mais: “mostrem a solicitude maternal da Igreja para com todos os homens, quer fiéis quer infiéis, e tenham especial cuidado dos pobres e dos fracos a quem o Senhor osmandou evangelizar.” (n. 13)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A propósito dos presbíteros (Presbyterorum Ordinis), ao destacar suas funções e sua missão pastoral (no campo da Palavra – “educadores da fé”, no campo da Liturgia e na esfera da ação de pastores, o Decreto os exorta a que tenham “como recomendados a si de modo particular os pobres e os mais fracos, com os quais o próprio Senhor se mostrou unido.” (n. 6). Tarefa cuja efetividade também está vinculada ao tipo de formação que tenha tido, e da qual trata outro decreto, o intitulado Optatam Totius (sobre a desejada renovação de toda a Igreja, que passa por um processo formativo mais sólido também dos presbíteros), o Decreto acentua a necessidade um processo humanizador, aberto às novas descobertas no campo da Psicologia e da Educação, de modo a propiciar uma formação madura aos candidatos ao presbiterato (cf. n. 11).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também a vida religiosa é alvo das inquietações fundamentais do Concílio Vaticano II, em especial no que toca ao Decreto Perfectae Caritatis. Chama a atenção, também nesse segmento eclesial, o enorme desafio que continua sendo a adequação da vida religiosa (como toda vocação cristã, aliás) aos apelos do Evangelho. Inquietação presente neste Decreto, já na parte inicial, ao acentuar que “a vida religiosa tem por última norma o seguimento de Cristo proposto no Eavangelho [pelo que] deve ser esta a regra suprema de todos os Institutos.” (n. 2, a).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os fiéis leigos e leigas encontram lugar específico num dos decretos conciliares, o que se intitula Apostolicam Actuositatem, sobre o compromisso apostólico dirigido aos leigos e leigas, “cujas funções próprias e indispensáveis na missão da Igreja” (n. 1) os tornam efetivos agentes missionários.  Eles e elas são tratados como parte indispensável na obra missionária, o que tem origem em sua própria vocação de cristãos e cristãs. Sua ação se dá pelo testemunho de vida, bem como em sua inserção nas atividades em outros ambientes: família, no meio da juventude, das realidades terrestres, inclusive em sua intervenção na realidade social, política, econômica e cultural, seja no plano nacional ou internacional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ação missionária, à medida que constitui a marca do discipulado, no Seguimento de Jesus, vem tratada no Decreto Ad Gentes. Aqui merece especial destaque a enfática exortação do Concílio quanto à vocação missionária de e Pa corresponsabilidade no dever da evangelização pertinente a todo o Povo de Deus, “Dado que a Igreja é toda ela missionária, e a obra da evangelização é um dever fundamental do Povo de Deus”. (n. 35)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra marca do Vaticano II é sua inquietação com relação ao ecumenismo, no sentido de abertura de diálogo e de outros procedimentos capazes de aproximar cristãos e cristãs de distintas denominações. Seu propósito estampa-se bem no próprio título do Decreto Unitatis Redintegratio (A restauração da unidade). Caminhos buscados tanto por meio dfo dialogo, como também por meio de ações conjuntas, além da oração comum. Não obstante a constatação de avanços na prática ecumênica, esta resta um grande desafio, inclusive nos dias de hoje.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Concílio Vaticano II saúda, com entusiasmo, a função social dos meios de comunicação, ao ponto de lhes consagrar um de seus nove decretos, o intitulado Inter Mirífica.  Até pelo título, percebe-se a euforia dos padres conciliares em relação às maravilhas da tecnologia. Donde o incentivo, no sentido de que a Igreja envide esforços por acompanhar o ritmo desses meios de comunicação, nem sempre de modo crítico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Orientalium Ecclesiarum é o título de um nono decreto conciliar, dedicado a orientar as boas relações entre católicos romanos e católicos vinculados às igrejas católicas do Oriente. Aí são ministradas instruções normativas de convivência e respeito mútuos entre as distintas expressões de credo católico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além das quatro constituições e dos nove decretos, ainda figuram entre os dezesseis documentos conciliares do Vaticano II mais três “Declarações”: uma atinente a diretrizes católicas sobre o campo da educação; outra, concernente à liberdade religiosa, e uma terceira abordando a questão do diálogo inter-religioso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gravissimum Educationis é como se intitula a Declaração conciliar voltada ao que o Concílio Vaticano II considera “a gravíssima importância da educação”. Trata de explicitar princípios educativos, na perspectiva cristã, bem como de expor o dever da sociedade e da família, de educar as novas gerações. Busca também de defender o direito da Igreja a oferecer educação, a partir de um horizonte cristão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma segunda Declaração, intitulada Nostra Aetate,  reporta-se ao reconhecimento de uma diversidade de expressões religiosas que, mesmo não se orientando pelo Cristianismo (Hinduísmo, Budismo, Islamismo, Judaísmo...) inspiram um tratamento respeitoso, a partir de suas afinidade fundamentais como o fato de pertencermos todos à mesma Humanidade e partilharmos aspirações comuns, na busca do bem e da justiça. Trata-se de apostar no diálogo inter-religioso como meio de promover ações de unidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse universo plural, inclusive de manifestações religiosas, cumpre o empenho pela preservação e pela promoção da liberdae religiosa, tomando-se a dignidade humana – donde o título da Delaração – Dignitatis Humanae – como a referência a inspirar e a balizar as relações entre os homens, de modo que, em matéria religiosa, “ninguém seja forçado a agir contra a própria consciência,  nem impedido de proceder segundo a mesma”.  (n. 2).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;II. O lugar do Povo de Deus na Lumen Gentium&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desses dezesseis documentos, dois se destacam especialmente: a Constituição Dogmática Lumen Gentium (sobre a Igreja) e a Constituição Pastoral Gaudium et Spes (sobre a Igreja no Mundo de Hoje).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na oportunidade em que nos reunimos para fazer memória de meio século desde a realização do Concílio Vaticano II, aqui priorizamos o que o Concílio Vaticano II diz sobre o Povo de Deus, tema que se acha desenvolvido no segundo capítulo da Lumen Gentium. Para tanto, neste tópico,  vamos, primeiro, exercitar um brevíssimo olhar sobre o que significa Concílio. Em seguida, buscamos saber como era a situação geral do mundo e da Igreja, na época em que o Concílio se deu. O próximo passo é examinar os principais pontos do Documento. O último ponto trata de ver as influências que o Concílio Vaticano II trouxe para a caminhada da Igreja, e hoje ver o que dele permaneceu e o que se afasta do espírito do Concílio Vaticano II.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;1.O que foi o Concílio Vaticano II?&lt;/span&gt; – Toda caminhada é feita de acertos e de descaminhos. De 0tempos em tempos, é bom parar um pouco para examinar o que está dando certo (e aprimorar) e o que anda atrapalhando a caminhada, em busca de ajustar rumos e caminhos. Convoca-se um Concílio Ecumênico, sempre que a Igreja do mundo inteiro sente necessidade de se reunir para avaliar sua caminhada, para resolver pendências sobre a fé, a doutrina ou sobre desafios pastorais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A realização de concílios ou de periódicos encontros de avaliação da caminhada da Igreja é uma prática bem antiga. O livro dos Atos dos Apóstolos (cf. At 15) relata o que foi o Concílio de Jerusalém, que foi o primeiro. De lá para cá, já se realizaram dezenas de outros concílios. O mais recente foi o Concílio Vaticano II, convocado pelo Papa João XXIII, e que se realizou em Roma, no período de 1962-1965.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cada ano, viajavam para Roma os bispos do mundo inteiro, cerca de 2800, representando a Igreja Católica. Além deles, havia a participação de vários peritos (teólogos de notório saber para assessorar os bispos) e muitos convidados, inclusive alguns leigos e leigas, além de autoridades diversas. Do Brasil também foram algumas centenas de bispos, arcebispos e cardeais, dentre os quais Dom Hélder Câmara, Dom José Távora, Dom Eugênio Sales, Dom Agnelo Rossi, Dom Jaime Câmara, Dom Antônio Batista Fragoso, Dom Severino Mariano de Aguiar, para citar apenas alguns.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;2. Como era a situação do mundo e da Igreja, naquela época?&lt;/span&gt; - Nesse período, o mundo vivia uma acirrada disputa entre dois blocos que pretendiam controlar o mundo: de um lado, o Capitalismo, representado pelos Estados e seus aliados do Ocidente, e, do outro, a União Soviética, que reunia a Rússia e vários países do Leste europeu e seus aliados. Era o período da chamada “guerra fria”, troca de ameaças, disputa pela corrida armamentista, pelo controle espacial, etc. Era a época da famigerada Guerra do Vietnã, que findaria com a humilhante derrota dos invasores estadunidenses. Era também o tempo da descolonização, em que vários países da África (Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, Argélia, o Congo, entre outros) que viviam oprimidos pelas metrópoles européias (Portugal, França, Inglaterra, Bélgica e outras), buscavam tornar-se independentes. Muito sangue foi aí derramado. Era o tempo também da eclosão da Revolução Cubana, ponto de extrema tensão entre os principais blocos em disputa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A situação dentro da Igreja Católica também era preocupante. A hierarquia reinava absoluta. Tinha uma atitude de condenação ao mundo, não queria saber de diálogo com os irmãos protestantes. Não se preocupava com a sorte dos pobres, estava mais perto do poder. O povo não era valorizado. Até a missa era rezada em Latim, e de costas para o povo. Havia um descontentamento por parte de alguns segmentos proféticos dentro da Igreja Católica. Era o tempo da Ação Católica especializada (JAC, JEC, JIC, JOC, JUC), dos Padres Operários, que tinha um compromisso com a causa dos pobres.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na América Latina e Caribe, o clima era de tensão com a situação de Cuba, que metia medo nos “donos do poder” e trazia alguma esperança para os oprimidos, principalmente os camponeses. No Brasil, vivia-se igualmente uma época de intensa mobilização pelas chamadas Reformas de Base. Era a época das Ligas Camponesas, da UNE, do CGT e outras forças a favor dos interesses dos pobres.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em linhas gerais, esse era o pano de fundo, o contexto sócio-histórico do tempo em que foi convocado e realizado o Concílio Vaticano II.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;br /&gt;3. O que diz a Lumen Gentium (LG) sobre o Povo de Deus?&lt;/span&gt; – Vamos começar pelos “bastidores” , isto é, enfocando o campo de disputas entre correntes teológicas, no interior do Concílio. Sobre isso as cartas conciliares de Dom Helder Câmara apresentam rico material. Não foi fácil chegar-se a uma conclusão entre os participantes do Concílio acerca desse e de outros documentos. Não pensemos que para redigir um documento desses, bastaria escolher uma comissão de bons redatores, e ponto final. Havia, também aí, um embate de idéias doutrinais sobre vários pontos. Enquanto uma parte lutava por mudanças no comportamento da Igreja, clamando por uma Igreja mais simples, mais perto do povo, dos pobres, mais voltada para as questões sociais, havia um bloco poderoso de bispos que se preocupava com manter o estilo de uma Igreja triunfalista, mais próxima do poder, das altas autoridades. Havia também divergências sobre outros pontos: manter uma liturgia da qual o povo não participava (até a língua – o Latim - era inacessível para o pvo, ou modificar a forma dos rituais, permitindo uma efetiva participação do povo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por conta dessas divergências, não foi possível aprovar logo a Lumen Gentium. Após sucessivos debates e inúmeras emendas, foi finalmente aprovado o texto final, em novembro de 1964. O Documento está distribuído em oito capítulos, perfazendo 69 números ou parágrafos. Nos oito capítulos, a LG trata de situar o sentido mesmo da Igreja Católica, o que entende por Povo de Deus, a hierarquia (bispos, padres, diáconos), os religiosos e religiosas, os leigos, a vocação à santidade, a dimensão escatológica da Igreja peregrina e o lugar de Maria na Igreja Católica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como já foi anunciado, neste subsídio, vamos tratar apenas do capítulo II da LG, referente ao Povo de Deus. Quais são, então, os tópicos principais do Documento capazes de nos oferecer uma visão de conjunto sobre o que diz o Concílio Vaticano II acerca do Povo de Deus, especialmente na LG.. Vejamos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A parte que trata do Povo de Deus na LG ocupa nove números ou parágrafos, cada um enfocando um aspecto distinto e complementar do mesmo Povo de Deus:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;1) Deus nos salva coletivamente, como Povo, a quem Ele propõe uma aliança:&lt;/span&gt; “Aprouve a Deus santificar e salvar os homens não singularmente, sem nenhuma ligação uns com os outros, mas fazê-los um povo” (LG, 9);&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;2) Participamos, todos – ordenados e não-ordenados - do único sacerdócio de Cristo:&lt;/span&gt; “Por isso, todos os discípulos de Cristo, perseverando na oração e louvando juntos a Deus... Por toda a parte, dêem testemunho de Cristo. E aos que o pedirem, dêem as razões de sua esperança” (LG, 10)&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;br /&gt;3) A vocação ao sacerdócio comum se exerce pelos Sacramentos e pela prática das virtudes:&lt;/span&gt; “Munidos de tantos e tão salutares meios, todos os cristãos de qualquer condição ou estado são chamados pelo Senhor, cada um por seu caminho, Pa perfeição da santidade” (LG, 11)&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;br /&gt;4) Deus concede aos membros do seu Povo diferentes dons e carismas para o bem comum:&lt;/span&gt; “A cada um é dada a manifestação do Espírito para a utilidade comum.” (1 Cor 12, 7; LG, 12).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;5) O Povo de Deus é para todos:&lt;/span&gt; “Todos os homens são chamados a pertencer ao novo Povo de Deus: Por isso, “O dom que cada tiver recebido, ponde-o a serviço dos outros como bons administradores da multiforme graça de Deus.” (1 Pd 4, 10; LG, 13).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;6) Por meio da Igreja, Deus chama todos os fiéis e os catecúmenos a se congregarem na Igreja:&lt;/span&gt; ”Os catecúmenos... Com amor e desvelo, a Mãe Igreja já os abraça como seus.” (LG, 14).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;7) A Igreja Católica reconhece e tem apreço pelos não-católicos:&lt;/span&gt; “Com eles temos até certa união verdadeira no Espírito Santo, que também neles opera com Seu poder santificante, por meio de dons e graças, tendo fortalecido alguns deles até à efusão de sangue.” (LG, 115)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;8) Mesmo os que ignoram o Evangelho são orientados, por diversos modos dados por Deus, a integrarem o Povo de Deus:&lt;/span&gt; “a Divina Providência não nega os auxílios necessários à salvação àqueles que, sem culpa, ainda não chegaram ao conhecimento expresso de Deus, e se esforçam... por levar uma vida reta.” (LG 16)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;9) Por sua vocação missionária, a Igreja busca chamar a todos a fazerem parte do Povo de Deus:&lt;/span&gt; Sensível ao apelo do Enviado do Pai (cf. Jo 20,21), a Igreja “continua incessantemente a enviar os pregadores, até que as Igrejas nascentes sejam constituídas e continuem elas mesmas o trabalho de evangelizar.” (LG, 17).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;4) Do Concílio Vaticano II a Medellín e a Puebla...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo levando em conta alguns limites do Concílio Vaticano II, até porque ele há de ser visto mais como um ponto de partida do que um ponto de chegada, ele constituiu um momento de grande esperança para a caminhada da Igreja. Inspirou um clima de renovação. No caso da América Latina e do Brasil, o Vaticano II teve sua aplicação mais forte, graças à realização da Conferência dos Bispos Latino-Americanos em Medellín, na Colômbia, em 1968. Medellín soube levar adiante o que no Concílio tinha merecido um lugar discreto, como aquela famosa passagem da Lúmen Gentium, afirmando que “assim como o Cristo consumou a obra da redenção na pobreza e na perseguição, assim a Igreja é chamada a seguir o mesmo caminho a fim de comunicar aos homens os frutos da salvação.” (LG, n. 8).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Embalada pelo clima renovador do Vaticano II, Medellín, reafirmada já com alguma dificuldade em Puebla, esta realizada dez anos após, no México, já sob o pontificado de João Paulo II, constituiu uma ocasião muito fecunda para a “Igreja dos Pobres”, expressão atribuída ao bom Papa João XXIII. O Concílio Vaticano II foi um sopro de renovação na caminhada também da Igreja no Brasil. A Conferência de Medellín proclamou forte a opção da Igreja pelos pobres, incentivou a formação de pequenas comunidades, das CEBs, da Teologia da Libertação, das Pequenas Comunidades de Religiosas Inseridas no Meio Popular, as Pastorais Sociais e alguns movimentos (CIMI, CPT, PO, PJMP, ACR, MER, PU, entre outras expressões).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;E hoje, que desafios ele nos inspira a enfrentar?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As décadas mais recentes vêm sendo de muito recuo em relação à direção apontada pelo Concílio Vaticano II, ainda que devemos lembrar o Concílio Vaticano II se pretendia um ponto de partida... O clima de renovação cedeu lugar a estratégias de retorno à grande disciplina. A causa dos pobres foi quase abandonada ou relegada a segundo plano. Em vez do exercício da colegialidade pregada pelo Concílio, hoje a tendência vem sendo de centralização do poder. Em vez da prioridade das CEBs e das demais expressões da “Igreja dos Pobres”, a moda é a de movimentos de tendência verticalista. Esses e tantos outros desafios temos pela frente. Como vamos nos organizar para resistir melhor a essa tendência de abandono às bandeiras renovadoras acenadas pelo Concílio Vaticano II e impulsionadas, de modo mais concreto, pelas Conferências de Medellín e Puebla?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5704503579441133124-2985519250707838684?l=kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com/feeds/2985519250707838684/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com/2011/08/o-lugar-do-povo-de-deus-nos-documentos.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5704503579441133124/posts/default/2985519250707838684'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5704503579441133124/posts/default/2985519250707838684'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com/2011/08/o-lugar-do-povo-de-deus-nos-documentos.html' title='O lugar do Povo de Deus nos documentos do Concílio Vaticano II -  Incidências na “Lumen Gentium”'/><author><name>NóS TAMBÉM SOMOS IGREJA</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/_WEl_XV8J-QQ/Sc_ZA4N4RZI/AAAAAAAAAAM/W94cLwnoJjM/S220/Eu+e+Mel%C3%A2nia+nos+nossos+50+anos.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5704503579441133124.post-2030551900776588025</id><published>2011-08-22T02:28:00.000-07:00</published><updated>2011-08-22T02:48:51.761-07:00</updated><title type='text'>A resistência ao golpe militar de 1964 na Paraíba</title><content type='html'>Entrevista concedida a Alder Julio Ferreira Calado por João Fragoso, um dos remanescentes da resistência ao golpe militar de 1964. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;–- Vamos começar pedindo para você contar um pouco de sua história.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;JF – Nasci na pequena cidade de Teixeira, lá no alto da Serra da Borborema, nos anos de 1933. De família de agricultores extremamente pobre, vivíamos no limiar da miséria, pois meus pais não tinham terra e trabalhavam em um pequeno pedaço de chão de um parente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O clima, em Teixeira, é semiárido, e acontecem, frequentemente, períodos de longa estiagem. Nessas ocasiões meu pai não conseguia sustento para a família e procurava trabalho em locais distantes de nossa casa. Em duas oportunidades meu pai trabalhou em minas: de xelita e de ouro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar da situação de penúria em que vivíamos, meu pai era um cidadão altivo e se destacou nas atividades sociais, políticas, econômicas, religiosas, desportivas e especialmente na educação, tanto que, após 55 anos da sua saída de sua terra natal, lá foi criada uma biblioteca com o seu nome. Minha mãe era exclusivamente de casa, pois éramos sete filhos e os maiores ajudavam ao meu pai no roçado, e ela ficava com as obrigações domésticas. Meu pai tinha uma preocupação muito grande com os mais pobres, e algumas vezes eu o vi levar uma de nossas únicas redes de dormir, ou o único pedaço de carne, para doar a pessoas que dormiam no chão e passavam fome.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha mãe acolhia de maneira especial os pobres, ou seja, os que pediam esmola. Ela convidava a entrar, ouvia-os, aliviava suas dores com alguma mezinha e na hora de nossa modesta refeição, todos  nos sentávamos à mesma mesa. &lt;br /&gt;Essa prática cristã aliada à religiosidade de meus pais teve uma forte influência em todos nós, de modo que, dos seis filhos homens, todos foram estudar no seminário, e desses, três chegaram ao sacerdócio, sendo dois religiosos e um padre, depois nomeado bispo – Dom Antônio Fragoso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após estudar um ano no seminário, terminei o então curso ginasial em Recife, onde passei minha adolescência, período em que não fui orientado para direcionar minha leitura, nem também para uma visão crítica da realidade. Mesmo assim, aos 16 anos participei de movimentos estudantis, em comícios e passeatas, os quais a polícia desmanchou com cassetetes. Cursando o colegial no Liceu Paraibano comandei uma das célebres greves daquela instituição de ensino. Porém havia nessas minhas atitudes um espírito de anarquista e também um desejo de heroísmo.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;–- E quando essa sua visão mudou?&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;JF – Exatamente no Banco do Nordeste do Brasil, no qual eu ingressei em 1958. Aí eu encontrei um militante comunista (já falecido) – Antônio Aragão Filho – que, paradoxalmente, tinha uma visão cristã do mundo. Ele me dizia “Não espere que peçam alguma coisa a você, se antecipe e ofereça”. Ele deu direção a minhas leituras, falou-me da ”mais valia”, como forma de exploração, e da “luta de classes” como motor da história. Ele mostrou que meu comportamento de anarquista me desacreditava e eu perderia a confiabilidade. De extraordinária coragem, enfrentava grandes perigos. Foi preso, pelo menos, seis vezes. A partir daí comecei a fazer uma leitura crítica da realidade.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;–- Houve alguma consequência dessa tomada de consciência?&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;JF – Na teoria e na prática. À medida que essa consciência crítica foi se consolidando eu entendi que somente a mobilização e articulação dos que eram explorados poderia levar a ações de mudança. Era vital que os explorados se conscientizassem de sua força, do seu poder.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;–- Houve algum fato em que você pudesse comprovar essa mudança?&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;JF – Percebi que havia uma grande insatisfação dos colegas do Banco do Nordeste com os salários que ganhavam, pois o pessoal do Banco do Brasil, em cujo capital o Governo tinha a mesma participação, ganhava muito bem. Então começou o trabalho de articulação entre as agências, e eu me empenhei profundamente nessa coordenação, até que deflagramos a greve mais longa, até então, da categoria dos bancários no país. Os resultados concretos não foram bons, mas valeu a experiência de mobilização e organização.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;–- E a partir daí?&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;JF – “As visões foram se clareando”. O fenômeno da luta de classes se delineava mais nítido na minha cabeça, e eu entendi que o problema da exploração não era somente dos servidores do Banco do Nordeste, mas de toda a Classe Trabalhadora,  era uma prática sistêmica encravada no capitalismo. Ingressei no Sindicato dos Bancários e me articulei com as forças que lutavam por mudanças: Trabalhadores do campo, Trabalhadores Urbanos, Estudantes.  Daí ingressei no Partido Comunista Brasileiro – PCB.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;–- Como conseguia conciliar sua formação religiosa com a prática marxista?&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;JF – Eu não tinha convicções marxistas, antes eu pertencia à Ação Católica, tendo passando pela JOC – Juventude Operária Católica e Ação Católica Operária, porém eu não acreditava que esses movimentos fossem capazes de mobilizar a população para as mudanças que o país exigia. No meu entendimento somente o PCB, pela sua tradição e estrutura de organização tinha condições de, através da mobilização, suscitar uma consciência crítica na Classe Trabalhadora.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;–- Como eram suas atividades no meio bancário?&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;JF – Eu era muito bem aceito, tinha grande liderança, e por isso fui eleito para a Direção daquele órgão de classe. Essa posição facilitou o meu entrosamento com outros sindicatos, camponeses, estudantes, agora com o apoio do PCB, que, ao contrário da Igreja, a que eu pertencia, acompanhava-me nas principais atividades. É claro que as elites dominantes não toleravam atividades políticas dos órgãos de classe, e particularmente quando se preparavam para desfechar o mais violento golpe na democracia, ocorrido no Brasil até hoje. Veio o Golpe Militar, veio a ditadura, veio a perseguição, vieram as torturas. Houve intervenção no Sindicato dos Bancários e toda a Direção foi destituída. Sem o mandato, os ex-dirigentes sindicais, tendo perdido as prerrogativas que a Constituição assegurava, como a estabilidade provisória e inamovibilidade, foram transferidos alguns e outros demitidos. Eu fui transferido, mas não aceitei e recorri à Justiça que me deu ganho de causa, mas o Banco do Nordeste decidiu por demitir-me.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;–- Qual o objetivo do Regime de Exceção com essas transferências e atos de repressão aos bancários e aos sindicalistas “rebeldes”?&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;JF – Após esse recuo de tempo é mais fácil entendermos o que se passou. Havia uma ânsia por mudanças. Exigia-se entre outras, Reforma Agrária, Reforma Bancária, Reforma Universitária, chamadas Reformas de Base. Esse anseio por transformações tinha suas inspirações: na Revolução Cubana, que se encaminhava para o Regime Socialista nas “barbas” do poderoso e arrogante império americano; na experiência, até então exitosa, do Socialismo no Leste Europeu, sendo a União Soviética modelo e apelo para a Classe Trabalhadora de todo o mundo; na resistência do pequeno Vietnam do Norte aos EE.UU e seus aliados. Essas experiências eram um convite à organização das forças progressistas brasileiras. Nasceu o CGT – Comando Geral dos Trabalhadores – cuja finalidade era articular os trabalhadores de todas as categorias. Nasceram as Frentes Amplas, os partidos de esquerda cresceram e ficaram mais atuantes, os estudantes iniciaram a formação da Unidade Campo – Cidade. Essa mobilização, especialmente da Classe Trabalhadora, apavorou as elites que se uniram aos militares e desfecharam o golpe. Como muito bem diz o insuspeito livro “Brasil Nunca Mais”, o sentido do golpe civil-militar foi desmantelar a Classe Trabalhadora, daí umas das primeiras providências foi a intervenção nos Sindicatos e a demissão e remoção das lideranças. Sob este ponto de vista as forças armadas eram o braço armado do Sistema Econômico, e a elas cumpria a tarefa de garantir um regime em que os instrumentos de produção continuassem nas mãos de industriais e latifundiários, as relações de produção não fossem alteradas e o lucro não fosse atingido.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;-- Como você analisa a ditadura militar?&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;JF – A ditadura estabeleceu-se por 25 anos, com cerca de quinhentas pessoas  torturadas e assassinadas, mais de 100.000 perseguidas com demissões, transferências, prisões causou um retrocesso no Brasil: na educação, na organização jurídica (eliminando a vitaliciedade dos ministros e juízes), foi instituída a delação. O instrumento formal que mais deu poder ao Estado foi o Ato Institucional nº 5, promulgado em 13/12/68. Então, como  presidente do Sindicato dos Bancários, entendi que era necessário marcar posição contra essa arbitrariedade e publiquei no seu jornal um manifesto aos Bancários, tido pelas forças repressoras altamente perigoso e subversivo. Fui preso pela Polícia Federal, pela primeira vez, e destituído da Presidência do Sindicato. Numa segunda ocasião, houve um assalto à Cia de Cigarros Souza Cruz, e como alguns envolvidos eram meus amigos fui preso novamente, desta vez pela polícia civil, e quando o delegado me perguntou onde estava um dos procurados eu respondi categoricamente: “Não sei e se soubesse não dizia”. Fui preso numa terceira oportunidade, desta vez com meu pai e minha irmã, pela Polícia Federal, pois chegou ao conhecimento desta que eu estava sendo extorquido por membros daquela instituição. E estava.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;-– Como você analisa o final do regime militar e a redemocratização do país?&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;JF – Eu continuo firmemente convicto de que a humanidade caminha (construindo) para o Reino de Deus, que outros podem chamar de “Terra Sem Males” ou “Socialismo” (Comunismo). Para alcançar essa Utopia, o homem sente forte apelo que vem do próprio Deus, e isso faz com que ele, o homem, enfrente e supere as dificuldades. Que aconteceu? O Povo Brasileiro se manifestou de forma corajosa nas ruas, no Campo, nos Sindicatos, nas Universidades, nas Guerrilhas, mesmo sendo vítima de arbitrariedades das forças golpistas. Derrotou a ditadura, escolheu, pelo voto, um Governo que representava as suas aspirações, e esta experiência, cada vez, mais conscientiza o povo sobre o seu destino inabalável – Um  Mundo Melhor.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5704503579441133124-2030551900776588025?l=kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com/feeds/2030551900776588025/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com/2011/08/resistencia-ao-golpe-militar-de-1964-na.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5704503579441133124/posts/default/2030551900776588025'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5704503579441133124/posts/default/2030551900776588025'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com/2011/08/resistencia-ao-golpe-militar-de-1964-na.html' title='A resistência ao golpe militar de 1964 na Paraíba'/><author><name>NóS TAMBÉM SOMOS IGREJA</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/_WEl_XV8J-QQ/Sc_ZA4N4RZI/AAAAAAAAAAM/W94cLwnoJjM/S220/Eu+e+Mel%C3%A2nia+nos+nossos+50+anos.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5704503579441133124.post-4400819006897861646</id><published>2011-08-07T06:48:00.000-07:00</published><updated>2011-08-07T06:51:23.745-07:00</updated><title type='text'>In memoriam: José Comblin (1923-2011), por Jon Sobrino</title><content type='html'>José Comblin nasceu em Bruxelas em 1923. Em 1958 veio como sacerdote para a América Latina. Esteve sobretudo no Brasil e no Chile, e de ambos foi expulso pelas ditaduras. Acompanhou muitas comunidades e foi assessor próximo de Dom Hélder Câmara, e de varios bispos do povo. Escreveu inúmeros libros e artigos, e pronunciou muitas conferências até o fim de sua vida de 88 anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1. Comblin esteve várias vezes em El Salvador. Participou em 2005 do primeiro Congresso Internacional de Teologia celebrado na UCA [Universidade Centro-Americana]. Falou sobre “Os padres da igreja latino-americana”, pensamento seu que já é clásico, e parabenizou a UCA por ter publicado as obras completas de Dom Oscar Romero.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 2010 veio pela última vez para o segundo Congresso de Teologia. Falou de um tema crítico e decisivo, que ele repetiu sem desanimar. O Cristianismo é fé que vem do Evangelho. Não é religião que nós fazemos. Por necessidade tem-se que estar no segundo, mas tem-se que viver do primeiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi comovente sua carta de aceitação do nosso convite. “Claro que aceito o convite. O assunto me convén. Mas tudo depende de uma circunstancia. Completarei 87 anos e não sei se celebrarei nesta terra ou no purgatório. O Senhor ainda não me comunicou.” Também publicou varios artigos nesta Revista Latinoamericana de Teología.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2. Durante décadas, Comblin insistiu nos pobres e oprimidos. Muito recentemente voltou a dizer: “Não nos engañemos. O mundo se divide entre opressores e oprimidos. Os primeiros são minorías. Os segundos, imensas maiorias.” Não existe globalização, pois a humanidade não está se fazendo homogénea, mas cada vez mais antagónica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em suas viagens a El Salvador a primeira foi ir ao mundo de pobres. A Pequim, lugar duramente golpeado durante a guerra, onde trabalha seu amigo, o Pe. Rogelio Ponseele. E a a Bajo Lempa, onde trabalha seu amigo, Pe. Pedro Leclerq. Assim se comreendem melhor suas palabras programáticas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos meios de comunicação se fala dos pobres sempre de forma negativa, como dos que não têm bens, os que não têm cultura, os que têm para comer. Visto de fora, o mundo dos pobres é todo negatividade. No entanto, visto de dentro, o mundo dos pobres tem vitalidade, lutam para sobreviver, inventam trabalhos informais e constroem uma civilização diferente de solidariedade, de pessoas que se reconhecem iguais, com formas de expressão próprias, inclusive a arte e a poesía.&lt;br /&gt;           &lt;br /&gt;E quando completou 80 anos, eu o ouvi dizer: “Ter fé é muito fácil. Não é mais preciso ver os pobres”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3. E veio a El Salvador para estar com Dom Romero, verdadeiro e ilustre padre da igreja. Após o Congresso, pudemos concelebrar a eucaristía de aniversario do Dom. Estávamos dentro da Catedral, e pude observá-lo detidamente. Um bispo da Guatemala leu uma homilía e, quando terminou, Comblin só fe zum comentário que dele saiu espontâneo, com paz e com um tom de tristeza: “Convencional”. Os milhares de pessoas na praça mereciam outra coisa. Surpreendeu-me mais sua devoção. Mesmo distante do altar, ele participou plenamente da liturgia, com alva e estola. Respondia como um simples fiel. Rezou o Pai Nosso de mãos dadas com outros e deu a paz a outras pessoas ao seu redor. E se notava a devoção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4. Faleceu de caneta na mão e os pés visitando comunidades. E me lembrei de outra eucaristía no México. Com a hóstia na mão, nos ofereceu com estas palabras: “Que o corpo de Cristo nos acompanhe até à última luta”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi teólogo excepcional, cristão honrado, radical e devoto. Seguidor do Evangelho com toda naturalidade. E libre para estar em sintonía com Jesus de Nazaré e seu Deus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após sua norte, o chamaram “mestre” (O. Beozzo), “um desafio à inteligencia acadêmica” (L. Boff), “guía inquieto e exigente como os antigos profetas, denunciando sempre nossas incoerências na fidelidade aos preferidos de Deus” (L. Álvez). Terminamos com o testemunho de Mônica Muggler, sua fiel acompanhante durante muitos anos: “Ele tinha o dom maravilhoso de reunir em uma grande familia todos os que sonham com uma igreja mais humana, mais presente, mais amante e fiel a Jesus e seu Evangelho”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Trad. Alder Julio Ferreira Calado)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5704503579441133124-4400819006897861646?l=kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com/feeds/4400819006897861646/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com/2011/08/in-memoriam-jose-comblin-1923-2011-por.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5704503579441133124/posts/default/4400819006897861646'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5704503579441133124/posts/default/4400819006897861646'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com/2011/08/in-memoriam-jose-comblin-1923-2011-por.html' title='In memoriam: José Comblin (1923-2011), por Jon Sobrino'/><author><name>NóS TAMBÉM SOMOS IGREJA</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/_WEl_XV8J-QQ/Sc_ZA4N4RZI/AAAAAAAAAAM/W94cLwnoJjM/S220/Eu+e+Mel%C3%A2nia+nos+nossos+50+anos.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5704503579441133124.post-3747359278337681131</id><published>2011-07-31T06:10:00.000-07:00</published><updated>2011-07-31T06:11:10.929-07:00</updated><title type='text'>Apressador de urgências, pela Irmã Agostinha Vieira de Melo*</title><content type='html'>Olheiro e aprendiz dos sinais dos tempos&lt;br /&gt;E das lutas mais queridas.&lt;br /&gt;Amante e servidos da dama liberdade,&lt;br /&gt;farejador e acolhedor do sopro do Espírito&lt;br /&gt;Crente do pobre-povo-de-Deus...&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;No trânsito da história&lt;br /&gt;nos antigos e novos rumos das idéias&lt;br /&gt;ele percebe mais, bem mais&lt;br /&gt;do que apenas sinais&lt;br /&gt;vermelhos, amarelos e verdes...&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Não se atém nem se retém&lt;br /&gt;aos postos institucionais&lt;br /&gt;Não empaca nos míopes avisos: Errado!Certo!&lt;br /&gt;de cúrias e incúrias.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Vai seguindo&lt;br /&gt;indo e vindo&lt;br /&gt;com sua enxada teológica&lt;br /&gt;revolvendo teologias&lt;br /&gt;cavando e desencavando eclesiologias&lt;br /&gt;no campo, na cidade&lt;br /&gt;com uma simplicidade já euro-nordestina&lt;br /&gt;nas entranhas do Evangelho&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Minha gratidão nordestina&lt;br /&gt;cria audácias na imaginação...&lt;br /&gt;Adivinho-o&lt;br /&gt;crítico e amoroso,&lt;br /&gt;sério e de fino humor;&lt;br /&gt;de ouvido afiado&lt;br /&gt;ao que é mais abafado&lt;br /&gt;na dignidade dos pobres.&lt;br /&gt;Movido pelo amor,&lt;br /&gt;apressando as horas daquela urgência&lt;br /&gt;que não permite esperar!&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Ao Pe. Comblin,&lt;br /&gt;Na manhã de seus oitenta anos,&lt;br /&gt;Abraço de Agostinha Vieira de Mello&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;(Extraída do livro A Esperança dos pobres vive!, São Paulo: Paulus, 2003, pp. 213-214)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* Religiosa beneditina, fundadora do CEBI, tem longa experiência de trabalho bíblico com agentes pastoris, lideranças populares e comunidades eclesiais de baseVive inserida no meio popular em João Pessoa, há mais de 25 anos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5704503579441133124-3747359278337681131?l=kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com/feeds/3747359278337681131/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com/2011/07/apressador-de-urgencias-pela-irma.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5704503579441133124/posts/default/3747359278337681131'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5704503579441133124/posts/default/3747359278337681131'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com/2011/07/apressador-de-urgencias-pela-irma.html' title='Apressador de urgências, pela Irmã Agostinha Vieira de Melo*'/><author><name>NóS TAMBÉM SOMOS IGREJA</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/_WEl_XV8J-QQ/Sc_ZA4N4RZI/AAAAAAAAAAM/W94cLwnoJjM/S220/Eu+e+Mel%C3%A2nia+nos+nossos+50+anos.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5704503579441133124.post-1067010575156101139</id><published>2011-07-30T06:42:00.000-07:00</published><updated>2011-07-30T06:43:18.369-07:00</updated><title type='text'>Homenagem a Comblin</title><content type='html'>"Dom Helder Câmara, memória e atualidade"; a ONG "Entraide et Fraternité" e a Paróquia da Santa Trindade, Bruxelas,&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;QUINTA-FEIRA 20 DE OUTUBRO DE 2011&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;17 horas&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Igreja da Santa Trindade,&lt;br /&gt;Rue du Bailli, Ixelles&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Eucaristia em memória do Pe. José Comblin,&lt;br /&gt;teólogo da enxada&lt;br /&gt;+ 27/03/2011&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Ele era assessor de Dom Helder Câmara,&lt;br /&gt;o arcebispo brasileiro, ferro em brasa da libertação dos pobres&lt;br /&gt;no Concílio Vaticano II.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Após a Eucaristia, será oferecida uma leve refeição&lt;br /&gt;à la "Fleur de Blé", na sala por trás da igreja.&lt;br /&gt;Rue de l´Aqueduc 154b&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Às 19 horas&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Conferência no Instituto Internacional Lumen Vitae,&lt;br /&gt;Rue Washington, 186, Ixelles&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Em vista da libertação dos pobres, nada de papas na língua!&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Helder Câmara, José Comblin, e depois...&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Onde estão os Indignados e Profetas&lt;br /&gt;ante os desafios mundiais de hoje?&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Com Marcelo Barros, monge brasileiro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Filippe Mallet, padre em Paris&lt;br /&gt;que viveu por muito tempo em Recife. no Brasil&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5704503579441133124-1067010575156101139?l=kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com/feeds/1067010575156101139/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com/2011/07/homenagem-comblin.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5704503579441133124/posts/default/1067010575156101139'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5704503579441133124/posts/default/1067010575156101139'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com/2011/07/homenagem-comblin.html' title='Homenagem a Comblin'/><author><name>NóS TAMBÉM SOMOS IGREJA</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/_WEl_XV8J-QQ/Sc_ZA4N4RZI/AAAAAAAAAAM/W94cLwnoJjM/S220/Eu+e+Mel%C3%A2nia+nos+nossos+50+anos.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5704503579441133124.post-7336002580310131835</id><published>2011-07-02T13:20:00.000-07:00</published><updated>2011-07-02T13:22:40.941-07:00</updated><title type='text'>José Comblin: A força da palavra (resumo da introdução e do Cap. I)</title><content type='html'>Por Alder Júlio Ferreira Calado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Força da Palavra&lt;/span&gt; dá sequência ao conjunto de estudos sobre a missão do Espírito Santo no mundo. Projeto arquitetado pelo autor, sobretudo a partir do seu livro-esboço publicado em 1978, O Espírito no Mundo, onde se acham as palavras-geradoras (“Ação”, “Palavra”, “Liberdade”, “Povo”, “Vida” “Profecia”…), que ele vai convertendo sucessivamente em livros, durante três décadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Força da Palavra&lt;/span&gt; é, portanto, sua terceira obra de seus estudos pneumatológicos, contanto com o mencionado livro-esboço (ou a segunda dentro do plano geral da obra). O presente estudo perfaz 406 páginas. Consta de sete capítulos, além da introdução e de um alentado anexo, em cinco tópicos, acerca da tarefa dos teólogos latino-americanos. Na Introdução, o autor reflete sobre a impotência das teologias (católicas e protestantes) de compreender os desafios da evangelização, e, em seguida, busca situar de que modo a Palavra vai sendo revelada pela ação do Espírito Santo, no meio dos pobres.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O primeiro capítulo aborda o sentido da Palavra, por meio da qual Deus age. Palavra incarnada, feita pobreza, no meio do povo dos pobres. Donde sua força e sua fraqueza. Palavra do Pai que o Espírito vai infundindo em Jesus e em seus discípulos. Palavra que provoca divisões entre ricos e pobres, e entre verdadeiros e falsos pastores. Palavra cuja recepção se dá de diferentes modos, através dos tempos. Palavra que comporta força, mas também fraqueza.&lt;br /&gt;No capítulo II, o autor mergulha na história do Cristianismo, a perscrutar a ação da Palavra diante da realidade da civilização greco-romana, apontando seus principais desafios. Segue-se um passeio pela Cristandade confrontada pela Palavra (cap. III). No capítulo IV, a atenção do autor se volta a relatar os percalços da Reforma diante da Palavra, enquanto a Modernidade é, por sua vez, confrontada pela Palavra, no cap. V. Já no capítulo VI, o autor destaca os impactos do discurso revolucionário, à luz da Palavra, destinando o último capítulo a refletir sobre como são enfrentados atualmente os desafios, diante do que inspira a Palavra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vamos, em seguida, destacar os principais pontos analisados pelo autor, em cada capitulo, iniciando pela Introdução.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Introdução (pp. 9-23)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Deus é ação e é palavra. Ele age pela palavra. Os patriarcas e os apóstolos dão, todos, testemunho de que a Palavra de Deus é forte. Mas, parece que isto faz pouco efeito em nós. Por que será? Até que ponto não tem a ver com o fato de tudo esperarmos do que dizem as instâncias eclesiásticas das quais, não raro, se ouve uma palavra pouco compreensível, e em dissintonia com as inquietações do presente. Talvez se fale muito e se diga pouco. Talvez porque se teime em falar-se em evangelização, sem maior sensibilidade ao que diz o Evangelho: “Faz 50 anos que falamos em evangelização, mas não conseguimos descobrir o que é. Por quê? Porque não sabemos o que é o Evangelho, o que é a palavra que o mundo espera.” (p.10). Evangelizar supõe interlocutores que se comunicam, supõe diálogo. A Palavra de Deus toma em conta as particularidades dos destinatários da Palavra, bem como a diversidade de situações e circunstâncias concretas. (pp. 11 e 12).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Digno de observação é o alerta que o autor faz, já na introdução, de que não tem qualquer pretensão de dizer “qual” é a Palavra de Deus. Seu propósito é de buscar identificar sinais da Palavra de Deus, partindo do contexto latino-americano, especialmente daqueles cristãos inseridos nas lutas de libertação desses povos. (cf. p. 11).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- A introdução está dividida em duas partes: na primeira (que vai da p. 12 à 20), o autor trata de situar como anda o que ele chama de teologia da evangelização; enquanto a segunda parte da introdução vai da p. 20 à p. 23, e trata da relação entre a Palavra e o Espírito Santo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Um primeiro desafio destacado pelo autor: o fato de as teologias cristãs (católicas e protestantes) terem sido afetadas pelo intelectualismo, por influência da filosofia grega. Teólogos que pretendiam que seu discurso representasse a Palavra de Deus, ainda quando fundado num de inspiração da dialética medieval tiveram a reação de outros que passaram a basear-se nos textos bíblicos, como se assim agindo, de forma também racionalista, tivessem encontrado “a” resposta. Assim fizeram teólogos tais como K. Barth, F. Brunner, E. Bogarten, R. Multmann, ao pretenderem restabelecer a verdadeira mensagem evangélica, esquecendo-se de que também isto não se faz de forma direta, pois implica os limites humanos também dos teólogos que a interpretam. (cf. p. 13). Essa tendência da teologia protestante durou até por volta de 1960, enquanto a teologia católica se manteve na redoma neotomista, fincados em suas elucubrações escolásticas e resistente a dialogar com os contemporâneos, até o Concílio Vaticano II. (pp. 13-14).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Com a queda das teses levantadas seja pela escolástica, seja pelas formulações dos teólogos da dialética (desde o séc. XIII), o que caiu mesmo foi a possibilidade de uma teologia saber definir qual o núcleo central da Palavra de Deus para todos os tempos. Isto foi colocado, em 1961, por jovens teólogos alemães, a exemplo de Käsemann. Não dá para se definir o núcleo da fé válido para todos os tempos. Nenhuma teologia é capaz de estabelecer um núcleo universal. (p. 15).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- A própria Bíblia foi composta de diferentes evangelhos, expressando distintos contextos históricos, o que põe um problema a quem pretenda deter “a” verdade sobre a Palavra de Deus. Deus se dá a conhecer nos acontecimentos. A Palavra, mais do que palavra, é acontecimento, sendo Jesus de Nazaré o grande acontecimento: “O evangelho de Jesus não foi um discurso, mas sua própria vida, e ele próprio. Para descobrir a revelação de Deus, a teologia há de estudar a história, perscrutar os acontecimentos. Somente acompanhando o desenrolar dos acontecimentos é que ela poderá descobrir a presença de Deus no mundo. (…) Por fim, constatam esses teólogos, de acordo com a própria Bíblia, que Deus não se conhece por meio de atos intelectuais, mas pela ação. Deus está no fim da história. Caminhando para esse fim é que o conhecemos. Buscar a Deus é caminhar pela história deste mundo, participar da esperança da história, trabalhar e lutar para um mundo diferente. Deus revela-se na esperança ativa da ação transformadora do mundo.” (p. 16).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- A importância da ação de Deus na história não prescinde da palavra. Deus também se mostra ao seu povo por meio da palavra, pela boca dos seus profetas. São dimensões complementares. O desafio é discernir as condições em que a comunicação humana reflete, com fidelidade, a palavra de Deus. (p. 17)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- No pontificado de Pio XII, se dá o auge do movimento missionário conhecido como “Missões” (Missão de Paris, Missão da França, Missão de Marselha, padres operários), cujos protagonistas estavam convictos de que bastaria inculturar-se no mundo dos seus contemporâneos, armados apenas do método da revisão de vida, sem atentar para o fato de que, se é verdade que Deus se manifesta na vida, também é certo que é preciso perscrutar a Palavra de Deus, que por vezes vem escondida. Não foi bem sucedida essa experiência. Com o Vaticano II, o cardeal Lercaro clama pela opção pelos pobres, mas a Igreja do Primeiro Mundo aferrou-se mais à opção pela “classe média” (expressão com que os norte-americanos designam a burguesia). Foi somente a partir de Medellín que se dá, na América Latina, essa escuta da Palavra de Deus, a partir dos pobres. (pp. 17-18)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É também pela leitura renovada da Bíblia, feita a partir do povo dos pobres, que estes vão descobrindo sua vocação de destinatários privilegiados das promessas da Palavra de Deus. Na Bíblia, os pobres descobrem seu passado e seu futuro. (pp. 19-20).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-No segundo tópico da Introdução, trata o autor da relação entre a Bíblia e o Espírito Santo. A Bíblia recolhe a palavra de Jesus, tal como a tradição a percebeu. Essa Palavra fala a cada um, numa diversidade de situações. Saber interpretar o sentido dessa palavra é um dom do Espírito, a iluminar os cristãos a comunicarem o que vem da Palavra: “A palavra é para ser falada, não para ser possuída. Ela não é objeto de propriedade, mas canal de comunicação. O sentido existe na comunicação.” (p. 22).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar de, e para além das limitações humanas, presentes na própria composição dos evangelhos, subsiste a presença do Espírito Santo que é preciso discernir, como o fizeram os apóstolos, como o fez Paulo, pela fidelidade à voz do Espírito do Ressuscitado. (p. 23)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse sentido, a teologia não pode reivindicar uma condição privilegiada de identificação da Palavra. O teólogo pode ser inspirado, não como teólogo, mas como cristão, embora disponha de uma ferramenta que facilita tal leitura, à medida que ajude a ler o passado da história da Igreja e à medida que ajude a discernir a inspiração do Espírito Santo. (p. 23)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cap. I: “E a Palavra se fez carne” (Jo 1, 14) – constitui o título do capítulo I (pp. 25-68), em que o autor explicita o modelo por ele adotado para refletir sobre como se dá a história da Palavra de Deus, nos entrechoques de nossa história.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Na perspectiva assumida pelo autor, “carne” é interpretada como pobreza, como o mundo dos pobres. Deus se fez pobreza, ouviu o clamor dos oprimidos e anunciou-lhes a libertação. Portanto, dois pontos nucleares: ouvir o clamor dos pobres e o anúncio aos mesmos da boa nova. (p. 25).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O cap. I vem distribuído em três parágrafos: 1) A Palavra da Pobreza (pp. 25-47); 2) A recepção da Palavra (47-58); e 3) Força e fraqueza da Palavra (48-58), sendo que cada um dos três parágrafos se distribui, por sua vez, entre tópicos e sub-itens. No caso do primeiro parágrafo, o autor o aborda em dois momentos: primeiro, explicita a dimensão profética da Palavra, ou seja, em que consiste a posição de Jesus diante do grito dos pobres; em seguida, enfatiza a dimensão evangelizadora da Palavra: o anúncio da Boa Nova da libertação aos pobres.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- A respeito de Jesus, os evangelhos realçam o anúncio da Boa Nova e sua paixão e crucifixão. Realçam Sua ação e Sua Palavra. Do sentido da Ação, o autor tratou no livro anterior (“O Tempo da Ação”); ao sentido da Palavra dedica este livro. Fundado na tradição neotestamentária mais antiga (Mc, Hb, Fp), o autor recupera a dimensão mais humana de Jesus, diante do grito, diante da dor, Ele próprio tendo experimentado situação de abandono e impotência. Ou seja: sua experiência quenótica torna ainda mais compreensível sua solidariedade radical à dor dos pobres, ao grito dos pobres. (pp. 25-27).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Por conta da teologia tradicional, o catolicismo popular também tem dificuldade de assimilar um Jesus tão humano, que tenha tido dificuldade de acolher o desfecho de sua paixão e morte numa cruz, de um Jesus que tenha expresso um grito de agonia e de abandono. Há uma tendência de aliviar a expressão desse sofrimento em Jesus, tornando-o alguém mais sereno, mais resignado, sem aceitar sua resistência tão humana à tortura, à crucifixão. Mas, é aí que reside o lado profundamente humano de Jesus, que O faz também profundamente solidário com o grito dos oprimidos, sementes do Novo Israel (cf. pp. 27-30).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Importa não perder de vista, no mistério da paixão de Jesus, um duplo aspecto profundamente interligado: como o lembra a Carta aos Hebreus, há em Jesus o grito de agonia, de impotência até, mas, por outro lado, de profunda entrega e confiança na ressurreição. O grito de amargura não ressoa surdamente pelo universo, é escutado pelo Pai. (cf. p. 30)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jesus é a Palavra do Pai. O Pai também quis expressar-se na paixão do Filho, eis por que Jesus “se fez carne e sangue até à cruz como enviado pelo Pai.” (p. 30)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Diferentemente do discurso ou dos oráculos pronunciados pelos profetas antigos, numa espécie de penumbra, Jesus vem como a própria Palava do Pai, revelada em sua plenitude, não mais como um discurso, como uma aproximação. (cf. p. 31)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Assim como Jesus deu sequência à ação dos profetas do Antigo Testamento, inspirados e assistidos pelo Pai e pelo Espírito Santo, assim também o novo Povo de Deus (o do Novo Testamento) também dá continuidade à obra do Ressuscitado, com a presença e atuação do Seu Espírito. (cf. p. 31)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O grito de angústia de Jesus continua no grito do povo dos pobres, hoje, em seu sofrimento, em sua humilhação e suas perseguições, com a impactante presença e intervenção do Espírito Santo: “O Pai fala por meio do seu Espírito que infunde a sua palavra em Jesus, e essa palavra pronunciada por Jesus se prolonga nos discípulos.” (p. 33).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O grito procede de uma imensa multidão, a quem a boa nova é anunciada, mas são poucos os que vão anunciar essa palavra, por meio de um ministério para o qual Deus chama: trata-se do ministério das palavras. (p. 34)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Esses “ministros das palavras” não são chamados para pronunciarem palavras suas ou do povo ou mesmo da cultura. Não são professores a transmitir ensinamentos culturais. São chamados a pronunciarem palavras especiais que os profetas atribuem a Deus: “Os profetas não recebem revelações para si próprios. Tudo o que são, têm e sabem, existe em função do povo de Deus. Eles são os condutores. Em geral, o povo não os reconhece como tais, sobretudo as autoridades. Porém, eles recebem esta autoridade de condutores do próprio Deus. As famosas narrações das vocações de Moisés, Samuel, Elias, Isaías, Amós, Oséias, Jeremias, Ezequiel, enfim de quase todos os profetas conhecidos, procuram destacar que não são eles os autores das suas palavras. Eles não escolheram a sua missão. Foi imposta, de certo modo, à revelia deles” (p. 35).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os profetas são pobres ou foram reduzidos à pobreza, como Moisés a peregrinar pelo deserto. Não são figuras do templo, das sinagogas, das assembléias de privilegiados. São missionários itinerantes. (p. 35)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Os evangelhos dividem o universo em que Jesus atuou em três categorias: os discípulos, as multidões e os adversários. Os discípulos são os que ouvem e entendem a palavra, como aprendizes, como futuros profetas. As multidões ouvem a palavra sem entendê-la. Os adversários são os falsos pastores. É nesse cenário profético que Jesus também atua como um profeta, sendo assim reconhecido pelo povo, por suas palavras e pelo seu comportamento. (p. 36)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nas palavras de Comblin, o conteúdo da mensagem dos profetas “sempre foi, é e será uma mensagem de libertação para os pobres, os perseguidos, os oprimidos.” Mensagem que eles anunciam, por palavras pronunciadas por humanos, portanto com seus condicionamentos, afinal quando Deus assume enviar seu Filho, encarnando-se na história, Ele assume também a humanidade com suas limitações. Donde não se deve retirar as palavras dos profetas do seu contexto, tomando-as como palavras saídas diretamente da boca de Deus. (p. 36)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Algo semelhante se dá em relação à figura de Jesus. Embora o credo de Calcedônia assuma Jesus em sua divindade e em sua humanidade, a tendência é a de atenuar sua humanidade, como se esta reduzisse a divindade de Jesus. E tal interpretação implica uma certa desfiguração da humanidade de Jesus, evitando um assumir pleno dessa condição, com muitas conseqüências de caráter fantasioso e idealista da figura de Jesus. Conforme Comblin, “o conteúdo que dão à humanidade de Cristo é aquém daquilo que realmente é humano.” (…) Entendemos que a fórmula de fé de Calcedônia significa que a divindade não prejudica a humanidade de Cristo, nem a humanidade prejudica sua divindade.” Contra tal tendência têm investido, a justo título, os teólogos latino-americanos (Juan L. Segundo, G. Gutiérrez) (p. 37)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- “Ora, o que é ser humano no sentido completo da palavra? Não é somente ser dotado de órgãos e faculdades: inteligência, vontade, sensibilidade, etc. A soma dessas faculdades não faz um ser humano vivo e ativo. O que faz um homem é um projeto de vida, uma obra imaginada por ele pacientemente prosseguida, com constância, inteligência e até teimosia” (p. 37)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isto implica entender melhor o modo como Jesus se fez obediente à vontade do Pai, sem perder sua identidade de homem, não se reduzindo a um objeto, a um papel carbono do Pai, mas cumprindo a vontade do Pai com os condicionamentos humanos. (p. 38)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Os evangelhos contêm narrações importantes da vida de Jesus, às quais os exegetas antigos não deram atenção, por seu zelo de distinguir apenas sinais da divindade de Jesus, desligados de sua humanidade (p. 39)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Interessante observar a diferença entre a mensagem pregada por João Batista e a pregada por Jesus. João Batista fazia questão de incluir os ricos e poderosos como alvo de seu apelo de conversão. Por sua vez, o anúncio de Jesus dirigia-se aos pobres, sem muita confiança na conversão dos ricos (ver, por ex., narrativa do banquete do rico e do pobre Lázaro.). (p. 39)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- João se surpreendeu com Jesus: esperava que ele retomasse o alvo predileto de sua pregação: pregar a conversão para os poderosos. Jesus tratou de aproximar-se dos pobres, lá onde eles se encontravam mais abandonados: na Galiléia, e onde encontrou condições mais favoráveis de ser escutado, sem o controle tão forte dos poderosos em lugares menos pobres. (p. 39)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ao realizar sua missão profética, o projeto de Jesus consiste, de um lado, em denunciar e desmascarar os falsos pastores, os chefes religiosos e políticos de seu tempo (fariseus, escribas, sacerdotes, anciãos), e, por outro, ir em busca dos pobres, das ovelhas perdidas, do Israel rejeitado, oferecendo-se como seu pastor (ver, por ex., João, cap. 10): “Então, o projeto de Jesus consiste em buscar as ovelhas perdidas, o verdadeiro Israel rejeitado pelos falsos pastores, e tomar ele próprio a liderança desse povo, emancipando-o dos falsos pastores. Refazer o verdadeiro Israel a partir dos pobres da Galiléia e libertá-lo do jugo dos seus dominadores, propondo-se a si próprio como único condutor, ele com seus discípulos (Mt 9, 35-36; 11, 28-30; Lc 15). (p. 40)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E quem eram essas ovelhas perdidas a quem Jesus dedicou sua missão? Eram os pobres, os famintos, os doentes, os leprosos, os perseguidos, os cegos, os aleijados… Ao mesmo tempo em que Jesus a eles se solidarizava, tratava de denunciar os responsáveis por tal situação, com o objetivo de destituí-los do seu poder e sobretudo de afastar sua influência sobre o povo dos pobres, constantemente enganado pelo discurso deles (p. 41)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na sua convivência com os pobres, as ovelhas perdidas (a que alude João, cap. 10), Jesus usava a força da palavra – palavra-gesto, isto é, associava ao seu anúncio sua prática, seu gesto de curar, de fazer o bem (inclusive expulsando o maligno). (p. 42).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Esse núcleo da vida e da missão de Jesus foi sendo tirado, ao longo de séculos, de seu contexto. As palavras de Jesus foram sendo aplicadas ao gosto das circunstâncias, na perspectiva de uma elite, a ponto de sofrer até inversão… E o autor adverte: “Contudo, ainda mais importante é conhecer o plano geral das palavras de Jesus, em intenção e significado.” (…) “Através de palavras tão diversas ele sempre queria insistir na mesma mensagem. Disse sempre a mesma e única coisa. O quê? A sua mensagem aos pobres. A mensagem aos pobres é esta: o povo de Israel é dos pobres. Os pobres foram enganados e Israel foi corrompido, desviado da sua vocação. Agora Jesus abre o caminho para renovar e levar à sua verdadeira vocação o povo dos pobres. (…) A condição é romper com os falsos pastores e seguir a Jesus, tomá-lo como guir, tornar-se discípulo dele” (p. 43)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O projeto proposto por Jesus não tem garantia evidente de sucesso, também conheceu e conhece barreiras, decepções, fracassos. Mas sempre persiste teimosamente em um pequeno grupo de missionários que tratam de fazê-lo conhecido e seguido. Não sem enfrentar sérias dificuldades e limites. Limites de dois tipos: um por conta da alienação de que os pobres são vítimas, da parte de seus opressores; donde a importância de quem chegue perto para ajudá-los a despertar e a exercitar a consciência crítica; e limites dos próprios missionários, pelo desânimo, pelas infidelidades, pela descrença na capacidade dos pequenos, e até por não encontrarem o jeito próprio de anunciarem o Projeto de Jesus. (pp. (44-46)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Como se dá, então, a recepção da Palavra? A Palavra provoca atitudes distintas nos ouvintes. Ela pode provocar dois tipos de divisões: uma divisão entre ricos e pobres, e outra entre verdadeiros e falsos pastores. As igrejas cristãs tendem a valorizar apenas a divisão de caráter religioso, enquanto na Bíblia, principalmente no Novo Testamento, o critério para distinguir os verdadeiros dos falsos adoradores de Deus vai sendo substituído pela relação entre pobres e ricos. (pp. 47-48)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- “Quem pertence ao verdadeiro Deus e quem pertence aos falsos deuses? Não são os critérios religiosos que vão determiná-lo, mas sim o fato da pobreza. No Novo Testamento já não há mais dúvida.” (…)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Tratando-se dos pobres, não importa que sejam bons ou maus. O evangelho não supõe nem afirma que os pobres sejam melhores do que os ricos. São eleitos simplesmente porque são pobres. A parábola de Lázaro e do rico (não se diz que seja um mau rico nem que Lázaro seja um bom pobre) ilustra perfeitamente a mensagem unânime do Novo Testamento. Os ricos precisam de conversão, os pobres não. Os pobres são herdeiros do reino de Deus, “maus e bons” (Mt 22, 10).” (p. 48)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não se trata de julgar o rico, em abstrato. Não há o rico em abstrato. É na relação rico-pobre que se deve exercer o discernimento, em meio a uma enorme diversidade de situações. (p. 49).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Com relação à divisão pelo critério verdadeiros e falsos pastores, cabe ao missionário exercer o discernimento sempre com base no Evangelho, prestando atenção à atitude concreta dos pastores: os verdadeiros pastores não buscam tirar vantagem pessoal de sua missão, fazem gratuitamente seu trabalho, enquanto os falsos pastores tiram para si proveito material, de prestígio e de poder. (p. 50)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Por se tratar de um critério abstrato, a defesa do critério da predestinação induz, antes, a um certo descompromisso com a causa dos pobres, por favorecer a uma atitude isolada do mundo, uma relação intimista com Deus, e de distanciamento dos desafios do mundo concreto, em particular no que diz respeito à solidariedade com a causa dos pobres. (p. 51).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- A Palavra produz a fé. Esta nasce e desabrocha no campo dos pobres e dos missionários-profetas. A fé é testada e se fortalece nas lutas pela causa dos pobres e oprimidos. “Uma fé que não se formou na luta não é fé verdadeira.” (pp. 52-53).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É nos desafios dessas lutas junto aos pobres que o missionário vai fortalecendo sua fé, à medida que também, por sua vez, vai ajudando a alimentar a fé dos pobres, em meio a toda sorte de barreiras, a começar pelas incertezas da caminhada, do enfrentamento das situações que desafiam a razão, parecendo completa loucura… (pp. 54-55)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Os falsos pastores, falsos profetas são aqueles que distorcem o núcleo do evangelho, em proveito próprio ou de outros privilegiados, e usando para tanto a religião. No Evangelho o contrário de fé não é ateísmo, agnosticismo; é religião, usada como autojustificação dos próprios interesses e contra a causa dos pobres. “No centro da cultura dominante fica uma religião alienada que atribui a Deus a situação existente e buscam nele a razão de sua continuidade. Os falsos profetas não se opõem explicitamente à multidão dos pobres: ignoram-na.” (pp. 56, 57 e 58)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E onde estão a força e a fraqueza da Palavra? Sua força reside em que Deus escolheu os pobres para, por meios pobres, transformar a obra da criação. Ação que se dá por meio da liberdade, que produz transformação. A Palavra vai fecundando culturas, sociedadades, movimentos. “Vive-se a fé neste mundo: ela não transforma o mundo diretamente. Tem que penetrar no seio da humanidade, das suas culturas, das suas sociedades, dentro dos seus movimentos e correntes”(,,,) “A penetração da fé no mundo produz uma sabedoria nova e esta transforma a sociedade,” (pp. 58-59)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Isto se faz ao longo de séculos. Há quase 4.000 anos, o povo de Deus busca essa transformação. Os povos indígenas e africanos, já há cinco séculos, vivem essa luta, na América Latina. Pela fé é que seguem lutando, não desistem, todos os dias retomam sua luta. “.” (pp. 60-62),&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É a liberdade que assegura ao homem força para lutar e transformar a sociedade. Força que Deus lhe concede, e que o homem precisa assumir de forma autônoma e em mutirão: “O ser humano constrói-se no diálogo e na colaboração, na solidariedade com o seu próximo (isto é o mais remoto, o que está longe, que é o mais diferente) .” (p. 62).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- “A primeira expressão da liberdade é a fé. Com a fé a pessoa constitui-se como sujeito histórico, começa a agir na história. Deixa de ser o reflexo da sociedade ou da cultura em que está mergulhada.” (…)”O cristianismo está fundado na convicção de que os homens são chamados à liberdade e, pela liberdade, ser sujeitos históricos.” (p. 63).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- “Os evangelhos mostram muito bem que Jesus venceu no mesmo momento em que estava vencido (Jo 16,33). Venceu como? Venceu pela sua fé. Qual foi o efeito de sua fé? A sua ressurreição. A sua fé foi tão forte que o ressuscitou. Não pela virtude humana de uma fé humana, e sim pela força do Espírito.” (p. 64)&lt;br /&gt;- É pela busca constante de agir com sabedoria que os homens vão buscando transformar o mundo, mas a partir de si próprios, passando assim a ser também agentes de mudança do mundo, da sociedade. (p. 65)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Em textos do Antigo Testamento, encontram-se várias narrativas que misturam expressões da sabedoria humana (ligada às camadas privilegiadas) com a sabedoria que procede do Espírito (a expressar a vida dos pobres). Pelo fato de o ofício de escrever ser um privilégios de poucos daquela época, muita coisa escrita expressa, antes, o olhar de categorias privilegiadas. Mesmo em textos paulinos, é possível notar diferença entre as primeiras partes dos textos de Paulo (onde aparece mais fortemente seu carisma de evangelizador) e as segundas partes de suas epístolas (onde aparece a sabedoria humana de Paulo , como nas suas posições sobre o papel da mulher na sociedade e na igreja). Paulo é bem mais brilhante como evangelizador! (pp. 65-66).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ocorre uma certa tensão, ao se buscar distinguir, em cada época, conciliar concretamente o que é vontade de Deus e o que é capricho humano, ao tempo em que parece salutar manter-nos humildes a ponto de saber acatar os limites históricos de cada tempo. Não dá para se exigir uma atitude de completa ruptura, na época de Paulo, com os valores então hegemônicos. (pp. 66-67)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- A Palavra age na história e produz efeito. Mas, vem misturada a outros fatores históricos, razão por que não se pode medir nem precisar esse efeito. Basta que saibamos que a Palavra produz efeitos, sim, na história, e isto nos convida a lutar. Por vezes, há a tendência em se superestimar a força histórica dos pobres, principalmente em épocas de maior efervescência revolucionária, do que pode decorrer, inclusive, benefício das forças que controlam o processo revolucionário, para depois destituir os pobres de sua condição de protagonistas. (p. 67-68).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;–&lt;br /&gt;COMBLIN, José. A Força da Palavra. Petrópolis: Vozes, 1986:&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5704503579441133124-7336002580310131835?l=kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com/feeds/7336002580310131835/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com/2011/07/jose-comblin-forca-da-palavra.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5704503579441133124/posts/default/7336002580310131835'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5704503579441133124/posts/default/7336002580310131835'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com/2011/07/jose-comblin-forca-da-palavra.html' title='José Comblin: A força da palavra (resumo da introdução e do Cap. I)'/><author><name>NóS TAMBÉM SOMOS IGREJA</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/_WEl_XV8J-QQ/Sc_ZA4N4RZI/AAAAAAAAAAM/W94cLwnoJjM/S220/Eu+e+Mel%C3%A2nia+nos+nossos+50+anos.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5704503579441133124.post-780984753403976345</id><published>2011-07-02T13:14:00.001-07:00</published><updated>2011-07-02T13:15:49.532-07:00</updated><title type='text'>EM BUSCA DE UMA CHAVE DE LEITURA DO LEGADO DE JOSÉ COMBLIN: enunciados acerca do seu vivido e dos seus escritos</title><content type='html'>Por Alder Júlio Ferreira Calado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dinamicamente conectada à sua densa personalidade, a vida de José Comblin se confunde com um movimento impetuoso de renovação sócio-eclesial que ele anima, com viva paixão e incansável perseverança, na América Latina, e mais intensamente no Nordeste brasileiro, durante mais de cinqüenta anos. Ao acompanhar e animar tal movimento, também José Comblin, como excelente aprendiz, dele recebe bons influxos. &lt;br /&gt;Dessa longa atuação missionária, profética, sócio-política, pedagógica, investigativa – densa de tal modo que mesmo sua recente partida (“a grande viagem”, como costumava anunciar) não só não consegue interromper, mas inspira e desperta iniciativas e desdobramentos impactantes, em distintos sujeitos e em diferentes campos de sua atuação. E não apenas em grupos e pessoas que o acompanharam mais de perto, seja pelos caminhos por ele trilhados, seja por meio de sua vastíssima obra teológica.&lt;br /&gt;Como ousar ensaiar passos em busca de um olhar de conjunto, um perfil sinótico de José Comblin? Como ensaiar um esforço de compreensão do fundamental do seu legado de missionário, de profeta, de pedagogo, de teólogo? Para uma empreitada dessas não bastaria recorrer, de forma sistemática, à leitura de seus escritos? Eis algumas das questões que nos inquietam e que nos ocupam, nessas linhas. E tratamos de exercitar esse propósito, por meio de enunciados que vão brotando espontaneamente do nosso espírito, com a intenção de que possam servir de incentivo aos jovens do meio popular em processo formativo, e de pistas aos iniciados, em vista de eventuais aprofundamentos tópicos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Torna-se supérfluo dizê-lo, mas ainda assim insisto em expressar – que se trata de enunciados (hipo)téticos – parciais, limitados, provisórios - sobre o que consigo alcançar de fundamental do legado de José Comblin, a partir do que consegui recolher dele e de tantos e tantas que com ele conviveram mais de perto, tomando como referências algumas dezenas de seus textos teológicos (sou membro de um grupo que, há alguns anos, vem estudando sua contribuição teológica, especialmente os textos que ele dedica à compreensão da ação do Espiírito Santo no mundo), bem como o conjunto de suas iniciativas missionárias e formativas, além das conversas mantidas, nas últimas décadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1. A libertação dos pobres constitui o núcleo fundamental da Proposta e do Seguimento de Jesus&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2. A libertação dos pobres se faz pela força do Espírito Santo atuando incessantemente nos caminhos e entrechoques da História, à medida que os pobres, conscientizando-se e respondendo à sua vocação, se organizam e vão se constituindo como Povo de Deus, em uma rede de comunidades autônomas e dinamicamente relacionadas, cujas decisões são tomadas desde a periferia para o centro, de baixo para cima, de dentro para fora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3. Ao longo de sua história, as igrejas sempre tiveram, de algum modo, preocupação com os pobres, enquanto alvo de comiseração e de sua obra assistencial. A Proposta de Jesus pede bem mais do que isso: que todos nos convertamos à causa libertadora dos pobres, dos enfermos, dos sem-poder, dos sem-voz e sem-vez. Isto só muito raramente tem ocorrido, graças ao testemunho profético de pessoas e grupos, tocados por e sensíveis ao apelo do Evangelho. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4. É pela incessante ação, multiforme e coerente com a Palavra, que se vai fazendo caminho na formação do Povo de Deus, em defesa da vida do Planeta e dos Humanos, sempre por caminhos de liberdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5. José Comblin mostrava-se alguém em permanente estado de busca, muito vigilante e atento aos sinais dos tempos, mantendo-se a par do que se passava no mundo e na sociedade, em diferentes escalas, e nas distintas esferas da realidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;6. Tendo exercido com reconhecida competência, ao longo de toda a sua vida adulta, o ofício de teólogo, sempre fez da teologia, não um fim em si mesma, mas, a exemplo dos grandes teólogos, sempre relativizou esse ofício, assumindo-o como um instrumento, um ponto de partida, a partir do qual tratava de dialogar crítica e incansavelmente com diversos outros campos de saberes (científicos, artísticos e outros), procedimento transdisciplinar ao qual se atribui a fonte mais fecunda da contribuição do seu denso legado, inclusive na produção teológica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;7. Em consequência desse mesmo traço, sua obra teológica (em qualquer das áreas) se acha fortemente impregnada de múltiplas associações e interações com a realidade social. Em José Comblin, não se faz teologia fora do mundo, mas como um permenente exercício situado e datado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;8. Só por meio de uma formação permanente dos pobres, em que estes se sintam e ajam como autores ou protagonistas, quer como sujeitos coletivos, quer como pessoas, é que se vão tecendo caminhos rumo à Liberdade, e por meio do exercício da Liberdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;9 Não se deve esperar mudanças substantivas (na sociedade e nas igrejas), confiaando-se em que venham espontaneamente de cima para baixo ou de fora para dentro. Cabe sempre a quem sofre a situação, a tomada de iniciativa de mudá-la.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;10. \São amplamente conhecidas e reconhecidas sua refinada sensibilidade e sua abertura ecumênicas, de que são prova convincente a densa reputação e o fraterno apreço de que vinha crescentemente gozando, como teólogo e como profeta, também da parte dos irmãos e irmãs de igrejas reformadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;11. No caso das igrejas, pouco se tem a apostar em mudanças significativas, a partir das estruturas obsoletas (por ex.: via modelo paroquial). Os autores dessas mudanças são sobretudo os leigos e as leigas que priorizarem trabalhos de, e na base, fora do templo, junto aos pobres e às pessoas e grupos mais esquecidos e mais discriminados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;12. Caminho semelhante, em relação aos desafios das mudanças sociais: não virão de cima (dos grandes grupos econômicos ou do Estado e suas instâncias, embora fragmentos destas últimas  possam vir ocasionalmente em socorro). Devem ser, antes, buscadas e construídas junto aos “de baixo”, pela via dos movimentos sociais, enquanto se mantiverem fiéis à causa libertadora dos pobres e marginalizados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;13. Na ampla variedade de formas de exclusão social, uma consiste na exclusão pela linguagem. Há uma praxe academicista, largamente dominante, segundo a qual só a poucos iniciados é dado desvendar  o que é expresso na fala ou nos escritos dos especialistas. Também aqui José Comblin adota a pedagogia do exemplo: sua fala e seus escritos, sem perderem a profundidade que o caracteriza, fala e escreve de modo acessível a todos, a todas que o escutam ou lêem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;14. Empenhava-se diuturnamente em pôr em prática suas convicções, de modo que em seu com-viver – aos olhos dos e das que dele estiveram mais próximos e o liam com assiduidade - era praxe observar-se a íntima associação entre gestos e palavras. E o fazia de modo mais sutil possível. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;15. Com rara sensibilidade às pessoas de distintas idades, era visível sua confiança mais pronunciada pelos jovens, em quem depositava sua maior confiança e a quem dedicou o melhor de seu trabalho formativo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;16. Também no plano social, não apenas nutriu constante esperança, mas também exercitou contínuo diálogo com os movimentos sociais populares e com as pastorais sociais. Disso é prova, entre outras atividades por ele desenvolvidas, sua atuação formativa junto à Escola Nacional Florestan Fernandes, fundada para servir de espaço formativo contínuo dos movimentos sociais do campo e da cidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;17. É conhecido e reconhecido o CUIDADO de José Comblin pela Mãe-Natureza. E não se trata de uma inquietação recente (como se deu em sua vigorosa atuação de combate teórico-prático ao Projeto de Transposição). Vem de longe sua aplicação apaixonada ao cuidado da água, das matas, dos rios... Contam-se em dezenas ou centenas as árvores que plantou e das quais cuidou. Poucos sabem, por exemplo, da queda que levou, ao tentar conter  o início de incêndio do bosque em terreno extremamente acidentado, no sítio em que residia, em Bayeux – PB.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;18. Como poucos, José Comblin tinha a capacidade habitual (já nele enraizada, de modo a dispensar com freqüência anotações mnemônicas), de passar de uma reflexão tópica, conjuntural a raízes estruturais e sua evolução ao longo dos séculos. Com freqüência, remetia-nos, em função da compreensão mais profunda dos temas, a distintos séculos, com grande erudição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;19. A condição da mulher e seu lugar na sociedade e nas igrejas vinham constituindo uma crescente inquietação na vida e nos trabalhos de José Comblin. Não bastassem as referências históricas a que nos remete, por exemplo, em Vocação para a Liberdade (Paulus, 1998), em suas iniciativas de caráter formativo tratou também de fundar e acompanhar, em Mogeiro - PB, em meados dos anos 80, o Centro de Formação Missionária específico para as jovens do meio popular. Mais recentemente, bem nos lembramos de sua profética posição  reagindo à estratégia de criminalização do aborto, usada e abusada, durante a campanha eleitoral do ano passado, pelas forças reacionárias dentro e fora das igrejas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;20. De sua formação inicial e de sua formação contínua, é visível o especial apreço que cultiva pelo Trabalho como experiência humanizadora fundamental. Em José Comblin, o trabalho era mais do que rotina, era também fator ineludível do processo humanizador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;21. É notória a desconfiança radical de José Comblin em relação aos vícios característicos das instituições – civis, políticas e eclesiásticas – em sua esmagadora corrida de autopreservação. Embora não negasse a necessidade de um mínimo institucional, estava sempre a alertar – inclusive os movimentos sociais de esquerda (sindicatos, partidos, movimento popular, pastorais sociais) – do permanente risco de institucioanalizar-se, em nome do coletivo, mas, na prática, em benefício dos dirigentes e de seus protegidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;22. O internacionalismo constitui um relevante marco de seu trabalho, de sua ação, não só enquanto missionário e teólogo, mas igualmente enquatno cidadão. Marca atestada pelo alcance latinoamericano de sua obra missionária, teológica e formativa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;23. Outra marca forte do legado de José Comblin tem a ver com sua pedagogia, cuja eficácia se destaca por manter sempre acesos horizonte da formação proposta (formação humanizadora como pressuposto da formação cristã), caminhos que conduzem a esse rumo (compromisso com as lutas dos pobres, protagonismo dos formandos, capacidade de intervenção social...), bem como postura definida por parte de seus protagonistas. O cerne de sua proposta visa a uma formação integral, capaz de promover junto aos formandos o desenvolvimento de uma personalidade madura, autônoma, consciente e livre, associado a uma formação comunitária, cujo acento é posto em todo o processo de formação, a partir do qual se dá atenção a cada momento específico: desde o planejamento, passando pelo perfil de formandos e formadores, pela relevância dos temas e conteúdos trabalhados, pela metodologia, pela avaliação, sempre numa perspectiva de promover a capacidade perceptiva e o protagonismo dos formandos, não apenas durante os momentos mais fortes da formação, mas também após o curso, por meio de um acompanhamento contínuo dos formandos, agora também formadores. Nesse sentido, é bem emblemático a formação vivenciada no quadro das Escolas Misssionárias, espalhadas pelo Nordeste. Formação cristã que implica necessariamente formação humanizadora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;24. É sempre possível e legítimo esboçar-se o perfil de um autor, de uma autora, a partir de sua produção bibliográfica. Mais complicado é esboçar-se o perfil de um legado que vai muito além de seus escritos, à medida que é fortemente impactado pelo vivido, o que parece bem ser o caso de José Comblin. Uma coisa é sabê-lo a escrever defendendo uma Igreja pobre e servidora; outra é vê-lo a visitar formandos e formandas em acampamentos, animando-os a seguirem na luta pela Reforma Agrária. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;25. Num momento em que as forças eclesiásticas hegemônicas anunciavam o fim das CEBs, pretendendo substituí-las pela expansão de movimentos conservadores, cuidava José Comblin de anunciar, alto e bom som, que as CEBs correspondem precisamente ao novo, no espectro de tantos séculos de Cristandade. Se passam por dificulades, graças às perseguições sofridas, sua proposta é que está grávida do novo, que há de vingar, no tempo oportuno. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;26. Analisado no espectro de grandes teólogos formuladores, na história do Cristianimso, José Comblin desponta, sempre sutil e humilde, como um dos interlocutores mais respeitáveis, à altura de dialogar criticamente com os teólogos da Patrística bem como com um Agostinho, com um Tomás de Aquino, com um Lutero e com os teólogos contemporâneos, em especial com os teólogos e teólogas latino-americanos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;27. Um toque particularmente vivificante da contribuição de José Comblin, em sua ação missionária e pedagógica, é assegurada por meio de uma vivência profunda da mística do Seguimento de Jesus de Nazaré, de uma espiritualidade de forte enraizamento evangélico, de modo a inspirar e a alimentar as diferentes atividades realizadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;João Pessoa, junho de 2011&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5704503579441133124-780984753403976345?l=kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com/feeds/780984753403976345/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com/2011/07/em-busca-de-uma-chave-de-leitura-do.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5704503579441133124/posts/default/780984753403976345'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5704503579441133124/posts/default/780984753403976345'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com/2011/07/em-busca-de-uma-chave-de-leitura-do.html' title='EM BUSCA DE UMA CHAVE DE LEITURA DO LEGADO DE JOSÉ COMBLIN: enunciados acerca do seu vivido e dos seus escritos'/><author><name>NóS TAMBÉM SOMOS IGREJA</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/_WEl_XV8J-QQ/Sc_ZA4N4RZI/AAAAAAAAAAM/W94cLwnoJjM/S220/Eu+e+Mel%C3%A2nia+nos+nossos+50+anos.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5704503579441133124.post-1781114987502956617</id><published>2011-05-29T15:10:00.000-07:00</published><updated>2011-05-29T15:15:47.104-07:00</updated><title type='text'>''A Igreja Católica suspeita da democracia''</title><content type='html'>&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Entrevista concedida pelo Pe. José Comblin ao repórter Cristóbal Cornejo, traduzida por Moisés Sbardelotto, e publicada no site El Ciudadano em 20/01/2010. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;Pode parecer curioso que um sacerdote indique que Marx "foi o primeiro filósofo cristão". Essa é a posição que José Comblin tem a respeito da sustentação do cristianismo, religião que, com a influência de filósofos como Aristóteles, naturalizou a ordem do mundo, até se convencer de que não é possível mudá-lo, já que foi dado por Deus.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nascido na Bélgica (1950), Comblin se doutorou em teologia na Universidade de Louvain (capital do país). Viveu no Brasil e, em 1972, expulso pela ditadura, foi ao Chile para ensinar na Universidade Católica. No entanto, em 1981, Pinochet lhe impediu de reingressar depois de uma viagem, por isso voltou para o Brasil, onde trabalhou nessa década com comunidades de base. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Como o senhor caracteriza Jesus Cristo? &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele vem mostrar em sua vida o que é a nova humanidade e anunciar a transformação. Busca os que sofrem, os doentes, os que não tiveram sorte. Depois, anuncia aos pobres que a situação mudará, que tenham confiança e força, porque eles têm a sabedoria de Deus e a entendem. Por outro lado, os ricos e poderosos nunca entendem e não querem entender. Eles defendem seus privilégios e nada mais. Depois, ele reuniu uma comunidade e lhes deu uma recomendação básica fundamental: que ninguém queira ser mais do que os outros. Isso basta, é a única instrução. Se respeitarem isso, todo o resto funciona. Depois, denunciou a todos os que mantêm o sistema de dominação, e que o defendem, porque lhes beneficia. Por fidelidade a essa mensagem, todas as autoridades de Israel querem matá-lo e vão pôr-se de acordo com o governador romano que, de fato, sente que ele é um revolucionário que ameaça seu sistema e ao qual é melhor suprimir. Jesus mostrou o caminho para construir um mundo novo, não só para salvar a alma, que é mais fácil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Como se projeta a imagem desse Jesus na Igreja Católica que se institui? &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em um momento crítico, os imperadores romanos adotaram o cristianismo como religião do Estado. E isso está muito longe do evangelho de Jesus! Começam a representar Jesus em mosaicos vestido como Imperador, com as insígnias do poder, com o manto imperial, o que, por sua vez, confirma o poder do Imperador. Aí, aparece todo um sistema de culto que não existia, porque as religiões anteriores ofereciam sacrifícios, tinham templos, mas os cristãos não. Com esse sistema, todo o mundo é obrigado a ser cristão, as pessoas se batizam porque a polícia os está vigiando, e assim aparece um monte de discípulos de Jesus que, na realidade, não o entendem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;E qual é o papel dos sacerdotes? &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A tarefa da organização eclesiástica é de cuidar da transmissão da fé, mas, na prática, fazem isso à medida que não seja um perigo para a sua carreira. No momento em que é um perigo, há coisas que é melhor não dizer nem explicar. Não dizem que Jesus morreu porque lutou contra todos os dominadores e denunciou o sistema. Dizem que sacrificou sua vida para que Deus perdoe os pecados das pessoas, e ninguém se sente ameaçado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Como o senhor vê o momento atual da Igreja Católica?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste momento, sua preocupação principal é se manter, continuar, já que há muitos que foram embora. Estão buscando manter sua posição de poder, embora, na prática, isso não tenha muita influência. Estão preocupados em reconquistar a influência que tinham antes, embora não saibam como fazer isso. Quanto ao mundo exterior, não há muita preocupação. Entrar em conflito com os poderes dominantes? Isso não, nada disso. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;A Igreja teve alguma vez a possibilidade de impulsionar a mudança social? &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como instituição não, só mudança social até o ponto em que as classes dirigentes aceitam. Daí a confrontar... isso é feito por algumas pessoas, alguns padres, alguns bispos, mas não a instituição. Toda instituição tende a permanecer, essa é a sua natureza, não ter conflitos com outros poderes. Por isso, o melhor seria a instituição mais frágil possível, ter o necessário para manter a unidade e a organização, sem concentração de poder, com dispersão, que cada lugar possa se organizar e definir. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;O que lhe parece a figura e a liderança do Papa Bento XVI? &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele é mais discreto do que o anterior, não tem o mesmo carisma, nem o desejo de se mostrar tanto. É um intelectual, dedica o tempo para estudar. Não conhece muito sobre as realidades dos povos. É muito amável, muito acolhedor, mas nas ideias é muito tradicional, conservador. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;E sobre suas relações com o nazismo? &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É que todo sistema é autoritário. Na democracia, critica-se discute-se, vota-se e decidem-se coisas, mas a Igreja não gosta disso, tem medo. A Igreja suspeita da democracia, por isso um sistema autoritário coincide melhor com seus interesses, porque aí tudo se decide conversando com o ditador. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Em que difere a concepção da Igreja sobre o pecado da que Jesus teve? &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando judeus se tornaram discípulos de Jesus, eles traziam toda a sua herança, muito concentrada no Antigo Testamento: a insistência de fazer com que as pessoas aplicassem toda a moral e todas as normas e as regras. Jesus não se preocupou muito com o pecado, porque Deus perdoa. Ele teve simpatia pelos pecadores, porque eram menosprezados, mal considerados. Deu-lhes mais ânimo, valor e força. O pecado é o sistema de dominação que reaparece sempre em toda a história, o contrário da fraternidade e do amor. Toda forma de dominação que diminui a vida é matar o outro, isso é dominação, opressão, pecado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Se Jesus estivesse vivo, onde estariam postas as suas energias?&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jesus queria mudar este mundo. Iria buscar as pessoas simples e pobres, porque com os ricos é inútil. Eles não vão querer mudar, estão aproveitando bem. Iria buscar os pobres, criaria comunidades, lhes daria o sentido de sua dignidade, de seus direitos, de lutar por uma vida melhor. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Quando o senhor fala de mudar o mundo, fala de revolução social? &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não, de mudar a humanidade, a forma de se relacionar entre as pessoas, isso é o que é preciso mudar. Como fizeram as comunas medievais, as comunidades de base, as empresas cooperativas, em que todos participam. No final, o império cairá como todos os anteriores, e os oprimidos se libertarão graças à sua luta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;http://contribuicoes.blogspot.com/2011/01/entrevista-pe-jose-comblin.html&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5704503579441133124-1781114987502956617?l=kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com/feeds/1781114987502956617/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com/2011/05/igreja-catolica-suspeita-da-democracia.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5704503579441133124/posts/default/1781114987502956617'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5704503579441133124/posts/default/1781114987502956617'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com/2011/05/igreja-catolica-suspeita-da-democracia.html' title='&apos;&apos;A Igreja Católica suspeita da democracia&apos;&apos;'/><author><name>NóS TAMBÉM SOMOS IGREJA</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/_WEl_XV8J-QQ/Sc_ZA4N4RZI/AAAAAAAAAAM/W94cLwnoJjM/S220/Eu+e+Mel%C3%A2nia+nos+nossos+50+anos.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5704503579441133124.post-5509860362877313969</id><published>2011-05-29T14:41:00.000-07:00</published><updated>2011-05-29T14:42:28.208-07:00</updated><title type='text'>Jesus, a religião, o amor</title><content type='html'>“Jesus não veio destruir a religião, mas levá-la à sua perfeição. Esta perfeição está além da religião. Esta precisa ser redirecionada constantemente para se tornar preparação para a vida cristã e não um fim em si mesma –o que é uma tentação permanente, ainda que inconsciente. A vida que Jesus veio ensinar é bem simples. Mas essa simplicidade é, para nós, a cidade colocada em cima do monte, da qual nos aproximamos sem nunca poder atingi-la, mas cm a esperança de finalmente alcançá-la um dia, após a  presente caminhada. Aqui na terra a vida é um permanente combate entre o amor e a resistência ao amor –que é o pecado. Isso nos mostra a necessidade de a religião estar em permanente mudança, para que se torne auxílio e não obstáculo ao crescimento da vida. A mensagem de Jesus é sempre a mesma, mas a religião varia de acordo com a variação das culturas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A salvação é o amor. Quem ama está salvo e já passou da morte à vida. A morte física não o mudará. O que era na sua vida terrestre amor, permanece para sempre. A única realidade deste mundo que permanece para a eternidade é o amor.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;José Comblin, &lt;span style="font-style:italic;"&gt;O Caminho, ensaio sobre o seguimento de Jesus&lt;/span&gt; (São Paulo: Paulus, 2009, p. 227)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5704503579441133124-5509860362877313969?l=kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com/feeds/5509860362877313969/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com/2011/05/jesus-religiao-o-amor.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5704503579441133124/posts/default/5509860362877313969'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5704503579441133124/posts/default/5509860362877313969'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com/2011/05/jesus-religiao-o-amor.html' title='Jesus, a religião, o amor'/><author><name>NóS TAMBÉM SOMOS IGREJA</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/_WEl_XV8J-QQ/Sc_ZA4N4RZI/AAAAAAAAAAM/W94cLwnoJjM/S220/Eu+e+Mel%C3%A2nia+nos+nossos+50+anos.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5704503579441133124.post-3609290788771045497</id><published>2011-04-30T07:22:00.000-07:00</published><updated>2011-04-30T07:26:43.024-07:00</updated><title type='text'>Santo Oscar Romero - Apelo ecumênico para o dia 1º de  maio de 2011</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Lembrem-se da Santificação do mártir Santo Oscar Romero através dos pobres deste mundo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Queridas Irmãs e queridos irmãos do ecumenismo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com este apelo pedimos a todos e todas a se lembrarem no dia 1º de maio de 2011 da santificação do mártir Santo Oscar Romero através dos pobres da América Latina e dos amigos e amigas de Jesus no mundo todo. Essa memória servirá para o nosso encorajamento no caminho do Evangelho e, ao mesmo tempo, deverá ser ouvido como apelo de conversão nas Igrejas dos ricos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Logo após sua nomeação como arcebispo de El Salvador em 1977, o padre conservador Oscar Arnulfo Romero foi confrontado com a perseguição sangrenta dos cristãos no seu país. As lágrimas derramadas no sepultamento de catequistas, coroinhas e padres assassinados fizeram com que ele se tornasse um bispo destemido ao lado dos pequenos, maltratados e perseguidos. Desde então, o regime de seu país, o Secretário de Segurança do presidente dos EUA e poderosos cardeais da Cúria Romana se posicionaram contra ele. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No início do ano de 1979, Dom Romero não foi ouvido pelo papa João Paulo II e nem recebeu apoio em suas angústias. Decepcionado ele disse: „Acredito que não retornarei outra vez a Roma. “O papa não me entende.” João Paulo II não tinha apreciado nem a fotografia de um padre indígena recém-assassinado, como também outros documentos a respeito da perseguição dos cristãos pelos capatazes dos ricos; ao invés disso, o papa apelou a cultivar relações harmoniosas com o governo salvadorenho. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ciente de seu próprio risco de vida, Santo Romero da América levantou sua voz contra a injustiça, excomungou políticos do regime e lembrou ao movimento de resistência a não-violência de Jesus de Nazaré. Depois de uma das inúmeras mortes cometidas contra os cristãos ele pregou dizendo: „Longe de nós os sentimentos da vingança. Vamos rezar com Jesus: Pai, perdoe-lhes. Eles não sabem o que estão fazendo.“ &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sendo que cada pessoa humana é filho/a e semelhança viva de Deus, para Santo Oscar Romero o culto divino era inseparavelmente ligado à defesa incondicional da dignidade humana. Aos comandantes e capatazes da junta militar dirigiu as seguintes palavras: „Um assassino é também aquele que tortura... “Ninguém deve por a mão contra um outro ser humano, pois o homem é semelhança de Deus.” Um dia antes de ser assassinado, dia 24 de março de 198, apelou publicamente aos soldados a desobedecerem à ordem de matar: „Em nome de Deus e em nome do povo sofrido peço a vocês, ordeno a vocês: Parem com a opressão!“. O tiro do pistoleiro o atingiu durante a celebração da Eucaristia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A santificação de Santo Oscar Romero, promovida pelas bases do povo, não é um gesto arrogante. Sabemos que só Deus pode olhar o coração de uma pessoa humana e aprender a olhar com os olhos de Deus é possível somente de forma parcial. Porém, essa santificação sem um processo caro nas instâncias eclesiásticas anuncia uma boa notícia sob o sopro do Espírito de Deus: „O exemplo do nosso irmão Santo Oscar Romero nos revela como as pessoas podem se tornar belas e corajosas quando começam a ouvir o Evangelho de Jesus.“&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Este apelo vai sem distinção para pessoas singulares (“pequenos e grandes”) e movimentos, iniciativas e organizações.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;www.ci-romero.de&lt;br /&gt;www.we-are-church.org&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5704503579441133124-3609290788771045497?l=kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com/feeds/3609290788771045497/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com/2011/04/santo-oscar-romero-apelo-ecumenico-para.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5704503579441133124/posts/default/3609290788771045497'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5704503579441133124/posts/default/3609290788771045497'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com/2011/04/santo-oscar-romero-apelo-ecumenico-para.html' title='Santo Oscar Romero - Apelo ecumênico para o dia 1º de  maio de 2011'/><author><name>NóS TAMBÉM SOMOS IGREJA</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/_WEl_XV8J-QQ/Sc_ZA4N4RZI/AAAAAAAAAAM/W94cLwnoJjM/S220/Eu+e+Mel%C3%A2nia+nos+nossos+50+anos.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5704503579441133124.post-3291419863299432837</id><published>2011-04-20T00:06:00.000-07:00</published><updated>2011-04-20T00:09:06.390-07:00</updated><title type='text'>A velhice e a espera do Reino de Deus, por José Comblin</title><content type='html'>Jesus não foi velho. Não conheceu a velhice. Esse fato foi, inclusive, uma objeção que lhe fizeram os judeus: “Nem sequer tens cinqüenta anos e viste Abraão?” (Jo 8,57). Na realidade, Jesus suprimiu os privilégios dos velhos. Nas civilizações antigas, os velhos tinham o privilégio da sabedoria que lhes conferia um grande poder. No próprio povo de Jesus os Anciãos ocupavam um lugar de destaque, e Jesus muitas vezes entrou em conflito com eles (Mc 11,27; Lc 9,22). Em muitas sociedades a direção pertencia a um Conselho de Anciãos. Com Jesus esta situação privilegiada desaparece. Pois, na mente de Jesus a prioridade não deve ser dada aos velhos, mas às crianças.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;O privilégio das crianças&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Chamando uma criança, postou-a no meio deles e disse: Em verdade, eu vos digo: se não mudardes e não vos tornardes como as crianças, não entrareis no Reino dos céus. Aquele, pois, que se fizer pequeno como esta criança, eis o maior no Reino dos céus. Quem acolhe em meu nome uma criança como esta, acolhe a mim mesmo” (Mt 18,2-5).&lt;br /&gt;“Deixai as crianças, não as impeçais de virem a mim, pois o Reino dos céus é para aqueles que são como elas” (Mt 9,14). Lucas acrescenta: “Em verdade, eu vos digo, quem não acolhe o Reino de Deus como uma criança nele não entrará” (Lc 18,17).&lt;br /&gt;“Vendo as coisas prodigiosas que ele acabara de fazer e aquelas crianças que gritavam no templo: Hosana ao filho de David!, os sumos sacerdotes e os escribas ficaram indignados e lhe disseram: Ouves o que eles dizem?” Mas Jesus lhes disse: “Sim; nunca lestes este texto: “Da boca dos pequeninos e das crianças de peito preparastes um louvor para ti?” (Mt 21,16).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Nicodemos, que já era velho, Jesus disse: “A menos que nasça de novo, ninguém pode ver o Reino de Deus”. Nicodemos lhe disse: “Como um homem poderia nascer sendo velho? Poderia ele entrar uma segunda vez no seio de sua mãe?” (Jo 3,3-4).&lt;br /&gt;A razão do privilégio das crianças fica muito clara nos textos citados. As crianças não são privilegiadas e colocadas como exemplo em virtude de qualidades que teriam. O tema da inocência ou da pureza das crianças é um tema moderno, que, por sinal, foi desmentido por todos os estudos científicos objetivos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O privilégio das crianças está na sua pequenez, na sua carência total de poder. O que constitui o modelo das crianças é a sua pequenez. Para entrar no Reino de Deus é preciso ser pequeno ou tornar-se pequeno. É preciso esperar o Reino de Deus como as crianças, isto é, sem poder nenhum, de modo puramente receptivo. Ninguém pode entrar no Reino se vem armado de poder. Somente quem se achar sem poder, poderá entrar.&lt;br /&gt;O Reino de Deus não é a recompensa da sabedoria ou dos méritos dos velhos: não existe nenhum mérito diante do Reino de Deus. Tudo é graça, dom gratuito. As crianças esperam sem pretensão, sem capacidade de fazer alguma coisa pelo Reino. Por isso, elas são o modelo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desta maneira, Jesus fez uma subversão total dos valores, das religiões e das filosofias. Diante do Reino de Deus, todos os trabalhos de uma vida inteira são como nada. É preciso deixar tudo isso e ficar pequeno e pobre e sem valor, sem pretensão como uma criança que espera tudo porque não pode fazer nada por si mesma. O privilégio das crianças é que elas não sabem fazer nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Semelhante às crianças&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os velhos devem receber com particular atenção essa mensagem de Jesus. Quando começa a velhice? Quando a pessoa começa a sentir que está perdendo as suas capacidades. Pouco a pouco os velhos sentem que a sua saúde fica frágil, que aparecem doenças, que a memória baixa, e a sensibilidade também. A imaginação apaga-se pouco a pouco. O corpo fica enfraquecido: a vista diminui, os ouvidos tornam-se mais surdos, as mãos já não seguram como antes. O velho descobre que já não pode trabalhar como antes. Fica cansado, qualquer esforço exige um repouso mais longo. Depois de um problema de saúde, aparece outro. Quando melhora por um lado, manifesta-se outro problema em outro órgão. O ancião já não é capaz de agir como antes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como conseqüência, ele perde prestigio e autoridade na sociedade e dentro da própria família. As civilizações antigas reservavam a maior parte do poder aos anciãos mas esta situação era o resultado de uma educação rígida, repressiva, que submetia mentalmente os filhos aos pais e estes aos avôs. Era o resultado de uma domesticação mental e física. Isto está desaparecendo e podemos pensar que esta evolução é o resultado da fermentação dos temas cristãos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os velhos devem reconhecer que estão perdendo as suas capacidades. Devem reconhecer que não podem exercer uma autoridade. Por via de conseqüência eles perdem a legitimidade do poder. Não tem mais o direito de impor a sua vontade às gerações seguintes. Eles devem retirar-se e entregar o poder às gerações seguintes, reconhecendo a sua incapacidade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não podem mentir a si mesmos procurando convencer-se que ainda têm todas as suas capacidades físicas ou mentais. Devem reconhecer que enfraqueceram. Não podem mentir aos seus subordinados obrigando-os a afirmar que eles ainda têm plena força. Os mais jovens também não podem mentir-lhes fazendo-os crer que ainda estão com pleno vigor, quando não estão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo sucede como se os idosos voltassem ao estado de infância. Tornam-se cada vez mais dependentes dos outros, pouco a pouco, até para as coisas mais simples da vida, precisam de ajuda. Para muitos esta dependência constitui uma humilhação. Alguns ficam amargos porque não aceitam o que está acontecendo. Outros ficam revoltados, e a sua revolta se transforma em mau humor; tornam-se desagradáveis para com aquelas mesmas pessoas que lhes prestam ajuda. No entanto, Jesus mostra o caminho.&lt;br /&gt;Para os adultos parece difícil aceitar a palavra de Jesus sobre as crianças. Eles sentem orgulho da sua força, fazem a experiência das suas capacidades. Para eles, a palavra de Jesus parece incompreensível. A condição dos velhos ajuda. Os idosos podem sentir no próprio corpo e na mente o regreso a um estado de impotência crescente. Esta idade depende muito das pessoas e do seu estado de saúde. Alguns poucos ainda são jovens e ativos aos 90 anos. Um pouco mais numerosos são os octogenários ainda na vida ativa. Aos 70 anos muitos já tiveram que abandonar toda atividade. Outros começam a sentir o declínio já antes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Salvo os casos de morte repentina, todos passam por uma fase de diminuição das capacidades, de volta a uma condição humilde, um verdadeiro retorno à condição de criança. Esta situação não deve criar desespero. Muito pelo contrário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois, ela é um sinal dos tempos, uma oportunidade oferecida para entrar no espírito de Jesus e aceitar voluntariamente uma volta ao estado de criança. Este não pode ser um motivo de tristeza e sim de alegria porque é voltar ao estado privilegiado de Deus, o estado em que o ser humano se torna frágil, humilde, pequeno, sem poder. Muitos lamentam a perda de poder, mas é justamente essa perda de poder que permite o acesso à condição das crianças.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É verdade que as crianças suportam mais facilmente o seu estado de dependência porque sabem que elas vão crescer e adquirir todas as capacidades que admiram nos adultos que cuidam delas. Mas os idosos sabem também que no final da velhice se abre uma vida nova de juventude perpétua. A velhice não é definitiva, mas ela é uma etapa na caminhada do povo de Deus. Ela é uma caminhada privilegiada porque une mais intimamente a Jesus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;A espera do reino&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jesus diz que é preciso esperar o reino de Deus com a condição das crianças. As crianças esperam receber. Não podem salvar-se por si próprias. Esperam que a mãe ou o pai ou qualquer outra pessoa venha resolver o seu problema e dar-lhes a satisfação que desejam. Esta é a disposição necessária para com o reino de Deus. Estamos na espera. Deus marca os tempos. Tanto para a etapa final, como para as etapas na vida presente. Não somos os donos do Reino de Deus. Não fazemos o que queremos, mas aquilo que Deus realiza em cada época da história. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O velho também não faz o que quer, deve esperar a ajuda dos outros. Aprende a esperar. Esta espera vivida na vida e cada dia constitui a escola e a aprendizagem da verdadeira e profunda espera, a espera do Reino de Deus. O velho está cada vez mais chamado a viver de esperança na medida em que faz a experiência das suas limitações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim são os velhos que aparecem no Novo Testamento. É o caso de Simeão. “Era justo e piedoso; esperava a consolação de Israel”(Lc 2,25). A sua justiça e a sua piedade estava nisto: - esperava o Reino de Deus. Não se lhe atribuem obras admiráveis. Simplesmente esperava. Era a melhor coisa que podia fazer. Era o que o tornava modelo digno de ser citado no evangelho. Na mesma condição estava a profetisa Ana, muito avançada em idade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Houve um velho que não procurava mais o Reino de Deus. Era sacerdote e se dedicava com zelo ao oficio sacerdotal. Estava tão compenetrado no seu oficio que não esperava outra coisa. O seu nome era Zacarias. O evangelho disse dele e da sua mulher que: “ambos eram justos diante de Deus e seguiam todos os mandamentos e observâncias do Senhor de maneira irrepreensível” (Lc 1,6).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Zacarias era irrepreensível nas observâncias. Porém, quando veio o anjo Gabriel anunciar-lhe os caminhos do Reino de Deus, não acreditou, “não creste em minhas palavras, que se realizarão a seu tempo” (Lc 1,20). O serviço do sacrifício no templo ocultou-lhe a palavra do Senhor. Estava absorvido pela sua tarefa sagrada e não tinha ouvidos para a palavra do anjo. Por isso, foi castigado. Era um velho ainda apegado ao seu oficio, mas fechado ao anúncio do Reino. Zacarias é o anti-modelo dos velhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Zacarias converteu-se e recuperou a fala. Pior foi o caso dos anciãos que condenaram Jesus à morte e nunca se arrependeram. Estes não quiseram crer porque não viviam na espera do Reino de Deus. Estavam apegados ao poder que achavam na observância das leis e dos mandamentos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Os que haviam prendido Jesus o levaram à casa de Caifás, o Sumo sacerdote, onde estavam reunidos os escribas e os anciãos” (Mt 26,57). Eis Jesus jovem frente a essa assembléia de velhos. Todos os velhos denunciando e atacando o jovem. A sua ira, o seu ciúme, o seu rancor os dominam. “E todos o condenaram à morte” (Mc 14,64). Encerrados na sua tradição religiosa, no seu sistema institucional esclerosado, não puderam reconhecer em Jesus a novidade do Reino de Deus e resolveram desfazer-se dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com certeza, todos esses velhos estavam imbuídos da sua grande sabedoria, invocavam a sua experiência para justificar as suas paixões, mas eram a caricatura da velhice autentica. Eles viviam o contrário daquilo que Jesus veio anunciar. A sua velhice vinha coroar a aprendizagem da incredulidade, e todas as suas obras religiosas eram hipocrisia. A experiência da vida somente lhes serviu para fechar-lhes o coração e a inteligência. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jesus não escolheu um conselho de anciãos, mas escolheu jovens para fazer deles os seus apóstolos e colocá-los à frente das doze tribos de Israel. Para começar uma obra nova, precisa de gente nova. Jesus rompia com as instituições do seu povo.&lt;br /&gt;É verdade que, depois de Jesus, provavelmente já na segunda geração dos discípulos, muitos voltaram à tradição judaica e colocaram velhos à frente das comunidades. Deram-lhe o nome grego de presbíteros. Eram a reprodução dos conselhos de anciãos que havia em Israel e em diversas associações religiosas do mundo antigo. A institucionalização de anciãos correspondia a uma fase de estabilização da Igreja. Nesse momento, a administração das comunidades estabelecidas já era mais importante do que a missão no meio do mundo. Mais importante do que o anuncio do Reino de Deus já era a administração dos gestos e símbolos religiosos, dos preceitos dos bons costumes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, é interessante lembrar que já bem no meio dessa instalação de conselhos de anciãos, a primeira carta a Timóteo insiste na tradição anterior fundada por Jesus: “Ninguém despreze a tua jovem idade” (1Tm 4,12). O autor exorta Timóteo a evitar tudo o que poderia provocar ou justificar o desprezo dos presbíteros. Pois, o poder de Timóteo que é jovem, é maior. Timóteo é o missionário itinerante que anuncia o Reino de Deus. Ele tem autoridade sobre os presbíteros que ele mesmo deve instituir e não ser instituído por eles. Ele conserva o poder sobre eles.&lt;br /&gt;Se os bispos são os sucessores dos apóstolos, poderíamos esperar que fossem escolhidos bem jovens. Pois, os velhos tendem a administrar o passado e têm menos ousadia, menos criatividade, menos impulso para lançar a Igreja em rumos novos. Apesar disso, nos últimos tempos prevaleceu o costume de escolher os bispos entre os presbíteros já velhos. Isto provocou uma inércia muito grande. Esses bispos já não assumem riscos, têm medo da novidade e preferem não olhar para os sinais dos tempos. É notável que os bispos de Medellín eram jovens e, por isso, abertos ao mundo a ser evangelizado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Igreja católica transformou-se numa gerontocracia, o que se manifesta por uma passividade muito grande diante dos desafios do mundo a ser evangelizado, por um medo das inovações e das pessoas que vão ao encontro dos povos com mais ousadia. &lt;br /&gt;Paulo VI estabeleceu que os bispos apresentassem a sua renuncia aos 75 anos. Em qualquer outra profissão este limite já pareceria exagerado. Os professores de Universidade já podem aposentar-se antes dos 50 anos, embora isto seja um abuso gritante. Assim mesmo, no caso dos bispos, há uma tendência para recuar esse limite até os 78 anos e mesmo 80 anos. Mas é claro que aos 75 anos uma pessoa já não tem o dinamismo necessário para conduzir uma porção do povo de /Deus. Tende a deixar os problemas sem solução. Os párocos seguem o modelo dos bispos e recuam indefinidamente a idade da entrega do poder.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo sucede como se o clero tivesse um apego excepcional ao poder, negando a condição da velhice e querendo manter a ilusão de capacidade além dos prazos normais. O clero parece estar mais apegado ao poder do que as outras categorias sociais, o que não deixa de ser estranho porque devia dedicar-se mais à espera do Reino de Deus e seguir as exortações de Jesus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;A missão dos velhos&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma vez que os velhos perderam os poderes, eles se tornam semelhantes às crianças. Se não aceitam esta condição perdem a oportunidade de salvar a sua vida. Se seguem o conselho de Jesus, salvam a sua vida. Livres de poderes, podem dedicar-se à espera do Reino de Deus. Não permanecem confinados em si mesmos. Pelo contrário, podem anunciar esse reino de Deus a outros. Uma vez que vivem num estado de esperança, podem anunciar esta esperança aos outros e, em primeiro lugar, com certeza, às crianças com as quais se tornaram semelhantes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os velhos serão, desta maneira, portadores da esperança tanto pelo exemplo da sua vida e do seu modo de ser, de falar, de acolher, como pelos conselhos e pelas palavras. Já não precisam ensinar a outros como fazer as coisas. Os jovens sabem como fazer. Porem, o que os velhos podem transmitir, é a atitude de esperança que transfigura a vida. Podem entrar no modo de ser de Simeão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A esperança do Reino de Deus não se limita ao advento final de Cristo com a vinda da nova Jerusalém. Pois, o Reino de Deus já vem neste mundo e neste tempo. Os velhos podem permanecer atentos aos sinais, por modestos que sejam. Cada sinal reforça a esperança. Um sinal anuncia outro mais tarde. Desta maneira a esperança tem uma história. O que faz viver é a esperança e, desta maneira, os velhos como as crianças podem ser fonte de vida para todos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os velhos podem depor toda arrogância, todo prestígio,toda segurança. Podem abandonar-se, entregar-se nas mãos de Deus que está realizando o seu Reino. Num sentido figurativo podemos aplicar-lhe as palavras de Jesus à Pedro depois da ressurreição: “Quando eras jovem, amarravas o teu cinto e ias para onde querias; quando ficares velho, estenderás as mãos e um outro atará teu cinto e te conduzirá para onde não quiseres” (Jo 21,18). O velho é assim: já não pode fazer o que quer, perdeu o domínio da sua vida. Mas será nessa condição que entrará no Reino de Deus esperado. Perde os desejos para acolher o que vier, com plena esperança, ou seja, com a firme confiança de estar caminhando rumo ao Reino de Deus e já dentro do Reino de Deus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fica livre dos seus desejos, livre de toda ambição, livre de toda adversidade, inclusive livre no meio da doença e da fraqueza física porque já abandonou tudo e está vivendo do Reino de Deus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Refletindo sobre a sua vida, o velho pode dizer como S. Paulo: “Todas essas coisas que para mim eram ganhos, eu as considerei como perda por causa de Cristo. Como não, eu considero que tudo é perda em comparação deste bem supremo que é o conhecimento de Jesus Cristo, meu Senhor. Por causa dele perdi tudo e considero tudo como lixo, a fim de ganhar a Cristo e ser achado nele, não já com uma justiça que seja minha, que venha da lei, mas com a que vem pela fé em Cristo, a justiça que vem de Deus e se apóia na fé. Trata-se de conhecê-lo a ele, ao poder da sua ressurreição e à comunhão com seus sofrimentos, de tornar-se semelhante a ele em sua morte, a fim de chegar, se possível, à ressurreição dentre os mortos” (Fl 3,7-11).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Vigiai porque não sabeis nem o dia, nem a hora” (Mt 25,13). Jesus repete essa advertência (Mc 13,33-37). Esta é a tarefa dos velhos em primeiro lugar. Uma vez que se fez a renuncia a todo o passado, vem o momento de se dispor inteiramente para o futuro. No cristianismo o velho não olha mais para o seu passado, mas vive à espera do futuro que sabem mais próximo. Todo o passado não é nada em comparação com o futuro que se aproxima. Vazio do seu passado, o ser humano que chega ao final da caminhada, abre-se totalmente para a esperança que se torna a totalidade da sua vida presente. Está vigiando!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5704503579441133124-3291419863299432837?l=kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com/feeds/3291419863299432837/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com/2011/04/velhice-e-espera-do-reino-de-deus-por.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5704503579441133124/posts/default/3291419863299432837'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5704503579441133124/posts/default/3291419863299432837'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com/2011/04/velhice-e-espera-do-reino-de-deus-por.html' title='A velhice e a espera do Reino de Deus, por José Comblin'/><author><name>NóS TAMBÉM SOMOS IGREJA</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/_WEl_XV8J-QQ/Sc_ZA4N4RZI/AAAAAAAAAAM/W94cLwnoJjM/S220/Eu+e+Mel%C3%A2nia+nos+nossos+50+anos.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5704503579441133124.post-399973209667480565</id><published>2011-04-03T13:41:00.000-07:00</published><updated>2011-04-03T13:43:16.068-07:00</updated><title type='text'>Por quem os sinos dobram? Dobram por Comblin, o profeta da liberdade!</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Paulo César Pereira&lt;/span&gt; escreve:&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;E no Nordeste se ouviu um lamento e choro amargo, são os seus filhos que hoje não querem ser consolados.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lamentamos com lágrimas e silêncio o recolhimento de José Comblin aos braços de Deus. A sua páscoa se deu apenas cinco dias depois de seu aniversário de 88 anos, o que certamente lhe veio como um presente, bem diferente de 24 de março de 1972, quando, dois dias depois do seu aniversário, ao desembarcar em Recife foi informado que agora era uma persona  non  grata  e assim, a contragosto, foi deportado para o Chile. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comblin foi católico no mais puro sentido da palavra, as suas idéias eram universais, ele pensou e viveu o mundo, mas sempre agiu a partir do local aonde se encontrava.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Falava exatamente o que vivia, nele discurso e ação era uma coisa só. &lt;br /&gt;Falou de pobreza e viveu toda a vida como um pobre. Não tinha absolutamente nenhum bem registrado em seu nome. Morou entre os pobres, ensinou e aprendeu com eles e quando teve que conviver com os ricos foi apenas para desafiá-los a viver uma vida mais regrada e menos acintosa aos olhos de Deus. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A aparente fragilidade de seu corpo era um contraste profundo com a força das suas palavras. Pregou com coragem e demonstrou tê-la em suficiência quando, em plena ditadura militar, escreveu a Ideologia da Segurança Nacional, onde desnudava o poder militar na América Latina. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sua obra com mais de 60 livros escritos e acima de 300 artigos publicados é um exemplo da produção de teologia fora dos limites dos Seminários e das Universidades.&lt;br /&gt;De forma incansável, alertou a Igreja para reconhecer o erro histórico de nunca ter colocado o pobre como centro de sua ação pastoral. Afirmou sem medo que a Igreja hoje carece de conteúdo e que existe um vazio eclesiástico onde resta muito pouco do evangelho anunciado e vivido por Jesus.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Anunciou também para quem quisesse ouvir, que não se deve alimentar o espetáculo da ilusão de que a Igreja pode evangelizar o mundo com “o mesmo discurso, os mesmos gestos, os mesmos ritos e os mesmos meios de expressão de outrora” (1)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ouvir Comblin era estar diante do profeta e da profecia. Na sua profecia a palavra liberdade tomou uma dimensão como nunca antes se viu. Para ele liberdade é a base da vocação evangélica, a novidade do evangelho de Cristo, a conclusão final de toda a história bíblica e o fundamento da nova existência para a humanidade toda. Entendia que anunciar o evangelho era anunciar a liberdade, pois “No início do cristianismo, evangelizar era despertar para a liberdade e passar a pensar livremente”(2). Não se cansou de dizer que “Jesus apareceu justamente como a pura representação do pensamento livre”(3). Hoje Comblin é um homem inteiramente livre, atingiu a dimensão plena de tudo que anunciou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comblin foi um homem que não deixou de sonhar um único dia. Aos 70 anos ainda plantava jardins e com 88 ainda construía Escolas Missionárias. Escolas e jardins eram para os outros, como tudo na sua vida. Sensível e realista tinha os olhos sempre abertos para a realidade e para os que estavam seu redor, de maneira especial todos os proscritos da sociedade.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Um dia lhe perguntei qual foi o seu maior sofrimento, já que tinha sido exilado, perseguido e incompreendido dentro e fora da Igreja. Ele simplesmente respondeu: “Dou graças a Deus que nunca me permitiu passar por sofrimento”. &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Ecce homo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Comblin deixa um grande vazio no nosso meio e, para além disso, deixa órfã a teologia latino americana. Lamentamos profundamente a morte daquele que abdicou de ser tratado como Dr. Comblin para ser chamado apenas por Padre Zé. Por ele hoje choramos, por ele hoje os sinos dobram. Quem tem ouvido para ouvir, que ouça em respeitoso silêncio.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;O autor&lt;/span&gt; é pastor da Primeira Igreja Batista em Bultrins-Olinda, e mestrando em Ciências da Religião pela Universidade Católica de Pernambuco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(1) COMBLIN, J. Um novo amanhecer da Igreja? Petrópolis: Vozes, 2003, 76p.&lt;br /&gt;(2) COMBLIN, J. O povo de Deus. São Paulo: Paulus, 2002, 412p.&lt;br /&gt;(3) Ídem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5704503579441133124-399973209667480565?l=kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com/feeds/399973209667480565/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com/2011/04/por-quem-os-sinos-dobram-dobram-por.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5704503579441133124/posts/default/399973209667480565'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5704503579441133124/posts/default/399973209667480565'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com/2011/04/por-quem-os-sinos-dobram-dobram-por.html' title='Por quem os sinos dobram? Dobram por Comblin, o profeta da liberdade!'/><author><name>NóS TAMBÉM SOMOS IGREJA</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/_WEl_XV8J-QQ/Sc_ZA4N4RZI/AAAAAAAAAAM/W94cLwnoJjM/S220/Eu+e+Mel%C3%A2nia+nos+nossos+50+anos.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5704503579441133124.post-7728535174989756564</id><published>2011-03-29T04:45:00.001-07:00</published><updated>2011-03-29T04:45:37.486-07:00</updated><title type='text'>NOTA AO POVO DA PARAÍBA SOBRE O FALECIMENTO DO Pe. JOSÉ COMBLIN</title><content type='html'>Ao Povo da Paraíba e do Nordeste, Mônica Muggler e os amigos e amigas do Pe. José Comblin informam do falecimento do Pe. José, nesse domingo, dia 27 de março de 2011, por volta das 8 horas da manhã, no município de Simões Filho, vizinho a Salvador – BA, para onde tinha viajado, desde Barra – BA, a fim de fazer uma revisão de seu estado de saúde e para assessorar um grupo de base.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Estava hospedado numa casa de Religiosas. De manhã, aguardado que era para a celebração, e não comparecendo na hora prevista, foram em busca dele: encontraram-no já no repouso eterno.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Pe. José Comblin havia, cinco dias antes de sua partida, completado seus abençoados 88 anos (22 de março), dos quais 53 anos, a servir incansavelmente os pobres na América Latina, na perspectiva do Evangelho.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Agradecidos a Deus por nos ter concedido o dom desse testemunho de profeta e missionário do Evangelho, sentimo-nos interpelados por seu exemplo a seguir adiante em o caminho para o qual sempre apontou: o de Jesus de Nazaré.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;O corpo do Pe. José está sendo transportado, por via terrestre, de Salvador para Santa Fé, no Santuário do Pe. Ibiapina, vizinho de Arara – PB, aonde deverá chegar por volta da meia noite. Seu corpo ficará exposto para as despedidas do público, durante a manhã de terça-feira, dia 29. Às 14 horas da mesma terça-feira, dia 29, será celebrada a missa, no mesmo Santuário de Pe. Ibiapina, estando previsto o sepultamento entre as 15 e 16 horas da mesma tarde.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;“Bem-aventurados os construtores da paz, porque serão chamados filhos de Deus” (Mt 5,9)&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;João Pessoa, 28 de março de 2011&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5704503579441133124-7728535174989756564?l=kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com/feeds/7728535174989756564/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com/2011/03/nota-ao-povo-da-paraiba-sobre-o.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5704503579441133124/posts/default/7728535174989756564'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5704503579441133124/posts/default/7728535174989756564'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com/2011/03/nota-ao-povo-da-paraiba-sobre-o.html' title='NOTA AO POVO DA PARAÍBA SOBRE O FALECIMENTO DO Pe. JOSÉ COMBLIN'/><author><name>NóS TAMBÉM SOMOS IGREJA</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/_WEl_XV8J-QQ/Sc_ZA4N4RZI/AAAAAAAAAAM/W94cLwnoJjM/S220/Eu+e+Mel%C3%A2nia+nos+nossos+50+anos.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5704503579441133124.post-8049146184048035400</id><published>2011-03-28T07:19:00.000-07:00</published><updated>2011-03-28T07:21:07.976-07:00</updated><title type='text'>José Comblin: migrante, guerreiro, teólogo - por Paulo Suess</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/-XLtZid-Bax0/TZCZCh_ZzzI/AAAAAAAAADw/bkVUFDZWwIk/s1600/congresso%2BMedellin%2B22.8.2008.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 300px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-XLtZid-Bax0/TZCZCh_ZzzI/AAAAAAAAADw/bkVUFDZWwIk/s400/congresso%2BMedellin%2B22.8.2008.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5589135406329876274" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Cansado da viagem, Jesus sentou-se junto ao poço de Jacó, num terreno que Jacó tinha dado ao seu filho José” (cf. Jo 4,5s). Este foi o Evangelho que José Comblin preparava para celebrar a Missa deste 3º Domingo da Quaresma (27.3.2012). Comblin estava de passagem em Simões Filho, município logo ao lado de Salvador (BA), para fazer uma revisão de seu estado de saúde e assessorar um grupo de base. José Comblin, um poço de sabedoria, morreu sentado, junto ao poço de Jacó - a vida toda ao lado de Jesus conversando com a Samaritana, a excluída do templo, da sociedade machista e do pretório. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O templo e o pretório nunca lhe perdoaram essa proximidade à Samaritana. O fizeram refugiado em Talca (Chile), Riobamba (Equador) e, por fim, no Brasil, em Barra (BA), no sertão da Bahia, onde o profeta franciscano D. Luiz Cappio, o confessor Jose Comblin e a samaritana leiga Mônica constituíram uma comunidade teológico-pastoral. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comblin marcava anualmente presença em nosso curso de pós-graduação em Missiologia. Provocava os estudantes com sua “Teologia da Enxada”, com sua ênfase ao laicato, com seu espírito libertário, com sua radicalidade missionária e autenticidade vivencial. Comblin sempre soube que vale virar esse mundo, viver e lutar de paixão. No terreno que Jacó tinha dado ao seu filho José, Comblin era posseiro militante. De cavernas remotas trouxe notícias de vida e sobreviventes. Lutou quando era fácil ceder. Quantas lutas teve que assumir por um poço de paz!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Medellín, no Congresso dos 40 anos da “Segunda Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano”, em 2008, encontrei Comblin uma última vez. Depois de sua palestra, um aceno significativo que parecia dizer: adeus Medellín, adeus companheiros e companheiras. Hoje, dia 27 de março, José Comblin morreu aos 88 anos numa hospedaria de Simões Filho (BA). No brasão desta cidade está escrito: Angelus Pacis, anjo da paz. Que o anjo da paz ampare nosso guerreiro na grande travessia!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Paulo Suess&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;http://paulosuess.blogspot.com/&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5704503579441133124-8049146184048035400?l=kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com/feeds/8049146184048035400/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com/2011/03/jose-comblin-migrante-guerreiro-teologo.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5704503579441133124/posts/default/8049146184048035400'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5704503579441133124/posts/default/8049146184048035400'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com/2011/03/jose-comblin-migrante-guerreiro-teologo.html' title='José Comblin: migrante, guerreiro, teólogo - por Paulo Suess'/><author><name>NóS TAMBÉM SOMOS IGREJA</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/_WEl_XV8J-QQ/Sc_ZA4N4RZI/AAAAAAAAAAM/W94cLwnoJjM/S220/Eu+e+Mel%C3%A2nia+nos+nossos+50+anos.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-XLtZid-Bax0/TZCZCh_ZzzI/AAAAAAAAADw/bkVUFDZWwIk/s72-c/congresso%2BMedellin%2B22.8.2008.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5704503579441133124.post-2013929206091479474</id><published>2011-01-15T01:17:00.001-08:00</published><updated>2011-01-23T01:47:50.481-08:00</updated><title type='text'>Profeta dos pobres, Dom Fragoso nos fala (Livro em PDF)</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_WEl_XV8J-QQ/TTv5Ps6DFuI/AAAAAAAAADk/7AT7WyPE_Ws/s1600/Capa.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 267px; height: 400px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_WEl_XV8J-QQ/TTv5Ps6DFuI/AAAAAAAAADk/7AT7WyPE_Ws/s400/Capa.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5565315812694365922" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Dom Antônio Batista Fragoso, sertanejo paraibano de Teixeira, nasceu em 10 de dezembro de 1920. Profundamente marcado pelo compromisso evangélico com a causa dos pobres, costumava dizer que muito devia sua conversão à densa experiência com o mundo do Trabalho, por meio da JOC, da qual foi assessor. Como bispo de Crateús – CE, aprofundou essa marca, especialmente junto aos camponeses, formando e animando comunidades, na perspectiva da Igreja dos Pobres, popular e libertadora, bem ao modo da Conferência de Medellín.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não por acaso, foi tão perseguido pela Ditadura Militar, dando sempre corajoso e profético testemunho de solidariedade com os perseguidos do regime. Os últimos anos de sua vida, Dom Fragoso passou em João Pessoa, como um animador e conselheiro amoroso da Comunidade de Laranjeiras, no bairro José Américo, onde morava. Alguns meses antes de sua partida para a Casa do Pai, em 12 de agosto de 2006, concedeu uma longa entrevista, dividida em três partes, de acordo com os entrevistadores que a realizaram, respectivamente Alder Julio Ferreira Calado, João da Cruz Fragoso, e Luiz Gonzaga Gonçalves. Agora apresentamos aos leitores e leitoras, a transcrição das fitas referentes à entrevista concedida a Alder Julio Ferreira Calado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;APRESENTAÇÃO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Junto com Dom Fragoso, participamos de uma pesquisa sobre a caminhada eclesial de Crateús, publicada sob o título &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Igreja de Crateús, 1964-1998. Uma experiência popular e libertadora &lt;/span&gt;(São Paulo: Loyola, 2005). Dom Fragoso sempre se mostrou resistente a qualquer idéia de se lançar o olhar sobre o desempenho pessoal do bispo. Importava centrar a atenção sobre a caminhada do Povo, do conjunto da Igreja. Prontificava-se, contudo, a conceder uma entrevista complementar, na qual pontos obscuros ou complementares ele poderia esclarecer. Não perdemos a oportunidade. Poucos meses depois da publicação do livro (que apareceu em dezembro de 2005), voltávamos a nos reunir, na casa dele, de modo alternado, para entrevistá-lo. A intenção original era publicar a entrevista em um dos números especiais da Revista Caros Amigos. João Fragoso tinha recebido resposta positiva da direção da Revista. Ocorre que, a menos de dois meses da última entrevista, se dá a partida de Dom Fragoso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por ocasião do seu 87º aniversário de nascimento e a mais de um ano de sua partida, sem prejuízo de voltarmos a tentar a publicação pela Caros Amigos, decidimos socializar essas entrevistas, ainda que em escala reduzida, entre familiares, amigos e conhecidos mais próximos. Ouçamos o que ele nos tem a dizer!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alder Julio Ferreira Calado, João da Cruz Fragoso, e Luiz Gonzaga Gonçalves.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O livro em PDF encontra-se disponível em:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;http://www.4shared.com/document/jU-X2rUw/Profeta_dos_pobres_Dom_Fragoso.html &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5704503579441133124-2013929206091479474?l=kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com/feeds/2013929206091479474/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com/2011/01/profeta-dos-pobres-dom-fragoso-nos-fala.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5704503579441133124/posts/default/2013929206091479474'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5704503579441133124/posts/default/2013929206091479474'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com/2011/01/profeta-dos-pobres-dom-fragoso-nos-fala.html' title='Profeta dos pobres, Dom Fragoso nos fala (Livro em PDF)'/><author><name>NóS TAMBÉM SOMOS IGREJA</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/_WEl_XV8J-QQ/Sc_ZA4N4RZI/AAAAAAAAAAM/W94cLwnoJjM/S220/Eu+e+Mel%C3%A2nia+nos+nossos+50+anos.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_WEl_XV8J-QQ/TTv5Ps6DFuI/AAAAAAAAADk/7AT7WyPE_Ws/s72-c/Capa.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5704503579441133124.post-8405403348429586369</id><published>2010-11-19T09:36:00.000-08:00</published><updated>2010-11-19T09:38:09.982-08:00</updated><title type='text'>Obra Social da Igreja, pelo Pe. Antonio Fragoso</title><content type='html'>A Reunião dos Assistentes Eclesiásticos dos CC.OO., em Junho passado, levou a um plano de ação e a conclusões práticas de grande importância.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Da primeira tese: “Os CC.OO., a Ação Católica e a JOC e JAC e a LOC e LAC”, concluímos para normas de colaboração mais direta entre a organização operária e o movimento jocista. Caberia principalmente à JOC formar ótimos dirigentes circulistas e aos CC.OO. oferecer garantias econômico-sociais aos jocistas.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;O Cônego Távora que esteve em 1947 na Sessão Internacional da JOC, reunida em Montréal, entrevistando pessoalmente o Cônego José Cardjin a respeito das relações entre os CC.OO. e a JOC, ouviu dele: “A JOC não deve organizar-se sobre as ruínas de nenhum movimento operário católico”.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;A mística e a técnica jocistas não coincidem com a mística e a técnica circulistas, tanto na sua finalidade específica quanto nos métodos. Daí, a viabilidade de uma coexistência em colaboração.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Neste dia visitamos Sua Eminência o Cardeal Câmara que nos acolheu amavelmente, escutou com interesse a marcha da Reunião dos Assistentes, tomou conhecimento das conclusões da primeira tese e assegurou que o Episcopado deseja e quer a colaboração dos CC.OO. com a JOC.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;A Segunda tese discutida foi: “Os CC.OO. e as Associações Religiosas”. Depois de acentuar a distinção profunda entre os CC.OO. e as associações religiosas, o expositor concluiu pela necessidade de mútua compreensão, estima, apoio e colaboração.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;A conclusão aprovada foi a seguinte: “Os Assistentes Eclesiásticos desejam maior colaboração entre os CC.OO. e as Associações Religiosas, das quais esperam seus melhores chefes e dirigentes”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Permanece de pé a palavra do Episcopado Brasileiro, no Plano Nacional de Ação Social: “Os CC.OO. aparecem como próprios para ser a base desta organização no seu aspecto de instituição de assistência economico-social dos trabalhadores de todas as categorias e de todas as origens, desde que aceitem a moral cristã, não atentem contra a família, respeitem as nossas leis, busquem suas reivindicações dentro da ordem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que se criem imediatamente, com preparação muito intensa, Círculos Operários em todas as Paróquias com trabalhadores urbanos e rurais. Procure-se, além disto, que os serviços de assistência social ao Operariado, onde existirem ou forem fundados os Círculos Operários, se façam por intermédio destes, quanto possível”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Publicado in: A IMPRENSA – 25/07/1948&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5704503579441133124-8405403348429586369?l=kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com/feeds/8405403348429586369/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com/2010/11/obra-social-da-igreja-pelo-pe-antonio_19.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5704503579441133124/posts/default/8405403348429586369'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5704503579441133124/posts/default/8405403348429586369'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com/2010/11/obra-social-da-igreja-pelo-pe-antonio_19.html' title='Obra Social da Igreja, pelo Pe. Antonio Fragoso'/><author><name>NóS TAMBÉM SOMOS IGREJA</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/_WEl_XV8J-QQ/Sc_ZA4N4RZI/AAAAAAAAAAM/W94cLwnoJjM/S220/Eu+e+Mel%C3%A2nia+nos+nossos+50+anos.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5704503579441133124.post-7840946397864828072</id><published>2010-11-08T06:00:00.000-08:00</published><updated>2010-11-08T06:02:09.552-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Sacrifício dos Inocentes'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Justiça'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Violência'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Juventude'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Direitos Humanos'/><title type='text'>Violência perto de nós, por Osmar Ludovico da Silva</title><content type='html'>A notícia do jornal foi lacônica: jovem de dezoito anos assassinado a tiros. Não foi o único homicídio em João Pessoa naquele dia, houve outros quatro.&lt;br /&gt;Só que eu conhecia o jovem de dezoito anos. Compartilhei com ele o Evangelho, o recebi em minha casa e o encaminhei a uma igreja. Bom menino, doce e meigo, mas infelizmente tinha se envolvido com drogas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No Brasil morrem cerca de 40.000 pessoas assassinadas por ano. A maioria são jovens moradores em grandes centros urbanos, vítimas de uma violência perversa e inconseqüente. Morrem em brigas, acerto de contas, balas perdidas e confrontos com a polícia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A gente sabe disso, mas fica assustada quando acontece perto da gente. E se pergunta o que está acontecendo.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deus já não é relevante, e quando aparece na religião tudo dele é acomodado para não ferir a sensibilidade dos adeptos. Não se fala de pecado, de arrependimento, de juízo, de mandamentos e de valores e crenças absolutas. Tudo é diluído para manter o projeto religioso, muitas vezes comandado por estelionatários e adúlteros travestidos de pastores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na sociedade civil vemos uma deterioração da família, o casamento já não é mais para toda vida, e as paixões iniciais não resistem ao teste da vida real no quotidiano. Filhos crescem sem os pais, a escola não forma cidadãos. Tudo tem seu preço, tudo está à venda, o valor pessoal está nos símbolos de consumo e de status. A competição é feroz, pois construímos um mundo onde não cabem todos e muitos serão excluídos. O poder público dá mau exemplo, na corrupção e na impunidade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O cenário internacional também não ajuda. Vivemos uma crise econômica resultante da ganância perniciosa de alguns. A perspectiva é de recessão e desemprego.&lt;br /&gt;Neste cenário nossos jovens perdem-se sem valores, sem esperança, sem ideais. Abrimos os jornais e vemos o noticiário da TV e decididamente as notícias não são boas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cheguei arrasado no cemitério. Fui um dos primeiros e o menino estava só na capela, arrumado e florido do jeito que foi possível, pois recebera muitos tiros inclusive no rosto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentei-me ao seu lado. Respirei fundo. Eu sabia que teria que falar algo na hora do sepultamente e fiquei ali orando e vendo as pessoas chegarem.  Sua mãe que esteve sempre ao seu lado, seu pai que veio de longe. Alguns amigos, gente jovem estudantes, alguns adultos amigos de seus pais que olhavam assustados para outros jovens, de bermudão camisa colorida, gorro enterrado na cabeça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegou a hora de falar. Outro pastor disse algumas palavras antes de mim. E eu ali pensando que eu vou dizer. Respirei fundo e orei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E comecei a falar do meu coração a partir da minha própria perplexidade. Dirigi-me especialmente aos pais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, vamos invocar a Deus porque sem ele não dá para enfrentar esta barra. Mas afinal onde está Deus numa hora destas?  Lembrei-me que face à morte Deus chora. Cristo chorou quando seu amigo Lázaro morreu. E chorou no Getsanami angustiado frente a sua própria morte.  Lembrei de Deus o Pai e seu coração dilacerado, sem intervir na hora do assassinato de seu filho de trinta anos. Sim, Deus sofre com nossas mortes, se importa e chora. Há lágrimas de lamento e luto no céu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando cheguei naquela capela um sentimento de derrota tomou conta do meu coração. Perdemos, eu disse ao outro pastor. O inimigo ganhou desta vez. Senti uma leve brisa acaricia o meu rosto e  diante da sacralidade daquele momento, percebi que Jesus Cristo estava entre nós. E estava. Ele escolheu morrer a nossa morte, se identificar conosco na dor, na tortura e morrer uma morte cruel nas mãos de uma liderança religiosa corrupta e forças militares de ocupação perversas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao morrer ele retorna a vida e ressuscita no terceiro dia. Naquela hora no domingo Deus dá sua resposta definitiva: o mal, a morte, o pecado e o demônio não têm a última palavra. A última palavra é dele, a vida triunfa sobre a morte!&lt;br /&gt;Lembrei-me que aquele menino tinha ouvido o Evangelho e dava sinais de mudança em sua vida. E que certamente o Senhor teria misericórdia dele e o ressuscitará no último dia para vida eterna com ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fechamos o caixão e fomos em procissão seguindo um carro funerário até o local do sepultamento. Naquele momento fui renovando minha esperança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sepultamos o menino. E eu voltei para casa sentindo dores no corpo como se tivesse levado uma surra. E no fundo do meu coração fazendo um voto de continuar lutando pelo respeito à vida, envolvendo-me em ações que minimizem o mal e promovam os valores do Evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5704503579441133124-7840946397864828072?l=kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com/feeds/7840946397864828072/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com/2010/11/violencia-perto-de-nos-por-osmar.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5704503579441133124/posts/default/7840946397864828072'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5704503579441133124/posts/default/7840946397864828072'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com/2010/11/violencia-perto-de-nos-por-osmar.html' title='Violência perto de nós, por Osmar Ludovico da Silva'/><author><name>NóS TAMBÉM SOMOS IGREJA</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/_WEl_XV8J-QQ/Sc_ZA4N4RZI/AAAAAAAAAAM/W94cLwnoJjM/S220/Eu+e+Mel%C3%A2nia+nos+nossos+50+anos.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5704503579441133124.post-2893072916413363442</id><published>2010-11-07T09:30:00.000-08:00</published><updated>2010-11-07T09:31:30.459-08:00</updated><title type='text'>Em busca de uma vida mais simples, por Osmar Ludovico da Silva</title><content type='html'>O Senhor Deus é o criador de todas as coisas e agradecemos pela riqueza, diversidade, abundância e beleza do nosso planeta. Tudo isto ele nos deu para que fossemos bons cuidadores e pudéssemos desfrutar destes recursos com justa repartição para todos e com respeito ao meio ambiente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é isto que a economia de mercado está fazendo. Baseada no crescimento sem limites, no consumo desenfreado, este sistema econômico concentra renda e coloca em risco o meio ambiente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este modelo é baseado em alimentar um permanente estado de insatisfação que só pode ser compensado por novos produtos. Nosso consumo é uma resposta a esta insatisfação e não às nossas necessidades reais. Insatisfação inflada pela publicidade, que promete felicidade através dos símbolos de status: seja roupa de grife, celular de última geração, o eletrodoméstico inovador, ou automóvel dos sonhos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, entramos numa roda viva de insatisfação que nos torna mais consumistas, e por sua vez nos faz trabalhar mais. O resultado é endividamento crescente, menos tempo com a família e maior insensibilidade ao drama dos pobres. Sem contar que nos tornamos vaidosos, pois consumimos mais para impressionar os outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Convocados pela Comissão de Lausanne e pela Aliança Evangélica Mundial, em 1980, um grupo de evangélicos se reuniu em Hoddesdon, Inglaterra, e realizou uma Conferência Internacional sobre Estilo de Vida Simples. Produziu uma declaração, que considero profética, e cito parte do quinto artigo: Padrão de Vida Pessoal:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nossa obediência cristã exige um padrão de vida simples. Entretanto o fato de 800 milhões de pessoas viverem na pobreza e por volta de 10.000 pessoas morrerem de fome por dia (dados de 1980), torna qualquer outro padrão de vida injustificável.&lt;br /&gt;Alguns de nós fomos chamados para viver entre os pobres, outros para abrir seus lares a necessitados, mas todos nós estamos determinados a desenvolver um estilo de vida mais simples. Nós temos a intenção de reexaminar nossa renda e nossas despesas, com a finalidade de viver com menos e dar mais. Não estabelecemos nenhuma regra para nós mesmos nem para os outros. Contudo, tomamos a resolução de renunciar ao desperdício, o supérfluo, e a extravagância na nossa vida pessoal: vestuário, despesas de viagem, moradia, construção de igrejas. Aceitamos também a distinção entre a necessidade e o luxo, o lazer criativo e os símbolos de status, a modéstia e a vaidade, o serviço a Deus e a escravidão do consumo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sabemos quais são as verdadeiras fontes de alegria e paz em nossas vidas: viver com Deus e para Deus, amando e servindo ao próximo; estabelecer amizades e vínculos significativos e duradouros, participar de uma comunidade cristã, buscar viver de forma integra e ética, cultivar valores como respeito, dignidade, solidariedade, fidelidade. Crescer profissionalmente sem vender a nossa alma ao consumo e manter uma contabilidade financeira pessoal equilibrada, não gastando mais do que ganhamos, ser generosos e contribuir para o Reino e para os pobres. E finalmente redescobrir os pequenos prazeres simples e gratuitos, diminuindo o consumo e libertos da compulsão do ter, podermos viver de forma mais livre e mais construtiva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caso contrário corremos o risco de ter todos os produtos que a publicidade insiste que tenhamos para sermos felizes, e viver num estado de permanente insatisfação, inveja e correndo sem tempo para nada. Terminaremos todos presos num congestionamento gigante e asfixiados por uma poluição sufocante em São Paulo. Viveremos num país que se transformou numa grande plantação de cana com um enorme abismo social. E na angustia de uma eminente catástrofe mundial ocasionada pelo derretimento das geleiras devido ao aquecimento global. E uma eminente derrocada do sistema financeiro mundial gerada pela inadimplência dos americanos que compraram imóveis que não podem pagar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Frei Beto nos conta o seguinte: &lt;span style="font-style:italic;"&gt;“Sócrates era um filósofo grego que viveu séculos antes de Cristo. Também gostava de passear pelas ruas comerciais de Atenas. E, assediado por vendedores, respondia: - Estou apenas observando quanta coisa existe de que não preciso para ser feliz".&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É o que podemos fazer ao ver a publicidade na TV, nos jornais e revistas, e na nossa próxima visita ao Shopping-Center.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5704503579441133124-2893072916413363442?l=kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com/feeds/2893072916413363442/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com/2010/11/em-busca-de-uma-vida-mais-simples-por.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5704503579441133124/posts/default/2893072916413363442'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5704503579441133124/posts/default/2893072916413363442'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com/2010/11/em-busca-de-uma-vida-mais-simples-por.html' title='Em busca de uma vida mais simples, por Osmar Ludovico da Silva'/><author><name>NóS TAMBÉM SOMOS IGREJA</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/_WEl_XV8J-QQ/Sc_ZA4N4RZI/AAAAAAAAAAM/W94cLwnoJjM/S220/Eu+e+Mel%C3%A2nia+nos+nossos+50+anos.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5704503579441133124.post-5607330128050877627</id><published>2010-09-17T02:48:00.000-07:00</published><updated>2010-09-17T02:49:21.372-07:00</updated><title type='text'>Carta Aberta à CNBB</title><content type='html'>João Pessoa, 09 de setembro de 2010&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao Sr. Núncio Apostólico no Brasil, Dom Lorenzo Baldisseri&lt;br /&gt;Ao Sr. Presidente da CNBB, Dom Geraldo Lyrio Rocha&lt;br /&gt;Ao Sr. Presidente do Regional Nordeste II da CNBB, Dom Antônio Muniz Fernandes&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aos membros das instâncias colegiadas da Arquidiocese da Paraíba&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Srs. Bispos, nossos Irmãos,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em carta aberta, nós, Leigos, Leigas, Religiosas, Religiosos, Diáconos e Presbíteros da Arquidiocese da Paraíba, abaixo-assinados, dirigimo-nos respeitosamente aos Srs. Responsáveis pelas diferentes instâncias eclesiais, inclusive as instâncias colegiadas da CNBB, da CNBB Nordeste II e da Arquidiocese da Paraíba, para externar-lhes nossas profundas inquietações em relação à situação comprometedora de nossa Arquidiocese, tendo em vista a já longa sequência de atos deploráveis REITERADAMENTE cometidos pelo Sr. Arcebispo da Paraíba, Dom Aldo di Cillo Pagotto, desde o primeiro ano de sua chegada a essa Arquidiocese (cf. documentos anexos), principalmente no tocante ao seu relacionamento sistematicamente desrespeitoso e preconceituoso em relação aos pobres, à maioria das pastorais sociais (que não apenas não têm contado com seu apoio, antes têm sido por ele hostilizadas). Atos dessa natureza se sucedem, sem qualquer sinal de mudança de atitude por parte de Dom Aldo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entendemos chegada a hora de apelarmos a quem tem o dever de se posicionar claramente sobre tal situação, que só tende a agravar-se, caso continue prevalecendo o silenciamento ou a omissão diante da lista considerável de atitudes de desdém ou de humilhação a tudo que diga respeito, por exemplo, às CEBs, à CPT, aos leigos, leigas, religiosas ou até a padres e outros grupos pastorais comprometidos com a causa dos pobres, com igual atitude em relação aos movimentos populares, constantemente agredidos por suas palavras e atos, tratando aos pobres com arrogância e desprezo, enquanto trata com privilégio os ricos e poderosos e seus respectivos interesses. Para tanto, não hesita em apelar, quando lhe convém, e de forma unilateral, aos rigores do Código de Direito Canônico, como o fez em relação à suspensão de ordens do Pe. Luiz Couto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seu mais recente ato de desrespeito e de preconceito contra os pobres e suas legítimas demandas se deu por meio da imprensa local – na qual aparece com uma freqüência pouco recomendável a um pastor de quem se espera discrição e prudência. Desta feita, numa atitude de afronta a um pleito legítimo e justo como é o Plebiscito pelo limite do tamanho da propriedade da terra, no Brasil, medida já tomada inclusive por diversos países, inclusive a Itália, bandeira amplamente consensual entre as organizações de base da sociedade brasileira (pleito assumido pela CNBB, pelo CONIC e mais de cinqüenta entidades e movimentos populares) e que tem fundamento na própria Doutrina Social da Igreja e nos Documentos da CNBB.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eis que, sem tomar em conta sequer os documentos que fundamentam a iniciativa, Dom Aldo Pagotto vai ao Correio da Paraíba, em coluna assinada pelo mesmo, em artigo publicado a dois dias do início do referido Plebiscito, e trata de questionar -já a partir do título capcioso de seu artigo “Limite à propriedade produtiva?”- a validade do Plebiscito, tecendo insinuações injuriosas- inclusive de roubo – contra os pobres e contra os movimentos populares. Não contente com a desfeita, volta à sua coluna semanal de Domingo, dia 5 de setembro, em pleno período de realização do referido Plebiscito, para reiterar sua posição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diante desses fatos graves, em que é o próprio pastor que se mantém intransigente em seu comportamento sistemático de semear o divisionismo em seu rebanho, vimos solicitar encarecidamente às diferentes instâncias eclesiais que os Srs. representam, a substituição do atual arcebispo, Dom Aldo Pagotto, convencidos que estamos, por fatos concretos de que ele não atende aos requisitos pastorais e pedagógicos de um pastor, no cuidado de seu rebanho.&lt;br /&gt;Confiantes em sua prudência pastoral, e aguardando seu pronunciamento e as providências urgentes que o caso requer, expressamos-lhes nossas saudações fraternas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alder Júlio Ferreira Calado – Diácono&lt;br /&gt;Elias Cândido do Nascimento – Leigo, Coordenador do MTC/NE-II&lt;br /&gt;Genaro Ieno – Ex-Agente de Pastoral Leigo&lt;br /&gt;Rolando Lazarte – Sociólogo, ex-professor da UFPB&lt;br /&gt;Lívia Lima Pinheiro – Leiga, ex-Membro da Equipe Exec. Setor Juvent.&lt;br /&gt;Romero Venâncio Júnior – Leigo, Professor Universitário&lt;br /&gt;Genielly Ribeiro da Assunção – Leiga&lt;br /&gt;José Brendan Macdonald – Leigo, Assessor na formação de jovens do meio popular&lt;br /&gt;Eduardo Côrtes Aranha – Leigo&lt;br /&gt;Antônio Alberto Pereira – Professor da UFPB&lt;br /&gt;Ricardo Brindeiro – Animador das Pastorais Sociais&lt;br /&gt;Arivaldo José Sezyshta – Coordenador do Serviço Pastoral dos Migrantes do Nordeste&lt;br /&gt;Maria Angelina de Oliveira – Ex-Coordenadora da JOC (nacional e internacional)&lt;br /&gt;José Gilson Silva Alves – Dirigente Sindical (SINTER – PB)&lt;br /&gt;Luiz Lima de Almeida – Dirigente Sindical (SINTR – PB)&lt;br /&gt;Renato Paulino Lanfranchi – Leigo, ativista de direitos humanos&lt;br /&gt;Raimundo Nonato de Queiroz – Educador de Jovens Cristãos&lt;br /&gt;Luciano Batista de Souza – Nós Também Somos Igreja&lt;br /&gt;Luciano de Sousa Silva – Professor da UFPB&lt;br /&gt;João da Cruz Fragoso – Leigo, membro do Grupo Nós Também Somos Igreja&lt;br /&gt;José Marcos Batista de Moraes – Assessor da Past. Juventude/ C.G&lt;br /&gt;Gilma Fernandes B. Madruga – Leiga, Educadora de Jovens Cristãos&lt;br /&gt;Samantha Pollyanna M. Pimentel – Leiga, Educadora de Jovens Cristãos&lt;br /&gt;Íris Charlene Lima de Abreu – Leiga, Educadora de Jovens Cristãos&lt;br /&gt;Janaína Brasileiro Formiga – Leiga, Educadora de Jovens Cristãos&lt;br /&gt;José Washington de Oliveira Castro Júnior – Leigo, Educador de Jovens Cristãos&lt;br /&gt;Magdala Cavalcanti de Melo – Leiga, membro do Grupo Nós Também Somos Igreja&lt;br /&gt;Valdênia Paulino Lanfranchi – Advogada de Direitos Humanos&lt;br /&gt;Pedro Ferreira de Lima – Diretor do SINTRICOM&lt;br /&gt;Luiz Muniz de Lima – Diretor do SINTRICOM&lt;br /&gt;Maria José Moura Araújo – Projeto Sal da Terra&lt;br /&gt;Erasmo França de Sousa – SINTRICOM&lt;br /&gt;Josiana da S. Ferreira – SINDTESP&lt;br /&gt;José Laurentino da Silva – SINTRICOM&lt;br /&gt;Ednalva Costa da Silva – SINTRICOM&lt;br /&gt;Rafaela Carneiro Cláudio – Leiga, Coord. Assembléia Popular&lt;br /&gt;Adenilton Felinto da Silva – Leigo – Educador Popular&lt;br /&gt;Rosa Lisboa – Leiga – Educadora Popular&lt;br /&gt;Gleyson Ricardo A. de Melo – Leigo, Assembléia Popular&lt;br /&gt;Dora Delfino – Leiga, Rede de Educadores do NE&lt;br /&gt;João Batista da Silva – Leigo&lt;br /&gt;José Santana – SINTRICOM&lt;br /&gt;Eulina Pereira Ferreira – Projeto Sal Terra&lt;br /&gt;Gilberto Paulino de Oliveira – CUT&lt;br /&gt;Edmilson da Silva Souza – Leigo&lt;br /&gt;Francisco D. H. dos Santos – Leigo&lt;br /&gt;Eliana Alda de F. Calado – Leiga&lt;br /&gt;Maria de Oliveira Ferreira Filha – Professora da UFPB&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5704503579441133124-5607330128050877627?l=kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com/feeds/5607330128050877627/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com/2010/09/carta-aberta-cnbb.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5704503579441133124/posts/default/5607330128050877627'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5704503579441133124/posts/default/5607330128050877627'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com/2010/09/carta-aberta-cnbb.html' title='Carta Aberta à CNBB'/><author><name>NóS TAMBÉM SOMOS IGREJA</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/_WEl_XV8J-QQ/Sc_ZA4N4RZI/AAAAAAAAAAM/W94cLwnoJjM/S220/Eu+e+Mel%C3%A2nia+nos+nossos+50+anos.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5704503579441133124.post-7772340517314400641</id><published>2010-09-11T02:50:00.000-07:00</published><updated>2010-09-11T02:52:07.685-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Paulo Freire'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Padre José Comblin'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Teologia da Libertação'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Teologia da Enxada'/><title type='text'>Educação popular e Teologia da enxada: Múltiplas incidências – Interlocução com Paulo Freire e José Comblin</title><content type='html'>Por Alder Julio Ferreira Calado em 11/09/2010&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As presentes notas resultam, principalmente, da tentativa de recuperar elementos axiais de uma entrevista dada ao Pastor Luciano Batista, com o objetivo de destacar afinidades e nuanças metodológicas observáveis entre as bases formativas que caracterizam a Educação Popular e a Teologia da Enxada, na formulação respectiva de Paulo Freire e José Comblin. Entrevista que, por dificuldades técnicas na lida com o aparelho registrador, não pôde ser transcrita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O propósito fundamental do entrevistador era de recolher nosso ponto de vista quanto às possíveis afinidades entre a metodologia proposta por Freire à Educação Popular e a metodologia característica da Teologia da Enxada, na formulação de José Comblin. Antes de me provocar, o entrevistador cuidou de contextualizar suas inquietações metodológicas, a partir de anotações suas acerca do pensamento de Carlos Rodrigues Brandão (sobretudo em seu conhecido livro O que é Método Paulo Freire (São Paulo: Brasiliense, 1981) e Moacir Gadotti.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No início da entrevista, tratei de destacar uma evidência: a íntima associação existente entre metodologia e visão de mundo. Algo, aliás, bem presente inclusive na obra e na vida tanto de Paulo Freire como de José Comblin.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com efeito, não há como dissociar método/metodologia de uma opção teórica. Esta é matriz daquela. Acham-se, ambas, organicamente vinculadas. Por exemplo, seria algo estranho a um(a) pesquisador(a) de orientação funcionalista recorrer a uma opção metodológica propiciada pela pesquisa participante. Para alguém com orientação positivista/conservadora soaria estranho, numa atividade de pesquisa, a própria idéia de compartilhar saberes. Em sua cabeça, há os que sabem (aí incluídos os pesquisadores acadêmicos) e os que são, no máximo, alvo ou objeto de saber ou de pesquisa. Posição diversa – aliás, antagônica – de algum(a) pesquisador(a) inspirado(a) numa proposta freireana/combliniana, para quem ninguém é dono exclusivo de saberes, do mesmo modo que não há quem tudo saiba ou quem tudo ignore. Somos todos aprendentes uns dos outros, e de nossa relação com o mundo, com a natureza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A partir desse registro preliminar, convém seguir buscando exercitar uma breve incursão analógica entre a proposta formativa da Educação Popular, na perspectiva freireana, e a proposta formativa da Teologia da Enxada, na perspectiva combliniana. Para tanto, partimos de uma sucinta explicitação dos conceitos aqui trabalhados de Educação Popular e de Teologia da Enxada. Em seguida, buscamos destacar suas principais características de natureza formativa, sem desconsiderarmos também suas nuanças de singularidade. Por fim, ensaiamos extrair suas principais contribuições ao enfrentamento dos desafios colocados pela atual realidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1. Ensaiando uma afinação conceitual&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sema por tratar-se de termos pouco comuns (a exemplo de “Teologia da Enxada”) ou portadores de múltiplos e, por vezes também controversos, sentidos (a exemplo de “Educação Popular”), parece-nos convenente e oportuno buscar explicitar, nessas notas, o sentido que estamos atribuindo aos termos “Educação Popular” e “Teologia da Enxada”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em relação à primeira, cabe reconhecer uma notável diversidade de concepões e conceitos, trabalhados em ambientes acadêmicos e outros. Com freqüência mais ampla, tem predominado o emprego do termo como correspondente a elementos do processo formativo ligados às camadas populares, as quais costumam aparecer como alvo ou destinatárias de políticas ou ações educativas – escolares ou não-formais. Trata-se habitualmente de iniciativas tomadas para ou, quando muito e de modo superficial, com os setores impropriamente chamados “carentes” (insinuando tratar-se de gente sem sorte, e por isso “necessitada da caridade alheia”, em vez de se tratá-los como são: injustiçados, destituídos dos seus direitos, o que configura outra coisa, como costuma insistir Ivandro da Costa Sales) das camadas populares. Por vezes, até parte das atividades é realizada com os destinatários. Em geral, trata-se de políticas sociais governamentais ou de atividades ou planos educativos elaborados/implementados por especialistas, com o propósito de serem aplicados a grupos ou comunidades do meio popular.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De nossa parte, entendemos que o emprego do termo só cabe nos casos em que os protagonistas da ação ou da política educativa são as próprias classes populares, participando de todos os momentos decisivos do mesmo processo – desde a concepção, o planejamento, a execução, a avaliação, etc., com a colaboração de seus aliados – sujeitos individuais ou coletivos que, mesmo não sendo membros originários das classes populares, são com estas efetivamente comprometidos: com seu horizonte, seus valores, com suas lutas, com sua caminhada. Na perspectiva gramsciana, parte significativa desses aliados atua como “intelectuais orgânicos” das classes populares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em outros textos, já tivemos ocasião de destacar algumas características próprias da Educação Popular, na perspectiva freireana. (cf. por ex., CALADO, 2008). Tivemos oportunidade de destacar, entre outras marcas: o protagonismo coletivo e individual, recurso a múltiplas linguagens, cultivo da memória histórica dos oprimidos, superação da dicotomia entre trabalho manual e trabalho intelectual, alternância de cargos e funções, reconhecimento e exercício da dimensão docente dos discentes e da dimensão discente dos docentes; desenvolvimento incessante da capacidade perceptiva dos protagonistas, cultivo da formação integral e contínua, exercício da utopia transformadora, exercício da mística revolucionária…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com relação à Teologia da Enxada, aqui empregamos o termo na acepção – correspondente a uma expressão mais nordestina da Teologia da Libertação enquanto expressão da “Igreja na Base” protagonizada por setores eclesiais tais como as Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), as Pequenas Comunidades de Religiosas Inseridas no Meio Popular (PCIs), o Centro de Estudos Bíblicos (CEBI), Pastorais Sociais como a Comissão de Pastoral da Terra (CPT), Comissão Indigenista Missionária (CIMI), a Pastoral de Juventude do Meio Popular (PJMP_, a Ação dos Cristãos no Meio Rural (ACR), entre outras, e que consiste numa experiência formativa de enraizamento no meio popular rural e urbano, numa perspectiva de compromisso com a causa de libertação popular.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde o final da década de 1960, a Teologia da Enxada, embalada pela profética irrupção da Conferência de Medellín (1968), vem ensaiando passos convincentes de uma experiência formativa de jovens do meio popular, caracterizada por elementos muito próximos dos traços componentes da Educação Popular, sem deixar de apresentar também seus traços de singularidade, que buscamos apontar, no item seguinte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Teologia da Enxada se apresenta, pois, como uma experiência formativa, de motivação político-teológica. Acompanhados e orientados por uma Equipe de formadores comprometidos com a causa dos pobres, os protagonistas da Teologia da Enxada, ensaiaram um processo formativo de caráter alternativo ao então dominante. Tratava-se de buscar uma formação de jovens missionários, não mais pela via clássica dos seminários teológicos, mas pela via de inserção no cotidiano de trabalhadores e trabalhadoras rurais, inicialmente, e, depois, também no meio das comunidades periféricas urbanas. Seu processo formativo se fazia por meio de um conjunto de práticas e procedimentos típicos, que se inspiram em princípios tais como: compromisso com as lutas de libertação dos pobres; inserção em sua cultura, buscando partir do cotidiano do povo, sua cultura, seus valores, seu trabalho, etc., animados por uma maior aproximação com os valores ecumênicos, fazendo Ecumenismo de base, evoluindo para uma fecunda diversificação de sua experiência inicial, desaguando numa multiplicidade de formas de vida, com uma unidade na diversidade, a partir da qual vão se formando experiências, seja dentro de uma opção mais contemplativa, seja uma opção de missionários e missionárias casados, seja a opção de vida como peregrinantes, e outras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A seguir, buscamos destacar os pontos comuns à Educação Popular e à Teologia da Enxada, no que concerne às suas respectivas caracaterísticas formativas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2. Pontos comuns e singulares das propostas formativas da Educação Popular e da Teologia da Enxada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem desconhecer-lhes as singularidades (das quais nos ocuparemos, no item seguinte), o quê de comum é possível assinalar entre essas duas propostas de formação, a Educação Popular e a Teologia da Enxada? Que interfaces e incidências mútuas podem ser observadas? Vejamos alguns elementos, buscando resumi-los, agrupando-os em três aspectos axiais: a) o horizonte; b) os caminhos; c) a postura dos/das caminheiros/as. Ao fazê-lo, cumpre-nos observar que os aspectos a seguir destacados se acham dinamicamente interpenetrados. Dificilmente pode-se remeter a um, sem que os demais estejam aí presentes, de alguma forma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a) Com relação ao horizonte&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um ponto de partida desse horizonte comum tem a ver com a convicção de que nós somos seres inacabados. Nascemos incompletos, chamados a ir nos completando, à medida que vamos nos tornando gente. A consciência desse limite é que faz uma grande diferença, na avaliação de Paulo Frire e de José Comblin, para mencionar apenas os dois autores referenciais de nossa incursão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com efeito, em distintos textos, um quanto o outro costumam lembrar essa nossa condição. De modo talvez mais explícito e mais freqüente, Freire retoma tal aspecto, em distintos textos seus. Somos seres inconclusos, inacabados. Mais e melhor: temos consciência de nosso inacabamento. Isso é recorrente em Freire. Quanto a José Comblin, ainda que tal aspecto não apareça com essa mesma formulação, com certeza tem uma incidência notável, à medida que insiste na nossa vocação a tornar-nos seres livres, constituindo-nos em povo, em sociedade, numa nova sociedade, alternativa à atualmente imperante, uma sociedade que permita a emergência de uma nova humanidade, livre das diversas opressões, justa, solidária, em harmonia com a mãe-natureza e solícita ao Espírito de Liberdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A natureza relacional dos seres humanos constitui, também, outro aspecto comum observável em ambas as propostas formativas. A consciência do inacabamento é o primeiro passo na busca em direção a uma participação efetiva no processo de humanização. Humanização do ser humano como um todo e de todos os seres humanos. E, justamente por ser uma luta em busca de humanização, trata-se de lutar, ao mesmo tempo, contra toda força de desumanização, sob qualquer de suas formas ou manifestações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É essa mesma consciência de inacabamento que leva os seres humanos a inserir-se num processo de busca de superação de seus limites, sendo um deles o deles o isolamento, donde o empenho pelo seu progressivo relacionamento com os demais seres, com o mundo, com a natureza, com o “Sopro vital” (José Hailton B. Lyra).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Freire e Comblin – cada qual em seu campo específico de pesquisa -, a dimensão relacional é uma condição essencial no processo de humanização. Tem a ver, inclusive, com a necessidade de entendimento e de busca da necessidade de se entender e de se querer como gente, como comunidade, como povo, como classe popular, sem que isso apague ou neutralize a dimensão individual ou deságüe numa experiência coletivista. Lutar pelo desenvolvimento de uma dessas dimensões implica necessariamente o desenvolvimento da outra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ambas as propostas se mostram comprometidas com um horizonte comum, ainda que palavras diferentes sejam por elas utilizadas, até por conta de suas abordagens específicas _(enquanto uma lida mais diretamente com o campo da Pedagogia, a outra situa-se mais diretamente no campo teológico).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um primeiro aspecto a destacar quanto a esse horizonte comum, tem a ver com a aposta de ambas na construção de uma nova sociedade, alternativa ao modelo atual. Seus protagonistas – de um lado e de outro – se acham convencidos de que o atual modelo capitalista de organização social – o Capitalismo – não condiz com as aspirações mais generosas do gênero humano, de modo a corresponder satisfatoriamente com às necessidades fundamentais e às aspirações gerais do conjunto dos membros da sociedade. Por definição, o sistema capitalista atende aos interesses materiais fundamentais de uma pequena minoria. E, assim mesmo, à custa da exploração e da marginalização de amplas maiorias da mesma sociedade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na formulação freireana, por exemplo, é recorrente o termo “Utopia”, a designar esse horizonte de transformação social. Em José Comblin, o mesmo sentido (não tanto o mesmo termo) aparece em vários textos, em especial em sua relevante contribuição aos estudos da missão do Espírito Santo no mundo. Aqui, esse horizonte utópico aparece como um futuro que é construído já agora, no presente. Em Tempo da Ação, por exemplo, nossas ações lebertadoras do presentes se acham grávidas desse futuro em incessante construção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;b) Ensaiando caminhos comuns&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro ponto comum característico de ambas as propostas formativas em apreço, tem a ver os caminhos perseguidos. Na Teologia da Enxada, o horizonte de liberdade que os protagonistas desejam alcançar só se faz possível por caminhos igualmente de liberdade. Não é possível alcançar uma nova sociedade, uma nova humanidade que se queira livre e solidária, por meio de caminhos autoritários e individualistas. O mesmo entendimento se dá por parte da Educação Popular, na perspectiva freireana. Desde a Pedagogia do Oprimido a Pedagogia da Autonomia, passando por Educação como Prática da Liberdade, Extensão ou Comunicação?, Ação Cultural para a Liberdade, Pedagogia da Esperança e outros, sem falar em seu próprio legado existencial, Freire não concebe a busca de uma nova sociedade, alternativa ao sistema hegemônico, que também não se faça por caminhos que se contraponham igualmente aos do modelo vigente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daí resulta, também, o investimento decisivo, por parte de ambas as propostas formativas, em estratégias de ação, procedimentos e atitudes concretas, numa e noutra conhecidas por conceitos e princípios tais como:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- o critério da “Práxis”: a efetiva busca de construção do horizonte almejado não se avalia tanto pelo que dizemos, mas, fundamentalmente, pelo que andamos fazendo, no presente. Nos critérios dominantes, e assimilados e reproduzidos pelos mais diversos espaços sociais (família, escola, igrejas, sindicatos, partidos…), prevalece a tendência de se confiar no discurso, nas declarações, na boa lábia. O resultado é um desastre: um abismo enorme entre o que se afirma de boca para fora e o concreto do dia-a-dia. Nas propostas formativas de que nos ocupamos, além de insuficiente, é profunamente enganoso avaliar nossas vidas e as dos outros pela magia do discurso. Importa fazê-lo pelas práticas concretas do dia-a-dia;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- contínuo esforço de superação da dicotomia entre trabalho manual e trabalho intelectual – Prevalece entre nós a tendência, herdada desde o processo de colonização, de superestimação das atividades intelectuais (inclusive de administração, comando, chefia), em detrimento das atividades manuais (das tarefas caseiras ao trabalho na roça e na fábrica). Ambas as propostas formativas de que nos ocupamos, supõem o envolvimento de todos em todas as tarefas, sejam elas de caráter administrativo, sejam elas de caráter manual. Todos devemos cuidar de tudo, cada um a seu tempo, em rodízio;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- recorrer à sabedoria acumulada pela humanidade, em todos os tempos e espaços, o que se concretiza pelo exercício da memória histórica. Tanto a Educação Popular quanto a Teologia da Enxada cultivam um apreço todo especial ao exercício da memória histórica dos povos e de suas lutas, de suas conquistas e de suas derrotas. Aprende-se com a história, não para repeti-la ou copiá-la, mas para refazê-la;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- outro procedimento que se tem revelado fecundo, é o estímulo ao aprimoramento incessante da capacidade perceptiva: incentivar os jovens e todos os protagonistas do processo formativo a verem, a ouvirem, a sentirem mais e melhor o que se passa na realidade; a estarem antenados aos sinais dos tempos, aos acontecimentos e situações que nos rodeiam, e a buscarem extrair ensinamentos. Aqui também se inclui o fecundo hábito de se fazer análise de conjuntura;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- o cultivo do rodízio ou da alternância de tarefas, cargos e funções, o que se traduz pelo cuidado de não se permitir que as mesmas pessoas sigam por muito tempo a desempenhar as mesmas funções. Em vez, disso, importa que se criem condições que favoreçam o rodízio de tarefas e funções, de modo que se favoreça a quem está na base a realizar trabalhos de administração, e a quem tenha cumprido tarefas administrativas volte aos trabalhos de base;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- com o propósito de assegurar a todos os participantes – parte dos quais com pouca escolaridade – as condições de mútuo entendimento, promove-se o recurso a múltiplas linguagens (imagens, desenhos, poesia, teatro, jogral, cordel, etc.). Além disso, insiste-se na clareza e objetividade por parte de quem fala ou escreve, no sentido de garantir o entendimento de sues interlocutores, eviatando-se assim o que Comblin, por exemplo, avalia como uma prática excludente;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- promover condições favoráveis a que os protagonistas descubram seus talentos e potencialidades, bem como tomem consciência de seus limites, não numa perspectiva de auto-inibição ou bloqueio, mas numa perspectiva crítico-propositiva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- incentivar um aprendizado em mutirão e com capacidade criativa, o que implica trabalho em equipe e vigilância em relação à tendência ao estrelismo individual, em vez do exercício do protagonismo de todos;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- estimular o exercício contínuo de uma mística libertadora, isto é, permitir aos protagonistas ocasião contínua de renovação de seus compromissos com a causa libertadora dos oprimidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;c) Qual postura de protagonista?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda, dentro dos aspectos axiais de afinidade entre Educação Popular e Teologia da Enxada, sob a ótica aqui trabalhada, convém pôr em relevo um outro elemento, este de caráter mais pessoal. Parte-se da convicção de que, além da busca de adequar os caminhos percorridos ao horizonte almejado, importa, não menos, investir no cuidado com a postura pessoal do protagonista no processo formativo. Não basta apenas trilhar os caminhos coletivamente percorridos pelo conjunto dos participantes. Importa também zelar pelo jeito pessoal de caminhar nesse mutirão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem qualquer propósito de idealização ou de pretensão perfeccionista, talvez valha ter-se como referência um perfil de caminhante de protagonista que se aproxime dos demais elementos dessas duas propostas formativas, de modo relativamente coerente e orgânico. Ensaiemos, então, alguns traços de semelhante perfil:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- a participante ou o participante de uma caminhada formativa como a acima esboçada apresenta-se como alguém insatisfeito com as condições sócio-históricas dominantes, seja do ponto de vista da concentração de riquezas e de renda, seja do ponto de vista do exercício do poder, seja ainda quanto à grade de valores hegemônica;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- é alguém que vai se convencendo de que a formação que pretende seguir, é uma ferramenta importante na direção de superação progressiva da realidade atual;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- é alguém que sabe que, sozinho, ninguém será capaz de vencer os obstáculos para a sua realização como pessoa humana;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- é alguém que, ao entrar nesse processo, vai cuidando de constuir sua identidade (sempre em processo), buscando lidar, cada vez melhor, com a diversidade de seus parceiros de camihada, aprendendo a respeitar e a dialogar com as diferenças, delas colhendo ensinamentos para a sua própria formação;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- é alguém que, pouco a pouco, à medida que vai compreendendo o caráter e a metodologia da proposta formativa, vai apresentando sinais convincentes de mudança de atitude: não se trata de assimilar bem os conteúdos aprendidos, mas de dar testemunho concreto pelo seu novo modo de vida e de se portar na caminhada, nos mais diferentes momentos;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- é alguém que vai se apaixonando cada vez mais pelos pobres e oprimidos, não como quem deles tem dó ou esboça um sentimento paternalista/assistencialista, mas como quem se compromete a ajudá-los a se transformarem em sujeitos de sua própria história, empunhando suas bandeiras de luta, e fazendo-se participantes nas distintas trincheiras de enfrentamento;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- é alguém que não se contenta com os momentos formativos em grupo, mas que vai além dos mesmos, assumindo o compromisso de investir incessantemente em sua formação, indo atrás de materiais, compartilhando leituras, antenando-se em fontes alternativas de informação e de formação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É bastante vasto o leque de atitudes a destacar, quanto ao que deveria ser o perfil médio de quem se decida a entrar em tal processo formativo. Aqui nos limitamos a esboçar, de leve, alguns pontos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3. Singularidades de cada uma&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como havíamos prevenido, a despeito de seus muitos pontos comuns e afins, a Educação Popular e a Teologia da Enxada também apresenta suas singularidades, das quais passamos a destacar algumas que nos parecem mais significativas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Educação Popular constitui um amplo espaço formativo que abriga movimentos sociais populares, experiências comunitárias as mais distintas, do ponto de vista dos perfis de seus protagonistas. A Teologia da Enxada, por sua vez, se apresenta como um espaço formativo dos movimentos sociais populares e comunitários, cuja grade de valores se orienta dominantemente por uma motivação de fé.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ambas lidam com discursos distintos, ainda que complementares. Enquanto a Educação Popular se faz dentro de uma lógica mais característica das ciências sociais, a Teologia da Enxada, como já sugere o próprio nome, é, antes, tecida por um discurso específico, o do campo teológico. Entre ambas se passa algo semelhante ao que se passa, por exemplo, entre os movimentos soiciais populares e a Teologia da Libertação. Discursos específicos que, entretanto, se complementam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por exemplo, no caso da Teologia da Libertação, seus liames tornam-se mais orgânicos com os dos movimentos sociais populares se davam mais diretamente, em parte, tanto em sue primeiro momento – a chamada mediação sócio analítica (correspondendo ao “Ver”, da fecunda metodologia da Ação Católica -, quanto no momento da mediação político-pastoral, correspondente ao “Agir” da Ação Católica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda há outros pontos de singularidade. É o ocorre a diferentes termos por ambas utilizados, às vezes até para designar os mesmos fenômenos da realidade social. É assim que, enquanto no terreno da Educação Popular, fala-se mais frequentemente em “classes populares”, no campo da Teologia da Enxada, o mesmo sujeito coletivo é comumente chamado “povo”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Considerações adicionais&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tratamos de ensaiar um breve exercício de analogia entre Educação Popular e Teologia da Enxada, seja quanto às respectivas abordagens teóricas, seja quanto às respectivas balizas metodológicas, sem deixar de assinalar igualmente suas singularidades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao cabo desse breve exercício, convém destacar notáveis afinidides entre ambas, principalmente com relação à sua visão de mundo, aos objetivos comuns quanto à luta por transformação social e à aposta no mesmo sujeito coletivo, tomado como principal protagonista de mudança social: as classes populares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse sentido, foram apontados vários elementos comuns em e por ambas trabalhados, tais como os princípios de inconclusão do ser humano, de seu caráter relacional, por força do qual o mesmo sujeito coletivo ensaia passos de sua libertação histórica, bem como sua aposta no protagonismo dos formandos na luta por seu desenvolvimento integral e por sua libertação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além de afinidades de caráter teórico, foram também apontadas afinidades quanto aos caminhos percorridos por ambas, sempre sem deixar de reconhecer suas singularidades, já que, enquanto uma (a Educação Popular) milita mais diretamente no campo das ciências sociais, a Teologia da Enxada trabalha a realidade social com ferramentas de caráter mais propriamente teológicos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;João Pessoa, 10 de novembro de 2009&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5704503579441133124-7772340517314400641?l=kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com/feeds/7772340517314400641/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com/2010/09/educacao-popular-e-teologia-da-enxada.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5704503579441133124/posts/default/7772340517314400641'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5704503579441133124/posts/default/7772340517314400641'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com/2010/09/educacao-popular-e-teologia-da-enxada.html' title='Educação popular e Teologia da enxada: Múltiplas incidências – Interlocução com Paulo Freire e José Comblin'/><author><name>NóS TAMBÉM SOMOS IGREJA</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/_WEl_XV8J-QQ/Sc_ZA4N4RZI/AAAAAAAAAAM/W94cLwnoJjM/S220/Eu+e+Mel%C3%A2nia+nos+nossos+50+anos.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5704503579441133124.post-6103779241572898439</id><published>2010-08-30T18:09:00.000-07:00</published><updated>2010-08-31T07:24:38.890-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Pastorais Sociais'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Plebiscito pela limitação da propriedade agrária'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Assembléia Popular/PB'/><title type='text'>VIRANDO AS COSTAS À CNBB, O ARCEBISPO DA PARAÍBA APOSTA CONTRA O PLEBISCITO E O GRITO DOS EXCLUÍDOS</title><content type='html'>À Sociedade da Paraíba, à CNBB, ao CONIC e às organizações que patrocinam e organizam o Plebiscito sobre o limite de propriedade da terra e o Grito dos Excluídos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Assembléia Popular/PB&lt;/span&gt;, as &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Pastorais Sociais&lt;/span&gt;, os &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Movimentos Populares&lt;/span&gt; do Campo e da Cidade e as muitas organizações que, em consonância com as iniciativas assumidas pela CNBB, pelo CONIC e mais de cinqüenta outras entidades da sociedade, de conclamar o Povo brasileiro a participar ativamente do Plebiscito sobre o limite da propriedade da terra, bem como do 16º Grito dos Excluídos e Excluídas, durante a semana de 1º a 7 de setembro vindouro, vêm a público mais uma vez protestar contra as atitudes recorrentes do Arcebispo da Paraíba, Dom Aldo Pagotto, que, em desacordo com as orientações pastorais da própria CNBB, vem criticando e desestimulando as iniciativas que visem a promover a justiça social, a dignidade e a organização do Povo dos Pobres, os Trabalhadores e Trabalhadoras do campo e das periferias urbanas, as CEBs, a grande maioria das Pastorais Sociais e até padres comprometidos com a causa dos pobres, ao mesmo tempo em que não perde oportunidade para abençoar e defender os interesses dos poderosos, como o fez ainda recentemente, por meio do jornal &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Correio da Paraíba&lt;/span&gt;, em coluna por ele assinada, na qual, ao questionar, desde o título capcioso de seu artigo, o tema do Plebiscito, faz insinuações pejorativas (inclusive de roubo) em relação aos movimentos populares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é a primeira nem a segunda vez que os pobres da Igreja Católica da Paraíba se sentem agredidos por quem tem o dever de ser seu pastor. Há um leque de intervenções agressivas e preconceituosas de Dom Aldo Pagotto contra pessoas e grupos que defendem a causa dos pobres. Ele não apóia o Grito dos Excluídos, desacatando as orientações da CNBB e das próprias dioceses da Paraíba. O Grito aqui é realizado contra a sua vontade. Assim agindo, Dom Aldo Pagotto não apenas desrespeita (até aqui impunemente) as orientações pastorais da CNBB, como sobretudo a pedagogia de Jesus, a cujo Seguimento ele jurou ser fiel, quando, ao ser ordenado bispo, respondeu positivamente à pergunta: “A exemplo do bom Pastor, queres ir buscar de volta ao rebanho do Senhor as ovelhas desgarradas?” Até porque cabe ao bispo mais do que ser chefe (“praeesse”), pôr-se a serviço dos mais necessitados (“prodesse”). (cf. Rito de Ordenação Episcopal).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao tempo em que trazermos a público nosso protesto, vimos solicitar à CNBB, por meio de suas instâncias competentes, que trate de advertir o Arcebispo da Paraíba com relação às suas manifestas atitudes de descumprimento de sua função de pastor, cuja missão é de reunir o rebanho, não a de espalhar a cizânia, como vem fazendo contra os pobres, na Paraíba. João Pessoa, 31 de agosto de 2010.-&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;ASSEMBLÉIA POPULAR – CUT/PB – MST – CPT – MPA – MAB – COMUNIDADES QUILOMBOLAS – SINTER – MTC – RECID – REMAR – DCE/UFPB – CEDHOR – SPM – MTD – SAL DA TERRA – MTD –MMM – AMAZONAS – CEBs – STIPDASE – APAN – FPDTAPNE- SINDICATO DOS TRABLADORES DA LIMPEZA PÚBLICA – ESCOLA ZÉ PEÃO – RECID – REMAR – NÓS TAMBÉM SOMOS IGREJA&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5704503579441133124-6103779241572898439?l=kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com/feeds/6103779241572898439/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com/2010/08/virando-as-costas-cnbb-o-arcebispo-da.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5704503579441133124/posts/default/6103779241572898439'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5704503579441133124/posts/default/6103779241572898439'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com/2010/08/virando-as-costas-cnbb-o-arcebispo-da.html' title='VIRANDO AS COSTAS À CNBB, O ARCEBISPO DA PARAÍBA APOSTA CONTRA O PLEBISCITO E O GRITO DOS EXCLUÍDOS'/><author><name>NóS TAMBÉM SOMOS IGREJA</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/_WEl_XV8J-QQ/Sc_ZA4N4RZI/AAAAAAAAAAM/W94cLwnoJjM/S220/Eu+e+Mel%C3%A2nia+nos+nossos+50+anos.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5704503579441133124.post-2439995079982403091</id><published>2010-06-19T13:16:00.000-07:00</published><updated>2010-06-19T13:24:26.673-07:00</updated><title type='text'>O Planeta e os pequenos pagam a conta / Quando os grandes prosperam e fazem a festa, por Alder Júlio Ferreira Calado</title><content type='html'>Tombam as matas, a terra está deserta&lt;br /&gt;E a madeira de lei pra onde vai?&lt;br /&gt;“Tanta gente sem terra!” – exclama um pai&lt;br /&gt;“Tanta terra sem gente ” - um outro alerta&lt;br /&gt;“Só queremos justiça, não oferta!”&lt;br /&gt;Na história saída, então, nos resta&lt;br /&gt;Mesmo à custa de luta indigesta&lt;br /&gt;Uma pista certeira nos aponta&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;O Planeta e os pequenos pagam a conta&lt;br /&gt;Quando os grandes prosperam e fazem a festa...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ferem a terra, e a deixam esburacada&lt;br /&gt;Em jornada tão longa, quase eterna&lt;br /&gt;Com o sim serviçal de quem governa&lt;br /&gt;O que ganham, porém, é quase nada&lt;br /&gt;Empreiteiras enricam na roubada&lt;br /&gt;Ferro, ouro, petróleo extraem desta&lt;br /&gt;Só doença aos pequenos é o que resta&lt;br /&gt;Com penúria o pobre se defronta&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;O Planeta os pequenos pagam a conta&lt;br /&gt;Quando os grandes prosperam e fazem a festa...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da saúde do rio o que se diz?&lt;br /&gt;Que está afracando sempre mais&lt;br /&gt;Poluído, seu peixe já não traz&lt;br /&gt;Bem conhecem esse mal pela raiz&lt;br /&gt;Os que vivem do rio ora infeliz&lt;br /&gt;Se o envenenam, sua água pra que presta?&lt;br /&gt;Natureza ofendida, então, desconta...&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;O Planeta e os pequenos pagam a conta&lt;br /&gt;Quando os grandes prosperam e fazem a festa...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanta fé no Pré-sal já se alimenta!&lt;br /&gt;Põe-se nele “a” saída pro Brasil&lt;br /&gt;“Ele vai resolver problemas mil”...&lt;br /&gt;“Da pobreza, a Nação será isenta”...&lt;br /&gt;Propaganda enganosa se fomenta&lt;br /&gt;Muito rico é o País – ninguém contesta&lt;br /&gt;Quanto às massas, têm vida bem funesta&lt;br /&gt;A bem poucos riqueza só desponta&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;O Planeta e os pequenos pagam a conta&lt;br /&gt;Quando os grandes prosperam e fazem a festa...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do Pré-sal se promete em vão partilha&lt;br /&gt;Propaganda custosa tem lugar&lt;br /&gt;Parlamento e Governo a divulgar&lt;br /&gt;Que pra todos, enfim, a coisa brilha&lt;br /&gt;- Qual padastro falante engana o filhos –&lt;br /&gt;Por que, então, confiar que a coisa presta&lt;br /&gt;Se a partilha do bolo é desonesta?&lt;br /&gt;Ri de nós, o inimigo, e nos afronta&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;O Planeta e os pequenos pagam a conta&lt;br /&gt;Quando os grandes prosperam e e fazem a festa...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vejam o caso da tal Transposição:&lt;br /&gt;Velho Chico agoniza – e tempo faz!&lt;br /&gt;Os que vivem à sua margem não têm paz&lt;br /&gt;Há meio século, e seu grito é em vão&lt;br /&gt;Trinta e cinco por cento da vazão&lt;br /&gt;E o que diz quem da nave está à testa?&lt;br /&gt;Só às multi o Governo atenção presta&lt;br /&gt;E nos pobres o hidro-fúndio monta&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;O Planeta e os pequenos pagam a conta&lt;br /&gt;Quando os grandes prosperam e fazem a festa...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não à-toa se apega a burguesia&lt;br /&gt;Apoiada no Estado serviçal&lt;br /&gt;A projetos gigantes como tal&lt;br /&gt;Não se importa se o erário se esvazia&lt;br /&gt;Ou que sobre pro Povo essa sangria&lt;br /&gt;Pois a este, migalha é o que resta&lt;br /&gt;O filé vai pra gente desonesta&lt;br /&gt;Num modelo que a Terra e o Homem afronta&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;O Planeta e os pequenos pagam a conta&lt;br /&gt;Quando os grades prosperam e a fazem a festa...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Campina Grande, 18 de junho de 2010&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em solidariedade às Pessoas Atingidas por barragens e pela Transposição, e em homenagem a Frei Luiz Flávio Cappio&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5704503579441133124-2439995079982403091?l=kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com/feeds/2439995079982403091/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com/2010/06/o-planeta-e-os-pequenos-pagam-conta.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5704503579441133124/posts/default/2439995079982403091'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5704503579441133124/posts/default/2439995079982403091'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com/2010/06/o-planeta-e-os-pequenos-pagam-conta.html' title='O Planeta e os pequenos pagam a conta / Quando os grandes prosperam e fazem a festa, por Alder Júlio Ferreira Calado'/><author><name>NóS TAMBÉM SOMOS IGREJA</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/_WEl_XV8J-QQ/Sc_ZA4N4RZI/AAAAAAAAAAM/W94cLwnoJjM/S220/Eu+e+Mel%C3%A2nia+nos+nossos+50+anos.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5704503579441133124.post-2397103937777289978</id><published>2010-06-15T07:09:00.000-07:00</published><updated>2010-06-15T07:11:25.121-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Religião'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Pobreza'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Teologia da Libertação'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Brasil'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vida de Jesus'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Religiosidade'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cotidiano'/><title type='text'>A pobreza de Jesus Cristo, pelo Pastor Osmar Ludovico da Silva</title><content type='html'>Ele nasceu numa estrebaria de uma aldeia obscura, na periferia do império romano. Era filho de gente muito humilde e seu berço foi um caixote que se usava para dar de comer aos animais. Quando seus pais o apresentaram a Deus no Templo de Jerusalém, sua oferta se reduziu a duas pombinhas, oferta estipulada pela lei mosaica em tais ocasiões para pessoas sem recursos. Com seus pais, deixou seu lar e viveu como refugiado em terra estrangeira por causa de um decreto imperial que mandava matar todas as crianças com menos de três anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele foi criado em outra aldeia na casa de um carpinteiro e, quando adulto, chegou a afirmar que não tinha onde recostar a cabeça. Quando completou trinta anos tornou-se um pregador itinerante viajando pelo país com seus doze discípulos. Foi, então, falsamente acusado e inocentemente condenado. Seus amigos o abandonaram. Depois de torturado, foi crucificado entre dois ladrões. Quando morreu, aos trinta e três anos, foi sepultado em um túmulo que um amigo bondoso emprestou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jesus Cristo foi pobre, mas sua pobreza foi algo que ele assumiu voluntariamente, movido pelo seu amor. Ele era rico, mas fez-se pobre, numa expressão concreta de sua identificação com a humanidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É tempo dos cristãos dos grandes centros urbanos se arrependerem de usar Deus para satisfazerem sua ambição material. E aprenderem a viver com simplicidade e generosidade, ajudando aqueles que não têm para a subsistência diária.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ouvimos muita gente dando testemunho que tinham um carro velho e agora tem dois novos, tinham uma casa pequena e agora tem duas grandes, que ganhavam um tanto, mas agora ganham três vezes mais. Aceitaram a Cristo, aderiram a tal igreja e prosperaram materialmente. Nunca ouvi alguém dando testemunho que se converteu e decidiu dar uma parte de seus bens para os pobres e para missões.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Cristãos urbanos de classe média estão imersos numa estrutura consumista, alienados da realidade do sofrimento de milhares de brasileiros. Pensam em si e no que é seu e confundem Deus o Pai de Jesus Cristo com Mamon, o deus dinheiro, o pai de todos os males (I Tm 6.10). Mamon não é uma potestade, promete paz, tranqüilidade, vida feliz e alegria e, portanto, compete com Deus. Muitos acham que estão confiando em Deus, mas, no entanto, confiam em Mamon (Mt 6.24).&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;A sociedade de consumo nos condiciona e nos leva a desejar possuir cada vez mais coisas, convencendo-nos que tendo mais seremos mais. Um mundo que pensa e age somente em termos materiais acabou contaminando o povo de Deus. E igrejas anunciam conforto material ilimitado para aqueles que aderirem e trouxerem sua contribuição. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acabamos todos preocupados com a vida material, amarrados em contas, crediários, consumo de supérfluos, símbolos de status, dominados pela ambição de ter mais, sempre insatisfeitos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jesus Cristo na sua pobreza voluntária nos liberta dos condicionamentos da sociedade de consumo, e nos torna dispostos a confiar a ele toda a nossa vida, dons, talentos, recursos e tempo para servir com alegria o nosso próximo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O verdadeiro conhecimento de Deus gera santidade e serviço, e o verdadeiro conhecimento de si gera quebrantamento e humildade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estas são as virtudes que a Igreja mais carece nestes dias: santidade, serviço, quebrantamento e humildade. Portanto, tenhamos discernimento, pois há uma outra teologia por ai que ao invés de santidade gera negócios escusos, ao invés de serviço gera egoísmo, ao invés de quebrantamento gera farisaísmo, ao invés de humildade gera busca pelo poder. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhemos por um momento para a vida de Jesus de Nazaré em quem cremos. Ele abriu mão de seus direitos e privilégios, esvaziou-se de sua divindade, por amor a nós fez-se homem, veio para servir e não para ser servido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não há nada de errado em buscar as bênçãos de Deus e uma vida material digna. Errado é acumular sem repartir. Sodoma e Gomorra, contrariamente ao que muita gente pensa, não foram destruídas pela sua promiscuidade sexual, mas sim por que acumularam riquezas e não repartiram: “Eis que esta foi a iniqüidade de Sodoma, tua irmã: soberba,  fartura de pão e próspera tranqüilidade teve ela e suas filhas, mas nunca amparou o pobre e necessitado”. Ez 16.49&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que o Senhor tenha misericórdia de nós, que o Senhor tenha misericórdia de sua Igreja, que o Senhor tenha misericórdia do Brasil. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;http://www.consciencia.net/a-pobreza-de-jesus-cristo/&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5704503579441133124-2397103937777289978?l=kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com/feeds/2397103937777289978/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com/2010/06/pobreza-de-jesus-cristo-pelo-pastor.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5704503579441133124/posts/default/2397103937777289978'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5704503579441133124/posts/default/2397103937777289978'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com/2010/06/pobreza-de-jesus-cristo-pelo-pastor.html' title='A pobreza de Jesus Cristo, pelo Pastor Osmar Ludovico da Silva'/><author><name>NóS TAMBÉM SOMOS IGREJA</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/_WEl_XV8J-QQ/Sc_ZA4N4RZI/AAAAAAAAAAM/W94cLwnoJjM/S220/Eu+e+Mel%C3%A2nia+nos+nossos+50+anos.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5704503579441133124.post-2193963853507226972</id><published>2010-06-11T14:30:00.000-07:00</published><updated>2010-06-11T14:49:02.493-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Espírito Santo'/><title type='text'>Espírito Santo - Apótegmas, pelo Pastor Osmar Ludovico da Silva</title><content type='html'>Sem o Espírito Santo &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Deus&lt;/span&gt; se fragmenta, com o Espírito é Trindade Santa, eterna comunhão do Pai, do Filho e do Espírito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem o Espírito Santo &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Deus&lt;/span&gt; é uma força impessoal e distante, com o Espírito é Pai com muitas coisas de mãe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem o Espírito Santo &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Jesus Cristo&lt;/span&gt; permanece no passado, mas com o Espírito Cristo ressuscitado se torna presente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem o Espírito Santo o &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Pentecostes&lt;/span&gt; é euforia e excitação, com o Espírito gera o fruto para santificação e os dons para o ministério.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem o Espírito Santo a &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Bíblia&lt;/span&gt; é letra morta, com o Espírito faz-se fonte de vida e de poder.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem o Espírito Santo o &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;conhecimento bíblico&lt;/span&gt; é só cultura com o Espírito Santo gera humildade, serviço, reverência e santidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem o Espírito Santo a &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Igreja&lt;/span&gt; é um empreendimento religioso, com o Espírito torna-se a comunhão do povo de Deus em missão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem o Espírito Santo o &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;culto&lt;/span&gt; é animação de auditório, mas no Espírito se faz uma celebração comunitária para a glória de Deus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem o Espírito Santo a &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;pregação&lt;/span&gt; é técnica para motivar pessoas, com o Espírito se torna o anúncio que Jesus Cristo veio salvar, perdoar e transformar o pecador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem o Espírito Santo o &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;louvor&lt;/span&gt; é cantoria, mas no Espírito é adoração reverente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem o Espírito Santo o &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;pastoreio&lt;/span&gt; é uma técnica para motivar, com o Espírito é cuidado, edificação e cura de pessoas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem o Espírito Santo &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;liderança&lt;/span&gt; significa o exercício do poder religioso, com o Espírito torna-se serviço desinteressado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem o Espírito Santo o &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;ministério&lt;/span&gt; é contar cabeças, com o Espírito Santo lavamos os pés uns dos outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem o Espírito Santo os &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;pastores&lt;/span&gt; competem entre si, com o Espírito Santo se tornam companheiros de ministério.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem o Espírito Santo &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;fazemos discípulos&lt;/span&gt; de nós mesmos, com o Espírito Santo formamos discípulos de Cristo através da amizade e do exemplo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem o Espírito Santo &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;evangelização&lt;/span&gt; é marketing religioso, com o Espírito é o poder de Deus para salvar e transformar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem o Espírito Santo amamos o &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;dinheiro&lt;/span&gt;, consumimos, acumulamos, usamos mal. Com o Espírito nos tornamos generosos, simples e abençoamos outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem o Espírito Santo &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;dízimos e ofertas&lt;/span&gt; alimentam projetos pessoais megalomaníacos, com o Espírito levam o Evangelho a regiões não alcançadas e dignidade ao pobre e necessitado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem o Espírito Santo a &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;oração&lt;/span&gt; busca o poder e o conforto, com Espírito Santo torna-se em coração derramado na presença de Deus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem o Espírito Santo nossas &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;orações&lt;/span&gt; são só pedidos, com o Espírito se tornam ações de graças, consagração e amizade com Deus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem o Espírito Santo a &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;profecia&lt;/span&gt; manipula pessoas, com o Espírito, exorta, consola e edifica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem o Espírito Santo a &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;teologia&lt;/span&gt; é fria e irrelevante, com o Espírito Santo ela conduz à verdade que liberta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem o Espírito Santo &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;seminários teológicos&lt;/span&gt; são acadêmicos e técnicos, com Espírito Santo tornam-se escolas de profetas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem o Espírito Santo santificação é iniqüidade travestida de piedade religiosa, com o Espírito é resistir ao pecado e promover a virtude.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem o Espírito Santo a &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;vida cristã&lt;/span&gt; é um conjunto de leis e de regras, com o Espírito é fé, esperança e amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem o Espírito Santo o &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;cristianismo&lt;/span&gt; se torna um discurso explicativo e persuasivo, com o Espírito Santo a vida de Cristo se manifesta através dos nossos gestos e palavras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem o Espírito nosso &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;coração&lt;/span&gt; é seco e árido, com o Espírito Santo surge um rio de águas vivas que o torna um jardim regado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem o Espírito os &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;cristãos&lt;/span&gt; são orgulhosos e nominais, com o Espírito se tornam humildes e compromissados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem o Espírito Santo nossa &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;alegria&lt;/span&gt; é efêmera e circunstancial, com o Espírito há um contentamento que brota do coração e que permeia toda a existência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem o Espírito Santo nosso &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;coração&lt;/span&gt; é sedento de transcendência e significado, com o Espírito Santo toda nossa sede é saciada por um rio de águas vivas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem o Espírito Santo nos tornamos&lt;span style="font-weight:bold;"&gt; juízes&lt;/span&gt; implacáveis, com o Espírito percebemos que não somos melhores que ninguém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem o Espírito Santo o &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;tempo&lt;/span&gt; é correria e produtividade, com o Espírito o tempo é encontro e realização.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem o Espírito o &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;quotidiano&lt;/span&gt; é agitação e ansiedade, com o Espírito nosso coração é preenchido com a paz e a alegria do Senhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem o Espírito nossa &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;vida conjugal&lt;/span&gt; se torna rotineira e conflitiva, com o Espírito nosso amor e fidelidade são renovados dia a dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem o Espírito a &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;morte&lt;/span&gt; é um final apavorante, com o Espírito é um sono necessário para despertarmos para vida eterna com Deus.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5704503579441133124-2193963853507226972?l=kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com/feeds/2193963853507226972/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com/2010/06/espirito-santo-apotegmas.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5704503579441133124/posts/default/2193963853507226972'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5704503579441133124/posts/default/2193963853507226972'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com/2010/06/espirito-santo-apotegmas.html' title='Espírito Santo - Apótegmas, pelo Pastor Osmar Ludovico da Silva'/><author><name>NóS TAMBÉM SOMOS IGREJA</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/_WEl_XV8J-QQ/Sc_ZA4N4RZI/AAAAAAAAAAM/W94cLwnoJjM/S220/Eu+e+Mel%C3%A2nia+nos+nossos+50+anos.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5704503579441133124.post-4210417627057768123</id><published>2010-05-16T12:46:00.000-07:00</published><updated>2010-05-16T12:47:03.596-07:00</updated><title type='text'>Mensagem às CEBs - Presença do Reino entre os Pobres!, Por José Comblin</title><content type='html'>Aos amigos e amigas do Intereclesial de Porto Velho&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Gostaria muito de estar presente no meio de vocês. Os meus 86 anos já não me permitem fazer essa viagem. Mas quero enviar-lhes uma mensagem de solidariedade e de estímulo. Dou os parabéns a todos os presentes que fizeram essa longa viagem. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O intereclesial reúne-se na região Norte do Brasil, donde nos vêm hoje em dia os mais fortes testemunhos proféticos. É também a região em que a evangelização exige mais energia e provoca mais cansaço. Mas é, por isso mesmo, aquela que mais suscita alegria e entusiasmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As CEBs são aquela porção do povo de Deus que nasceu entre os pobres. Elas são “povo” porque nelas os cristãos  não colaboram simplesmente com a pastoral paroquial definida por outros, mas eles mesmos, leigos do mundo popular, tomam iniciativas, orientam as atividades comunitárias, sempre em comunhão com a grande Igreja, mas com  a liberdade que s. Paulo reconhecia às comunidades fundadas por ele. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As CEBs acabam de ser de novo aprovadas e estimuladas pela Conferência episcopal de Aparecida. Este reconhecimento será o sinal de uma vida renovada. As CEBs já têm uma trajetória impressionante, às vezes heróica, porque muitos membros das CEBs foram mártires. Foram testemunhas da dignidade dos pobres frente a autoridades arrogantes. Defenderam camponeses e operários injustamente tratados. Buscaram a justiça na paz como profetas da não-violência. Esse passado nos mostra o caminho do futuro e nos convence de que as CEBs seguem o caminho de Jesus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As CEBs foram desde as origens a principal presença da Igreja no mundo popular. Ora, com a imensa migração do campo para as cidades, o mundo popular hoje em dia é principalmente urbano e a presença da Igreja nessas imensas periferias urbanas e nas favelas ou cortiços é o grande desafio para os cristãos e cristãs de boa vontade. Essas massas foram entregues a inúmeras congregações evangélicas. Estas, como disse dom José Maria Pires, fazem o trabalho que não fazemos e por isso podemos agradecer a Deus pelo trabalho que fazem anunciando Jesus. Mas nós também poderíamos e deveríamos fazer esse trabalho neste novo mundo dos pobres que se criou nestas últimas décadas. Isto exige uma enorme multiplicação de CEBs no mundo urbano. Tenho certeza de que deste Intereclesial sairá a firme decisão de entrar com muito mais força nesse mundo popular urbano. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os pobres não freqüentam muito as paróquias que não lhes oferecem um ambiente realmente popular. Querem comunidades de pobres, em que tenham a alegria de poder dizer que essa comunidade é nossa. Assim são as CEBs. Estas são a melhor forma de participação dos obres inventada até agora. Pois ali os cristãos  do mundo popular não colaboram simplesmente com uma pastoral paroquial definida por outros, mas tomam iniciativas e  orientam as atividades comunitárias entre eles mesmos, sempre em comunhão com a grande Igreja. Gozam da mesma liberdade que s. Paulo reconhecia as comunidades fundadas por ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As CEBs põem em prática a orientação dada pela Conferência de Aparecida: passar de uma pastoral de conservação para uma pastoral de evangelização. Trata-se de passar uma Igreja tradicionalista fechada em si mesma para uma Igreja aberta ao mundo exterior e fecunda porque suscita muitas comunidades&lt;br /&gt;As CEBs encarnaram a mensagem de Vaticano II, porque são uma força de transformação do mundo  em que estão vivendo. Relacionam-se com todos e colaboram com todos os grupos situados na mesma vizinhança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já ouvi pessoas que diziam: as CEBs já foram, pertencem ao passado. Vocês vão mostrar que ainda pertencem ao presente e inclusive ao futuro. Não se inventou outra maneira de tornar a Igreja presente no mundo popular.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As CEBs sofreram críticas e contestações. De modo geral as críticas vêm de pessoas que não as conhecem. Foi o que aconteceu com dom Oscar Romero que não as queria. Quando ele as conheceu na diocese de San Salvador, converteu-se e confiou totalmente nelas. Além disso, qualquer movimento de Igreja no mundo popular suscita críticas e reações às vezes violentas. Isto é parte do destino dos cristãos e já foi anunciado pelo próprio Jesus Cristo. As críticas procedem do desconhecimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quero pedir para vocês uma bênção especial de mons. Expedito Medeiros, falecido há poucos anos, que foi um dos primeiros promotores das CEBs, talvez o primeiro, como vigário de São Paulo de Potengi no Rio Grande do Norte, durante 53 anos. Foi um grande amigo e um homem totalmente dedicado ao apoio as inúmeras comunidades promovidas por ele. Foi um Santo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que Jesus missionário esteja sempre com vocês com toda a força do Espírito Santo para a construção do Reino do nosso Pai.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Padre José Comblin. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;19 de Julho de 2009&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5704503579441133124-4210417627057768123?l=kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com/feeds/4210417627057768123/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com/2010/05/mensagem-as-cebs-presenca-do-reino.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5704503579441133124/posts/default/4210417627057768123'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5704503579441133124/posts/default/4210417627057768123'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com/2010/05/mensagem-as-cebs-presenca-do-reino.html' title='Mensagem às CEBs - Presença do Reino entre os Pobres!, Por José Comblin'/><author><name>NóS TAMBÉM SOMOS IGREJA</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/_WEl_XV8J-QQ/Sc_ZA4N4RZI/AAAAAAAAAAM/W94cLwnoJjM/S220/Eu+e+Mel%C3%A2nia+nos+nossos+50+anos.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5704503579441133124.post-624479919263072971</id><published>2010-05-10T12:22:00.000-07:00</published><updated>2010-05-10T12:23:03.704-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Carta Aberta'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Luciano Batista'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Convenção Batista Paraibana'/><title type='text'>Carta aberta à Convenção Batista Paraibana, por Luciano Batista</title><content type='html'>Prezados/as irmãos/as...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nestas ultimas semanas venho recebendo alguns e-mails, onde seus autores vêm demonstrando preocupação com a saúde espiritual da caminhada eclesiástica batista em nosso Estado. Tenho entendido e, portanto, esta é a leitura que faço, a convenção sofre uma crise de liderança, identidade e “amnésia doutrinária” onde as pessoas que conduzem a CBP-Convenção Batista Paraibana desejam resgatar o significado do “cristão batista” recorrendo a subterfúgios--determinados princípios que segundo eles, por serem históricos--, devem permanecer firmes na caminhada de todas as igrejas batistas presentes a esta convenção. A questão é que os atuais líderes desconhecem aqueles que (de fato) são os principais (e históricos) princípios batistas, dos quais cito aqui alguns para sua recordação e (quem sabe) dos demais “colegas de ministério”: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Primeiro, a Igreja é essencialmente separada do Estado, muito embora, alguns pastores não tenham qualquer dificuldade de promoverem-se e angariar votos em troca de determinados favores. Almoços, jantares, encontros ... com que intenção ambos (políticos e pastores) se reúnem? Para saborear as iguarias do rei? Lembro-me do profeta que ao ser convidado para participar da mesa e saborear as manjares de Nabucodonosor, simplesmente recusou. Transcrevo aqui o texto bíblico: E Daniel propôs no seu coração não se contaminar com a porção das iguarias do rei, nem com o vinho que ele bebia; portanto pediu ao chefe dos eunucos que lhe permitisse não se contaminar. Dn. 1:8. A decisão do profeta foi drástica, como pode alguém recusar sentar à mesa do imperador? Certamente não foi o medo de morrer envenenado, a questão é que sentar à mesa naquele contexto significava submissão e lealdade ao dono da mesa, aquele que destruiu Jerusalém, além é claro, de compactuar com sua política interna e externa de conquista e subjugação das nações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um segundo principio de extrema importância fala sobre a liberdade, tema esse difícil, complexo, mas, necessário!  A liberdade do indivíduo para ler e interpretar as Escrituras, guiado pelo espírito de Deus na família da fé, em diálogo com a compreensão histórica da igreja e os métodos acadêmicos contemporâneos de investigação do texto bíblico. Bem, ele pode não estar literalmente desta forma nos anais, mas, certamente os senhores que fazem a convenção batista paraibana lembram da expressão teológica “livre-arbítrio”! Pois é exatamente sobre isto que versa este principio. Como já afirmei, essa coisa de dar liberdade para os outros é complicado, o sujeito começa a pensar numa teologia contextual, começa a pregar uma mensagem chamando os cristãos para uma vida de militância em prol do estabelecimento do Reino de Deus centrado na justiça, igualdade, diretos humanos, etc; e aí, sai do “padrão de homem de Deus” pois passa a ser visto como o arruaceiro, o sem princípios, o deselegante, o desviado, o sem noção, o “fora da lei”, o liberal na teologia, etc, etc. O texto bíblico é assertivo: “Para a liberdade foi que Cristo nos libertou. Permanecei, pois, firmes e não vos submetais, de novo, a jugo de escravidão. Gl.5:1. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não desejo aqui fazer uma exegese do versículo, o que seria um erro, não se faz exegese de versículo e, sim, do texto inteiro, uma vez que a divisão de versículos e capitulo é bem posterior à escrita do texto sagrado (os calvinistas comentem tal equivoco constantemente). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contudo, tendo em vista que a palavra chave desta epístola é liberdade, diria que a liberdade referida no texto diz respeito à libertação da lei veterotestamentária que exigia a observação (legalista) rigorosa, coisas da religião! Alias, a religião é assim, ela tenta o tempo todo aprisionar seu fieis em seu “espaço sagrado”, quando deveriam celebrar a diversidade, promover a oportunidade de relacionamentos dentro e fora deste “espaço sagrado”, reconhecer a dinamicidade da vida, viabilizar vivencias com o diferente sem medo de correr o risco de perder os fieis para outros pastos... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que pastor em sã consciência permitiria suas ovelhas viverem suas respectivas vidas com tal projeto de liberdade? Conheço alguns poucos, dos quais nenhum deles fazem parte da presente liderança batista na Paraíba. Nunca consegui entender o porquê do medo da liberdade, o senhor ou o atual presidente da CBP ou mesmo o presidente da ordem dos pastores poderia me ajudar? Às vezes penso que se faz uma confusão entre liberdade e inconstância. Um amigo pessoal certa vez me disse que uma Humanidade livre é uma humanidade que se deixa interpelar por todas as pessoas que não lhe oferecem nenhum interesse, nenhum valor, que não oferecem nenhum poder novo, nenhuma garantia, mas apenas riscos e ameaças de perturbação. A partir dessa prática iniciada por Jesus, o Espírito inventou e suscitou uma história de liberdade da qual conhecemos apenas a aurora e que será o tecido do desenvolvimento do reino de Deus neste mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um último princípio que me vem à memória é o do desapego às coisas materiais, aos status eclesiásticos e aos privilégios oferecidos por políticos (corrompidos ou não) e pela sociedade em geral. Alguém pode me perguntar: de onde você tirou isto? Que livro registrou tal princípio? Quem criou ou que pastor batista dentro da “nossa historia” falou sobre este principio? Parto do pressuposto de que todos os princípios não apenas batistas, mas, cristãos em geral são baseados ou pretensamente baseados nos textos bíblicos. A atual crise que passam os batistas paraibanos diz respeito, em meu entendimento, a uma questão chave: independência ou manutenção de privilégios? Aqui, realmente não posso me estender muito! Sou alguém que vê as coisas como quem está de fora. No entanto, varias contradições são viscerais! Batistas e não batistas reconhecem perfeitamente que “nossas” crises extrapolaram os muros da denominação. A caçada aos pastores infiéis e as igrejas que não enviam o famoso “plano cooperativo”, a condenação aberta sem quaisquer respeito e escrúpulos a pastores idôneos que fizeram e fazem historia desde o sertão, a exclusão de igrejas inteiras do rol dos “verdadeiros batistas”, a manutenção ou troca articulada de pastores que “amam” a denominação e querem o melhor para a mesma, em cargos importantes... e o pior, um retorno em pleno século XXI a uma postura fundamentalista ou “melhor” xiita no que diz respeito a moral, espiritualidade e interpretação da bíblia é o próprio prenuncio do TELOS da comunhão Batista Paraibana!&lt;br /&gt;Asseguro-lhe que minha labuta por uma espiritualidade peregrina e perambulante se manterá independente da crise ou das crises da convenção. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Asseguro-lhe de todo o meu coração que permanecerei firme na caminhada da fé, de maneira livre/liberta do julgo da lei denominacional imposta dia-a-dia por aqueles que, desconhecendo a historia e os princípios batistas, imprimem nas atas, palavras de ordem contra a liberdade de expressão, princípio singular não apenas dos batistas, mas, do mundo inteiro!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Asseguro-lhe sensatamente que continuarei na periferia, nos guetos, nos buracos da existencialidade, nas vilas, nos mocambos ainda existentes, muito embora, desconhecidos por parte daqueles que preocupados com a manutenção de seus status e posição eclesiástica, esquecem dos explorados e excluídos.&lt;br /&gt;Asseguro-lhe que permanecerei “pastor” apesar de todas as minhas limitações, pecados, deslizes, mesmo sem um púlpito. Aliás, é um erro achar que pastor é aquele que está pastoreando uma determinada igreja/templo. Wesley já havia ensinado: minha paróquia é o mundo! E aqui na UFPB é um enorme campo missionário onde milhares de oportunidades me são dadas pelo Criador para despertar e desalienar cristãos evangélicos que enganados pela pregação da teologia da prosperidade, entram em crise quando a “bênção não vem”. Por outro lado, é um enorme desafio tentar revelar/falar acerca de Deus para os que querendo crer, duvidam! Ai, só me resta tentar viver o evangelho e silenciar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Asseguro-lhe que continuarei firme na caminhada aberta, desimpedida, livre, simples, centrada no amor e no dialogo... que aprendi com irmãos de outras denominações, igrejas e religiões. É impressionante como me respeitam como pastor! Suas vidas me tocam profundamente! Pessoas transparentes, saradas da/na alma, cristãs sinceras, amantes da vida, abertas para o próximo, pessoas caminhantes... vivem uma comunhão da/na qual jamais presenciei em qualquer igreja batista, e olha, que sou pastor batista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há ainda algumas coisas que também EU NÃO ENTENDO, por exemplo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não entendo como alguém pode passar tantos anos num cargo “vitalício” privatizando-o e desta maneira, excluindo outros e outras de crescerem dentro da denominação e conseqüentemente aprender a valorizá-las. Será “cargo de confiança”? Se for então isso significa que alguns poucos pastores são “capacitados” e “fieis” para exercerem tal função!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não entendo por que ocorrem articulações para que pessoas/pastores ligadas ao “meu grupo” precisa se manter no “poder” para que a vaca não vá para o brejo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não entendo o porquê de permitimos o legalismo e falso moralismo continuarem permeando as relações batistas quando inúmeros textos bíblicos nos revelam Jesus Cristo combatendo a hipocrisia dos lideres religiosos de sua época!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não entendo porque obreiros do sertão ganham “esmolas missionárias” quando pastores da capital têm salários inescrupulosos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não entendo o como “homens de deuses” podem agir tão sem misericórdia para com “homens de Deus”, expondo-os e excluindo-os do “livro da vida batista”, suas palavras são quase divinas! Agem em nome de Deus, mas seus corações não estão no altar pois um coração que esta no altar é um coração quebrantado!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não entendo porque pastores precisam agir rispidamente com colegas e ovelhas nas assembléias tentando silenciá-los e silenciá-las a fim de “manter a ordem”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há também coisas que entendo e gostaria de partilhar:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu entendo o porque pastores não aceitarem a soberania de Deus! O fato é que a soberania de Deus é uma coisa e a soberania dos lideres da religião é outra bem diferente e por vezes diverge da vontade soberana de Deus. Entre a soberania de Deus e a dos lideres da religião, preciso a Divina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também entendo que Deus usa os simples a fim de engrandecer seu nome, foi assim com Madre Tereza de Calcutá, Mahatma Gandhi, Jeremias, Isaias, Francisco de Assis, João XXIII, Martin Luther King, as Beguinas do século XII... O problema é que alguns querem aparecer a todo custo. Esquecem da exortação bíblica: “é necessário que Ele (Jesus) cresça e que eu diminua”. João 3:30. &lt;br /&gt;     &lt;br /&gt;Também entendo que neste mundo todos deveríamos ser mordomos de todos, inclua-se nossa casa comum, o planeta terra. Lamentavelmente o capitalismo desenfreado que aí está e que adentrou nas religiões, suprime este cuidado e nos faz enxergar apenas do que é nosso.        &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diante de tudo isso, tenho dois simples conselhos, são tão simples que podem ser considerados simplórios. Primeiro, já que várias igrejas foram afastadas da CBP sugiro que as mesmas procurem se filiar a “Aliança Batista” cuja página na internet é a seguinte: http://www.aliancadebatistas.com.br E, segundo, meditemos nas palavras de Agostinho e deixemos nossas consciências livremente (sem os dogmas que aprisionam) serem cativas e transformadas pelos sábios conselhos de um velho mestre...  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Se você acredita no que lhe agrada nos evangelhos e rejeita o que não gosta, não é nos evangelhos que você crê, mas em você." &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"A esperança tem duas filhas lindas, a indignação e a coragem; a indignação nos ensina a não aceitar as coisas como estão; a coragem, a mudá-las". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Ama, e faça o que quiseres." &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Prefiro os que me criticam, porque me corrigem, aos que me adulam, porque me corrompem".&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;“A medida do amor é amar sem medida” &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fraternalmente, &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Luciano Batista (pastor sem igreja, mas não sem rebanho, e educador popular)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5704503579441133124-624479919263072971?l=kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com/feeds/624479919263072971/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com/2010/05/carta-aberta-convencao-batista.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5704503579441133124/posts/default/624479919263072971'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5704503579441133124/posts/default/624479919263072971'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com/2010/05/carta-aberta-convencao-batista.html' title='Carta aberta à Convenção Batista Paraibana, por Luciano Batista'/><author><name>NóS TAMBÉM SOMOS IGREJA</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/_WEl_XV8J-QQ/Sc_ZA4N4RZI/AAAAAAAAAAM/W94cLwnoJjM/S220/Eu+e+Mel%C3%A2nia+nos+nossos+50+anos.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5704503579441133124.post-449701760713144428</id><published>2010-01-12T13:00:00.001-08:00</published><updated>2010-01-13T15:44:15.881-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ação cristã'/><title type='text'>A ação cristã, por José Comblin</title><content type='html'>“A ação cristã vai buscar a pessoa esquecida, a pessoa que não cabe dentro das estruturas e das categorias e coloca essa pessoa no centro da atenção. Trata-se de um descobrimento da pessoa negada pela sociedade estruturada e estabelecida. A ação social da Igreja é sempre a busca da ovelha perdida. Trata-se de reabilitação pública e efetiva dos rejeitados, reabilitação e acesso ao estado de pessoa do pecador numa sociedade imbuída de valores morais, do não observante numa sociedade religiosa, do escravo numa sociedade escravocrata, do desocupado numa sociedade de trabalho, do homem sem capital numa sociedade capitalista, da mulher numa sociedade machista, do louco numa sociedade de sábios, das crianças numa sociedade adulta, de todas as fontes de insegurança numa sociedade baseada na segurança, dos hereges numa sociedade de ortodoxos, dos doentes numa sociedade de atletas. A libertação não consiste numa mudança de estruturas sociais, o que teria por conseqüência a pura substituição de certos grupos dominantes por outros sem mudar o valor fundamental que é a segurança. Uma humanidade livre é uma humanidade que se deixa interpelar por todas as pessoas que não lhe oferecem nenhum interesse, nenhum valor, que não oferecem nenhum poder novo, nenhuma garantia, mas apenas riscos e ameaças de perturbação. A partir dessa prática iniciada por Jesus, o Espírito inventou e suscitou uma história de liberdade da qual conhecemos apenas a aurora e que será o tecido do desenvolvimento do reino de Deus neste mundo.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;José Comblin, &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;A liberdade cristã&lt;/span&gt; (Ed. Paulus, 2009)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta passagem define, com clareza, o que seja a acão cristã. Carlos Mesters (&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;A prática libertadora de Jesus&lt;/span&gt;) e Eduardo Hoornaert (&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;As origens do cristianismo&lt;/span&gt;) apresentam a opção de Jesus pelos excluídos, de maneira parecida à que aqui se expõe.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5704503579441133124-449701760713144428?l=kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com/feeds/449701760713144428/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com/2010/01/acao-crista-por-jose-comblin.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5704503579441133124/posts/default/449701760713144428'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5704503579441133124/posts/default/449701760713144428'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com/2010/01/acao-crista-por-jose-comblin.html' title='A ação cristã, por José Comblin'/><author><name>NóS TAMBÉM SOMOS IGREJA</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/_WEl_XV8J-QQ/Sc_ZA4N4RZI/AAAAAAAAAAM/W94cLwnoJjM/S220/Eu+e+Mel%C3%A2nia+nos+nossos+50+anos.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5704503579441133124.post-3116290892302771597</id><published>2009-10-21T16:57:00.000-07:00</published><updated>2009-10-21T17:05:59.112-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Teologia da Enxada'/><title type='text'>TEOLOGIA DA ENXADA: 40 ANOS: RETALHOS DAS COMEMORAÇÕES EM SERRA REDONDA E SALGADO DE SÃO FÉLIX, POR ALDER JULIO FERREIRA CALADO</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;1. Teologia da Enxada, uma experiência formativa de enraizamento cristão no meio dos pobres&lt;/span&gt; &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Na segunda metade da década de 1960, nasce, no Nordeste brasileiro (inicialmente, com um núcleo em Tacaimbó – PE e outro, em Salgado de São Félix – PB), uma frutuosa experiência comunitária de formação missionária de e com jovens cristãos do meio popular rural.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Resultou da iniciativa de jovens então, seminaristas do então Seminário Regional do Nordeste, em Camaragibe, na área metropolitana de Recife, com a orientação de um grupo de formadores (Pe. José Comblin – principal sistematizador da experiência -, Pe. René Guerre, aos quais se somariam outros (Pe. Humberto Plummen, os biblistas Carlos Mesters e Sebastião Armando Soares, Pe. Eduardo Hoornaert, o teólogo Luiz Carlos Araújo  e outras figuras do ITER), empenhados em ousar ensaiar uma caminho de formação alternativo ao então oferecido.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Buscou-se, a princípio, uma experiência de formação presbiteral especialmente voltada aos valores e aspirações dos pobres do meio rural. Uma formação que correspondesse melhor ao espírito e aos desafios da época, na perspectiva dos apelos do da Igreja dos Pobres, tão fortemente acenada pela Conferência de Medellín (1968).&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Vivia-se, então, uma conjuntura de intensa fermentação sócio-histórica, com rebatimentos na esfera eclesial, no mundo, na América Latina e na Brasil. Era o tempo do famoso Maio de 1968, com repercussão no Brasil. Era o tempo pós-Vaticano II, de Medellín (1968). Era também o tempo do endurecimento do regime militar, no Brasil, a partir da decretação do famigerado Ato Institucional n. 5, de dezembro de 1968, que soou como “um golpe dentro do Golpe”, espalhando-se o terror, anos depois, pelo Cone Sul, com seu abominável “rumor de botas” (Eder Sader).&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Sob um forte clima de apelo à renovação, na perspectiva do que se chamava à época de “opção pelos pobres”, foi tomada a decisão de se fazer um caminho diferente de formação presbiteral, em que os jovens vocacionados fossem viver em pequenos grupos rurais e urbanos, acompanhados por um formador. Desses núcleos de formação, dois eram os que se localizavam em Salgado de São Félix – PB e o que foi estabelecido em Tacaimbó – PE..&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Nesses pequenos grupos, os jovens vocacionados repartiam seu tempo de formação entre o trabalho na roça, junto com a comunidade local, e os estudos dirigidos, acompanhados por um formador ou uma equipe de formadores, além do tempo consagrado à oração e às visitas às casas da comunidade local.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Além desses núcleos iniciais, cumpre assinalar um outro segmento dessa experiência de formação alternativa: a que foi organizada pelo DEPA – Departamento de Pastoral e Assessoria, criado em 1977, com o objetivo de atender a demandas de uma formação presbiteral alternativa, de jovens vocacionados ao presbitério, com o propósito e o compromisso de servir o povo dos pobres no meio rural e nas periferias urbanas. Vários professores do então Instituto de Teologia do Recife (ITER) foram convidados por alguns bispos da região a elaborarem e a porem em prática esse plano de formação, em que, em vez de os jovens vocacionados se afastarem de suas comunidades, era a própria Equipe de formadores quem se deslocava até onde viviam esses formandos, para orientarem esse processo de formação.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;No espírito dessa proposta de formação, já não se tratava de ministrar aulas convencionais, como era o feitio dos cursos de Filosofia e de Teologia. Partiam, num primeiro momento, de ajudar os formandos a irem ao povo dos pobres, como seus aprendizes, a verem, a ouvirem, a sentirem o seu dia-a-dia, em casa, no trabalho, sua visão de mundo, suas necessidades, suas alegrias, suas esperanças, seus sonhos. E o faziam por meio de um registro sistemático de tais observações, que eram repassadas aos assessores. A partir daí é que os formadores tratavam de ajudá-los a aprofundarem esses achados, seja do ponto de vista dos estudos bíblicos, seja do ponto de vista do estudo mais crítico da realidade social.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Fecunda experiência formativa que resultou na formação de vários jovens, depois ordenados padres, em Crateús – PB (Pe. Eliésio Santos), em João Pessoa (Pe. Luiz Couto, Frei Anastácio Ribeiro), além de jovens europeus, estudantes de Teologia que também foram ordenados padres (em João Pessoa: Pe. João Maria Cauchi, ordenado antes do DEPA, e Pe. Dario Vaona, aquele de Malta, o segundo da Itália, ambos dedicando seu trabalho missionário a serviço dos pobres do Nordeste. Por essa mesma proposta de formação do DEPA, passaram outros jovens, como Zé Vicente, Crateús, cuja contribuição de compositor das CEBs e da Igreja na Base é amplamente reconhecida.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;A partir de 1981, aquela primeira experiência formativa, que se deu inicialmente nos primeiros núcleos de Salgado de São Félix e Tacaimbó, destinada a jovens que se sentissem chamados a um estilo de padre com formação específica para atuarem junto aos pobres do campo, foi melhor sistematizada, sobretudo após o retorno do Pe. José Comblin, exilado por cerca de oito anos no Chile, depois de sua expulsão do Brasil, em 1972.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Em 1980, após um marcante encontro avaliativo da experiência, durante os “anos de chumbo”, encontro que se realizou com o conjunto dos protagonistas, em Itamaracá, foi retomada a experiência, em 1981, desta vez no Avarzeado, uma pequena área rural, de instalações precárias, entre canaviais, localizada no município de Pilões.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;A partir de 83, a experiência sofreria alteração. O Vatiacno, após uma primeira aprovação pelo Papa Paulo VI daquela proposta de Seminário Rural, esta foi desautorizada pelo mesmo Vaticano, agora sob o pontificado do Papa João Paulo II, sob o pretexto de que não correspondia à “Ratio Studiorum” (a estrutura curricular de Filosofia e Teologia seguida pela Igreja).&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Desaprovação que, a despeito do impacto, teria – de modo aparentemente paradoxal - um efeito muito mais frutuoso: a transformação da proposta, de um “Seminário Rural” para um Centro de Formação Missionária, igualmente destinada a receber e preparar jovens do meio rural para missionarem no mundo rural. Após um cuidadoso processo seletivo, os jovens combinavam trabalho na roça (como ajuda à sua própria sustentação), estudos de Bíblia, Realidade Social e outras matérias diretamente ligadas aos requisitos de ação missionária no mundo rural.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Nessa experiência formativa, foram acolhidos dezenas de jovens do mundo rural, procedentes da vários Estados do Nordeste, além do Pará, de Goiás... O tempo de formação era de seis anos. Os dois primeiros anos, passavam no Centro de Formação Missionária (hoje, Fundação Dom José Maria Pires), em Serra Redonda. Nos dois anos seguintes, eram acolhidos em comunidades rurais, para terem uma formação mais inserida no ambiente próprio do povo dos pobres, sendo acompanhados sistematicamente pela Equipe de Formadores, que para lá se deslocava, para avaliar e propor tarefas formativas. Nos últimos dois anos, os jovens formandos seguiam de volta às suas comunidades de origem, com a missão de ajudarem a fundar novas comunidades e de se tornarem seus animadores.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Com o passar do tempo, a experiência foi sendo enriquecida, sob vários aspectos. Um deles foi a diversificação da proposta, em razão da diversidade de perfis de formandos. Uns sentiam-se chamados à vida contemplativa; outros aspiravam ser missionárias num contexto de família, optando pelo casamento; outros desejavam a vida itinerante de peregrinos; foi também fundado, por demanda óbvia àquela altura, o Centro de Formação Missionária Feminino – o das Missionárias do Meio Popular, com sede em Mogeiro, PB.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Foram igualmente criadas várias associações, com o objetivo de conferir àquelas experiências um cunho de relativa autonomia perante as constantes alterações de humor, conforme a linha do vigário ou do bispo da ocasião. Foram fundadas a Ação da Árvore, com uma séria proposta formativa de cinco anos para pessoas do meio popular, com vocação missionária; a Associação dos Missionários e Missionárias do Campo; a Associação dos Missionários e Missionárias do Nordeste, assim como a criação das Escolas Missionárias nos Estados da Bahia, Tocatins, Piauí, Paraíba e Pernambuco, todas com o acompanhamento direto do Pe. José Comblin e uma equipe de professores e professoras.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Ainda dessa mesma caminhada, fazem parte pessoas – alguns presbíteros, alguns diáconos, religiosas inseridas e leigos e leigas que se acham espalhados pelo Nordeste, no campo e nas periferias urbanas e nas favelas, fazendo parte, do seu jeito próprio, dessas mesmas “correntenzas subterrâneas”, das quais, de vez quando, alguns traços vêm à tona, como em ocasiões como esta. São, em breve, parte viva integrante de uma imensa rede de experiências da chamada “Igreja dos Pobres” ou “Igreja na Base”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;2. Programação da Comemoração dos 40 anos da Teologia da Enxada &lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Passados quarenta anos, a diversificada e frutuosa experiência da Teologia da Enxada acha-se expandida pelos Estados do Nordeste e fora do Nordeste. No interior do Pará, por exemplo, mora a família de Raimundinho – que, ao lado de Maurício, Francisco, Sitônio, José Florêncio, Benedito, João Araújo, fizeram parte da primeira Turma do Seminário Rural, ainda em Pilões – PB. Outros muitos viriam. São, com efeito, centenas de jovens e de famílias hoje protagonistas dessa multiforme experiência. Ocasião propícia para a) se fazer memória da experiência; b) ensaiar sobre a mesma um olhar avaliativo e de perspectiva; c) celebrar a experiência com espírito ecumênico. É claro que esses momentos não se deram de modo estanque. Havia um entrelaçamento dinâmico desse espaços.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Foi com esse espírito pensada e definida a programação do Encontro.&lt;br /&gt;Dia 9/10: acolhida dos participantes do Encontro e abertura com a celebração presidida por Dom José Maria Pires e bem participada pelos que lá se encontravam. Outros e outras participariam nos dias seguintes.&lt;br /&gt;Dia 10, pela manhã: relatos rememorativos dos primeiros tempos da experiência. Relatos feitos, de forma criativa e bem-humorada, por quatro dos oito ou nove componentes dos primeiros núcleos da Teologia da Enxada: Frei Enoque Salvador, Ivan Targino, João Batista Magalhães e Raimundo Nonato Queiroz. Além destes, também fizeram parte dos primeiros núcleos: José Diácono, João Almeida, João Firmino e “Raumundo”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o que foi relatado? Vamos recuperar alguns pontos de cada um.&lt;br /&gt;Frei Enoque Salvador – que reside, atualmente, em Poço Redondo – SE, município do qual é Prefeito. Temperou com bom humor seu relato. com a refinada arte de contador de histórias do povo dos pobres: bom enredo, tom de voz, gestos, movimentação do corpo. Falou por cerca de meia hora. Contou a vida simples que as comunidades levavam em Tacaimbó. Contou como eram organizadas as festas do padroeiro, antes e depois da chegada do grupo de seminaristas. Também, os conflitos com as autoridades, as lutas sindicais, o trabalho.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;br /&gt;Ivan Targino&lt;/span&gt; mora em João Pessoa, onde é professor de Economia no PPGEc. da UFPB. Sente-se profundamente marcado pela experiência vivida, nos primeiros tempos da Teologia da Enxada. Lembra a vida dura da enxada, sobretudo para ele, de classe média, tendo que enfrentar as lides do campo. Lembra, com muito senso de humor, episódios pitorescos. Dá especial acento na voz, quando lembra o profundo testemunho evangélico das pessoas simples do campo, na região de Salgado de São Félix, como o de um agricultor que se privava de vender o leite de suas vaquinhas, para fornecê-lo às famílias pobres da região.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Raimundo Nonato Queiroz&lt;/span&gt; – Desde o início do funcionamento do CFM, em Serra Redonda, aí reside (com sua esposa Cida e seus dois filhos, juntamente com a família Madruga-Gilma e suas duas filhas). Integrou o núcleo de Tacaimbó – PE. Da rica experiência comunitária em Tacaimbó, com a ajuda de Marlene, destacou animação da organização popular, sindical, a animação da luta partidária, inclusive com candidato próprio – o Prof. Antônio Guedes, um dos professores de Realidade Social, no Seminário Rural - encabeçava a chapa da Comunidades. Recordou como as caminhavam juntas as comunidades de três dioceses: Caruaru, Garanhuns e Pesqueira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;João Batista Magalhães&lt;/span&gt; - Reside atualmente no Sítio Catita, em Colônia Leopoldina – AL, mais precisamente no Mosteiro Fraternidade do Discípulo Amado. Fez parte do núcleo de Salgado de São Félix, juntamente com Ivan Targino, José Diácono, João Almeida. Convidou Socorro para destacar com ele alguns pontos daquela experiência: a importância da animação trazida por aquele grupo de seminaristas, as novenas, a força da Palavra, a animação para a Juventude e para toda a comunidade da região, a vida de trabalho na roça. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; À tarde do mesmo dia 10, os participantes foram distribuídos em cinco grupos, para trabalharem cinco oficinas temáticas: Movimentos Sociais, Política, Igreja, Família e Formação. Cada oficina contou com a participação de uma média de 20 pessoas. No dia seguinte, foram socializados os resultados das oficinas, sintetizados nos seguintes pontos e desafios:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;- Movimentos Sociais&lt;/span&gt;: o desafio de construir a unidade, para além de suas bandeiras específicas; o enfrentamento da mídia convencional precisa ser fortalecido pela busca e socialização de fontes alternativas impressas ou na internet.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;- Política&lt;/span&gt;: sente-se o esgotamento dos partidos convencionais. Os partidos perdem sua força transformadora. É preciso ir atrás de formas alternativas de se fazer Política. Quem ainda continua militando nos partidos é instigado a ir percebendo seus limites.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;- Igreja:&lt;/span&gt; o grande desafio é manter firme a prioridade de ir às ovelhas desgarradas. Às pessoas mais afastadas que as paróquias não atingem. Trabalho de visitas às casas do campo e das periferias urbanas, em atitude de escuta e de solidariedade. Ajudar o pessoal a participar da organização em comunidades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;- Família: &lt;/span&gt;destacou-se o desafio do acompanhamento das crianças e dos jovens. O desafio de a família intervir positivamente na sociedade. Não limitar o trabalho da família só ao lar. Acompanhar o que se passa na sociedade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;- Formação:&lt;/span&gt; Não podemos nos conformar só com uma história do passado e ficarmos vivendo da saudade. É preciso calibrar rumo e refazer caminhos. Isso passa por um processo de formação que deve ser priorizado.&lt;br /&gt;(Obs. Os resultados foram apresentados na parte da tarde do Domingo.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dia 11 – Manhã: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; A bela manhã do Domingo foi iniciada com uma celebração de profundo significado, no contexto daquele Encontro: o convidativo ambiente (ao ar livre): o sol, a brisa, as plantas, os pássaros, a disposição das pessoas em volta, o clima de acolhimento, o fazer memória, as penetrantes leituras, a partilha da Palavra, a inspirada e profética homilia feita por Dom Sebastião Armando, bem dentro do espírito da Teologia da Enxada, em breve, todo o processo daquela abençoada celebração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Em seguida, foram anunciadas por João Batista três falas que buscariam fazer, cada qual a partir de seu acompanhamento, uma leitura da experiência da Teologia da Enxada: Dom Sebastião Armando, Frei Carlos Mesters e a Irmã Maria Emília Ferreira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Dom Sebastião Armando&lt;/span&gt; – Seu acompanhamento da caminhada da Teologia da Enxada se deu por meio de sua atuação no DEPA – Departamento de Pastoral e Assessoria. Ao lado dos demais integrantes da Equipe do DEPA, tratou de sintetizar a a experiência formativa do DEPA, bem na linha da Teologia da Enxada. O DEPA recebia apelos de alguns bispos do Nordeste (Dom Antônio Batista Fragoso, bispo de Crateús; Dom José Maria Pires, arcebispo da Paraíba...), em busca de um processo formativo para alguns de seus seminaristas, vocacionados ao Presbiterado, sem que estes tivessem que se afastar da convivência em suas respectivas comunidades. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma formação que já não se fizesse no estilo convencional – de aulas expositivas, numa sucessão de “disciplinas” teológicas, recheadas de filigranas com pouco ou nulo interesse para os povo dos pobres. Aceito o convite, a Equipe passava a acompanhar esses vocacionados, para quem a Equipe propôs uma experiência alternativa de formação. Já não se tratava mais de lhes ministrar aulas convencionais, a partir de componentes curriculares habituais. Em vez disso, a Equipe lhes propunha, de início, um sistemático exercício de observação da vida do povo: casa/família, trabalho, alimentação, relações com a natureza, religiosidade, lazer, etc. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À medida que eram estimulados a ver, a ouvir e a sentir em sua convivência com o povo dos pobres, tratavam de registrar em seus cadernos. Nos encontros seguintes, a Equipe, cada membro a partir de sua especialização, iria ajudá-los a fazer uma leitura crítica daqueles registros com os desafios da realidade econômica, política, cultural, bem como a confrontá-los com a Palavra de Deus, daí buscando recolher pistas de ação pastoral e de intervenção a serem partilhadas na realidade de suas comunidades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Eram poucos os formandos dessa experiência alternativa. Dom Sebastião Armando lembra que sua esposa Madalena costumava observar, meio interrogativa, a quantidade considerável de formadores para o processo formativo de tão poucos vocacionados... Ele e a Equipe, contudo, estavam convencidos do acerto da proposta: apostar na qualidade do processo formativo. Aposta que, tempos depois, se confirmaria exitosa, pelos frutos colhidos. Nesse processo formativo, foram ordenados presbíteros Pe. Eliésio Santos, de Crateús; Pe. Luiz Couto, de João Pessoa; Frei Anastácio Ribeiro, da CPT da Arquidiocese da Paraíba. Pela mesma formação, passaram igualmente figuras como Zé Vicente, de Crateús, hoje um festejado compositor, apreciado por tantas comunidades espalhadas pelo Brasil,&lt;br /&gt;Frei Carlos Mesters - Sua leitura da experiência da Teologia da Enxada se fez a partir, em parte dos contatos freqüentes com a Equipe do DEPA, e, em parte, pela sua atuação no CEBI, do qual é um dos fundadores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; A exemplo da proposta feita ao DEPA, lembrou que, por intermédio de um de seus confrades carmelitas, Frei Domingos Fragoso, foi informado de que, em Crateús, havia uma vigorosa experiência de CEBs, que recebia todo o apoio do seu bispo, Dom Antônio Fragoso. As comunidades de Crateús tinham sede de um estudo orante da Bíblia. Certa vez, Frei Domingos informou ao irmão bispo da atuação do biblista Frei Carlos Mesters. E sugeriu que o irmão o convidasse. “Se ele vier prá cá com interesse em ensinar, que não venha. Se for para aprender com o povo dos pobres daqui, será bem-vindo.” Foi feito o convite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Pensando em ajudar as comunidades, em sua busca de maior intimidade com a Sagrada Escritura, Frei Carlos preparou umas duzentas páginas escritas a mão. Lá chegando, comunicou sua intenção de curso. “Não, Frei Carlos, não é bem isso que a gente quer, não.” Resultado: teve que abandonar todo o seu esquema prévio, e partir das demandas levantadas pela própria comunidade local.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Foi numa dessas ocasiões, em Crateús, que Frei Carlos Mesters vai escrever um de seus mais marcantes textos, Seis Dias nos Porões da Humanidade, que a Vozes publicou em 1977. Anotações escritas em apenas dois dias, de densa experiência de escuta, resultante de uma visita pastoral à comunidade do povoado de Areia Seca, em Crateús.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt; Frei Carlos&lt;/span&gt; concluiu sua profética reflexão, remetendo-nos à última frase do Antigo Testamento, do livro de Malaquias: “Eis que Eu vos enviarei Elias, o profeta, antes que chegue o Dia de Iahweh, grande e terrível. Ele fará voltar o coração dos pais para os filhos, e o coração dos filhos para os pais, para que eu não venha ferir o país com anátema.” (Ml 3, 23-24).&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;br /&gt;Irmã Maria Emília Ferreira&lt;/span&gt; – Atualmente, reside em São Paulo. É membro da Congregação das Cônegas de Santo Agostinho. Da Teologia da Enxada, ela foi uma das primeiras pessoas a encontrar, ainda quando adolescente a estudar em colégio de freiras, ao Pe. José Comblin, então recém-chegado a Campinas – SP, quando era capelão do referido colégio. Anos mais tarde, a Irmã Maria Emília acompanharia mais de perto em Serra Redonda e em outras cidades, a caminhada da formação missionária.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Sua fala parte de quem mais de perto acompanhou as origens da Teologia da Enxada, que continua acompanhando. Desde as experiências vivenciadas nos dois núcleos iniciais e, em seguida, a do Seminário Rural e do Centro de Formação Missionária.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Preferiu situar sua fala a partir de sua formação acadêmica como Psicóloga, focando as lições que recolhe da aproximação com as pessoas consideradas loucas. Estas que dão seu recado, e se vão. Quem puder entendê-lo, muito bem. Não tratam de impor-se, nem de impor suas idéias. Vivem mais na gratuidade da vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Seu jeito próprio, embora pouco ou em nada apreciado, é portador de sinais. É preciso fazer-nos um deles ou delas para captarmos seus ensinamentos. Não dá para fazer uma leitura mecanicista e imediatista do que nos dizem. Precisamos decodificar suas palavras, seus gestos. Nem sempre somos capazes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Algo semelhante se dá com a caminhada dos protagonistas da Teologia da Enxada. Vivem em outro mundo. São considerados como estranhos, loucos mesmo, em relação à grade valores predominantes. Os loucos nos ajudam a compreender melhor por outra ótica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Na tarde do Domingo, o primeiro momento foi reservado à apresentação dos resultados vindos das oficinas. Já os apresentamos, antes. Em seguida, passamos a escutar a reflexão de Dom José Maria Pires, uma das principais figuras de referência da Teologia da Enxada, dada sua reconhecida participação avaliada como decisiva na evolução da mesma experiência.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;br /&gt;Dom José Maria Pires&lt;/span&gt; – Bispo emérito da Arquidiocese da Paraíba, hoje residindo em Minas Gerais, animando uma comunidade paroquial – donde a alusão ao “bispo que virou padre...” A ele se devem a acolhida e o entusiástico apoio ao processo formativo da Teologia da Enxada. Já era bispo, quando foi transferido par João Pessoa, em 1966. Não demorou a entrosar-se bem com seus colegas bispos, como Dom Helder e outros da região. Também, não tardou a ir se enraizando na vida do povo dos pobres, e a compreender suas lutas e esperanças, e a com ele solidarizar-se, em distintos momentos. Um deles foi por ocasião do episódio de Alagamar. &lt;br /&gt;Quando soube da presença maciça de uma força policial lá fincada, com o objetivo de proteger uma propriedade, de lá expulsando antigos posseiros, não hesitou em procurar seus colegas bispos Dom Helder Câmara (Olinda e Recife), Dom Francisco Austregésilo Mesquita (Afogados da Ingazeira), Dom Manuel Pereira (de Campina Grande), para irem em defesa do povo. E, ao chegarem, não hesitaram em tomar, cada uma, uma vara, e pôr-se a tanger o gado que estragava a lavoura dos pobres posseiros.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Dom José também houve por bem manifestar seu carinho pastoral por algumas figuras do episcopado brasileiro e da caminhada da Igreja dos Pobres, destacando em cada uma delas elementos de sua trajetória profético-pastoral, bem como sua contribuição à caminhada da Igreja dos Pobres: Dom Helder, Dom Fragoso, Dom Francisco Austregésilo, Dom Paulo Evaristo Arns, Dom Pedro Casaldáliga, Pe. José Comblin, Irmã Agostinha Vieira de Melo, entre outas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao rememorar traços fundamentais da experiência da Teologia da Enxada, em especial a partir da fundação do Seminário Rural e do CFM, compartilhou momentos significativos desse esforço coletivo, com suas tentativas, com suas conquistas e algumas frustrações que, depois, se tornariam frutuosas, a exemplo da desaprovação por Roma da continuidade do Seminário Rural, em seguida transformado na abençoada experiência do Centro de Formação Missionária.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Muito relevante, a iniciativa conjuntamente tomada, de dar seqüência à caminhada, tomando em consideração o novo contexto,com seus velhos e novos desafios. Após a fala de Dom José Maria, e um breve intervalo, João Batista coordenou esse momento de caráter decisivo. Diante dos desafios apresentados, inclusive por ocasião das oficinas, e reforçados nas falas dos diferentes convidados, como prosseguir, daqui para a frente?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Tomaram-se algumas decisões, em plenário:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- que a cada dois anos seja realizado um Encontro geral, para avaliar, celebrar e reorientar passos da caminhada;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- que uma Equipe de doze pessoas ficaria com a tarefa de se reunir e esboçar um plano de formação para os novos tempos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda no Domingo à tardinha, chega o Pe. José Comblin. Por conta de desencontro de calendário – já se havia comprometido em participar, em Salvador, do Congresso “Transformar a Missão” -, só lhe foi possível chegar àquela altura. Ainda à noite do Domingo, já estava a postos, fazendo sua primeira reflexão para os participantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem todos puderam participar a tempo inteiro. Uma dessas pessoas foi a missionária Mônica Muggler, uma das formadoras do Centro de Formação Missionária Feminino, em Mogeiro, do qual resultaria a bela experiência das Missionárias do Meio Popular, que Mônica também anima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dia 12 – Salgado de São Félix&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por volta das 9 horas, de diferentes localidades, lá iam chegando os participantes a Salgado de São Félix. De início, eram convidados a se dirigirem a uma casa simples, numa rua descalça, onde foram acolhidos pela família local os seminaristas iniciantes da experiência da Teologia da Enxada: João Batista Magalhães, José Diácono, Ivan Targino, entre outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À medida que iam chegando, as pessoas eram acolhidas com muita alegria pelo pelo pessoal da casa, bem como pelos vizinhos. Lá estava preparado um saboroso e surtido café da manhã para os participantes. Quanta alegria daquela gente simples, em especial quando abraçavam aqueles seminaristas, hoje já de cabelos brancos! Alegria também pelo reencontro de figuras tão caras, como Dom José Maria, Pe. José Comblin, Dom Sebastião Armando, Frei Carlos Mesters, João Batista, Ivan Targino, José Diácono, Raimundo Nonato...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após a visita àquela casa, que tanto impacto causava sobre os visitantes, e após o café que lá foi servido, os participantes foram chamados a se posicionar na rua, preparando a procissão. Antes, porém, foram chamadas a ficar na calçada em frente da casa aquelas figuras de referência da caminhada, cada uma se apresentando e dizendo uma palavra de saudação aos presentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em seguida, caminhamos todos em procissão, em direção à Matriz, onde foi concelebrada – inclusive por alguns padres da caminhadas ordenados por Dom José Maria – a Missa de encerramento. Matriz lotada. Gente em pé, pois era grande a multidão, e não havia assento para todo o mundo. Uma celebração compartilhada, na emoção e nas imagens fortes. Coube ao Pe. José Comblin fazer a homilia. Ele já havia saudado brevemente os participantes, antes da procissão. Tinha evocado alguns avanços que o povo em caminhada havia feito, e por isso estava celebrando. “O nosso povo poderia ter conquistado mais, se tivesse gritado mais forte.” Nas mínimas ocasiões, o profeta não perde oportunidade. Também na homilia, apesar da dificuldade de ouvi-lo, para quem estava mais distante do altar (dificuldade de som mais empolgação das pessoas). Mas, em uma palavra, tratou de lembrar que não valia a pena ficar na saudade do passado. Importa seguir caminho, participar das lutas presentes. Tornar vivo e atual a mensagem de Jesus, ajudando a fortalecer a caminhada libertadora do Povo de Deus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Quanta emoção, já nas despedidas da celebração, ouvirmos o Hino de Alagamar, executado pelo Coral formado por pessoas de Alagamar! Se pessoas como Dom José não costumam verter lágrimas, em semelhantes ocasiões, não descartaria que naquela ocasião tivesse feito...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Do Encontro participaram pessoas de distintas denominações, além dos católicos e católicas, vindas da Bahia (vários grupos da Associação dos Missionários e Missionárias do Campo); de Sergipe (idem); de Alagoas (de Colônia Leopoldina - AL); de Pernambuco (o bispo anglicano Dom Sebastião Armando, vários membros do Grupo de Peregrinos e Peregrinas do Nordeste, membros da Igreja Batista de Olinda, além da rápida passagem de alunos e alunas da FAFICA, no sábado); do Maranhão; do Piauí; de São Paulo; de Minas Gerais... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Uma programação criativa e envolvente. Feita em mutirão, com o protagonismo de todos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; O encerramento se deu com a confraternização num almoço simples e saboroso, preparado com carinho pela Comunidade de Salgado de São Félix.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;A ESPERANÇA DOS POBRES VIVE!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;João Pessoa, 20 de outubro de 2009&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obs. Para ver fotos do Encontro, digitar a seguinte página:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;http://picasaweb.google.com.br/torquatope/CFM#&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5704503579441133124-3116290892302771597?l=kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com/feeds/3116290892302771597/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com/2009/10/teologia-da-enxada-40-anos-retalhos-das.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5704503579441133124/posts/default/3116290892302771597'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5704503579441133124/posts/default/3116290892302771597'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com/2009/10/teologia-da-enxada-40-anos-retalhos-das.html' title='TEOLOGIA DA ENXADA: 40 ANOS: RETALHOS DAS COMEMORAÇÕES EM SERRA REDONDA E SALGADO DE SÃO FÉLIX, POR ALDER JULIO FERREIRA CALADO'/><author><name>NóS TAMBÉM SOMOS IGREJA</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/_WEl_XV8J-QQ/Sc_ZA4N4RZI/AAAAAAAAAAM/W94cLwnoJjM/S220/Eu+e+Mel%C3%A2nia+nos+nossos+50+anos.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5704503579441133124.post-1437645403210949267</id><published>2009-10-13T16:32:00.000-07:00</published><updated>2009-10-13T16:35:20.893-07:00</updated><title type='text'>CARTA DE JOSÉ BRENDAN MACDONALD DO KAIROS, NÓS TAMBÉM SOMOS IGREJA PARA A SEÇAO PORTUGUESA DO INTERNATIONAL MOVEMENT WE ARE CHURCH</title><content type='html'>Car@s Amig@s da Seção Portuguesa do International Movement We Are Church,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui na cidade de João Pessoa na ponta mais oriental do Brasil, um grupo de católicos e de alguns outros cristãos está preocupado com a necessidade de mudança na nossa Igreja para que ela possa mais prontamente difundir o espírito do Evangelho entre seus fieis e a humanidade em geral.  É nosso desejo que isso se faça através de uma busca de uma identificação com os anseios dramáticos que afligem inúmeras pessoas aqui e em tantos cantos da Terra.  &lt;br /&gt;Para que vocês entendam isso melhor, recomendamos que leiam o documento anexo “Quem somos.”  Ele foi inspirado em parte em semelhantes documentos de outras seções nacionais, inclusive a de vocês.  Ele também projeta certo relevo à teologia da libertação já que o nosso país faz parte dos países ditos subdesenvolvidos, a parte mais pobre e até miserável do mundo contemporâneo.  &lt;br /&gt;Nosso grupo me autorizou para comunicar-me com vocês.    &lt;br /&gt;Além de mim os outros membros são:&lt;br /&gt;Alder Julio Ferreira Calado   alderfcalado@gmail.com  &lt;br /&gt;Angelita do Nascimento&lt;br /&gt;Elias Cândido do Nascimento&lt;br /&gt;Genaro Ieno  gieno@uol.com.br &lt;br /&gt;Germana Gonçalves &lt;br /&gt;Giovanni Pizzetti &lt;pizzettigio@hotmail.com&gt;,&lt;br /&gt;         João Fragoso   joaofragoso@oi.com.br   &lt;br /&gt;José Comblin  comblin@terra.com.br  &lt;br /&gt;José Hailton Bezerra Lyra&lt;br /&gt;         José Washington Castro Junior  jwjunior23@hotmail.com  &lt;br /&gt;         Luciano de Sousa Silva – luc1853@yahoo.com.br &lt;br /&gt;         Luciano B. Souza   lucianobsouza@bol.com.br  &lt;br /&gt;         Luís Gonzaga Gonçalves   luggoncalves@uol.com.br &lt;br /&gt;         Mônica Muggler &lt;monicamuggler@terra.com.br&gt;,&lt;br /&gt;         Raimundo Nonato  nonatocfm@ig.com.br,&lt;br /&gt;         Ricardo Brindeiro   rbrindeiro@uol.com.br &lt;br /&gt;         Romero Venancio – romerov@uol.com.br &lt;br /&gt;         Sylvia Penido - sylvia.penido@terra.com.br,&lt;br /&gt;         Ulisses Willy Rocha de Mora willyedupop@yahoo.com.br&lt;br /&gt;         Mas atenção: é bem provável que se incluam outros nomes também não indicados aqui.  Isto inclusive em mais duas cidades do país onde algumas pessoas demonstram certo interesse no Movimento We Are Church. &lt;br /&gt;Já nos reunimos umas poucas vezes desde o primeiro semestre deste ano.  Relativamente poucas mas persistentes pessoas têm aparecido nas reuniões, mas não poucos outros também, menos regulares, têm aparecido.  Estamos apenas no começo desta caminhada.  Gostaríamos então de fazer-lhes algumas indagações sobre a sua organização já que ela já tem alguns anos de experiência.  Nossa compreensão disso poderá servir de proveito para nós.  A seguir elencamos algumas questões.&lt;br /&gt;Quais alguns exemplos de sua interação com cristãos de outras igrejas?.  Alguns deles freqüentam suas reuniões e, caso afirmativo, em que capacidade?&lt;br /&gt;Já travaram diálogos com fieis de religiões não cristãs?&lt;br /&gt;Vocês têm interagido com movimentos não necessariamente religiosos preocupados com alguns dos problemas dramáticos do dia como, por exemplo, a crise ambiental, a Depressão que começou o ano passado, os imigrantes e os pobres em Portugal, problemas internacionais, etc.?&lt;br /&gt;Têm formado grupos de estudo sobre a história da Igreja, teologia moral, etc.?&lt;br /&gt;Poderiam nos dizer como é organizado ou administrado essencialmente seu grupo?  Nosso grupo por ora não tem tal organização já que ainda estamos muito no início.  &lt;br /&gt;Estamos realmente gratos por seu interesse em ajudar-nos.  Se nós mesm@s pudermos ser-lhes úteis para qualquer coisa, sintam-se por favor livres para pedir.&lt;br /&gt;Solidariamente em nome de nossa fé comum no nosso Senhor Jesus, &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;José Brendan Macdonald  jobremac@gmail.com &lt;br /&gt;João Pessoa, Brasil&lt;br /&gt;Aos 13 de outubro de 2009&lt;br /&gt;Kairós, Nós Também Somos Igreja, Seção Brasileira do International Movement We Are Church&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5704503579441133124-1437645403210949267?l=kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com/feeds/1437645403210949267/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com/2009/10/carta-de-jose-brendan-macdonald-do.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5704503579441133124/posts/default/1437645403210949267'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5704503579441133124/posts/default/1437645403210949267'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com/2009/10/carta-de-jose-brendan-macdonald-do.html' title='CARTA DE JOSÉ BRENDAN MACDONALD DO KAIROS, NÓS TAMBÉM SOMOS IGREJA PARA A SEÇAO PORTUGUESA DO INTERNATIONAL MOVEMENT WE ARE CHURCH'/><author><name>NóS TAMBÉM SOMOS IGREJA</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/_WEl_XV8J-QQ/Sc_ZA4N4RZI/AAAAAAAAAAM/W94cLwnoJjM/S220/Eu+e+Mel%C3%A2nia+nos+nossos+50+anos.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5704503579441133124.post-4774906161287331511</id><published>2009-09-14T04:02:00.001-07:00</published><updated>2009-09-14T04:06:49.280-07:00</updated><title type='text'>Fotos Comblin</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_WEl_XV8J-QQ/Sq4ji5PZb4I/AAAAAAAAADI/zLr6LO5Q9Eo/s1600-h/2003+-+No+Forum+Social+Mundial,+em+Porto+Alegre.bmp"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 279px; FLOAT: left; HEIGHT: 400px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5381277687142248322" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_WEl_XV8J-QQ/Sq4ji5PZb4I/AAAAAAAAADI/zLr6LO5Q9Eo/s400/2003+-+No+Forum+Social+Mundial,+em+Porto+Alegre.bmp" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;2003 - No Forum Social Mundial, em Porto Alegre&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5704503579441133124-4774906161287331511?l=kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com/feeds/4774906161287331511/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com/2009/09/fotos-comblin_7442.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5704503579441133124/posts/default/4774906161287331511'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5704503579441133124/posts/default/4774906161287331511'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com/2009/09/fotos-comblin_7442.html' title='Fotos Comblin'/><author><name>NóS TAMBÉM SOMOS IGREJA</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/_WEl_XV8J-QQ/Sc_ZA4N4RZI/AAAAAAAAAAM/W94cLwnoJjM/S220/Eu+e+Mel%C3%A2nia+nos+nossos+50+anos.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_WEl_XV8J-QQ/Sq4ji5PZb4I/AAAAAAAAADI/zLr6LO5Q9Eo/s72-c/2003+-+No+Forum+Social+Mundial,+em+Porto+Alegre.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5704503579441133124.post-153764480031263885</id><published>2009-09-14T03:53:00.000-07:00</published><updated>2009-09-14T04:00:54.189-07:00</updated><title type='text'>Fotos Comblin</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_WEl_XV8J-QQ/Sq4hYXUZz-I/AAAAAAAAADA/viM4lnvRKLQ/s1600-h/1993+-+No+CFM,+com+Dom+Helder,+70+anos+de+Jos%C3%A9+Comblin.bmp"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 400px; FLOAT: left; HEIGHT: 299px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5381275307214491618" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_WEl_XV8J-QQ/Sq4hYXUZz-I/AAAAAAAAADA/viM4lnvRKLQ/s400/1993+-+No+CFM,+com+Dom+Helder,+70+anos+de+Jos%C3%A9+Comblin.bmp" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;1993 - No CFM, com Dom Helder, 70 anos de José Comblin&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5704503579441133124-153764480031263885?l=kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com/feeds/153764480031263885/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com/2009/09/1993-no-cfm-com-dom-helder-70-anos-de.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5704503579441133124/posts/default/153764480031263885'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5704503579441133124/posts/default/153764480031263885'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com/2009/09/1993-no-cfm-com-dom-helder-70-anos-de.html' title='Fotos Comblin'/><author><name>NóS TAMBÉM SOMOS IGREJA</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/_WEl_XV8J-QQ/Sc_ZA4N4RZI/AAAAAAAAAAM/W94cLwnoJjM/S220/Eu+e+Mel%C3%A2nia+nos+nossos+50+anos.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_WEl_XV8J-QQ/Sq4hYXUZz-I/AAAAAAAAADA/viM4lnvRKLQ/s72-c/1993+-+No+CFM,+com+Dom+Helder,+70+anos+de+Jos%C3%A9+Comblin.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5704503579441133124.post-6165018368998321898</id><published>2009-09-14T03:49:00.001-07:00</published><updated>2009-09-14T03:53:11.439-07:00</updated><title type='text'>Fotos Comblin</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_WEl_XV8J-QQ/Sq4gdXXgIXI/AAAAAAAAAC4/dmQSiMajA2c/s1600-h/1982+-+Com+Dom+Helder,+na+Igreja+das+Fronteiras.bmp"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 281px; FLOAT: left; HEIGHT: 400px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5381274293615206770" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_WEl_XV8J-QQ/Sq4gdXXgIXI/AAAAAAAAAC4/dmQSiMajA2c/s400/1982+-+Com+Dom+Helder,+na+Igreja+das+Fronteiras.bmp" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;1982 - Com Dom Helder, na Igreja das Fronteiras&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5704503579441133124-6165018368998321898?l=kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com/feeds/6165018368998321898/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com/2009/09/fotos-comblin_14.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5704503579441133124/posts/default/6165018368998321898'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5704503579441133124/posts/default/6165018368998321898'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com/2009/09/fotos-comblin_14.html' title='Fotos Comblin'/><author><name>NóS TAMBÉM SOMOS IGREJA</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/_WEl_XV8J-QQ/Sc_ZA4N4RZI/AAAAAAAAAAM/W94cLwnoJjM/S220/Eu+e+Mel%C3%A2nia+nos+nossos+50+anos.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_WEl_XV8J-QQ/Sq4gdXXgIXI/AAAAAAAAAC4/dmQSiMajA2c/s72-c/1982+-+Com+Dom+Helder,+na+Igreja+das+Fronteiras.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5704503579441133124.post-8310936145509463890</id><published>2009-09-13T13:14:00.001-07:00</published><updated>2009-09-13T13:21:21.470-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Fotos Comblin'/><title type='text'>Fotos Comblin</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_WEl_XV8J-QQ/Sq1TdjYeRXI/AAAAAAAAACw/toXxMln0TK0/s"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 400px; FLOAT: left; HEIGHT: 282px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5381048896956810610" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_WEl_XV8J-QQ/Sq1TdjYeRXI/AAAAAAAAACw/toXxMln0TK0/s400/2003+-+Com+amigos,+no+Forum+Social+Mundial,+em+Porto+Alegre.bmp" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2003 - Com amigos, no Forum Social Mundial, em Porto Alegre&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5704503579441133124-8310936145509463890?l=kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com/feeds/8310936145509463890/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com/2009/09/fotos-comblin.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5704503579441133124/posts/default/8310936145509463890'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5704503579441133124/posts/default/8310936145509463890'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com/2009/09/fotos-comblin.html' title='Fotos Comblin'/><author><name>NóS TAMBÉM SOMOS IGREJA</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/_WEl_XV8J-QQ/Sc_ZA4N4RZI/AAAAAAAAAAM/W94cLwnoJjM/S220/Eu+e+Mel%C3%A2nia+nos+nossos+50+anos.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_WEl_XV8J-QQ/Sq1TdjYeRXI/AAAAAAAAACw/toXxMln0TK0/s72-c/2003+-+Com+amigos,+no+Forum+Social+Mundial,+em+Porto+Alegre.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5704503579441133124.post-5184101828508699071</id><published>2009-09-13T13:09:00.000-07:00</published><updated>2009-09-13T13:13:47.439-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Fotos Comblin'/><title type='text'>Fotos Comblin</title><content type='html'>&lt;h&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_WEl_XV8J-QQ/Sq1RxDqNj6I/AAAAAAAAACo/N-mncH1PLnk/s1600-h/1997+-+Pe.+Jos%C3%A9+colocou+o+bon%C3%A9+do+MST.bmp"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 298px; FLOAT: left; HEIGHT: 400px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5381047033015406498" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_WEl_XV8J-QQ/Sq1RxDqNj6I/AAAAAAAAACo/N-mncH1PLnk/s400/1997+-+Pe.+Jos%C3%A9+colocou+o+bon%C3%A9+do+MST.bmp" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;1997 - Pe. José colocou o boné do MST&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5704503579441133124-5184101828508699071?l=kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com/feeds/5184101828508699071/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com/2009/09/1997-pe.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5704503579441133124/posts/default/5184101828508699071'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5704503579441133124/posts/default/5184101828508699071'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com/2009/09/1997-pe.html' title='Fotos Comblin'/><author><name>NóS TAMBÉM SOMOS IGREJA</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/_WEl_XV8J-QQ/Sc_ZA4N4RZI/AAAAAAAAAAM/W94cLwnoJjM/S220/Eu+e+Mel%C3%A2nia+nos+nossos+50+anos.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_WEl_XV8J-QQ/Sq1RxDqNj6I/AAAAAAAAACo/N-mncH1PLnk/s72-c/1997+-+Pe.+Jos%C3%A9+colocou+o+bon%C3%A9+do+MST.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5704503579441133124.post-4072854135541836535</id><published>2009-08-24T06:54:00.001-07:00</published><updated>2009-09-14T04:01:28.383-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Fotos Comblin'/><title type='text'>Fotos Comblin</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_WEl_XV8J-QQ/SpKcc2n9x4I/AAAAAAAAACA/vScCckcH7cw/s1600-h/1993+-+Celebra%C3%A7%C3%A3o+dos+70+anos+de+Jos%C3%A9+Comblin,+em+Serra+Redonda.bmp"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 400px; FLOAT: left; HEIGHT: 288px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5373529324919834498" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_WEl_XV8J-QQ/SpKcc2n9x4I/AAAAAAAAACA/vScCckcH7cw/s400/1993+-+Celebra%C3%A7%C3%A3o+dos+70+anos+de+Jos%C3%A9+Comblin,+em+Serra+Redonda.bmp" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;1993 - Celebração dos 70 anos de José Comblin, em Serra Redonda. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Da esqueda para Direita: Pe. José Comblin, Pe. Carlos Avancini, Dom Marcelo Carvalheira, Dom Helder Câmara e Dom Antônio Fragoso&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5704503579441133124-4072854135541836535?l=kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com/feeds/4072854135541836535/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com/2009/08/fotos_24.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5704503579441133124/posts/default/4072854135541836535'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5704503579441133124/posts/default/4072854135541836535'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com/2009/08/fotos_24.html' title='Fotos Comblin'/><author><name>NóS TAMBÉM SOMOS IGREJA</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/_WEl_XV8J-QQ/Sc_ZA4N4RZI/AAAAAAAAAAM/W94cLwnoJjM/S220/Eu+e+Mel%C3%A2nia+nos+nossos+50+anos.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_WEl_XV8J-QQ/SpKcc2n9x4I/AAAAAAAAACA/vScCckcH7cw/s72-c/1993+-+Celebra%C3%A7%C3%A3o+dos+70+anos+de+Jos%C3%A9+Comblin,+em+Serra+Redonda.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5704503579441133124.post-5592183916607421964</id><published>2009-08-22T09:54:00.001-07:00</published><updated>2011-11-17T06:41:00.278-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Documento fundacional; Declaração de princípios; Linhas de atuação'/><title type='text'>Quem Somos</title><content type='html'>O Grupo Kairós-NÓS TAMBÉM SOMOS IGREJA é um coletivo formado por leigas, leigos, religiosas, religiosos e ministros ordenados da Igreja Católica Romana, com sensibilidade ecumênica, integrado por membros de outras Igrejas cristãs e outras pessoas interessadas, animados pelo propósito de responder, com humildade e solicitude, à vocação missionária do Seguimento de Jesus, a serviço do Reino de Deus. Formado há dez anos, vem se encontrando periodicamente, na casa do Pe. José Comblin, para compartilhar suas angústias, desafios, alegrias, lutas, esperanças e projetos, como cidadãos e como cristãos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além dos momentos de partilha, o Grupo também se encontra periodicamente, em momentos fortes de oração, de retiro, de celebrações e diferentes atividades de caráter formativo. Tem tido como referência animadora de sua caminhada de Fé a Teologia da Libertação, da qual também é expressão a Teologia da Enxada, na perspectiva de teólogos como o próprio José Comblin, e contando com a inspiração profética de figuras como Oscar Romero, Helder Câmara, Gustavo Gutierrez, Antônio Batista Fragoso, Mahatma Gandhi, Martin Luther King, entre outras. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pela sua reconhecida atuação profética, há mais de meio século, no Brasil e na América Latina, Pe. José Comblin tem sido, desde o início do nosso Grupo, uma inspiração abençoada e sempre presente. Graças à resistência do Pe. José, o Grupo passou um bom tempo sem se identificar com um nome específico. Pretendia carregar o nome de José Comblin, em reconhecimento e homenagem pela sua incansável ação missionária entre os pobres do Brasil e da América Latina, desde 1958. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais recentemente, sentindo-se cada vez mais afinado com o promissor empenho do Movimento internacional “Nós também somos Igreja” (também conhecido como “Wir sind Kirche”) (Áustria: &lt;a href="http://www.wir-sind-kirche.at/" target="_blank"&gt;http://www.wir-sind-kirche.at/&lt;/a&gt;; Alemanha: &lt;a href="http://wir-sind-kirche.de/" target="_blank"&gt;wir-sind-kirche.de&lt;/a&gt; ), “We are Church” ( &lt;a href="http://www.we-are-church.org/" target="_blank"&gt;http://www.we-are-church.org/&lt;/a&gt;), a partir do qual se obtém informações sobre o Movimento atuando atualmente em mais de vinte países: “Nous sommes Église”, “Somos Iglesia”, “Noi siamo Chiesa”, movimento esse que já conta com dez anos de caminhada, o nosso Grupo houve por bem ajudar a engrossar as fileiras desse movimento, cujos principais objetivos (que fazemos nossos) são, entre outros: - retomar o impulso evangélico em direção a uma Igreja servidora e pobre, comprometida com a causa libertadora dos empobrecidos; - reafirmar, como ponto de partida, o espírito do Concílio Vaticano II, de modo a despertar em nós a leitura atenta dos sinais dos tempos; - o exercício da colegialidade nas principais decisões eclesiais; - reconhecer e promover o justo lugar dos leigos – especialmente das mulheres - na Igreja, nas instâncias de decisão; - a livre opção pelo celibato, no exercício de todos os ministérios (ordenados ou não); - valorização e avaliação positiva da sexualidade e afetividade, como dimensões da pessoa; - recuperar a radicalidade e simplicidade da mensagem, palavra e vida de Jesus; - a valorização da justiça social e dos direitos humanos; - a disposição para o diálogo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tendo em vista que esse Movimento ainda se acha incipiente no Brasil e na América Latina (no Chile, encontramos sinais animadores), embora já tenha dez anos de caminhada, nós queremos, em fraterno e fecundo diálogo com seus membros e representantes, em escala internacional, contribuir nessa direção, buscando dele participar com nosso rosto latino-americano e brasileiro, enfatizando a dimensão conciliar de uma Igreja servidora e pobre, na perspectiva anunciada em Medellín e Puebla, para que “a esperança dos pobres viva”, ao mesmo tempo em que também nós nos comprometemos em contribuir para a realização de uma Assembléia Mundial do Povo de Deus prevista para 2015, meio século após o encerramento do Concílio Vaticano II. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é objetivo do nosso Grupo propor nem insinuar uma “igreja paralela”. Manifestamos, na confiança e na liberdade que o Espírito de Jesus nos inspira, nosso compromisso com a permanente renovação da Igreja, na perspectiva do Seguimento de Jesus. Da nossa Igreja queremos fazer parte ativa, inclusive nas instâncias de decisão, junto com os demais membros da mesma Igreja, estando abertos ao diálogo fraterno com outras Igrejas cristãs e ao diálogo interreligioso, sentindo-nos todos como membros do mesmo Povo de Deus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assinaturas e correios eletrônicos de alguns dos membros:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alder Júlio Ferreira Calado aldercalado@gmail.com &lt;br /&gt;João da Cruz Fragoso        joaofragoso@hotmail.com.br &lt;br /&gt;Rolando Lazarte             elzarat@gmail.com &lt;br /&gt;Ricardo Brindeiro           rbrindeiro@uol.com.br&lt;br /&gt;Elias Cândido               eliascandido13@yahoo.com.br&lt;br /&gt;Angelina de Oliveira        angel9oliveira@gmail.com &lt;br /&gt;Magdala Melo                magdalamelo@gmail.com&lt;br /&gt;Romero Venâncio JUnior      romerov@uol.com.br&lt;br /&gt;José Brendan Macdonald      jobremac@gmail.com&lt;br /&gt;Renato Paulino Lanfranchi   renlan56@gmail.com&lt;br /&gt;José Hailton Bezerra Lira&lt;br /&gt;Maria das Graças Batista    gracinhaxavier2010@hotmail.com&lt;br /&gt;Antonio Paulo Cabral de Melo apcdemelo@yahoo.com.br&lt;br /&gt;Mateus do Amaral Meira      mateus.am@gmail.com&lt;br /&gt;Aparecida Paes Barreto      alpaesbarreto@gmail.com&lt;br /&gt;Francisco de Assis Gomes&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5704503579441133124-5592183916607421964?l=kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com/feeds/5592183916607421964/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com/2009/08/quem-somos_22.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5704503579441133124/posts/default/5592183916607421964'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5704503579441133124/posts/default/5592183916607421964'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com/2009/08/quem-somos_22.html' title='Quem Somos'/><author><name>NóS TAMBÉM SOMOS IGREJA</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/_WEl_XV8J-QQ/Sc_ZA4N4RZI/AAAAAAAAAAM/W94cLwnoJjM/S220/Eu+e+Mel%C3%A2nia+nos+nossos+50+anos.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5704503579441133124.post-8548588333428169876</id><published>2009-08-13T12:07:00.000-07:00</published><updated>2009-08-16T08:29:01.398-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Comblin'/><title type='text'>Dados biográficos de José Comblin</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_WEl_XV8J-QQ/SoRlMp7ZW3I/AAAAAAAAABA/DCrRDeP7vxM/s1600-h/Jos%C3%A9+Comblin+-+2.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 200px; FLOAT: left; HEIGHT: 150px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5369527923820288882" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_WEl_XV8J-QQ/SoRlMp7ZW3I/AAAAAAAAABA/DCrRDeP7vxM/s200/Jos%C3%A9+Comblin+-+2.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;José Comblin nasceu em Bruxelas (Bélgica), no dia 22 de março de 1923. Mais velho de 3 irmãos e 2 irmãs. Seus pais Alice e Firmino criaram os 5 filhos com os tradicionais valores da religião, da austeridade da época e valorizando sempre o trabalho.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Freqüentou o curso primário na escola paroquial e fez o curso secundário no Colégio São Pedro.&lt;br /&gt;Em 1940, entrou no Seminário Leão XIII, em Lovaina (Bélgica). Fez estudos de Ciências biológicas e filosofia de 1940 a 1942.&lt;br /&gt;Ingressou no Seminário São José em Malinas (Bélgica), em 1943 e fez o 1o ano de teologia. Em 1944, entrou no Seminário Maior de Malinas e cursou o 2o e o 3o ano de teologia.&lt;br /&gt;De 1946 a 1950, cursou a Faculdade de Teologia em Lovaina, tornando-se Doutor em teologia&lt;br /&gt;Sua ordenação sacerdotal se deu em 9 de fevereiro de 1947, em Malinas.&lt;br /&gt;Como sacerdote, exerceu a função de vigário cooperador na paróquia Sagrado Coração de Jesus, em Bruxelas, de 1950 a 1958.&lt;br /&gt;Além disso, foi professor de teologia no CIBI (centro de formação para seminaristas em serviço militar), Bélgica, durante o ano de 1951.&lt;br /&gt;Impulsionado pelos apelos missionários para países da África e da América Latina, solicitou ao seu Cardeal, ser enviado para a América Latina. Atendendo à solicitação do Bispo de Campinas que desejava sacerdotes doutores para contribuir na formação de seu clero, foi enviado para o Brasil, onde chegou em 30 de junho de 1958.&lt;br /&gt;De 1958 a 1962, em Campinas, SP, foi professor no seminário diocesano e na Universidade Católica de Campinas. Além disso, foi convidado para ser assistente diocesano da JOC (juventude operária católica).&lt;br /&gt;Em 1959 foi professor no Studium Theologicum dos Dominicanos em São Paulo.&lt;br /&gt;Novos apelos levaram o Pe. José Comblin ao Chile.&lt;br /&gt;De 1962 a 1965 foi professor na Faculdade de Teologia da Universidade Católica de Santiago (Chile).&lt;br /&gt;Também o Brasil vivia sob a ditadura militar, mas no Nordeste florescia uma Igreja comprometida com o mundo dos pobres e Comblin ouviu o chamado do grande pastor e profeta Dom Hélder Câmara e foi estabelecer-se em Pernambuco.&lt;br /&gt;De 1965 a 1968 foi professor no Seminário regional do Nordeste em Camaragibe e professor no Instituto de Teologia do Recife&lt;br /&gt;No início dos anos 70 passou a orientar uma experiência de formação de seminaristas que buscavam um estudo mais comprometido com a realidade e adequado ao exercício do ministério no mundo rural. José Comblin criou, então, um modo de estudo que depois ficou conhecido como Teologia da Enxada.&lt;br /&gt;Ao mesmo tempo foi convidado a dar aulas no Equador e assim, de 1968-1972 foi professor de teologia no IPLA (Quito, Equador). Passou a dar assessoria á diocese de Riobamba, cujo bispo, Dom Leônidas Proaño foi um símbolo do compromisso com a causa indígena no Equador. Até 1985 passava duas quinzenas por ano em Riobamba e continuou freqüentando a diocese até a morte de Dom Leônidas Proaño, em 1988.&lt;br /&gt;Passou, ainda, a lecionar teologia pastoral na Faculdade de Teologia da Universidade Católica de Lovaina (depois, Louvain-la –Neuve), cargo que exerceu de 1971 a 1988.&lt;br /&gt;José Comblin estava fortemente inserido na Igreja de Dom Hélder que marcava o cenário nordestino e nacional pelo seu compromisso com as causas populares. Dava assessoria a Dom Hélder na elaboração de posicionamentos, documentos e intervenções. A Igreja de Recife e Olinda era uma grande esperança para os pobres.&lt;br /&gt;Considerado subversivo e ameaçador a sistema, José Comblin foi expulso do Brasil em 24 de março de 1972.&lt;br /&gt;Decidiu, então, retornar ao Chile, onde já tinha atuado por 4 anos e contava com um círculo de amigos. Assim, estabeleceu-se em Talca onde residiu de 1972 a 1980. No entanto, pouco tempo depois, em 1973, ocorreu o golpe militar no Chile com a deposição e o assassinato de Allende. Diante disso, deixou o ensino para evitar chamar a atenção. Dava suas contribuições intelectuais inclusive ao Vicariato da Solidariedad de Santiago, única instituição que enfrentou o ditador Pinochet na questão das torturas e dos desaparecimentos durante o regime militar.&lt;br /&gt;Para o Vicariato da Solidariedad, José Comblin escreveu o seu estudo sobre a Ideologia da Segurança Nacional, a doutrina dos ditadores militares da América Latina.&lt;br /&gt;Durante o tempo que permaneceu no Chile, suas contribuições foram:&lt;br /&gt;A Fundação do Seminário Rural, em 1979, em Alto de Las Cruces, Talca: experiência de formação ao sacerdócio de jovens do meio rural respeitando a sua cultura camponesa.&lt;br /&gt;Outra colaboração foi o curso de formação para professores de religião: fundamentos bíblicos e teológicos para uma clientela de professores e lideranças populares.&lt;br /&gt;Em 1980 ocorreu a sua expulsão do Chile. Conseguiu retornar ao Brasil, com visto de turista que exigia renovação a cada 3 meses, o que o obrigava a sair do país a cada 3 meses durante 6 anos, para renovar o visto. Finalmente, em 1986 foi anistiado e recebeu novamente o visto permanente.&lt;br /&gt;Com o grupo da Teologia da Enxada e o apoio do Arcebispo Dom José Maria Pires, de João Pessoa, fundou, em 1981 no Avarzeado, PB, o Seminário Rural. Posteriormente denominado Centro de Formação Missionária, a experiência estabeleceu-se em Serra Redonda, PB. Teve o objetivo de formar sacerdotes e missionários populares para a evangelização da população rural, com uma metodologia adequada e levando em consideração e cultura camponesa.&lt;br /&gt;A partir de então, passou a dedicar-se prioritariamente à formação de lideranças populares.&lt;br /&gt;Em 1981 foi professor no Seminário Rural do Avarzeado (Pilões, PB), depois em Serra Redonda (PB), depois Centro de Formação Missionária.&lt;br /&gt;Em 1987 participou da fundação das Missionárias do Meio Popular, com o mesmo objetivo.&lt;br /&gt;Neste ano surgiu também o Programa da Árvore – formação de Animadores de CEBs na Arquidiocese da Paraíba com sua orientação.&lt;br /&gt;Em 1989 fundou o Instituto de Formação Pastoral de Juazeiro (PB) com núcleos em Mogeiro (Paraíba) e em Miracema (Tocantins).&lt;br /&gt;E desde 1995 passou a residir na Casa de Retiros São José, em Bayeux. Continua dando assessoria às diversas entidades de formação de lideranças populares no Nordeste, além da assessoria teológica para os mais diversos grupos eclesiais ou sociais no Brasil, na América Latina e no Nordeste. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5704503579441133124-8548588333428169876?l=kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com/feeds/8548588333428169876/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com/2009/08/dadis-biograficos-de-jose-comblin.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5704503579441133124/posts/default/8548588333428169876'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5704503579441133124/posts/default/8548588333428169876'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com/2009/08/dadis-biograficos-de-jose-comblin.html' title='Dados biográficos de José Comblin'/><author><name>NóS TAMBÉM SOMOS IGREJA</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/_WEl_XV8J-QQ/Sc_ZA4N4RZI/AAAAAAAAAAM/W94cLwnoJjM/S220/Eu+e+Mel%C3%A2nia+nos+nossos+50+anos.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_WEl_XV8J-QQ/SoRlMp7ZW3I/AAAAAAAAABA/DCrRDeP7vxM/s72-c/Jos%C3%A9+Comblin+-+2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5704503579441133124.post-1206251022081461900</id><published>2009-07-17T06:15:00.000-07:00</published><updated>2011-05-29T14:49:23.383-07:00</updated><title type='text'>Livros de José Comblin</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;LIVROS de JOSÉ COMBLIN&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(por ordem alfabética – na língua da publicação original e respectivas traduções)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1. La Résurrection de Jesús-Christ, Ed. Univ., Paris, 1959, 216 p.&lt;br /&gt;Hij is verrezen, Pax, La Haye, 1961, 204 p.&lt;br /&gt;La risurrezione di Gesucristo, Ed. Paoline, Roma, 1961, 253 p.&lt;br /&gt;Der Auferstandene, Styria, Graz, 1962, 253 p.&lt;br /&gt;La resurrección de Jesucristo, Carlos Lohle, Buenos Aires, 1962, 196 p.&lt;br /&gt;Ressurreição, Herder, São Paulo, 1965, 159 p.&lt;br /&gt;The Resurrection in the Plan of Salvation, Notre Dame, 1966, 176 p.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2. Théologie de la Paix T.1: Principes, Ed. Univ., Paris, 1960, 325 p.&lt;br /&gt;Teologia delia Pace, Ed. Paoline, Roma, 1962, 514 p.&lt;br /&gt;Theologie des Friedens. Biblische Cirundlagen , Styria, Graz, 1963, 448 p.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3. Échec de l’Action catholique? Ed. Univ., Paris, 1961, 172 p.&lt;br /&gt;Versagt die Katholische Aktion ? Styria, Graz, 1962, 195 p.&lt;br /&gt;Há fracasado Ia Acción catolica ? Eler, Barcelona, 1963, 154 p&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4. Educação da Fé. Os princípios da educação cristã, Ed. Herder, São Paulo, 1962, 187 p.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5. Théologie de la Paix. T.2: Applications, Ed. Univ., Paris, 1963, 199 p.&lt;br /&gt;Teologia della Pace, Ed. Paoline, Roma, 1966, 585 p&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;6. Commentaires de Jean XXIII, Pacem in Terris, Ed. Univ. Paris, 1963, 199 p.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;7. La témoignage et l’Esprit, Ed. Univ., Paris, 1964, 142 p.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;8. Hacia una teologia de la acción, Ed. Herder, Barcelona, 1964, 132 p.&lt;br /&gt;Vers une théologie de l'action, La Pensée catholique, Bruxelles, 1964, 123 p. Teologia da ação, Herder, São Paulo, 1967, 129 p.&lt;br /&gt;Verso una teologia dell'azione, Ed. A.V.E., Roma, 1967, 134 p.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;9. Nação e nacionalismo, Ed. Duas Cidades, São Paulo, 1965, 283 p.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;10. Lê Christ dans l’Apocalypse (Bibliothèque de théologie – Théologie biblique – Série III – vol 6), Desclée &amp;amp; Cie, Tournai, 1965, 268 p.&lt;br /&gt;Cristo en el Apocalipsis ( Biblioteca Herder), Herder, Barcelona, 1969, 367 p.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;11. Théologie de la Ville, Ed. Univ., Paris, 1968, 493 p.&lt;br /&gt;Teologia della Citta, Cittadelia, Assis, 1971, 501 p.&lt;br /&gt;Teologia de Ia ciudad, Ed. Verbo divino, Estella(Navarra), 1972, 407 p&lt;br /&gt;Teologia da cidade, Ed. paul., São Paulo, 1991, 301 p.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;12. Os sinais dos tempos e a evangelização, Ed. Duas Cidades, São Paulo, 1968, 321 p.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;13. O provisório e o definitivo, Ed. Herder, São Paulo, 1968, 162 p.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;14. História da teologia católica, Ed. Herder, São Paulo, 1969, 180 p.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;15. A fé no evangelho (Meditações Evangélicas 1), Ed. Vozes, Petrópolis, 1969, 84 p.&lt;br /&gt;La fe según el evangelio, Bonum, Buenos Aires, 1973, 92 P.&lt;br /&gt;La fede nei vangelo, Cittadella, Assis, 1976, 186 p.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;16. O futuro dos ministérios na Igreja latino-americana, Ed. Vozes, Petrópolis, 1969, 63 p.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;17. Cristianismo y desarrollo (IPLA), IPLA, Quito, Ecuador, 1970, 88 p.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;18. Mitos e Realidade da Secularização, Ed. Herder, São Paulo, 190, 156 p.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;19. A maior esperança (Meditações Evangélicas 2), Ed. Vozes, Petrópolis, 1970, 103 p.&lt;br /&gt;La fede nel vangelo, Cittadelia, Assis, 1976, 186 p. ( 2' parte)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;20. Théologie de la Révolution, Ed. Univ., Paris, 1970, 297 p.&lt;br /&gt;Teologia de Ia revolución. Teoria, Desclée de Brouwer, Bilbao, 1973, 379 p.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;21. Jesus de Nazaré (Meditações Evangélicas 3), Ed. Vozes, Petrópolis, 1971, 114 p.&lt;br /&gt;Jesus de Nazaret, Sal Terrac, Santander, 1974, 104 p.&lt;br /&gt;Como i discepoli lo han visto, Cittadella, Assis, 1977, 220 p. ( 1' parte )&lt;br /&gt;Jesus of Nazareth. Meditations on his humanity, Orbis Books, Maryknoll, 1976, 167 p.; Gill &amp;amp; Macmillan, Dublin,, 1979, 167 p.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;22. A Oração de Jesus (Meditações Evangélicas 4), Ed. Vozes, Petrópolis, 1973, 98 p.&lt;br /&gt;La oración de Jesús, Sal Terrae, Santander, 1977, 96 p.&lt;br /&gt;Como i discepoli lo han visto, Cittadelia, Assis, 1977, 220 p. ( 2a parte)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;23. Théologie de la pratique révolutionnaire, Ed. Univ., Paris, 1974, 381 p.&lt;br /&gt;Teologia de la práctica revolucionaria, Desclée de Brouwer, Bilbao, 1979, 408 p.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;24. Teologia de la misión, Latinoamérica Libros, Buenos Aires, 1974, 116 p.&lt;br /&gt;The meaning of mission, Orbis Books, Maryknoll, 1977, 142p.;&lt;br /&gt;Gill &amp;amp; Maemillan, Dublin, 1980, 142p,.&lt;br /&gt;Teologia da missão, Vozes, Petrópolis, 1980, 93 p.&lt;br /&gt;Teologia della missione, Borla, Roma, 1982, 138 p.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;25. O enviado do Pai (Meditações Evangélicas 5), Ed. Vozes, Petrópolis, 1974, 99 p.&lt;br /&gt;El enviado del Padre, Sal Terrae, Santander, 1977, 104 p.&lt;br /&gt;Sent from the Father, Meditations on the Fourth Gospel, Orbis Books, Maryknoli, 1978, 115 p.; Gill &amp;amp; Macmillan, Dublin, 1979, 1 1 5 p.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;26. A Fé Popular no Nordeste, Ed. Beneditina ltda, Salvador, Bahia, 1974, 100 p.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;27. A liberdade cristã (Meditações Evangélicas 6), Ed. Vozes, Petrópolis, 1977, 130 p. http://www.4shared.com/document/tgEcsMqC/A_LIBERDADE_CRISTA_Jose_Combli.html&lt;br /&gt;La libertad cristiana, Sal Terrac, Santander, 1979, 144 p&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;28. Lê pouvoir militaire en Amérique latine. L’Idéologie de la Sécurité Nationale, JP Delarge, Paris, 1977, 229 p.&lt;br /&gt;A Ideologia da Segurança Nacional. O Poder Militar na América latina, Civilização brasileira, Rio de Janeiro, 1978, 251 p.&lt;br /&gt;El poder militar en América latina, Sígueme, Salamanca, 1978, 286 p.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;29. Teologia da Enxada. Uma experiência da Igreja no Nordeste, Ed. Vozes, Petrópolis, 1977, 116p.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;30. O Espírito no Mundo (Meditações Evangélicas 7), Ed. Vozes, Petrópolis, 1979, 114 p.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;31. The Church and the National Security State, Orbis Books, Maryknoll, 1979, 236 p.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;32. Evangelizar (Meditações Evangélicas 8), Ed. Vozes, Petrópolis, 1982, 123 p.&lt;br /&gt;Evangelizzare, Borla, Roma, 1982, 123 p.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;33. O tempo da ação. Ensaio sobre o Espírito e a história, Ed. Vozes, Petrópolis, 1982, 389 p.&lt;br /&gt;Tiempo de acción. Ensayo sobre el Espiritu y Ia historia, CEP-CETA, Lima, 1986, 532 p.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;34. Jesus Cristo e sua missão (Breve Curso de teologia 1), Ed. Paulinas, S.Paulo, 1983, 256 p.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;35. O Espírito Santo e sua missão (Breve Curso de teologia 2), Ed. Paulinas, S. Paulo, 1984, 348 p.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;36. O clamor dos oprimidos. O clamor de Jesus. (Meditações Evangélicas 9), Ed. Vozes, Petrópolis, 1984, 63 p.&lt;br /&gt;El clamor de los oprimidos. El clamor de Jesús, Ed. Rehue, Santiago de Chile, 1986, 57 p.&lt;br /&gt;Cry of the Oppressed- Cry of Jesus, Orbis Books, Maryknoil, 1988, 87 p.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;37. Teologia da Libertaçao, Teologia neo-conservadora e Teologia liberal (Teologia orgânica 14), Ed. Vozes, Petrópolis, 1985, 135 p.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;38. A Igreja e sua missão (Breve Curso de Teologia 3), Ed. Paulinas, S. Paulo, 1985, 330 p.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;39. Epístola aos Filipenses (Comentário Bíblico), Ed. Vozes, Impr. Metodista, Ed. Sinodal, 1985, 65 p.&lt;br /&gt;Lettera al Filippesi ( Comentario biblico), Borla, Roma, 1987, 102p.&lt;br /&gt;Filipenses ( Comentario biblico ecumenico NT), La Aurora, Buenos Aires, 1988, 76 p&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;40. Antropologia cristã (Teologia e Libertação. Série 111, t 1),Vozes, Petrópolis, 1985, 272 p&lt;br /&gt;Antropologia cristiana ( Teologia y Liberación. Serie 111, t. 1), Ed. Paul., Madrid- Buenos Aires, 1985, 283 p.&lt;br /&gt;Das Bild vom Menschen ( Bibliothek Theologie der Befteiung), Patmos, Düsseldorf, 1987, 280 p.&lt;br /&gt;Antropologia cristiana ( Teologias e Liberazione ),Cittadella, Assis, 1987, 270 p.&lt;br /&gt;Betrieving the Human. A Christian Anthropology ( Theology and Liberation ),&lt;br /&gt;Orbis Books, Maryknoll, 1990, 259 p.;&lt;br /&gt;Being Human. A Christian Anthropology (Liberation and Theology), Bums &amp;amp; Oates, 1990, 251p.&lt;br /&gt;Anthropologie ehrétienne ( Collection Libération), Cerf, Paris, 1991, 265 p.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;41. Epístola aos Colossenses e Epístola a Filêmon (Comentário bíblico), Vozes, Impr. Metod. Ed. Sinodal, 1986, 110 p.&lt;br /&gt;Lettera ao Colossesi. Lettera a Filemon ( Comentario biblico), Borla, Roma, 1987, 151 p.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;42. A sabedoria cristã (Breve curso de teologia. 4), Ed. Paul., São Paulo, 1986, 242 p.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;43. A Força da Palavra, Vozes, Petrópolis, 1986, 406 p&lt;br /&gt;La forza della parola, EMMI della Coop. SERMIS, Bologna, 1989, 462 p.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;44. Teologia da reconciliação: Ideologia ou Reforço da Libertação ? (Teologia orgânica. 19), Vozes, Petrópolis, 1987, 88 p.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;45. O Espírito Santo e a Libertação (Teologia e Libertação, série 11, t. 4) Vozes, Petrópolis, 1987, 231 p.&lt;br /&gt;El Espiritu Santo y Ia Liberación ( Cristianismo y sociedad), Ed. Paul., Madrid, 1987, 247 p.&lt;br /&gt;Der Heilige Geist ( Bibliothek Theologie der Befreiung ), Patmos, Düsseldorf, 1988, 235 p.&lt;br /&gt;The Holy Spirit and Liberation (Theology and Liberation series), Orbis Books, Maryknoll, 1999, 211p&lt;br /&gt;Spirito Santo e liberazione ( Teologia e Liberazione), Cittadelia, Assis, 1989, 177 p.&lt;br /&gt;L'Esprit Saint ( Collection Libération), Cerf, Paris, 1994, 206 p&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;46. Epístola aos Efésios ( Comentário bíblico), Vozes, Impr.- Metod., Ed. Sinod., 1997, 1 11 p.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;47. Reconciliación y liberación, CESOC, Ed. Chile y America, Santiago, 1987, 264 p.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;48. Atos dos Apóstolos. Vol. 1 (Comentário bíblico), Vozes, Impr.Metod., ed. Sinodal, 1988, 214 p.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;49. Atos dos Apóstolos. Vol. 2 (Comentário bíblico), Vozes, Impr. Metod., ed. Sinodal, 1989, 195 p.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;50. Segunda Epístola aos Coríntios ( Comentário bíblico), Vozes, Impr. Metod., Ed. Sinodal, 1991, 242 p.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;51. Paulo. Trabalho e Missão, ed. FTD, São Paulo, 1991, 88 p.&lt;br /&gt;Pablo: Trabajo y Mission, Ed. Sal Térrea, Santander, Espanha, 1994, 153 p.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;52. Padre Cícero de Juazeiro (Coleção Homens e Mulheres do Nordeste. Serie Os refigiosos 1), Ed. Paul., São Paulo, 1991, 32 p.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;53. Padre lhiapina (Coleção Homens e Mulheres do Nordeste. Serie Os religiosos 3), Ed. Paul. 1993, 48 p.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;54. Realidad y desafios para los cristianos hoy, Centro latinoamericano, Córdoba, 1993, 64 p.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;55. Paulo, Apostolo de Jesus Cristo, Vozes, Petrópolis, 1993, 198 p.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;56. Viver na Cidade. Pistas para unia pastoral urbana, Paulus, São Paulo. 1996, 57 p.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;57. Cristãos rumo ao século XXI. Novos caminhos de libertação, Paulus, São Paulo, 1996, 373 p.&lt;br /&gt;Cristianos rumbo al síglo XXI. Nuevo camíno de liberación, San Pablo, Madrid, 1997, 443 p.&lt;br /&gt;Call for Freedom. The Changing Context of Liberation Theology, Orbis Books, Maryknoil, 1998, 252p.&lt;br /&gt;Oú en est la Théologie de la Libération – L’Église catholique et les mirages du néolibéralisme, L’Harmattan, Paris, France, 2003, 312 p&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;58. Vocação para a liberdade, Paulus, São Paulo, 1999, 319 p.&lt;br /&gt;Vocación a Ia libertad, San Pablo, Madrid, 1999, 341 p.&lt;br /&gt;59. Pastoral urbana. O dínamisino na evangelização, Vozes, 1999, 70 p.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;60. O neoliberalismo, ideologia dominante na virada do século ( Teologia e libertação, serie VI, I), Vozes, Petrópolis, 2000, 187 p.&lt;br /&gt;El Neoliberalismo – Ideologia dominante em el Cambio de Siglo, Ediciones Chile América CESOC, Santiago, Chile, 2002, 253 p&lt;br /&gt;Le Néolibéralisme, L’Harmattan, Paris, France, 2003, 203 p.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;61. O Povo de Deus, Paulus, São Paulo, 2002, 416 p.&lt;br /&gt;People of God, Orbis Books, Maryknoll, New York, 2004, 230 p.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;62. Um novo amanhecer ?, Vozes, Petrópolis, 2002, 76 p.&lt;br /&gt;Prima la Chiesa,poi l’uomo.Bilancio sul papato di Wojtyla La meridiana,Molfetta,2002, 77 p&lt;br /&gt;63. Os desafios da cidade no século XXI, Paulus, São Paulo, 2002, 51 p.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;64. O Caminho, Paulus, São Paulo, 2004, 227 p.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;65. O que é a verdade ? Paulus, São Paulo, 2005, 79 p.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;66. Quais os desafios dos temas teológicos atuais ? Paulus, São Paulo, 2005, 96 p.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;67. .&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;pro manuscrito&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;68. A Vocação Crista do Brasil, Campinas, 1961, 26 p&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;69. Retiros para as missionárias, João Pessoa, 1991, 138 p.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Publicações populares em colaboração&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;70. Curso básico para animadores de comunidades de base, 4a. ed. Aumentada, Paulus, São Paulo, 1987, 153 p.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;71. coleção A novidade de Jesus, 8 fascículos, ed. paulinas, 1986&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;72. coleção Curso popular de história da Igreja, 8 fascículos, ed. Paulinas, 1993.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;73. coleção Curso de formação cristã , Instituto de formação pastoral-Juazeiro (BA), 24 fascículos, ed. Paulinas, 1989&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5704503579441133124-1206251022081461900?l=kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com/feeds/1206251022081461900/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com/2009/07/livros-de-jose-comblin.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5704503579441133124/posts/default/1206251022081461900'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5704503579441133124/posts/default/1206251022081461900'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com/2009/07/livros-de-jose-comblin.html' title='Livros de José Comblin'/><author><name>NóS TAMBÉM SOMOS IGREJA</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/_WEl_XV8J-QQ/Sc_ZA4N4RZI/AAAAAAAAAAM/W94cLwnoJjM/S220/Eu+e+Mel%C3%A2nia+nos+nossos+50+anos.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5704503579441133124.post-1676759553925958170</id><published>2009-07-13T04:25:00.000-07:00</published><updated>2009-07-13T04:26:45.512-07:00</updated><title type='text'>Fe, esperança, e ação, por José Comblin</title><content type='html'>&lt;p&gt; Como todos sabemos, o Cristianismo não é uma religião. Mas, historicamente gerou uma religião. Muitas vezes se acentuou tanto essa religião que se fez esquecer o que realmente é a mensagem de Jesus. Essa religião é válida na medida em que ajuda a entrar no projeto de Jesus. Se assim não fosse, a religião cristã seria o obstáculo maior para o Evangelho de Jesus. Nos dias de hoje, a coisa tornou-se mais clara do que no passado, quando o Cristianismo foi submetido aos poderes temporais, e por isso devia encobrir, esconder o Evangelho de Jesus, e apresentar-se como a religião do Estado.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;O Cristianismo é uma esperança, mas é uma esperança diferente de todas as outras, uma esperança única, sem imitação. Todos os povos vivem de esperança. Por exemplo, os Índios da América do Sul esperam na vinda da “terra sem males”. Pensam: “Um outro mundo é possível.” Mas, possível como?&lt;/p&gt; &lt;p&gt;No tempo de Jesus, muitos judeus ficaram impressionados com a persistência dos males neste mundo. Eram os autores e seguidores dos apocalipses. Chegaram a pensar que um outro mundo não seria possível nesta terra, com essa humanidade, mas virá um outro mundo após a destruição deste, e só então teremos a realização da esperança. Em diferentes épocas da cristiandade, essa mesma idéia reapareceu exatamente quando os males eram tão grandes, que pareciam insuperáveis, e toda esperança acenava para a vinda de outro mundo.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Também no Judaísmo, no mesmo contexto apocalíptico, apareceu a idéia da ressurreição. Tal idéia quer dizer que também nós e os irmãos defuntos entraremos nesse mundo novo, no futuro, porque vamos ressuscitar.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Em muitas partes do mundo, há a esperança de que a mudança do mundo virá por meio de um grande milagre, pelo poder de algumas forças sobrenaturais, pela intervenção de uma divindade. A certa altura, uma divindade vai resolver eliminar todos os pecadores e todos os males do mundo, deixando-nos um mundo livre e feliz. Só que para se conseguir tal benefício das forças superiores, é preciso pedir insistentemente e oferecer todos os dons que as religiões inventaram. Seria preciso viver virtuosamente num grupo tão perfeito, a ponto de sensibilizar a divindade. Seria preciso cumprir as leis e os preceitos que os deuses exigissem. Por meio de muitos esforços religiosos e morais, a humanidade alcançaria esse imenso dom divino que é a transformação da humanidade.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Houve momentos na história em que a esperança se encarnou num imperador, em um faraó, em um rei santo e perfeito. Quantas vezes, por ocasião do nascimento do filho do rei, pensaram: agora vem o rei salvador. Quando os reis da França eram ungidos e coroados, em Reims, o povo simples pensava que o rei havia feito um milagre, curando os doentes. Mas, depois, a esperança não durava muito. Quando Constantino publicou o edito de tolerância e logo depois multiplicou os privilégios dos bispos e dos sacerdotes, muitos, a exemplo de Eusébio de Cesaréia, pensaram que o reino de Deus anunciado por Jesus havia chegado. Aí começou a ilusão da cristandade. A cristandade seria a manifestação terrena do reino de Deus. Nada mais se deveria esperar. Tal ilusão permaneceu viva durante todos os séculos até o presente. E ainda permanece na mente de muitos eclesiásticos. Se os governantes se deixarem guiar pela Igreja, como se supõe tanha acontecido durante o Sacro Império Romano, se realizaria de novo o reino de Deus na terra. Então, a esperança se colocará na conversão dos governantes que se tornarão novos Constatinos e novos Teodósios. O sonho dos imperadores cristãos do Oriente, o sonho dos reis bárbaros convertidos, o sonho de Carlos Magno, o sonho do império romano germânico ainda está vivo, ainda que sob formas diferentes para esconder seu caráter obsoleto.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;A cristandade era o reino da Igreja, e portanto do clero, com o poder temporal a seu serviço. O papa tinha duas espadas. A primeira, ele usava diretamente, e para o exercício da segunda, delegava poder ao imperador cristão.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Quando Joaquim de Fiore anunciou que essa cristandade ainda não era o reino do Espírito Santo, mas este chegaria mais tarde, foi condenado e rejeitado, não apenas pelos poderes eclesiásticos, mas também por teólogos que estavam, todos, a serviço da cristandade. Por conseqüência, não se devia esperar, mas crer: o reino de Deus já estava aí presente. Reino que ainda tinha seus defeitos, mas só por meio dele é que se podia esperar alcançar o céu. Nada de novo na terra podíamos esperar. Certamente havia muitos que não se conformavam e continuavam a esperar um mundo melhor, já neste mundo. Mas, de acordo com a doutrina oficial, nada mais se podia esperar. A Igreja retinha todos os dons de Deus. E portanto o reino de Deus estava dentro da Igreja. A Igreja era o grande dom de Deus para a humanidade. Por Igreja se entendia a Cristandade com toda sua organização de poder.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;No seio da Cristandade nasceu uma outra esperança. É possível uma outra Igreja. Esta esperança nasceu no meio dos pobres das cidades. O movimento dotado de um simbolismo muito forte e de força espiritual nasceu de Francisco de Assis. Depois dele e de outros chamados Mendicantes, houve todo um movimento que desejava uma reforma para que se realizasse aquela nova Igreja. Trezentos anos mais tarde, muitos haviam pensado que essa nova Igreja possível deveria ser independente do clero e do Papa. Romperam com estes. Mas, em muitos casos, caíram nos mesmos erros, porque não compreenderam a fonte de corrupção do clero que era a aliança com os poderes econômicos, políticos e culturais. Não haviam descoberto os pobres, salvo algumas exceções que foram espezinhadas.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Entretanto, a partir do século XVI, alguns começaram a ler a Bíblia com os próprios olhos, e não com os olhos da teologia oficial. Pouco a pouco, foram descobrindo que a chamada Cristiandade não era o projeto de Jesus. Jesus havia anunciado o reino de Deus sem poder, sem religião, sem exército. O reino de Deus não era o reino da Igreja, mas a vinda de um mundo novo, mais humano.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Iniciava-se um movimento de laicização da esperança que resiste até hoje, mesmo que com menos força. Para esses na Cristandade não havia mais esperança, mas submissão aos poderes constituídos. Mais de dois séculos de monarquia haviam paralisado a esperança. Os primeiros missionários franciscanos alcançaram a América para fundarem o reino de Deus que era então impossível ao interno da Cristiandade européia. Não durariam porque o rei da Espanha os obrigou a ficarem presos em seus conventos.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Ao fim do século XVII, já havia toda uma corrente intelectual que estava convencida de que o novo reino anunciado por Jesus só se realizaria depois da queda da Cristiandade. O Novo Mundo seria construído contra a Cristandade, e agiram em funão desta convicção. Foram trezentos anos de luta entre as forças laicas e instituições eclesiásticas que resistiram e se defenderam, mas que depois foram perdendo todas as batalhas. Ainda hoje, as forças dominantes na Igreja romana seguem a mesma orientação de reconstrução da Cristiandade.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Nessa época de formação e crescimento da modernidade, torna-se cada vez mais claro que um outro mundo é possível, mas que esse mundo nós mesmos é que haveremos de fazer.Jesus não veio anunciar um grande milagre da parte de Deus ou a transformação da humanidade por meio de uma religião que pretende ter origem em Jesus. Um outro mundo é possível, e cabe a nós fazê-lo. Sobre esse ponto, está se produzindo um desenvolvimento extraordinário e progressivo da capacidade humana de agir no mundo e na sociedade, com toda a liberdade.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;O movimento começou pela Física, que permitia desenvolver um método científico que emancipava/libertava a razão do pensamento simbólico incapaz de agir sobre o mundo. Depois, chegou a ciência da Política com sua crítica das instituições fundadas sobre as tradições e não sobre a razão. Era o século XVIII. O resultado foi a queda monarquia e da Cristiandade. Já no início do século XVIII, começava a revolução industrial que iria multiplicar a capacidade de agir sobre a terra, para extrair dela uma infinidade de metais e de matérias-primas, multiplicando as formas do trabalho. Era a sociedade liberal pondo os pés no século XIX. A revolução industrial arrancou os agricultores da terra, para deles fazer um proletariado industrial.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Mas, diante da miséria do proletariado nasceu a idéia de que a sociedade não podia ser abandonada à espontaneidade do mercado, mas tem necessidade de estar organizada nacionalmente para que todos pudessem participar. Por volta da metade do século XIX, despontou o Socialismo.que, de algum modo, levou a uma grande humanização da vida social. Assim, o mundo mudou de maneira sensível.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Todas essas mudanças se fizeram contra a resistência da Igreja. Foi com muito atraso que os católicos se libertaram da hierarquia, mas o suficiente para entrarem nos movimentos sociais, ainda que muito tardiamente. O Cristianismo permaneceu com a fama de seu um obstáculo ao progresso humano. Ainda hoje, a coisa não está superada na mentalidade das massas instruídas.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Foram as revoluções, todas inspiradas pela mensagem cristã contra a organização eclesiástica. Todas essas revoluções foram demonstrações grandiosas da esperança aberta pela mensagem de Jesus. A história real dessas revoluções preparadas e vividas depois por milhões de seres humanos é uma coisa inimaginável! Que dose forte de esperança! Que esperança sem limite experimentada por tantas gerações desde o século XVI! A Igreja orientava a esperança para a vida eterna, junto com todo o seu aparato religioso. Defendia a Cristandade sem saber o que estava ocorrendo. Os cristãos que entendiam a mudança eram rapidamente reprimidos. Por certo, os cristãos não ficaram inertes.Até à metade do século XIX, a grande maioria dos habitantes ainda vivia no campo. A Cristiandade aí sobrevivia, e no entanto, aí nasceram muitas obras que produziram muitos frutos, nesse resto de Cristiandade.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;A descoberta da realidade histórica só aconteceu quando quase a totalidade dos habitantes vem morar na cidade, trabalhando na indústria e nos serviços. Só então ficou claro que a Cristiandade havia desaparecido, dela só restando fragmentos da população.ainda fiel às tradições do passado. Só então ficou claro que toda a máquina eclesiástica feita para uma Cristiandade se revelava inútil, ineficiente. Todos os apelos missionários se mostraram ineficazes porque o mundo havia mudado, enquanto a estrutura eclesiástica não havia mudado. E agora que esperança permanece para nós?&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Entretanto, no início do século XXI, parece que a esperança está morta em todas as regiões atingidas pela civilização ocidental, e portanto para quase toda a humanidade. A ciência se desenvolveu mais do que nunca, e multiplica os efeitos, mas acabou a esperança numa ciência capaz de produzir uma sociedade nova. Ao contrário, se tomou consciência de que a ciência pode cair nas mãos da guerra ou da paz.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;A sociedade industrial e financeira que devia garantir a abundância e a felicidade para todos, gerou uma enorme população de miseráveis. A crise desses anos, mostra a grande desilusão. As promessas de uma sociedade democrática mostram-se mais distantes do que nunca de sua realização. A democracia é objeto de ridicularização, de sarcasmo e desprezo, porque deixa os pobres sem a possibilidade de influírem nas decisões. A retórica política serve para enganar os povos e fazer com que a realidade apareça sem perspectiva em relação ao que deve ocorrer dentro de cinqüenta anos.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;O Socialismo foi abandonado por muitos dos seus movimentos e partidos, todos convertidos ao Capitalismo, porque não sabem qual o conteúdo do Socialismo e preferem participar das vantagens do poder. O que aconteceu? O que não funcionou? Por que tantas esperanças suscitadas durante quatrocentos anos acabaram num sentimento de frustração?&lt;/p&gt; &lt;p&gt;A resposta não é difícil, embora pareça surpreendente para muitos. Todas as tentativas para fundar um novo mundo, que aqui evocamos, tinham origem na classe superior. Queriam um mundo novo para uma mudança feita de cima para baixo. Parecia que tinha que ser assim.Os que estão de cima sabem mais e têm o poder. Todos eles têm os elementos para formar uma nova sociedade. Na verdade, esses têm ciência e poder. Mas o caminho por eles escolhido não era o caminho de Jesus.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Jesus havia anunciado o reino de Deus, um mundo novo. Mas Ele convidou os pobres. Os modernos tiveram seus atenuantes. A própria Igreja não anunciava essa mensagem de Jesus. Quem pensava que dos pobres pode vir algo de bom? Mesmo no tempo de Jesus se dizia: “O que de Nazaré pode vir de bom?” &lt;/p&gt; &lt;p&gt;Jesus não tinha poder. Não possuía a ciência deste mundo. Escolhera o caminho da pobreza, do não-poder para dirigir sua palavra aos pobres da Galiléia. Não era só um episódio edificante. Era, antes, um caminho proposto a todos os seus seguidores.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Os pobres não têm armas, não têm poder, não têm conhecimento. Mas, são os únicos que aspiram a um mundo novo. As elites, por mais que sejam revolucionárias, ficam satisfeitas quando descobrem um lugar importante nas mudanças que provocaram. Para muitos a revolução foi o caminho de ascensão social e econômica. O discurso era bonito, mas faltava a vontade de levantar as energias dos pobres.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Os que se acham em posição superior temem perder as vantagens que têm, e por isso controlam e limitam com cuidado as mudanças e impedem que os pobres definam as regras da vida social. Os pobres são os únicos que não têm nada a perder.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;É verdade que também os pobres podem corromper-se, podem entrar na mesma dinâmica dos poderosos, quando ocorre alguma oportunidade. Também Jesus sabia disso, e por isso multiplica os ensinamentos, as instruções. O conteúdo da mensagem é sempre o mesmo para os pobres: “que não se deixem corromper.”&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Jesus não disse quanto tempo era para esperar a criação de mundo novo. Mas fez um desafio aos seus pobres para que entrassem no movimento a partir do lugar onde haviam nascido, sem prestígio e sem poder. É claro que os pobres devem ser despertados, estimulados e apoiados em sua fé. Para isto é que Jesus enviou os apóstolos. Sua missão é a mesma: suscitar e apoiar a fé dos pobres em sua missão. Os pobres têm um profundo sentimento de impotência e de incapacidade. Muitas vezes, esse sentimento vem associado a um sentimento de culpa: Eles podem sentir-se culpados porque são os vencidos da sociedade. Por isso precisam do apoio de pessoas proféticas para recordar o verdadeiro Evangelho de Jesus.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Os profetas deverão dizer aos pobres que a força de Deus, a força do Espírito Santo permence com eles, e que essa força será mais forte do que as forças dos poderosos. Alguns creram em nós? Tiveram fé? Muitos tiveram fé e na vida deles buscaram todas as formas de ação coletiva para mudar este mundo. E o fizeram com uma coragem heróica. Conseguiram resultados? Certamente. Não mudaram tudo. Reapareceram sempre novas formas de poder e novas classes de poderosos, e sempre tiveram que retomar a luta. No entanto, não perderam o ânimo. Não perderam a esperança. Ao contrário, mantiveram-se portadores de esperança.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Não podemos pensar que se alguém faça um milagre como se pensava que Deus o teria feito. &lt;/p&gt; &lt;p&gt;Não haverá uma mudança repentina e total no mundo. Mas é uma ação paciente, lenta, progressiva para conquistar patamares de mais justiça e de uma paz mais sólida nas relações humanas. Os únicos capazes de fazê-lo são os pobres com a sua perseverança, com a sua audácia, com a sua coragem de desafiar os poderosos. O saber dos sábios deve ser orientado pelos pobres. A organização política deve ser controlada pelos pobres.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Os discípulos de Jesus são portadores desta esperança, se forem verdadeiros discípulos de Jesus, e não se restringem às palavras. Jesus não veio para ensinar um culto, uma religião, mas para infundir uma esperança, enviando o Espírito que é a força desta esperança.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Festa Macondo, 2009&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5704503579441133124-1676759553925958170?l=kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com/feeds/1676759553925958170/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com/2009/07/fee-speranca-e-acao-por-jose-comblin.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5704503579441133124/posts/default/1676759553925958170'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5704503579441133124/posts/default/1676759553925958170'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com/2009/07/fee-speranca-e-acao-por-jose-comblin.html' title='Fe, esperança, e ação, por José Comblin'/><author><name>NóS TAMBÉM SOMOS IGREJA</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/_WEl_XV8J-QQ/Sc_ZA4N4RZI/AAAAAAAAAAM/W94cLwnoJjM/S220/Eu+e+Mel%C3%A2nia+nos+nossos+50+anos.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5704503579441133124.post-1833062621276544461</id><published>2009-06-18T12:19:00.000-07:00</published><updated>2009-06-18T12:50:07.478-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='a acção social da Igreja'/><title type='text'>LIÇÕES DE VIDA</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_WEl_XV8J-QQ/SjqZ3a8JhyI/AAAAAAAAAA4/zkHNIAbMYQw/s1600-h/Digitalizar0001.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 142px; height: 200px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_WEl_XV8J-QQ/SjqZ3a8JhyI/AAAAAAAAAA4/zkHNIAbMYQw/s200/Digitalizar0001.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5348756684859344674" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;D. Antônio Fragoso – 1997&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Estas, não são “lições de vida” que quero ensinar aos outros. São “lições” que a vida continua a me ensinar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1 – &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;A IGREJA DE MINHA FÉ:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Creio que a Igreja, isto é, a Comunidade dos Seguidores de Jesus, a Fraternidade dos Discípulos, é NINHA MÃE.&lt;br /&gt;Minha mãe Igreja, bem mergulhada na Humanidade, é SANTA e é PECADORA.&lt;br /&gt;Bendito seja Deus, que não fez uma Igreja de ANJOS ou de BEM AVENTURADOS, mas de SERES HUMANOS “filhos pródigos” que são chamados a cair em si, reconhecer o seu pecado e VOLTAR, as mãos vazias, o coração confiante.&lt;br /&gt;Creio que minha Mãe Igreja, muitas vezes na História, também hoje, tem muitas rugas no rosto, tem pernas trôpegas, está corcunda, carrega sinais inegáveis de esclerose.&lt;br /&gt;Mas esta Mãe envelhecida é MINH MÃE. Eu a amo. E me sinto solidário do seu pecado. Como poderei atirar pedras em minha MÃE IGREJA, se o PECADO DELA é o MEU PECADO?&lt;br /&gt;Meu apelo (que Deus, que a Sociedade faz a mim, cada dia) é cair em mim, reconhecer o meu pecado, voltar (conversão) aos Pobres, ao Evangelho, ao Pai – junto com a Mãe Igreja.&lt;br /&gt;Creio que, em minha Mãe Igreja, habita, jovem, livre, de ASAS PAIRANDO sobre a caminhada tumultuosa da história, o ESPÍRITO SANTO.&lt;br /&gt;Ele engravida minha Mãe Igreja para conceber, gestar e dar à luz UM ROSTO NOVO, mais humano, mais evangélico.&lt;br /&gt;Esse rosto se revela sob MIL SINAIS que o olha da Fé identifica e celebra. São as “minorias abraâmicas”, as “Comunidades Eclesiais de Base”, os “Tropeiros de Emaús”, a “Irmandade do Servo Sofredor”, A sede de Deus que se expressa sob forma de RELIGIÕES, IGREJAS, GRUPOS RELIGIOSOS AUTÔNOMOS, no mundo inteiro, etc.&lt;br /&gt;Creio no Reino de Deus, que minha Mãe Igreja sinaliza sacramentalmente e trai muitas vezes de modo escandaloso.&lt;br /&gt;Creio que a Igreja da minha Fé já é o REINO, mas não é TODO o REINO.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2. &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;MINHA MÃE IGREJA, “MÃE E MESTRA"&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Creio que a Comunidade dos Seguidores de Jesus – o Discípulo – propaga a Missão de Jesus, hoje, “gerando” e “nutrindo”.&lt;br /&gt;A Comunidade toda tem o “carisma” docente.&lt;br /&gt;A Comunidade eclesial, por escolha livre de Deus, os “Doze” (O Colégio, com o Papa e acolhendo o seu Carisma de confirmar os Irmãos na Fé e ser princípio e promotor da UNIDADE na DIVERSIDADE) têm o Carisma de “Mãe e Mestra”, do “Magistério Doutrinário e Pastoral”.&lt;br /&gt;Na comunidade, todos os que receberam a Graça do “sensus fidelium” têm o Carisma de “Mãe e Mestra”.&lt;br /&gt;A articulação orgânica do Carisma fundamental de todo o Discipulado com o Carisma insubstituível dos Doze é um DESAFIO permanente. As sínteses históricas, já elaboradas e vivenciadas, são constantemente ameaçadas pela emergência dos “Centralismos Autoritários”, da “Neo-Cristandade”, de um lado, e, do outro lado, pela visão e prática de uma Igreja sem o carisma de Confirmar os Irmãos na Fé, de Pastorear o Rebanho, confiado, de modo irrecusável aos doze.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3. &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;A IGREJA MINISTERIAL&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Creio que o Ministério de Jesus se prolonga historicamente na Comunidade Eclesial. Toda ela é MINISTERIAL.&lt;br /&gt;Primeiro, na Igreja, não é o Ministério insubstituível dos Doze Primeiros, é o Ministério básico de todos os Discípulos.&lt;br /&gt;O Ministério dos Doze está ao SERVIÇO (diaconia!) do Ministério da Comunidade.&lt;br /&gt;Creio que, em conseqüência, o Coração da Igreja Particular não é o SEMINÁRIO e/ou o PRESBITÉRIO.&lt;br /&gt;O Coração da Igreja Particular é o Ministério da Comunidade. A essa Diaconia se deve destinar, com prioridade, o investimento em Pessoas, Recursos, Equipamentos.&lt;br /&gt;Creio que essa “desclericalização” dos Ministérios exige uma Mudança (Conversão) no Discurso e na Prática da Igreja. E ela provocará uma REFONTILIZAÇÃO do Ministério especifico dos Doze.&lt;br /&gt;Creio no Carisma humilde, diaconal e evangélico do Ministério hierárquico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4. &lt;span style="font-weight: bold;font-family:arial;" &gt;A IGREJA E SEUS PECADOS HISTÓRICOS&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Eu fui educado para a “apologética”. A Igreja é SANTA e fonte de Santidade. Os Inimigos (Adversários) a acusam injustamente. É preciso defendê-la.&lt;br /&gt;Creio que a Mãe Igreja tem muitos pecados históricos. Ela é chamada a ser como “filho pródigo”, sempre “Ecclesia sempre convertendo”.&lt;br /&gt;Caindo em si, reconhecendo publicamente o seu pecado, a Igreja se torna o ROSTO HISTÓRICO DA TERNURA DE DEUS. Não, “o” rosto. Há muitos sinais de que, na Humanidade toda, o Espírito Santo suscita novos “rostos” da ternura de Deus.&lt;br /&gt;A Mãe Igreja, convertendo-se, torna-se “UM” rosto da Ternura de Deus, que atrai para o Projeto de Javé, para o Reino, para a Construção, em processo histórico, de uma “terra nova” e de um “céu novo”.&lt;br /&gt;Creio na Missão (Ministério e Vocação) da Comunidade dos Seguidores de Jesus de identificar a Presença do Reino dentro da Sociedade Humana, batizá-lo com o seu nome REINO , celebrá-lo na Festa e no Júbilo.&lt;br /&gt;Creio que a Igreja batizando e celebrando o Reino não tem o direito e “IMPOR”, por proselitismo, por controlismo autoritário, por ditadura farisaica, a sua Fé, a sua Mensagem, o seu Modo de louvar e servir a Deus.&lt;br /&gt;Creio que o Testemunho humilde (sempre buscando a conversão dos seus pecados) da Igreja será como uma LUZ que não se esconde debaixo de uma mesa, mas se esconde dentro da Comunidade humana, para que os que a vêem GLORIFIQUEM, não a Igreja, mas A DEUS.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5. &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;A IGREJA É OS POBRES&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;O Projeto da Igreja tem de ser o Projeto de Jesus, lido e escolhido na luz da Palavra de Deus, da grande Tradição viva, da Revelação de seus Desígnios que Deus faz aos pequeninos e aos retos de coração.&lt;br /&gt;O Projeto de Jesus é o de um Pobre (sem poder, anônimo, quenótico, lavando os pés dos Discípulos) que assumiu a condição histórica dos Pobres. Se identificou com eles e disse que o Seu Programa é “anunciar a Boa Noticia aos Pobres”, sua “libertação” e o “Ano da Graça do Senhor’.&lt;br /&gt;Creio que a Igreja Cristã – na qual os Pobres não se sentem acolhidos, EM CASA, valorizados, amados – não é mais a IGREJA DE JESUS.&lt;br /&gt;Toda forma de “assistencialismo”, de “paternalismo-maternalismo”, de “caridade”, de “Pastoral social”, que Humilha os Pobres e IMPEDE sua vocação de SUJEITOS e PROTAGONISTAS em todas as etapas do Processo de Promoção, Desenvolvimento – é UMA INJÚRIA CONTRA JESUS.&lt;br /&gt;Creio que OBRAS DE DIACONIA – como a desta santa TERESA DE CALCUTÁ – vale, na luz do Evangelho, enquanto, vivenciou o AMOR e a TERNURA de DEUS MÃE-PAI e enquanto se articular organicamente com todas as formas humanas, justas e solidárias do COMBATE PELA JUSTIÇA, para construir ESPAÇOS DE IRMÃOS (anti-sistêmicos) e uma ESTRATÉGIA GLOBAL que articule estes Espaços, na força da GRANDE UTOPIA.&lt;br /&gt;A FESTA DE DEUS (GLÓRIA) É A VIDA DAS MULHERES E DOS HOMENS DE TODA A HISTÓRIA.&lt;br /&gt;Creio que a NOVA EVANGELIZAÇÃO exige, de moco irrecusável, a INCULTURAÇÃO na diversidade das Culturas Humanas, o conseqüente ROSTO PLURAL da Comunidade dos Seguidores de Jesus, a permanente DIACONIA (no espírito de LAVAR OS PÉS DO POVO, sobretudo dos POBRES), o DIÁLOGO honesto e acolhedor macroecumênico, intereclesial e intra-eclesial, o ANUNCIO testemunhal e pela palavra do QUERIGMA, toda vez que os companheiros de História o PEDIREM POR LIVRE OPÇÃO.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;6 – &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;A IGREJA DIOCESANA DE CRATEÚS&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Sou o primeiro bispo da Igreja de Crateús, desde 09 de agosto de 1964.&lt;br /&gt;A expectativa das lideranças era que o bispo “construísse civilização”, como Escolas “católicas”, Hospitais, Rádio “católica”, etc.&lt;br /&gt;Pensando que a Missão da Igreja Particular em Crateús, era agradecer a Deus pelo zelo apostólico do bispo antecessor, que durante 40 anos “construiu civilização”, era reconhecer que a missão, como eu a compreendi, se expressa na Formação da Consciência dos Cristãos para que testemunhem sua Fé, em leal convivência com a Sociedade e construindo com os outros as “obras de civilização” necessárias – recusei ir codificando (com a Comunidade Cristã) uma IGREJA PODEROSA, COM OBRAS.&lt;br /&gt;Paga-se um preço alto POR ter recusado acolher a pressão social das lideranças, sobretudo um bispo que vem de longe e não tinha raízes culturais na terra cearense.&lt;br /&gt;Deveria eu ter caminhado ao ritmo das lideranças e, com a experiência, ir assumindo o novo Projeto?&lt;br /&gt;Será que o “afastamento” (sem exclusão explicita da parte da Igreja Diocesana) das CLASSES MÉDIAS se deve, em boa parte, a esta opção do Bispo? Pouco a pouco, ela se foi tornando a opção do Presbitério, dos Religiosos, dos Leigos participantes, dos Setores Diocesano de Pastoral, das Pastorais Sociais, das Comunidades Eclesiais de Base.&lt;br /&gt;Em que medida, também eu assumi o pecado do “centralismo autoritário?”&lt;br /&gt;Não tenho clareza sobre estes desafios. Espero que a reflexão sobre a práxis desta Igreja revele a Pedagogia realista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;7 – &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;A IGREJA DE CRAEÚS E A AJUDA EXTERNA:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Mesmo tendo recusado ser “construtor de civilização”. Mesmo tendo optado por uma IGREJA SEM PODER, sem OBRAS.&lt;br /&gt;Fui verificando que os habitantes da Diocese viviam a condição das “maiorias empobrecidas”, sem o mínimo básico para a auto-sustentação. E a Igreja sofria as conseqüências desta marginalização.&lt;br /&gt;Começamos PROJETOS de Educação de Base, de Promoção Humana, e Formação para a Vida Sindical e Política.&lt;br /&gt;Estas iniciativas “obrigavam” a solicitar AJUDA EXTERNA. Em 1965, o Orçamento essencial da Diocese – sem obras que exigem investimento – mostrava que a RECEITA INTERNA só cobria 12% da DESPESA INDESCARTÁVEL.&lt;br /&gt;Pedi muito dinheiro às agências de Ajuda da França, da Bélgica, da Alemanha, da Suíça, da Holanda, da Inglaterra, da Irlanda, do Canadá, dos Estados Unidos.&lt;br /&gt;Após 10 anos de COOPERAÇÃO INTERNACIONAL, descobri (e algumas áreas dos Diocesanos comigo) que:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1”) A cooperação não era “operação” de um lado e do outro, “bilateral” ou multilateral”. Era “OPERAÇÃO UNILATERAL”. Quem tem ajuda quem não tem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2”) Os doadores – muitas vezes, bem intencionados, generosos, com a firme decisão de não substituírem e de serem SUBSIDIÁRIOS – não podiam impedir que objetivamente a AJUDA caísse nos mecanismos sociais de DEPENDÊNCIA.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3”) O povo pobre, acostumado a anos de dependência e de mão estendida, DESEJAVA a AJUDA mas não sabia ADMINISRAR, por que foi espoliado da experiência administrativa pela sociedade excludente.&lt;br /&gt;Por isso mesmo, as AGÊNCIAS DE AJUDA não tinham confiança no povo necessitado, os “ajudados” não era INTERLOCUTORES. O “aval” administrativo era o do Bispo ou do Padre.&lt;br /&gt;Por este caminho o povo não aprende a ser senhor de sua história.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4”) Rabindronate Tagore dizia “Uma mulher, um homem CRESCEM, quando DÃO DE SI, não quando RECEBEM”.&lt;br /&gt;O povo pobre de Crateús introjetara o pensamento das classes poderosas “o povo não conta, não sabe, não é criativo. Só dá para ser trabalhador para os outros.”&lt;br /&gt;Por esta razão, o povo fica feliz, quando dá do seu produto agrícola. Assim tem a impressão de ser útil.&lt;br /&gt;As comunidades só devem elaborar Projetos, em resposta às necessidades que descobriram, quando têm os RECURSOS DE PESSOAS e MATERIAIS para realizá-lo.&lt;br /&gt;Uma vez amadurecidos na responsabilidade administrativa, as Comunidades COBRAM a cooperação e a administram, tornando-se INTERLOCUTORES. Não estendem a mão para PEDIR, mas levantam a cabeça para COBRAR.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5”) As maiorias pobres são alienadas – esvaziam-se da suja capacidade criadora (pois a sociedade as forçou a acreditar que eram incapazes) em FAVOR DO PROPRIETÁRIO, DO POLÍTICO, DO PADRE DE DEUS.&lt;br /&gt;Usando seus recursos pobres, em Projetos Comunitários, EXPERIMENTARÃO sua capacidade criadora e se tornarão sujeitos do Combate pela Justiça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;6”) Após 10 anos de mão estendida, a Igreja de Crateús decidiu suspender os PEDIDOS DE AJUDA.&lt;br /&gt;A essa altura, uma avaliação criteriosa dará razão ao Bispo, à Diocese? Ou considerará nossa opção como RADICALIZADA e pouco REALISTA?&lt;br /&gt;Mesmo pensando que nossa opção tinha bons fundamentos, não tenho CLAREZA COMPLETA.&lt;br /&gt;A pergunta básica que me resta:&lt;br /&gt;Esta Igreja, dizendo-se POPULAR E LIBERTADORA (objetivo do Plano), a serviço dos Pobres tem direito a procurar SEGURANÇA ECONÔMICA, independentemente da SOLIDARIEDADE com a INSEGURANÇA GERAL DO POVO?&lt;br /&gt;O que é, mesmo, uma Igreja com ROSTO DE POBRE?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Crateús, 1º de junho de 1997&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antônio Batista Fragoso&lt;br /&gt;Bispo Diocesano&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5704503579441133124-1833062621276544461?l=kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com/feeds/1833062621276544461/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com/2009/06/licoes-de-vida.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5704503579441133124/posts/default/1833062621276544461'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5704503579441133124/posts/default/1833062621276544461'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com/2009/06/licoes-de-vida.html' title='LIÇÕES DE VIDA'/><author><name>NóS TAMBÉM SOMOS IGREJA</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/_WEl_XV8J-QQ/Sc_ZA4N4RZI/AAAAAAAAAAM/W94cLwnoJjM/S220/Eu+e+Mel%C3%A2nia+nos+nossos+50+anos.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_WEl_XV8J-QQ/SjqZ3a8JhyI/AAAAAAAAAA4/zkHNIAbMYQw/s72-c/Digitalizar0001.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5704503579441133124.post-1822946545986986460</id><published>2009-06-14T15:40:00.000-07:00</published><updated>2009-06-14T15:46:18.090-07:00</updated><title type='text'>DOM HELDER COM A IGREJA SE ABRE PARA O MUNDO - por Fr. Hugo Fragoso</title><content type='html'>&lt;meta equiv="Content-Type" content="text/html; charset=utf-8"&gt;&lt;meta name="ProgId" content="Word.Document"&gt;&lt;meta name="Generator" content="Microsoft Word 12"&gt;&lt;meta name="Originator" content="Microsoft Word 12"&gt;&lt;link rel="File-List" href="file:///C:%5CDOCUME%7E1%5CJOOFRA%7E1%5CCONFIG%7E1%5CTemp%5Cmsohtmlclip1%5C01%5Cclip_filelist.xml"&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;o:officedocumentsettings&gt;   &lt;o:relyonvml/&gt;   &lt;o:allowpng/&gt;  &lt;/o:OfficeDocumentSettings&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;link rel="themeData" href="file:///C:%5CDOCUME%7E1%5CJOOFRA%7E1%5CCONFIG%7E1%5CTemp%5Cmsohtmlclip1%5C01%5Cclip_themedata.thmx"&gt;&lt;link rel="colorSchemeMapping" href="file:///C:%5CDOCUME%7E1%5CJOOFRA%7E1%5CCONFIG%7E1%5CTemp%5Cmsohtmlclip1%5C01%5Cclip_colorschememapping.xml"&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:worddocument&gt;   &lt;w:view&gt;Normal&lt;/w:View&gt;   &lt;w:zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;   &lt;w:trackmoves/&gt;   &lt;w:trackformatting/&gt;   &lt;w:hyphenationzone&gt;21&lt;/w:HyphenationZone&gt;   &lt;w:punctuationkerning/&gt;   &lt;w:validateagainstschemas/&gt;   &lt;w:saveifxmlinvalid&gt;false&lt;/w:SaveIfXMLInvalid&gt;   &lt;w:ignoremixedcontent&gt;false&lt;/w:IgnoreMixedContent&gt;   &lt;w:alwaysshowplaceholdertext&gt;false&lt;/w:AlwaysShowPlaceholderText&gt;   &lt;w:donotpromoteqf/&gt;   &lt;w:lidthemeother&gt;PT-BR&lt;/w:LidThemeOther&gt;   &lt;w:lidthemeasian&gt;X-NONE&lt;/w:LidThemeAsian&gt;   &lt;w:lidthemecomplexscript&gt;X-NONE&lt;/w:LidThemeComplexScript&gt;   &lt;w:compatibility&gt;    &lt;w:breakwrappedtables/&gt;    &lt;w:snaptogridincell/&gt;    &lt;w:wraptextwithpunct/&gt;    &lt;w:useasianbreakrules/&gt;    &lt;w:dontgrowautofit/&gt;    &lt;w:splitpgbreakandparamark/&gt;    &lt;w:dontvertaligncellwithsp/&gt;    &lt;w:dontbreakconstrainedforcedtables/&gt;    &lt;w:dontvertalignintxbx/&gt;    &lt;w:word11kerningpairs/&gt;    &lt;w:cachedcolbalance/&gt;   &lt;/w:Compatibility&gt;   &lt;m:mathpr&gt;    &lt;m:mathfont val="Cambria Math"&gt;    &lt;m:brkbin val="before"&gt;    &lt;m:brkbinsub val="&amp;#45;-"&gt;    &lt;m:smallfrac val="off"&gt;    &lt;m:dispdef/&gt;    &lt;m:lmargin val="0"&gt;    &lt;m:rmargin val="0"&gt;    &lt;m:defjc val="centerGroup"&gt;    &lt;m:wrapindent val="1440"&gt;    &lt;m:intlim val="subSup"&gt;    &lt;m:narylim val="undOvr"&gt;   &lt;/m:mathPr&gt;&lt;/w:WordDocument&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:latentstyles deflockedstate="false" defunhidewhenused="true" defsemihidden="true" defqformat="false" defpriority="99" latentstylecount="267"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="0" semihidden="false" unhidewhenused="false" qformat="true" name="Normal"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="9" semihidden="false" unhidewhenused="false" qformat="true" name="heading 1"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="9" qformat="true" name="heading 2"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="9" qformat="true" name="heading 3"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="9" qformat="true" name="heading 4"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="9" qformat="true" name="heading 5"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="9" qformat="true" name="heading 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="9" qformat="true" name="heading 7"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="9" qformat="true" name="heading 8"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="9" qformat="true" name="heading 9"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="39" name="toc 1"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="39" name="toc 2"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="39" name="toc 3"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="39" name="toc 4"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="39" name="toc 5"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="39" name="toc 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="39" name="toc 7"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="39" name="toc 8"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="39" name="toc 9"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="35" qformat="true" name="caption"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="10" semihidden="false" unhidewhenused="false" qformat="true" name="Title"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="1" name="Default Paragraph Font"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="11" semihidden="false" unhidewhenused="false" qformat="true" name="Subtitle"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="22" semihidden="false" unhidewhenused="false" qformat="true" name="Strong"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="20" semihidden="false" unhidewhenused="false" qformat="true" name="Emphasis"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="59" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Table Grid"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" unhidewhenused="false" name="Placeholder Text"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="1" semihidden="false" unhidewhenused="false" qformat="true" name="No Spacing"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="60" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light Shading"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="61" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light List"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="62" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light Grid"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="63" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Shading 1"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="64" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Shading 2"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="65" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium List 1"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="66" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium List 2"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="67" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 1"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="68" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 2"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="69" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 3"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="70" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Dark List"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="71" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful Shading"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="72" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful List"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="73" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful Grid"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="60" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light Shading Accent 1"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="61" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light List Accent 1"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="62" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light Grid Accent 1"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="63" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Shading 1 Accent 1"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="64" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Shading 2 Accent 1"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="65" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium List 1 Accent 1"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" unhidewhenused="false" name="Revision"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="34" semihidden="false" unhidewhenused="false" qformat="true" name="List Paragraph"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="29" semihidden="false" unhidewhenused="false" qformat="true" name="Quote"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="30" semihidden="false" unhidewhenused="false" qformat="true" name="Intense Quote"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="66" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium List 2 Accent 1"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="67" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 1 Accent 1"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="68" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 2 Accent 1"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="69" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 3 Accent 1"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="70" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Dark List Accent 1"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="71" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful Shading Accent 1"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="72" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful List Accent 1"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="73" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful Grid Accent 1"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="60" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light Shading Accent 2"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="61" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light List Accent 2"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="62" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light Grid Accent 2"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="63" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Shading 1 Accent 2"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="64" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Shading 2 Accent 2"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="65" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium List 1 Accent 2"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="66" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium List 2 Accent 2"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="67" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 1 Accent 2"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="68" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 2 Accent 2"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="69" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 3 Accent 2"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="70" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Dark List Accent 2"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="71" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful Shading Accent 2"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="72" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful List Accent 2"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="73" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful Grid Accent 2"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="60" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light Shading Accent 3"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="61" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light List Accent 3"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="62" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light Grid Accent 3"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="63" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Shading 1 Accent 3"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="64" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Shading 2 Accent 3"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="65" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium List 1 Accent 3"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="66" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium List 2 Accent 3"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="67" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 1 Accent 3"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="68" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 2 Accent 3"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="69" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 3 Accent 3"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="70" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Dark List Accent 3"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="71" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful Shading Accent 3"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="72" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful List Accent 3"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="73" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful Grid Accent 3"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="60" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light Shading Accent 4"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="61" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light List Accent 4"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="62" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light Grid Accent 4"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="63" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Shading 1 Accent 4"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="64" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Shading 2 Accent 4"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="65" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium List 1 Accent 4"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="66" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium List 2 Accent 4"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="67" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 1 Accent 4"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="68" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 2 Accent 4"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="69" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 3 Accent 4"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="70" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Dark List Accent 4"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="71" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful Shading Accent 4"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="72" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful List Accent 4"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="73" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful Grid Accent 4"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="60" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light Shading Accent 5"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="61" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light List Accent 5"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="62" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light Grid Accent 5"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="63" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Shading 1 Accent 5"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="64" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Shading 2 Accent 5"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="65" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium List 1 Accent 5"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="66" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium List 2 Accent 5"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="67" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 1 Accent 5"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="68" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 2 Accent 5"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="69" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 3 Accent 5"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="70" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Dark List Accent 5"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="71" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful Shading Accent 5"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="72" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful List Accent 5"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="73" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful Grid Accent 5"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="60" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light Shading Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="61" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light List Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="62" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light Grid Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="63" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Shading 1 Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="64" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Shading 2 Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="65" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium List 1 Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="66" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium List 2 Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="67" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 1 Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="68" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 2 Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="69" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 3 Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="70" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Dark List Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="71" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful Shading Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="72" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful List Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="73" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful Grid Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="19" semihidden="false" unhidewhenused="false" qformat="true" name="Subtle Emphasis"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="21" semihidden="false" unhidewhenused="false" qformat="true" name="Intense Emphasis"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="31" semihidden="false" unhidewhenused="false" qformat="true" name="Subtle Reference"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="32" semihidden="false" unhidewhenused="false" qformat="true" name="Intense Reference"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="33" semihidden="false" unhidewhenused="false" qformat="true" name="Book Title"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="37" name="Bibliography"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" pr
